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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Dec
10
2009

Pandemónio na casa de descanso III

Escritor: Elcio H. Pereira Jr.

pandemonio

Lá fora, o velho usa um jornal seco, que apanhara de cima de uma mesa na varandinha, para secar o banco de madeira do pátio, onde iria se sentar logo em seguida.

O gato, percebendo que o chão está molhado, salta sobre o banco e senta-se sobre as patas traseiras, ao lado do homem, atento aos movimentos dos pequenos pássaros, que voam de um galho ao outro do grande flamboyant e, por vezes, brincam entre as flores cor de magenta da buganvília mais adiante. Os olhos atentos do felino estão no movimento das aves, mas suas orelhas giram na direcção do homem sentado, absortamente, a olhar na mesma direcção que ele, com os olhos aparentemente vazios de emoções.

O velho sacode a cabeça levemente e sorri para si mesmo, discretamente. Ele lembra que a enfermeira-chefe costumava dizer que os seus olhos nunca sorriam.

Se ela soubesse… O homem apalpa alguma coisa no bolso esquerdo da calça e meneia, um pouquinho, a cabeça. A mesma canção, que já havia mexido com suas memórias, recomeça a tocar em sua cabeça…

I heard telephones, opera house, favourite melodies
I saw boys, toys, electric irons and TV’s
My brain hurt like a warehouse it had no room to spare
I had to cram so many things to store everything in there*

O velho tira um pedacinho de papel do bolso. Ele acaricia o papelzinho dobrado e amarelado pelo tempo. Com mãos um tanto trémulas, desdobra-o e observa a caligrafia miúda, quase rebuscada. Teria sido, a pequena mensagem, escrita para impressionar?

…And all the fat-skinny people… and all the tall-short people…*

Um nome, escrito em um pedacinho de papel, guardado com tanto cuidado, por tanto tempo… Uma memória de um único encontro e uma mensagem simples. Simples como a sua vida havia sido. O velho volta a dobrar, em dois, o papelzinho amarelado e a guardá-lo no bolso.

… And all the nobody people and all the somebody people…*

A canção continua a repetir, sem parar, na sua cabeça. Ele lembra do dia em que entendeu claramente o sentido daquelas palavras, colocadas tão simples e sabiamente na letra da canção. Lembra como repetiu aquela frase, inúmeras vezes, como se tentasse interiorizar a força e a veracidade de tão manifesta declaração.

…I never thought I’d need so many people…*

Ele percebera como aquela canção o fazia abominar esta dependência, que ele agora sentia, mais do que nunca antes. E, no entanto, a melodia tão bela e, ao mesmo tempo, tão desesperada, o fazia voltar no tempo e lembrar de coisas que o deixavam com vontade de chorar. Seus olhos perdiam-se no vazio. Ele já não estava interessado nos sons e os acontecimentos à sua volta. Sua mente viajava no tempo, para trás e para frente…

As luzes da sala de espera, em frente ao portão 21, de repente, pareceram apagar, excepto por uma: aquela que estava acima dos olhos azuis, que fingiam não ver o homem sentado, a ler um jornal e a demonstrar uma certa inquietação. Os olhos da alma do homem perceberam a luz do outro lado da sala, antes que ele levantasse a cabeça. Ao olhar naquela direcção, pensou, consigo mesmo, em como a vida, às vezes, podia ser injusta. Uma pessoa tão linda e não ia ter a oportunidade de conhecer. Ele, que não tinha o hábito de conversar facilmente com estranhos, daquela vez, não podia estar mais enganado…

Os olhos, por trás dos estranhos óculos escuros, momentaneamente entristeceram. O velho lembrou-se, com uma certa melancolia, de outras pessoas e sentimentos… Não sabia dizer se sentia saudades do que passara. Pode-se sentir saudades dos erros do passado? Nostalgia ou simples auto comiseração – que importava agora, se sua alma se sentia abraçada por um sentimento tão antagónico e sedutor? Era quase confortável experimentar, pelo menos, aquela sensação de tristeza, misturada com saudades de uma certa pessoa, que lhe deixara, de concreto, somente o pedacinho de papel, agora já amarelado pelo tempo e guardado com extremo cuidado em seu bolso.

O gato, sentado ao seu lado, percebeu uma ponta de angústia passar pelo semblante do homem e, chegando mais perto, deu uma cabeçada amiga no velho companheiro, nostalgicamente sentado, em silêncio, ao seu lado. O homem levou a mão à cabeça do felino e acariciou-lhe ternamente. O ronronar de aprovação fê-lo sorrir, apesar da estranha sensação que experimentava, naquele momento.

– Sempre um amigo… sempre atento às mudanças do meu humor…, disse baixinho o homem.

O gato moveu-se e apoiou as patas dianteiras sobre a perna do velho, pedindo mais um pouquinho de carinho e atenção, como se soubesse que esta atitude tinha o efeito exactamente contrário da intenção. O receptor se comprazia em dar ao outro o prazer da afeição que recebia… e ronronou de satisfação.

Lá dentro, as mulheres iam pouco a pouco se dispersando entre seus afazeres e outros interesses momentâneos, deixando de se preocupar com o homem sentado do lado de fora, que não lhes dava ouvidos, nem às suas lamúrias e protestos. Elas sabiam que seria inútil reclamar a ele, pois não lhes dava atenção, especialmente quando todas falavam ao mesmo tempo, facto que o velho ostensivamente abominava. Ele sabia que a directora servia de suporte às “aves palradoras”, pela sua simples presença. Elas usavam as parcas ocasiões em que a mesma se encontrava por perto, para instilar seus venenos e reclamações, completamente ignoradas pela paciência do velho.

Como a directora ia, agora, se ocupar com a enfermeira-chefe, a força das outras se dissolvera no ar, como nuvens ao vento. O som das vozes estridentes foi-se apagando e elas voltavam à sala de TV, ocupadas com seus crochés, revistas de fofocas e jogos de dominó.

Lá fora, o velho dá um suspiro de alívio, ao sentir que as mulheres se calavam. O gato se aninha ao seu lado e se prepara para uma tranquila soneca. O velho observa o felino a proceder com suas lambidas rápidas pela pelagem do dorso, barriga e patas, como se precisasse tomar um banho antes de dormir.

– Vamos ao meu gabinete, disse a directora à enfermeira-chefe. Precisamos conversar… e muito!

Nota do Autor:
* Referências da canção usada neste capítulo: Five Years (David Bowie) – P.1972


Categorias: Contos,Pandemónio | Tags: , ,

3 Comments»

  • As palavras em inglês, da canção “Five Years” de David Bowie, que originalmente saiu, no álbum Ziggy Stardust, foram usadas aqui, pelo conteúdo, condizente com o sentimento do homem. Tem uma versão moderna desta música, em que D. Bowie canta ao vivo, com o Arcade Fire e que é facilmente encontrada na net.

  • Li os tres capitulos juntos (acho melhor, para nao perder o fio da meada). Realmente, o conto esta divino.
    Esta terceira parte no momento em que introduz a musica me fez lembrar de um conto meu, parado… Que inclusive tbm tem um gato, mas o meu gato tem nome (Grandy) e eh gordo e vadio =P

  • Obrigado, Laize. “Divino” foi muita bondade tua, mas aceito o elogio. Só um comentário: o gato, aqui, é o único personagem com nome. Na parte 2, o velho o chama de “Ginger”. O nome foi dado pela cor dele.

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