Reforma
Escritor: Nina Rocha

Opaca. Assim era sua visão. As lentes arranhadas jamais seriam capazes de corrigir a tal imperfeição. Perdia tempo no trabalho e adiava o máximo o seu retorno ao cárcere privado. Quando chegava à pequena e velha casa, atirava o chapéu sobre os livros na escravinha. Já se tornara um ritual. Esfregava os olhos.
Queria sempre ter certeza de tudo que vira. Deitava-se sobre a estreita cama – há dias já não arrumada -, e se observava a não se importar com nada, contanto a si mesmo. As pupilas já dilatadas acompanhavam o rasgo que seguia na parede descascada. Ia até o teto, e então voltava ao chão e aos papéis nele espalhado. O que aconteceria se aquela fenda, por um instante, abrisse? Toda sua grandeza ou toda sua insignificância se reduziria a um desmoronamento ou seu reconhecimento póstumo o levaria a ser eterno, graças a algo que nunca vivera? Afinal, não era tão miserável como aparentava ser. Poderia ser mais gentil, se as pessoas fossem mais espertas. Por um instante, a rachadura permaneceu ali. Mas só por aquele instante. No dia seguinte, lá estava com a massa corrida, pronta para tampar os buracos. Pelo menos o de sua modesta moradia. Talvez sua visão já não fosse mais tão opaca? Mas o mesmo não poderia ser dito sobre sua existência.
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Hmm, não sei se entendei o motivo do conto. Mas eu gostei
Ué… fala de reforma na casa!
Gostei do conto… Tem varios sentidos se for pensar mais afundo.
Pois é.. ele é bem curtinho, mas tem profundidade.
eu não sei o qeu dizer mais gostei.
A solidão dos que moram sozinhos, preocupados com seus próprios deveres domésticos, inclusive o reparo na casa. Mas a pior fenda é a que está evidente em seu coração: o isolamento.
não entendi muito, mas gostei…