Os Filhos Do Gelo
Escritor: Pandion Haliaetus

Enquanto escalava o Monte Jomurgand, Jotun observa uma enorme pedra que rola mortalmente em sua direção. Por um instante o frio desaparece e seu sangue acelera, e tão rápido quanto uma raposa das neves o gigante de cabelos negros tomba para o lado e se afunda na neve, fazendo com que a morte passe de raspão em seu corpo.
Ao sair de sua toca, o guerreiro olha o precipício e apenas escuta o som do vento gélido cortando cada parte pontiaguda da montanha, e do pedregulho se despedaçando aos poucos cada vez que toca a montanha de gelo e neve. Com a intuição aguçada de um bárbaro acostumado ao inferno gelado, ele pressente que algo está errado, mesmo que seus olhos não vejam e seus ouvidos não oucam a ameaça.
Repentinamente um sombra avança e toma lugar sobre a sua. Jotun vira-se rapidamente movido por um instinto felino e vê que algo se aproxima por cima. Mas ao olhar é ofuscado pelo sol, e em um movimento involuntário ele pula para o lado, como que quem escapa de uma manada vindo em sua direção. No lugar aonde a poucos momentos ele estava, agora está um gigante, coberto por pesadas peles dos animais das montanhas, em sua cabeça veste um elmo fechado apenas com os olhos e boca a mostra, com dois chifres, em suas mãos um temível machado de duas lâminas.
O impacto do homem foi tão intenso que no local uma parte da econsta começa a ceder, e ele olhando aterradoramente para Jotun, pisa com força no local do impacto fazendo com que aquela parte desabe. Agora de pé, pode-se ver que Jotun mais parece uma criança se comparado ao tamanho de seu agressor.
Olhando para os lados, Jotun desata seu machado-picareta das costas e profere – O que desejas cão? O que um filho de Wyrm tem com um Yuesir – enquanto contrai os músculos para que esses se aqueçam e fiquem preparados para o combate.
Com um olhar tão frio quanto um cadáver e a voz tão gutural quanto um bisão, o gigante das neves fala. – Sua cabeça, bárbaro das estirpes planas. Hoje você será a oferenda ao poderoso Wyrm, e por sua causa meus irmãos haverão de crescer mais fortes.
Por alguns segundos ambos se entre olham e o vento sussurra a seus ouvidos o cântico da morte, assovios sinistros e medonhos. O local da batalha é pequeno, e qualquer erro será fatal.
A cria de Wyrm toma o machado em duas mãos enquanto avança a passos largos por entre a neve. Jotun segura o sua arma com uma das mãos e pretende um ataque vindo de baixo, o Wyrm ergue o machado como quem pretende partir a montanha em duas. Jotun rapidamente puxa uma faca das costas e arremessa em direção ao rosto do gigante, o qual defende a faca com um dos braços, fazendo com que ela se interre em seu antebraço. Jotun aproveita o momento e desfere um golpe vertical visando o dorso do inimigo, mas antes que a lâmina encontre o destino uma nuvem de neve sobe, provocada por um movimento de perna do tenebroso adversário. Jotun tenta se proteger mas é arremessado longe por um golpe violentíssimo do braço intacto do Wyrm.
Assim que a neve assenta, o gigante procura sua presa e vê que ele está se segurando por um dos braços na beira do precipício. Soltando uma gargalhada, sua voz ecoa incontavelmente, enquanto ele se aproxima para buscar a cabeça do pequeno intruso. Mas assim que ele põe seu rosto a mostra, Jotun usa o machado com a outra mão e crava a parte pontiaguda na canela do bruto, fazendo com que ele instintivamente se mova pra trás em um urro de dor. Jotun aproveita o movimento e sobe para a pequena porção de pedra e neve que é o palco da luta, agora manchado com sangue, dando uma nova coloração a visão estéril.
Com o machado cravado em sua perna, o gigante se abaixa para arrancá-lo, Jotun corre e salta, usando seu corpo como um aríete, fazendo com que o adversário perca o equilíbrio, e agora caído em cima do adversário, o gigante tenta agarra-lo, enquanto Jotun visa retornar seu machado, e tão logo que a mão do adversário agarra a cabeça de Jotun, fazendo com que ele se sinta um simples boneco, ele retira a faca do antebraço, cravando-a no peito do gigante por entre as peles fedidas. Com isso Jotun é solto, e salta para trás rolando e puxando seu machado da perna do inimigo.
Jotun tira um tempo, para limpar o sangue de sua boca, enquanto o Wyrm se levanta da neve e range os dentes como um animal raivoso. Jotun observa bem o palco da luta e um plano surge em sua mente. Rápidamente ele avança e o adversário ruge brandindo seu machado, quando muito próximo ao impacto dos machados Jotun cessa seu movimento e gira o corpo no mesmo sentido da lâmina, fazendo com que um rasgo apareça em suas costas, mas criando uma abertura para que sua lâmina encontre em cheio o crânio do gigante. O som do metal se partindo ecoa pelos ares e o gigante tomba em meio a um jato de sangue. O elmo voa longe, e os olhos do gigante continuam os mesmos, mas seu corpo não se move mais.
Jotun olha para seu machado, agora com a lâmina despedaçada. Com um ar de raivoso ele mostra os dentes para o cadáver do gigante, à moda de um felino que reforça sua superioridade e joga o que sobrou de sua arma em cima dele.
Sem muito o que fazer ele sente as costas em chamas. O sangue escorre em rios. Para evitar o pior, ele deixa-se cair de costas na neve, e adormece, com esperanças de não acordar em Yusengard, a terra dos Deuses. Ao ir se deixando levar pela cantiga das montanhas, ele pensa – Maldito Templo de Gelo, que fica nestes confins do reino de Wyrm, quando eu chegar até lá, alguém pagara pelo que tive de passar.
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Gostei do conto, tem ação a desde o início atéo fim. Mas você repete muito o nome do personagem. “Jotun”
–
No mais ta legal =)
Gostei. Não sei pq me lembra 300 (a ilustração talvez..), mas tá legal!
Hehe.. é. Na ilustração aparece um elmo espartano! =)
mas o importante é o conteúdo q tá bom!
Marcando minha volta ao ONE, esse conto foi inspirado pela obra de Robert E. Howard, abraço a todos!
fodido!
me lembrou o cenario de rpg Vikings, lançado em meados de 2004 por aqui…
Mais por vir! Histórias separadas de um mesmo universo. Aguardem mês que vem, pois a fila no ONE é grande.
Hmm, acho que faltou mais história. Mas está divertido e bem escrito.
Não tem história, é a narração de uma luta apenas. Se torna difícil desenvolver histórias em contos curtos, o que posso fazer é ir construindo um cenário com os elementos no conto.