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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Jan
21
2010

Wulfgaard ‘Bjorn’: A saga de um guerreiro – Parte 9

Escritor: Gabriel Cunha

a-saga-de-um-guerreiro

Capitulo 1 – Um Novo Começo – Continuação

Cruzamos o portão um pouco depois de esperarmos Ingvar montar em seu cavalo novamente após ter caído por ter esquecido de prender a sela ao animal. O garoto era mesmo um cagalhão. Tinha um corpo franzino, bem fraco, não tinha porte e nem jeito de guerreiro. Não sabia como conseguia erguer sua própria espada. Mas ali estava ele, cavalgando todo pomposo como se fosse um verdadeiro líder.

Bem diferente disso era Naddod, que cavalgava ao lado de Ingvar. Além de alto, era muito forte. Não possuía um rosto mutável. Era uma expressão sempre fechada, raivosa. Os cabelos loiros contrastavam com sua cota de malha reluzente. Ele sim deveria ser um bom guerreiro. Não conseguiria uma malha daquelas sendo um medroso. Com ele estavam seus dois cães. Hopp e Yrsa. O que era para ser uma viagem silenciosa estava se transformando em barulho com aqueles cães latindo e correndo.

Já havia se passado algumas horas desde que saímos de Thunderslay e o sol batia em nossas cabeças com força. Naddod e Ingvar, que iam à frente, conversavam e riam alto. Padre Baldwyn e eu não falávamos muito, talvez por estarmos mais atenciosos com o caminho até a aldeia de Withburga. Durante o caminho não vimos pessoa alguma, apenas pássaros, pequenos animais e gado pastando. Padre Baldwyn vinha cantarolando uma música bem chata naquela língua que eu não entendia e eu não via a hora dessa viagem acabar, chegar em casa e sentir o beijo de Ailith de novo.

Por mim, não iria pegar padre algum. Na verdade, acho que mataria todos eles. Fracos. Não têm honra. Qualquer problema e logo pedem ajuda para seu deus, se ajoelham e imploram pela desprezível vida que possuem. O povo passa fome enquanto eles guardam ouro e prata em suas patéticas igrejas. Raça de víboras. Se for pra ser um cristão assim, continuarei com meus deuses e deusas, meus sacrifícios, meus ritos, minha guerra e minha honra. Mesmo sentindo esse desprezo por padres, monges e qualquer tipo de sacerdote cristão, o padre Baldwyn não me causava essa repulsa, talvez por ele não aparentar gostar da riqueza. Não usava as grossas e pesadas correntes de ouro com cruzes de prata no pescoço, só tinha aquele cordão de couro com a velha cruz de madeira. Vivia se preocupando com as pessoas à sua volta mais do que com ele mesmo. Acho que esse era o diferencial que ele possuía.

– Como está a igreja de Santa Withburga meu filho?

– Está sendo reformada padre. Os homens estão trabalhando sem parar. É capaz de já estar pronta quando chegarmos.

– Tomara meu filho, tomara. Estou ansioso para falar de Cristo para aqueles novos cristãos.

– Cuidado para não falar demais padre – Dei um sorriso ao lembrar-me de um padre que falou demais e cortamos-lhe a língua. – Não fiz essa viagem para que você morra lá.

– Já lhe disse que com Deus eu estou seguro meu filho – Dizendo isso, beijou a velha cruz de madeira presa ao pescoço.

O vento balançava a grama alta que crescia ao lado da estrada de terra em que seguíamos. O barulho que produzíamos assustava alguns pássaros que estavam no mato alto, fazendo os cães de Naddod correrem como loucos atrás dos pássaros que voavam.

– Então nossa aldeia é chamada de Wit… O que mesmo padre?

– Withburga meu filho – Ele falou dando um risinho por eu não ter conseguido falar o nome da cadela. – Foi uma virgem santa aqui da Ânglia Oriental, filha mais nova do rei Anna. Depois que ela perdeu o pai em uma batalha, foi para Dereham e lá fundou uma igreja. Pena que não pode ver a igreja ficar pronta, pois morreu antes – Agora ele tinha uma afeição triste enquanto falava. – Ela foi uma verdadeira santa e está sepultada em Dereham, mas a mão direita está na igreja da aldeia que tem o nome dela.

– Está me dizendo que lá guardam a mão de uma mulher que morreu faz anos? – Perguntei com escárnio.

– Isso mesmo – O sorriso voltou ao rosto do padre quando ele falou disso. – E estou muito feliz em saber que verei a mão da santa novamente.

– Quando entrei na igreja não vi nenhuma mão ressacada de uma defunta – Ri alto ao imaginar uma defunta defendendo uma cidade. – Vocês cristãos dizem que somos loucos por queimarmos nossos mortos e vocês guardam a mão de uma morta e estão sãos?

– A mão da santa é milagrosa até hoje meu filho! – O padre estava ficando fervoroso ao falar da santa e sua mão cadavérica. – Ao tocar na mão várias pessoas foram curadas, mulheres que não podiam ter filhos estão grávidas e, além disso, a santa nos protege.

– Protege tão bem que nós tomamos a aldeia em menos de uma hora – Novamente eu ria alto enquanto o padre Baldwyn fez cara de bravo e me olhou sério. – Matamos alguns homens, estupramos as mulheres e escravizamos as crianças e não vi santa alguma. Por isso que eu confio na minha destreza com a espada e nos deuses, do que na mão de uma mulher morta.

– Olha como fala da Santa Withburga! – Padre Baldwyn levantou o dedo indicador com fúria, parecia que iria lançar uma maldição. – Deus pode te transformar em um cão que caga sangue por falar isso!

– Se isso acontecer padre, eu irei atrás de você e depois de matá-lo, mijarei em seu corpo e cagarei sangue nessa sua grande boca que tem – Dei um sorriso.

Naddod e Ingvar não falaram conosco durante todo o caminho que percorremos até avistarmos uma pequena coluna de fumaça. Estava um pouco distante de nós, mas já dava para ver que não era um incêndio grande. Queimávamos fazendas e aldeias inteiras, mas aquela fumaça era pouca para que fosse uma propriedade grande. Os dois à frente apenas nos olharam e continuaram cavalgando sem dizerem nada, e assim fomos seguindo pela estrada de terra cercada por mato alto.

– Acha que estamos seguros Johan? – Dava para ver claramente que padre Baldwyn estava preocupado com o percurso. Ele era saxão, mas em um ataque, talvez perdesse a vida também. Caso fossem dinamarqueses, poderiam querer matar o padre apenas por diversão.

– Pensei que confiasse no seu deus, padre.

– Ora! Cale a boca e responda a minha pergunta!

– Está convivendo tempo demais com os dinamarqueses, velho – Ele segurava a cruz de madeira com força e olhava para todos os lados. Por isso os saxões estavam perdendo suas terras para nós, apenas sabiam rezar ao invés de lutar. – Mas estamos seguros sim, pelo menos até agora.

– Vocês são três dinamarqueses. Se aparecerem mais de vocês, acho que verei a face de Deus ainda hoje.

– Por outro lado padre, se aparecerem saxões, virão matar os três dinamarqueses que devem estar seqüestrando o velho padre indefeso. Então nós é que veremos as Valquírias ainda hoje.

Padre Baldwyn riu com a hipótese, mas continuava apreensivo. À medida que cavalgávamos, a coluna de fumaça ia chegando mais perto, ficando mais densa e já podíamos sentir o cheiro de queimado.

– Acha que isso pode ser um ataque dos seus amigos, skald? – Naddod havia parado seu cavalo, mas não havia sinal algum de medo naquela cara feia.

– Pode ser, mas nós já saqueamos tudo nessa área. As aldeias menores nos pagam o Danageld – que é o tributo pago a nós para que não ataquemos suas terras. Quanto mais pagam, menos recursos têm, então quando os recursos acabam e não nos pagam, nós atacamos. – Pode ser que alguém não nos tenha pago.

– Tomara que sim – Naddod voltava a cavalgar e parecia não se incomodar com o que poderia estar no caminho. – Não quero me cansar com uma luta nessa manhã.

Naddod era tão cheio de si que se tornava algo esquisito de se ver. É importante ter confiança em você mesmo e na sua espada, mas sua vida está nas mãos dos deuses. Eles que decidem sua vida, seu futuro, seu destino. Ele devia ser um bom guerreiro, pois não era qualquer um que possuía uma cota de malha tão bela e um cavalo tão bem tratado. Deveria ter bastantes terras e riquezas para ser noivo da filha de Asgeir, o Manco. Talvez por tudo isso eu não confiasse nele, ou talvez sua prepotência, mas eu precisava vê-lo lutando com alguém antes que fosse comigo. Queria conhecer meu futuro oponente, porque eu sabia que algum dia isso iria acontecer.

Ingvar, assim como todo cagalhão, não falava e nem fazia nada. Se falasse gracinha para mim ou Naddod, iria apanhar feito criança. Então continuava cavalgando ao lado de Naddod sem abrir o bico, e acho que nem peidava de tanto medo. Mas o silêncio de Ingvar foi interrompido quando avistamos o que ardia em chamas, criando aquela coluna de fumaça.

– Mas o que é aquilo na estrada? – Ingvar com os olhos arregalados e pele pálida, esticava o dedo na direção em que olhava.

– Parece que algum porco idiota ateou fogo à carroça no meio da estrada – Todos nós olhávamos atentos para os lados enquanto Naddod falava. – Deve ser um dos seus amigos idiotas, skald.

– Ou talvez sua mãe tenha passado por aqui e quando abriu as pernas para meus amigos, queimou tudo o que estava à sua volta. – Respondi enquanto cavalgávamos em direção à carroça.

– Você é o filho de uma porca prenha, pequeno guerreiro de bosta! Está querendo morrer?

– Se é tão bom assim, desça do cavalo e tente a sorte.

– De novo não senhores. Todos nós precisamos chegar em segurança à aldeia de Withburga. – Padre Baldwyn, como da outra vez, só queria apaziguar as coisas.

– Feche essa boca com bafo de vômito seu velho de saia! – Naddod desceu do cavalo e eu fiz o mesmo. Ingvar também desceu e ficou olhando para nós dois, já empunhando as espadas. Padre Baldwyn foi o único que continuou montado e começou a rezar.

Eu já estava pronto para o combate. Meu coração batia forte naquele momento. Não me lembro como estava o céu ou se pássaros voavam naquela hora, apenas me lembro do momento do furor do combate, saber que eu poderia fazer com que Sangue Fresco provasse da carne de mais um que cruzou o meu caminho, ou, eu poderia estar caído ao chão agonizando ou já morto. Se eu morresse naquele momento, morreria bem, pois estaria com minha espada nas mãos e um guerreiro deve morrer assim. Naddod era um adversário forte e medonho, difícil de encarar no combate e fora dele, mas eu não estava ali para desistir e nem para morrer. Eu não sou apenas um skald ou um pequeno guerreiro como aquele idiota dizia, eu sou um grande guerreiro com o sangue de meu pai correndo nas veias, meu pai que era descendente do próprio Odin, grande homem de guerra, um dos maiores guerreiros que a Dinamarca já pôde ver. Ulfar, o Gelado. Mas isso eu contarei um pouco mais adiante.

Meu problema naquela hora, grande problema, era Naddod. Como eu faria para vencê-lo? Com todo aquele tamanho eu poderia tentar cansá-lo, mas eu teria que ser muito rápido, um golpe dele e tudo estaria acabado para mim, porém, melhor morrer lutando e assim manter minha reputação do que ser um covarde cagalhão como muitos por aí. Olhei naqueles olhos negros e fundos de Naddod, apertei firme o punho de Sangue Fresco, fiz minha oração para Odin e provoquei Naddod.

– O que está esperando saco gigante de bosta? Acha que sua mãe vai passar de novo aqui para me incendiar com o lugar de onde você saiu um dia?

Naddod não respondeu, nem deve ter pensado em algo para falar, apenas grunhiu como um animal e se lançou contra mim. Ele vinha girando sua espada em minha direção e nesse momento lembrei-me de quando era criança e meu pai me dizia: Você é meu filho, e como seu pai e o pai de seu pai, irá se tornar um guerreiro. O sangue que corre em meu corpo corre em você meu filho. Sangue do próprio Odin, sangue guerreiro, sangue dos Einherjer. Tem algo que eu quero que nunca se esqueça. O gado morre, os parentes morrem, a própria pessoa morre. Conheço apenas uma coisa que não morre – o renome dos nobres mortos.

Quando me lembrei disso senti meu corpo tremer, mas não era medo ou desespero por ver aquele ser vindo em minha direção, era a vontade de matar. Raiva por recordar do passado e não poder ter feito nada, pois tinha apenas dez anos. Quanta raiva dentro de mim. Olhei Naddod, que chegava cada vez mais perto e com velocidade, cortando o ar com sua espada que vinha em direção ao meu rosto. Em um momento inesperado de raiva, ódio, dor e tristeza, gritei o nome de meu pai e levantei com rapidez Sangue fresco, fazendo com que ela golpeasse com força a espada que vinha em minha direção. O impacto entre elas foi tão forte que onde as lâminas se encontraram, uma faísca surgiu seguida de pequenas lascas de ambas as espadas. Paramos por um segundo por causa do dano causado às lâminas, quando uma lança passou voando entre nós e acertou em cheio o peito do cavalo em que o padre Baldwyn estava, fazendo o animal relinchar de dor e jogar o santo homem no meio do capim alto. De início pensei que fossem os homens de Wulfgaard, mas eles não acertariam o cavalo e sim, o homem que lutava comigo. Foi quando ouvimos o grito ensurdecedor de Ingvar.

– Saxões!

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