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Feb
23
2010

A Garçonete

Escritor: Vitor Vitali

a-garconete

O sino de latão sobre a porta sacolejou quando ela se abriu e um homem simples, vestido em um blazer acinzentado, entrou e olhou para os lados a procura de um lugar para se sentar. As altas cadeiras próximas ao balcão estavam quase todas ocupadas e os bancos revestidos com um estofado vermelho, que contornavam toda a extensão do pequeno restaurante deixando apenas o vão para a porta, também. O homem caminhou alguns passos mais para dentro, e viu um sujeito se levantando de um dos bancos no fundo. Caminhou até lá e se sentou no banco, ainda sentindo o calor do sujeito – que pagava a conta e se dirigia para a saída – no estofado. Uma garçonete se aproximou e retirou o prato, os talheres e o copo usados de cima da mesa.

O homem colocou sua maleta sobre a mesa, e a abriu. Tirou de lá alguns papéis e uma caneta bonita com detalhes dourados e um corpo azul mármore, que havia sido presente de seu chefe em um natal muitos anos há trás. O homem debruçou-se sobre o papel jogando sobre ele toda sua atenção. A caneta batucava na mesa em um ritmo que lembrava alguma música dos anos setenta.

Uma sombra surgiu ao seu lado e ele virou-se para olha-la. Uma garçonete baixinha de rosto simpático estava ao seu lado com um bloco de papel e uma caneta sobre ele, pronta para anotar o
pedido.

–E o que vai ser hoje? – perguntou ela soltando um sorriso verdadeiro de simpatia. – O menu está ali – indicou ela com a caneta para baixo da pasta do homem que estava sobre ele.

O homem atentou-se e tirou o menu de lá de baixo e seus olhos percorreram com leve descaso a extensão do menu. Ele então o percorreu mais uma vez e olhou para a garçonete, baixando o menu
sobre a mesa.

–Um filé ao molho madeira; fritas; arroz e uma porção pequena de salada – disse o homem forçando um sorriso. – Filé bem passado – acrescentou.

A garçonete olhou sem semblante por alguns instante sem nada responder ou anotar. Então após um tempo de silêncio incomum, ela falou:

–Senhor, eu poderia-lhe sugerir os especiais da casa? Estão excepcionalmente bons hoje.

–Hmm, não, obrigado, vou ficar com esse pedido mesmo – respondeu e acrescentou. – Mas obrigado pela sugestão, muito gentil da sua parte.

–Talvez devesse mudar um pouco. Você deve comer filé com freqüência. Que tal uma boa dose de mudança?

–Não, sério, vou ficar com meu pedido mesmo – frisou o homem achando estranho a insistência da mulher. – Obrigado.

–Às vezes agente nem percebe que precisa de algo novo – falou ela guardando o bloco e a caneta em seu avental. – Sabe? Assim como… hmm… quando falta energia, e agente descobre que nossa casa é muito maior do que parece, ou que tem muito mais coisa nela do que nós achamos?

Coisas divertidas e interessantes e…

–Certo – interrompeu o sujeito, incomodado com a insistência da garçonete, mas tentando parecer educado. – Diga-me então quais são os especiais da casa – pediu.

–A verdade é que os especiais da casa nem são assim tão bons – comentou esboçando uma caricata expressão de decepção. – Às vezes eu queria sabe… comer algo novo… como um nascer-do- sol! – disse a garçonete abrindo os braços e olhando para o teto como se ali houvesse uma imagem incrível.

–Bem… vocês tem nascer-do-sol? – perguntou o homem sem saber muito o por quê.

–Claro que não, homem, olhe lá para fora. Já são quase seis da tarde! – comenta a garçonete. – O que me faz lembra de que agora temos pôr-do-sol. Gostaria de experimentar?

–Hmm… sim, me agradaria experimentar o pôr-do-sol.

–Pensado bem, você não vai gostar. Pores-do-sol não são tão saborosos quanto qualquer nascer-do-sol – disse ela pensativa.

–Vocês certamente tem um menu incomum – comentou o homem e deu seu primeiro sorriso verdadeiro daquele dia, como grilhões se rompendo após anos de cárcere.

–E não é que temos? – gargalhou a garçonete. – Mas então, o que vai querer?

–Já não tenho mais certeza do que tem, e do que não tem. O que me sugere?

–Bem… eu gosto daquela sensação de chegar em casa após um dia longo de trabalho, sentar na poltrona mais confortável que tiver, tirar os sapatos e dobrar os dedos ainda com meias sobre um fofo tapete enquanto o gato pula sobre você e se enrola sobre seu colo, ronronando e pondo-se à dormir.

–É sem dúvida uma boa sensação.

–Acredito que temos ela com queijo.

–Evito lactose. Alguma outra sugestão?

–Hmm… Sabe quando você faz algo bem feito e procura que as pessoas reconheçam seu feito… como é mesmo o nome dessa sensação?

–Acho que é reconhecimento.

–Isso! Nós temos. Aceita uma ou duas porções, Senhor? – perguntou a garçonete.

–Hmm, aceito sim. Não sabe quanto eu preciso disso – comentou o homem olhando para os papeis sobre sua mesa. – Não sabe o quanto – enfatizou.

–E quem não precisa? – disse a garçonete apontando para seu crachá, onde lia-se “Ivone.” – Esse nem é o meu nome – comentou expressando uma face que misturava adaptação com aceitação, somado com uma leve felicidade sem motivo.

O homem baixou os papéis sobre a mesa e concordou com a cabeça.

–Bom conversar com você, não-Ivone – sorriu novamente, e sentiu a sensação engraçada de se lembrar como é isso.

–A maioria que vêm aqui já se esqueceu como é se relacionar com as pessoas a sua volta. Às vezes o que aquele velho chato que mora ao seu lado só precisa é de uma boa dose de conversa, eu acho. As pessoas estão tão distantes e mecânicas. Quase todas vêm ao restaurante para comer, e não para apreciar a comida.

O homem concordou com a cabeça. A garçonete então deu um sorriso de lado, que expressava tantos sentimentos que o homem não sabia ao certo descrever, mas sentiu-se extremamente empático e atraído pelo calor que dele emanava; ela virou-se e voltou para dentro da cozinha, fazendo as portas vai-e-vem sacudirem com sua passagem. O homem voltou-se para seus papéis.

Ali ele viu pela primeira vez em muito tempo, apenas letras e números. Não havia sentimento, não havia calor. Alguns minutos depois a garçonete saiu pela porta trazendo um prato e o botou sobre a mesa. O homem sentiu o cheiro do filé invadindo suas narinas e fazendo sua boca aguar. Ele acenou um obrigado com a cabeça.

–O que gostaria de beber? – perguntou a garçonete.

–Bem, o que me sugere?

–Eu gosto de beber alguns goles de felicidade – comentou a garçonete. – Mas está meio em falta e a qualidade, acredite em mim, não está assim tão boa. Precisamos trocar de fornecedor.

–Há algo mais que eu possa pedir para beber, então?

–Bem, posso sugerir um copo de Esperança? – indagou a garçonete.

–Não está em falta? – perguntou o homem.

A garçonete sorriu até as orelhas.

–Sempre há esperança.

Ele concordou. Ela caminhou para dentro da cozinha para buscar a bebida. O homem olhou para seu filé e sentiu seu cheiro. Pegou os talheres, cortou o filé e o colocou na boca sentindo seu sabor derreter em sua língua. Aquele era o melhor filé que já havia comido.


Categorias: Contos | Tags: , ,

21 Comments»

  • Báthory says:

    Interessante… Bom..

  • Najla says:

    Acabo vendo o mundo como a não-Ivone.

  • Vitor Vitali says:

    Alguns dos meus contos sempre vem com uns parágrafos estranhos que não deveriam estar ali. 🙁

  • Que viagem solta, Vitor. Parece um daqueles escritos do Caetano no tempo do “Alegria, alegria”…

  • Sei que é encher a bola… mas o Vitor é um dos escritores que mais gosto aqui no ONE. Difícil ter um texto dele que eu não goste! =)

    Muito bom, muito bom mesmo… sempre bem fantástico, com a imaginação solta!

    Se fosse eu o cara sentado, teria me levantado da mesa, mandado a garçonete para aquele lugar e ido embora.. assim que ela insistiu pela segunda vez no prato-da-casa 😀

  • Dieyson' says:

    É… fugiu bem do teu estilo meio dark. Mas ficou bom. Dígno de capítulo do Sandman… (não). Mas ficou bom 😀

  • Atreus says:

    Definitivamente um boa historinha. Mas eu teria dado um murro na garçonete chata.Meu, uma dessas começa com essas historias de um copo de amor com um steak de paixao,fujo do restaurante.Ai nem Mariolas da pra afastar! =D

    Gostei mesmo!

    Thumbs up!

    • Como falei acima também… se a garçonete viesse com esse papinho pra cima de mim… =o

      Imagina, pegar alguém, tipo em dia de fúria, calor do caramba, acabou de sair de um puta engarrafamento.. o cara só que comer uma refeição e ir embora… “Você não gostaria de um pouco de ternura?!” O.O PÁÁÁÁ! Tapaço na garçonete =)

  • Andrey Ximenez says:

    Interessamte. Um conto leve, afinal…

  • Jones says:

    Fugiu completamente do seu estilo, ou não, este ai estava prestes a pirar de vez e já estava vendo Gnomos!!! Mas afinal, sei lá, achei estranho! Ainda não sei se gostei ou não, sabe aquela sensação.

    O texto esta bem escrito, disso não posso discordar!

    Outra coisa que me lembrou foi o inverso do que o conto se propões, sabe aqula musica do Matanza que ele mata todo mundo em um bar, é me lembrou isso.

  • Geovanni Chrestani says:

    Muito bom. Tive uma idéia de cardápio semelhante para um livro infantil. Mas, fala aí, Vitor, você não é vegetariano, né? Rs.

  • Ah, como vocês são chatos, a garçonete abre os olhos daquele pobre homem e ainda tem a capacidade de ficarem falando besteiras do tipo que daria um tapa? Tsc tsc, gostei da garçonete e com certeza a agradeceria pela magnifica conversa e pela visao que possui.
    Ah sim, gostei mais uma vez do conto… =)

  • Gostei da leveza do texto, dos diálogos, do tema em si. Bem escrito pra caramba. Parabéns.

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