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Oi!

Sou o ONEbot. Se esse texto esta em meu nome, provavelmente ele foi publicado no ONE nos primórdios de sua existência.

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Feb
09
2010

A sombra e a esperança – Parte 3

Escritor: Arjan Goes Tinoco

a-sombra-e-a-esperanca

Uma sombra emergiu no terraço do Royal Shell. Tratava-se de um apartamento na cobertura, que ocupava todo o andar. Era o mais caro, e tinha uma decoração em estilo rústico. Apenas um hóspede o ocupava no momento e Seishiro iria matá-lo.

Sem fazer ruído algum, o ninja aproximou-se de uma das portas que conectavam o interior do apartamento à relativamente espaçosa área externa do terraço onde Seishiro estava. Encontrava-se aberta. “Realmente Arthur Garcia subestima a morte.” Pensou o ninja.

Movendo-se sorrateiramente, Seishiro entrou no quarto onde seu alvo dormia. Estava escuro. A única iluminação vinha da luz azulada lua cheia, que entrava através das frestas verticais da janela. A decoração interna era de fato rústica, imitando algum estilo comum em casas de séculos anteriores, com paredes de madeira ou algo similar, ao invés do material metálico usado normalmente, e com quadros com paisagens que já pertenceram a um passado remoto, quando o mundo era mais verde. Era apenas mais uma das excentricidades do hotel pela qual os clientes acreditavam valer à pena pagar.

Aproximou-se da cama. O bigode volumoso e o nariz proeminente eram inconfundíveis. Estava diante de Arthur Garcia, milionário, dono das maiores indústrias de armamentos do país, financiador de guerras, “e um grande desgraçado.” Concluiu Seishiro em suas ponderações.

Na penumbra, Arthur parecia dormir profundamente. A segurança do hotel nunca alertava seus hospedes no caso de um invasor, até porque isso jamais ocorrera. E como o chefe da segurança estava morto, Seishiro achou melhor voltar ao plano do suicídio. Não porque achava que a população não iria saber que fora um assassinato, mas sim pela ironia da situação.

Enfiou sua mão direita por dentro de um dos bolsos ocultos em sua roupa de infiltração e retirou uma pistola laser. Era um dos modelos principais que as indústrias de Arthur fabricavam, e era isso que tornaria seu suicídio irônico.

Mas havia algo de errado.

Aquilo à sua frente não era o homem que procurava. Era um boneco.

– Maldição! – Exclamou Seshiro, abaixando-se e rolando para o lado. Três shurikens1 quase o atingiram, em regiões diferentes de seu corpo. Fincaram na parede.

– Muito bem, ninja! – Disse Arthur, rindo alto. Estava de pijama e pantufas, com uma shuriken em cada mão. Era um homem alto e forte, com longos cabelos castanhos encaracolados, um nariz avantajado e seu bigode volumoso. Além de milionário e excêntrico, aparentemente também dominava o Ninjitsu. Isso deixou Seishiro surpreso. Nunca esperou algo assim de Arthur. Também ficou surpreso com sua habilidade em ocultar sua presença na escuridão. Eram habilidades ninja.

– Parabéns por ter chegado até aqui. Deve ter sido difícil para você penetrar no sistema de segurança deste hotel. – Disse Arthur, com um ar de superioridade.

– Maldito! – Seishiro, furioso, apontou a pistola laser para o peito largo de Arthur. – Você morre essa noite.

Arthur viu o dedo indicador da mão direita de Seishiro apertar o gatilho, lentamente. No momento que o gatilho fora pressionado, um curto feixe de laser atingiu a parede onde antes Arthur estava encostado, fazendo um pequeno orifício chamuscado na camada de madeira. Também no mesmo instante a pistola laser fora perfurada por uma das shurikens que ainda estava não mão direita de Arthur. Com as costas da outra mão – na qual também segurava outra shuriken, Arthur acertou o peito de Seishiro, arremessando-o na parede. O Soco fora proposital para que o ninja ainda permanecesse com vida.

Seishiro fora apanhado desprevenido. Seu ódio atrapalhou sua concentração, o que bloqueou sua capacidade de raciocínio acelerado. Juntou suas forças para se recuperar. Não chegara tão longe para falhar no momento crucial. Já estava desobedecendo às ordens de seu superior ao ter dado continuidade à missão depois de ter sido descoberto. Era tarde demais para voltar. “Matarei Arthur Garcia, mesmo que tenha de morrer fazendo isso.” Concluiu Seishiro.

Arthur aproximou-se do ninja. Espetou uma das pontas da shuriken de sua mão direita, que conseguira desprender da pistola laser, na parte superior do capuz do ninja encostado na parede. Puxou o capuz para cima, revelando o rosto de Seishiro, e fincou-o na parede com a shuriken.

– Ah, Seishiro! – Exclamou Arthur, alegre por reconhecer o rosto do ninja.

– Como você me conhece, desgraçado? – Perguntou Seishiro, respirando com dificuldade por causa do impacto nos pulmões.

Arhur sorriu. – Não interessa. Apenas digamos, que eu já esperava a sua visita. – Observou a expressão de Seishiro. – Tenho meus informantes, sabe.

Seishiro não se deu ao trabalho de raciocinar sobre o que acabara de ouvir. Levantou-se simultaneamente lançando um soco em direção às costelas de Arthur. Este simplesmente segurou o punho de Seishiro, seus cinco dedos pressionando cinco pontos de pressão na mão do agressor2. Além de imobilizar o punho de Seishiro, Arthur estava danificando todo o sistema nervoso de seu braço. Se continuasse a segurar assim por mais algum tempo, Seishiro teria problemas para usá-lo pelos próximos meses.

– O que quero é saber por que alguém com as suas habilidades quer me matar. Por que? – Dito isso, soltou a mão de Seishiro e afastou-se um passo, dando oportunidade a seu adversário de recuperar-se.

– Por que? – Repetiu Arthur, curioso.

Seishiro levantou-se vagarosamente, segurando o braço que latejava. Abriu e fechou sua mão, para estimular a circulação. Estava melhorando. Encarou Arthur com uma expressão séria.

– Se alguém tem direito a uma resposta aqui, sou eu Arthur. Por que você fabrica armas? Por que patrocina guerras? Por que você quer tanto que as pessoas se matem? – Seishiro nunca imaginara que chegaria a ter um diálogo desses com um homem como Garcia. Sempre os matara, pois acreditava que eles estavam errados. Mas algo sempre o incomodou: “Por que continuavam fazendo as mesmas coisas? Por que queriam trazer tanta desgraça ao mundo?”

– Tudo bem. – Arthur respondeu, sorrindo. Já esperava essa atitude de Seishiro. Como estava prestes a matá-lo, não custaria nada tentar ajuda-lo. “Quem sabe na próxima vida ele volte mais maduro depois dessa experiência.” Pensou Arthur.

– As pessoas é que são podres, Seishiro. São elas que querem morte e sofrimento. Sabe por que? Elas precisam de medo. Elas querem isso. Elas não agüentam uma vida pacífica. O medo as mantém em ordem, na sociedade. Elas ficam com medo de seus vizinhos, das outras pessoas, de estrangeiros, e assim por diante. Desse jeito elas podem viver achando que seus problemas são uma coisa exterior. E sabe o porquê disso? Por que todos tem medo de evoluir, de enfrentar seus problemas internos e pessoais e de superá-los. Então é mais fácil temer algo, e poder culpar esse algo por todos os seus problemas. Resumindo: as pessoas são covardes! Eu, apenas dou a elas o que elas querem. – Justificou Garcia, com bastante calma e pausadamente, como se Seishiro fosse retardado.

– As pessoas realmente são covardes, Arthur. Mas que oportunidade você dá a elas de evoluir, se você só as mantém nesse ciclo de medo e covardia?! – O sangue de Seishiro voltou a ferver.

Arthur começou a rir. – Eu apenas dou a elas o que elas querem. O que há de mal nisso? Sinto muito, Seishiro. Você acredita que eu sou uma pessoa má, mas são as suas mãos que estão sujas de sangue. Você é quem mata sem escrúpulos por causa de uma esperança impossível! – Disse, sentindo-se superior. Garcia tinha certeza de que Seishiro, por mais determinado que fosse, estava errado em suas convicções. “Aprendeu a lutar como um ninja, mas não a pensar como um.” Concluiu em suas ponderações.

– Arthur, para quem não tem medo de lutar pelos próprios sonhos, nada é impossível. E a justiça às vezes tem seu preço.

Seishiro sacou sua ninja-to. Tinha que se concentrar para matar seu oponente. Uma vez concentrado, não deveria perder o foco.

– Bonita a sua espada. Será uma bela peça para a minha coleção. – Provocou Arthur, de fato encantado com a beleza da arma. Fora muito bem forjada e estava reluzente de tão bem polida, salvo as manchas do sangue recentemente adquiridas que Seishiro não tivera tempo de limpar adequadamente. A linha da têmpera que percorria toda a extensão da lâmina apresentava um formato único e belo, indicando que fora forjada por um mestre nesta arte. Uma peça rara.

Aproveitando a aparente distração de Arthur, Seishiro atacou avançando um passo. Sua espada traçou uma linha vertical ascendente à medida que o ninja a erguia para dividir seu oponente ao meio. Uma gota de suor chocou-se a uma das faces da lâmina, dividindo-se em diversas gotículas menores, que se espalharam lentamente no ar, enquanto a lâmina subia. Prestes a encostar-se em seu oponente, o mesmo conseguiu desviar do corte com um passo atrás, enquanto aparava a lâmina com a shuriken de sua mão esquerda e a torcia, fazendo com que a espada perdesse a direção do corte.

No mesmo milésimo de instante, consciente do que estava ocorrendo, Seishiro sacou sua tanto3 escondida sob um de seus antebraços. Dirigiu uma estocada na direção do peito de Arthur, atravessando a pequena nuvem formada pelas gotículas de seu suor em pleno ar.

Arthur, demonstrando extrema confiança, bem como um domínio melhor de seu controle de velocidade e tempo, socou o braço de Seishiro na altura do cotovelo. Fora mais rápido que qualquer coisa que Seishiro jamais vira. O soco pareceu surgir do nada. Enquanto já estavam em uma velocidade absurda, Arthur superou essa velocidade facilmente, e com o soco dilacerou as ligações do braço com o antebraço acertado de Seishiro. Em seguida ouviu o som do soco, semelhante a o de um chicote. O ninja atingido largou a tanto que segurava, e perdeu sua concentração. O tempo voltou ao normal, sua tanto caíra no chão ao lado de Arthur, e as gotículas da gota de suor maior que fora atingida finalmente se dispersara no ar.

Era horrível. O antebraço de Seishiro estava inutilizado, pendurado como uma coisa sem vida. Se conseguisse sobreviver, poderia recuperá-lo após algumas cirurgias. A dor era insuportável, mas não para ele. Uma pessoa normal agüentaria com muita dificuldade, mas o ninja tinha uma resistência à dor muito além do comum. Inspirou e expirou, esforçando-se ao máximo para se controlar. Agora teria de matar Arthur com um braço só. Parecia impossível, principalmente agora que descobrira que ele era capaz de superar sua velocidade e capacidade de raciocínio acelerado. Mesmo assim, como seu mestre o ensinara, Seishiro sabia que se concentrasse todas suas energias em um único golpe dando o melhor e si, teria uma chance.

– Você é uma sombra, Seshiro. Você não existe. Vive na escuridão, por causa dessa esperança boba de poder mudar o mundo. Se fosse um ninja de verdade, saberia que o que importa é a sua evolução pessoal. Por isso que eu sou tão poderoso e você um fracassado! – Disse Arthur, com um sorriso alongando seu bigode.

Seishiro não se importou com a provocação. Sentia como se nada mais o afetasse. Iria derrotá-lo, e continuaria a lutar para tornar o mundo um lugar mais justo.

– Arthur, pessoas do seu tipo são como uma sombra maligna que cega as esperanças da humanidade.
Garcia parou de sorrir. Não havia como fazer o ninja mudar de idéia. Ele jamais compreenderia sua maneira de ver o mundo, assim como Arthur não o entendia. Já era tarde demais.

– Então é isso. Seishiro, me desculpe, mas terei de matá-lo. – Dito isso, Arthur pegou a tanto de Seshiro, que caíra ao seu lado, e investiu em direção ao mesmo.

Unindo todas suas energias, Seishiro aumentou seu nível de concentração e usou sua mão boa para lançar duas shurikens simultaneamente, na direção de seu oponente. Elas foram lançadas com bastante potência, e giraram em altíssima velocidade no ar. Dando continuidade ao movimento de lançar as shurikens, uma corrente saiu por debaixo da manga de seu uniforme na direção do pescoço Arthur. Na ponta da corrente havia uma pequena lâmina afiadíssima.

Para Garcia, isto fora mais uma oportunidade. Desviou-se das shurikens e da corrente com facilidade e antes mesmo que elas atingissem a parede às suas costas, agarrou a corrente e a puxou para si, mais rápido do que Seishiro tentou segurá-la. Em seguida, Arthur lançou a tanto para atrapalhá-lo enquanto girava e também lançava a corrente de volta à Seishiro, mas na direção de suas pernas. Seishiro, que aumentava gradativamente seu nível de concentração, bateu com as costas da mão na parte lateral da tanto, desviando-a para longe, e viu a corrente passar vagarosamente pelo seu lado enquanto se esquivava dela.

Arthur puxou a corrente para o lado que Seishiro desviou-se, fazendo com que ela se entrelaçasse nas pernas do ninja. Lentamente, Seishiro viu a corrente enrolar-se em suas pernas, e logo a lâmina na ponta se cravaria em uma de suas coxas.

Sem muitas opções, o ninja abaixou-se para pegar sua espada, usando-a para cortar a ponta da corrente, que voou solta para se cravar em algum canto do quarto escuro.

Do outro lado do quarto, as duas shurikens lançadas pelo ninja entraram em contato com a parede. Ao invés de se cravarem, o que ocorreria no caso de um arremesso com força mediana, elas continuaram a girar. A força do giro, ao serem lançadas, fora muito maior que a própria força do arremesso, fazendo com que as lâminas em forma de estrela começassem a escalar a parede, subindo-a.

Arthur puxou a corrente ainda mais, e Seishiro junto com ela.

Suas energias estavam acabando. Seishiro estava se aproximando de seu oponente para a morte. Uniu todas as forças que tinha e desferiu um chute semi-circular. A força foi tamanha que quebrou as correntes.

Arthur defendeu-se. Ficou impressionado com a energia do chute e com a velocidade dos golpes que o sucederam. Seishiro estava dando o melhor de si, sabia. Uma seqüência de chutes e alguns cortes de espada vieram em seguida, cada vez mais rápidos. Garcia defendeu-os, conseguiu desviar-se das espadadas e tentou esboçar contra-ataques, mas agora Seishiro atingira um nível absurdo, e sua velocidade e força eram maiores do que Arthur jamais vira em um oponente. Mesmo com um braço incapacitado, Seishiro lutava. Seus movimentos quebravam a barreira do som e da compreensão humana. No ar, ficava uma névoa negra, uma sombra única, formada pelos movimentos rápidos do ninja. Arthur sabia que este era seu ataque final, que o ninja estava consumindo suas energias assim como uma estrela brilha ao máximo antes de morrer.

As shurikens continuaram girando pela parede. Agora subiram pelo teto do quarto, em direção ao outro lado, próximo da qual estavam as costas do ninja.

Arthur conseguiu capturar o braço do ninja, em uma tentativa de roubar sua espada.

Unindo alguma energia, Seishiro girou, levando seu oponente a realizar um movimento de semi-círculo no curto espaço do quarto em que se encontravam. Assim, ambos trocaram de posição, e Arthur ficou no mesmo lugar que Seishiro estava.

As shurikens começaram a descer pela parede. Tinham girado por quase metade da extensão de todo o quarto, que era o tempo que a luta tinha durado desde que foram arremessadas. Agora elas estavam às costas de Arthur.

Seishiro usou suas últimas forças dando um chute duplo, suas pernas empurraram Arthur em direção à parede e consequentemente às shurikens que por ela desciam.

Garcia largou o braço do ninja, com a força e velocidade do chute. Voou para a morte certa. As estrelas ninja perfurariam seu peito. A diferença é que ele fora lançado em direção a elas, e não o contrário.

Seishiro sentiu-se aliviado. Dera o melhor de si, e agora seu alvo morrera, e as pessoas teriam uma sombra a menos para cegar suas esperanças. O mundo poderia melhorar, e todos seriam mais felizes, sem guerra ou destruição. Lentamente, Seishiro começou a cair.

– Alô.

– Sim?

– Mestre, sou eu, Garcia.

– Ah, sim, Arthur. E então?

– Seishiro, está… Sinto muito, mestre.

– Eu sabia que ia ser assim, Arthur. Você é o meu aluno mais antigo, e o melhor de todos. Seishiro era um traidor. Tinha potencial, mas usava isso pros propósitos ingênuos dele.

Arthur chutou de leve o cadáver sem vida de Seishiro. Ele não agüentara o desgaste de ter de acompanhar as habilidades de Arthur, e seu sistema nervoso entrou em colapso por isso. Mesmo assim, Arthur cortara a cabeça do cadáver, só para garantir que ele estaria morto mesmo.

– É, uma pena, realmente. – Respondeu Garcia, olhando para o cadáver que o encarava com uma expressão feliz.

– Bom, com essa tentativa de assassinato eu tenho uma boa desculpa pra caçar esses grupinhos terroristas, como esse para o qual Seishiro trabalhava. Eles agiam nas sombras até agora, e ninguém sabia quem eram. Mas esse cadáver aqui diz tudo, e é a prova que eu precisava.

– Eu o alertei, mas a escolha foi dele. Apesar de saber lutar, ele nunca entendeu pra quê, e nem como aplicar isso na vida dele. Ao contrário de você.

Arthur deu uma risada de satisfação. – É, isso é inegável, mestre.

– Eu não percebi até ser tarde demais. Ele queria ser algum tipo de justiceiro, um super-herói ou algo assim. Achei que ele tinha talento no dia que o encontrei, mas ele nunca conseguiu superar a morte da família.

– A família dele também morreu nas guerras? – Arthur ficou um pouco surpreso. Também perdera todos que amava do mesmo modo.

– Sim.

– Parece que ele e eu trilhamos caminhos opostos então.

– Bom, você sempre foi mais maduro, e também já era um aluno avançado enquanto ele ainda era criança. A diferença é que ele perdeu a família e começou a treinar, enquanto você parou durante a guerra e voltou depois que eu tinha expulsado ele. Coincidência, não?

– Sim, mas eu o teria matado mesmo se fosse meu irmão. Um terrorista louco assim não merece viver. Obrigado por me avisar que ele viria, mestre.

– Claro, Arthur. Como eu lhe disse, eu alertei ele. Ah, e me diga uma coisa. Você pegou a espada?

– Sim senhor. – Respondeu Arthur, segurando a bela ninja-to. Usou-a para arrancar as shurikens que estavam presas na parede, contra as quais fora lançado para morrer dolorosamente. Lá elas tinham permanecido após a força rotacional que Seishiro aplicou ao arremessá-las ter acabado. Garcia conseguira escapar de ter sido perfurado por elas no último instante, usando uma técnica secreta que Seishiro teria aprendido se não tivesse sido expulso da escola de Ninjitsu.

Olhou mais uma vez para o cadáver. “Pobre coitado!” Pensou Arthur.

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