Contagens – Epílogo – O fim das contagens…
Escritor: André Luiz Silva

- Bem, provavelmente é alguma reação pós-traumática – disse o médico – uma fuga para aliviar a dor de ver o pai morrer, ainda mais da forma que você contou.
- Ela, tadinha, viu o pai ser atropelado para salvar sua vida – falou a mãe – o que o senhor sugere?
- Que a deixa aqui, ela gosta das outras crianças e assim poderemos ajudar, com psiquiatras e psicólogos.
- Doutor ela não é maluca!
- Eu não disse que era…
- Mas pareceu, vou levá-la para outro médico. Quero outra opinião.
- Fique a vontade.
- Querida, vamos para casa.
- Aaaaaah mãe!
- Vou te levar para comer hambúrguer – falou torcendo para ver um sorriso aparecer no rosto da menina.
- Com chocolate? – perguntou esperançosa.
- Filha… Ok hambúrguer com um copo cheio de chocolate.
- Quente chocolate quente mãe – disse mimada – mão posso levar aquele menino com a gente?
- Por que?
- Os números dele estão diminuindo, igual ao do papai assim ó – mostrou o desenho com o que via
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Olhou para o desenho tentando entender, lembrou dos últimos momentos com o falecido marido e perguntou com receio da resposta.
- Querida conta para mamãe, onde está vendo esses desenhos?
- Ué mãe, em cima da cabeça dele, olha lá – apontou para cima da cabeça do citado garoto – ninguém vê, só eu – disse não escondendo o orgulho de ser a única a ver – quando todos virarem bolinhas ele vai para o céu, será se vai ver o papai?
Ignorou o fato, pegou Rebeca e foram comer hamburguês com chocolate quente. Percebeu a criança olhando para cima como se visse algo, começou a duvidar da sua própria sanidade.
- Mãe – a mãe teve seu momento interrompido – tá vendo aquela moça?
- Ali?
- Não, a de cabelo loiro, na cabeça dela…
- Desenha no guardanapo o que você tá vendo.
A menina desenhou:
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A tal loira se levantou assustada ao ver uma senhora cair com a bandeja de comida e foi ajudá-la e assim que a pôs de pé e se virou para voltar ao seu lugar, escorregou na poça de suco no chão. Em pouco tempo a ergueram desacordada e a levaram para o posto médico.
- Mãe – gritou a menina alarmada – ficou tudo igual, várias bolinhas na cabeça da moça – pegou a caneta e desenhou no guardanapo.
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- Ficou assim! Vai lá mãe e pedi pra ela pedir pro papai voltar!
- Meu Deus! – apressada voltou para a clínica, falou com o médico sobre sua suspeita, ele cético alegou que ela também estava usando um mecanismo de fuga.
- Você não entendeu…
- Eu entendi, você preferiu usar o mecanismo de fuga, acreditando na história que sua filha inventou.
- Porra – quebrou o protocolo da educação – a menina tá vendo quanto tempo falta para morte das pessoas! Pergunta pra ela, melhor pedi para ela desenhar.
- Desenha o que você está vendo na minha cabeça Rebeca – ela desenhou
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E depois pediu para desenhar o que via num paciente deitado:
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- Vamos fazer alguns exames neurológicos nela.
Os exames estavam mostraram o esperado, tudo normal.
- Tio – falou com os eletrodos na cabeça – o Lucas vai ver o papai, deixa eu falar com ele antes dele ir, para poder pedir para ele mandar o papai voltar.
- Me traz o Lucas enfermeira – falou sem acreditar que tava dando ouvidos a essa história.
O menino veio quieto e cabisbaixo, o médico começou os exames e descobriu algo que não tinha percebido antes, por descuido. Pediu para enfermeira preparar tudo para uma cirurgia. No fim deixou o jovem descansando e perguntou para a menina o que ela via agora.
- Não to vendo nada, sumiu tudo.
- Como sumiu tudo?
- Não sei, não estou vendo os números na cabeça de ninguém – disse chorosa por perder sua “habilidade”.
- Graças a Deus – disse a mãe aliviada.
Do quarto Lucas meio zonzo pela anestesia sem saber se estava dormindo ou acordado achou ser um sonho o que via em cima da enfermeira:
5000:24:52:37
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Gostei da perspectiva que deu ao dom da menina e da velocidade com que o conto passa, sem perder nada no conteúdo.
Muito bom!
Gostei muito. Lembrou-me o clipe de uma banda da qual não lembro o nome, a estória é a mesma. A narrativa foi frenética e bem conduzida. Excelente conclusão para os outros contos que também ficaram ótimos +_+
Estava lembrando dessa “série” hoje de manhã, então decidi reler todos e comentar aqui nesse último.
-
Fechou muito bem a história, mas dando aquele clima de “continua”.
Ótimo mesmo, André!