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Feb
07
2010

Fotografia de Eros – Parte 02

Escritor: Patrick Martins

fotografia-de-eros

Nós nunca sabemos onde nossas convicções podem nos levar, até que ela nos leva. A existência me ameaça, às vezes olho para trás e penso do porque não ter começado a fazer minha arte mais cedo, tive que sofrer por anos com o anseio de cometer um assassinato, ao tempo em que desejava ansiosamente ao fim de cada dia. Os primeiros anos foram difíceis, fotografar os horários, vigiá-los dias e noites e conseguir ser ao mesmo tempo o fotógrafo pessoal e futuro assassino, já que era contratado para fotografar jovens da burguesia, pessoal de alto escalão, a morte vinha como um brinde, como um favor.

O enviado da senhora morte, o ceifador de tudo o que vive, aquele que transforma a morte na vida, o feio no belo, a efusão na calmaria, eu sou tudo o que explode e acalma; Devo ser um vulcão, com uma máquina fotográfica e o poder da arte morta nas mãos, essas mãos frias, precisas, criminosas.

Sophie era filha de um comerciante burguês, o vi pela primeira vez quando ele fora me contratar para tirar umas fotos de sua filha, não me lembro bem para o que era. Sophie parecia curiosa e andava por meu apartamento procurando algo que jamais em sua doce inocência poderia imaginar, ela estava próxima da sala onde costumo pendurar as fotos das minhas bailarinas, interferi, antes que ela sentisse o cheiro forte de sangue, muitas vezes uso o quarto parar lavar-me desse vermelho ameaçador, acertei as contas com seu pai e logo tive a certeza do que teria que fazer: já imaginava eu e minha companheira a tirar fotos da graciosa Sophie, aquela menina tímida e curiosa, havia de se espantar. Mais cedo ou mais tarde seria a vez de ela entrar para o meu álbum de retratos…

Tocava meus talheres e meu álbum que era mais vivo que qualquer outro móvel da casa, mais nobre que qualquer Napoleão ou César Bórgia, às vezes me concedia um ar principesco, olhava as fotografias vermelhas no meu quarto frio. As maiorias das pessoas diriam que é apenas insanidade… Mas é arte. Quantas insanidades já não foram feitas em nome do belo? Eu apenas quero materializá-las na eternidade, meu nome ainda será lembrado como o mais dedicado dos artistas.

Sophie esteve em um lugar privilegiado, primeiro depois de tirar suas fotos, a vigiei por outros oito meses antes de fazê-las uma das minhas bailarinas; passava noites sonhando com nosso futuro encontro, ao som de Jerry Lee Lewis, dançando com manequins brancas como Sophie, mas sem o brilho do olhar, entretanto, sentia-se solitário, pois o que é um artista uniformizado? Sem a liberdade de minha arte?Sabia de meu potencial e da minha contribuição para a arte, de minha inclinação para o belo não é suficiente, os homens ainda não aprenderam a ir alem, já que o belo ao invés de libertá-los, os acorrenta.

Mas o álbum estava incompleto, faltava a assinatura do mestre de marionetes, o que poderia eu fazer naquela tarde quente? Certamente haveria de terminar minha obra. Todas as belas bailarinas desejavam-me, chamavam meu nome em sonhos, para que eu fosse de encontro a elas, todas essas almas que marquei em minha alma. Sentia-me confortável, desditoso, sabendo que tinham tantas pessoas que se pudessem falar, nutriria todos seus sentimentos por mim, de ódio ou amor por seu assassino e artista. Deveriam me agradecer por tal obra, jamais em séculos existia obra de tamanha intensidade, suavidade, beleza. Nasceria fecundo na história um homem que sentiria tamanha euforia de alma ao contemplar minha obra, com olhos vivos de caçador. Sabia o que tinha que fazer, os deuses cantariam belas canções, demônios soariam trombetas, sátiros dançariam a luz do meu ritual macabro.

Nunca soube direito a diferença entre a vida e a morte, seria tudo uma questão de movimento? A morte é sibilina, obscura, enigmática, a vida é inconstante, imprevisível. Conheci pessoas vivas de alma morta, assim como conheci mortos que exalavam vida. Seria talvez a tendência a preservar a vida, a morte? Gravar sua vida em um túmulo, e o seu corpo jogado aos lobos? Que sejamos, portanto, apenas: OSSOS. Ossos! A se atrofiarem a cada ano, dia após dia, em direção à morte desse matadouro de porcos jogado ao relento, chamado vida. Ninguém participa de uma corrida para perder, o caminho para a destruição é apenas uma luta para vencer, vencer a vida, viver a morte seria vencê-la, uns a enfrentam mais cedo outras mais tarde, eu sou apenas o coveiro intermediário. Para que alimentar esperanças de um futuro que o fim é a morte? Portanto, irmãos e artistas ouçam-me: Alimente suas vidas com obras, sejam eles um amontoado de sujeiras ou um amontoado de ossos mortos, mais alimentem-nas.

Costumo chamar as famílias das minhas vitimas para um jantar, uso-os talheres de suas filhas, e preparo uma agradável comida, e então, dividimos lembranças de minhas bailarinas, que alimenta meu ego, ao saber que na maioria das vezes é o mais perto de suas filhas que já chegaram.

E como um velho Van Gogh, caminhava sozinho pelas ruas, sentindo a brisa fresca que atravessava à tarde, após algumas horas de chuva, o dia se abria às quatro horas, andava olhando meu velho rosto, enrugado nas poças d’água, outrora foi tão jovem e bonito encarando meus olhos verdes vazios sob o espelho, agora só resta carne enrugada, bati os pés na poça e desatei a andar olhando para o céu, desta vez, não haveria de me desapontar. As nuvens me fazem feliz. Sabia que esta era meu último dia com as outras pessoas, com os outros objetos, essas pinturas errantes por todo lado, sem motivo para existir, e por isso mesmo, eu haveria de dá-las uma razão, a minha razão.

Esses dias frios. Tudo era tão triste, mas tão verdadeiro. Fui até meu escritório, cumprimentei a minha vizinha de mesa pela última vez, peguei as chaves do velho casarão onde ficavam minhas obras, recolhi minha máquina fotográfica e os cigarros sobre a mesa, ao sair, encontrei com meu chefe, ele sentenciou minha demissão se não voltasse imediatamente a minha mesa, acendi o cigarro e virei em direção à porta de saída, deixando-o em um silêncio constrangedor; entrei no meu carro, certifiquei-me de que tudo estava ali, me dirigi à antiga estrada escura em direção ao meu paraíso particular. Entrei, o velho casarão parecia estar silencioso, minhas pobres bailarinas deveriam estar rezando silenciosamente por esse dia. Comecei a arrumar toda a casa, para esse dia festivo, comecei pendurando os retratos por toda a casa, recolhi minha câmera e programei-a, colocando no mesmo altar onde Sophie havia se tornado obra de arte, preparei duas facas especiais da minha coleção de talheres, coloquei sobre a mesa, tomei um copo de whisky e cortei-me os pulsos. A câmera programada tirava fotos da minha morte lenta sobre o sofá mofado, eu seria a última peça de meu quebra cabeças, e pela primeira vez, sabia que não haveria ninguém a quem desejaria ser, me acomodei sabendo que eu, somente eu, era o meu principal objeto de desejo, estava para nascer novamente; Era ao mesmo tempo: Criador e obra; fruto de uma vida de dedicação, seria finalmente o parceiro de dança de minhas bailarinas.

Minha vida se esvaia com a mesma velocidade em que ganhava a morte.
Flash
Vida
Flash
Arte
Flash
Obra
Flash
Sangue
Flash
Morte.

O resto…
É pintura borrada.
Como uma foto, pensei.


Categorias: Contos,Fotografia de Eros |

4 Comments»

  • Incrível. Poético, sádico e BELO, acima de tudo.

    “Conheci pessoas vivas de alma morta, assim como conheci mortos que exalavam vida.”

    Essa frase pra mim é o ponto alto do conto. Parabén Patrick Martins!!!!

  • Rainier says:

    “Quantas insanidades já não foram feitas em nome do belo? Eu apenas quero materializá-las na eternidade”

    Isso reflete a força do personagem, muito bem desenvolvida pelo autor. Muito bom.

  • Thainá Gomes says:

    Genial.

  • Patrick says:

    Esse texto é antigo. E ficou poético demais… Acho que hoje em dia não consigo escrever algo assim de novo.

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