Kzak o senhor dos mortos – Fogo e Cruz II
Escritor: Jones Viana Gonçalves

Capitulo 3
Fogo e Cruz
Durante aquela manhã vislumbraram as montanhas a sua frente, Navel era imponente e segundo Evinwerr a trilha de sua caça ia direto para lá, não havia o que esperar, tudo se resumia em apenas caminhar até lá, mas foi perto do meio dia que os companheiros viram uma fina fumaça subir a sua direita. Talvez seu foco estivesse a alguns quilômetros, porém mesmo assim eles pararam.
- O que acha elfo? – Perguntou o cavaleiro.
- Não sei ao certo, mas não parece estar longe.
- E a trilha vai para aquele lado?
- Jovem Mirthand, já lhe disse que a trilha segue para as montanhas, até agora não existe nem sinal de desvio.
- Mas e se mais a frente eles desviaram?
- Mirthand eles não teriam o porquê fazer isso, poderiam ter ido por aqui, um desvio mais a frente só os iria atrasar. – A voz de Miriane fez-se ouvir vinda da carroça.
- Bom Miriane, eu gostaria de arriscar, mesmo que eles não tenham ido para aquele lado.
- Eu disse que trazer um garoto era perda de tempo, Mirthand lembre-se de nosso objetivo, resgatar teu pai e vingar meu mentor.
- Esta certo Degos, vamos em frente, mas Alef para onde esta indo? – o homem já caminhava na direção da fumaça sem nem ao menos se importar com a discussão entre seus companheiros.
- Existe algo familiar aqui garoto e eu não gosto disso, elfo prepara teu arco, venha cavaleiro, vou precisar de apoio.
- Mas…….
- Faz o que eu to te dizendo cavaleiro, eu sei do que estou falando, se não resolvermos isso agora podemos ser surpreendidos mais tarde. – Alef nem olhou para trás, apenas continuou em direção a fumaça já seus aliados não o questionaram mais, apenas o seguiram.
Por algum tempo andaram e quando já estavam bem perto puderam enxergar seis casas. A coluna de fumaça estava maior e vinha do outro lado delas, existia ainda algum movimento por lá. Decidiram então deixar a carroça por ali e seguir a pé, apenas Degos não considerou deixar seu cavalo para trás. Alef foi a frente, os cinco andavam sorrateiramente tendo Evinwerr ao lado do assassino na frente. A sacerdotisa seguia mais atrás junto a Mirthand e o cavaleiro que tinha desmontado de seu cavalo o puxava calmamente pelas rédeas tentando fazer o mínimo possível de barulho, mas para Alef com exceção do elfo todos seus companheiros faziam mais barulho do que o estouro de uma boiada.
Existia algum movimento do outro lado das casas junto a um murmúrio de vozes gritando louvores. O ladrão já sabia do que se tratava, conquista, aquela fazenda estava bem no caminho de um grupo de execução. Ele saltou as cercas e encostou-se contra a parede de uma das casas, agora apenas o cavaleiro não havia se juntado a eles, pois seu cavalo não poderia saltar aquela cerca, ela era bastante alta e por isso ele contornava as palancas de madeira indo para a entrada da fazenda.
Alef se esgueirou pelo corredor formado entre as casas, Evinwerr vinha logo atrás. os dois tendo Mirthand e Miriane protegendo a retaguarda, porém nenhum dos dois batedores estava preparado para aquela visão. Ao chegar e observar a cena a clériga quase deixou um grito escapar por entre seus lábios, não fosse o jovem guerreiro tampar a sua boca com uma das mãos. Ali podiam ver a origem da fumaça, no centro do terreno estavam dispostos quatro pilares de madeira, cada um deles cravado no chão, unindo-os existiam outras toras amarradas formando um grande retângulo no alto. Atravessando o retângulo de um lado ao outro outras toras traziam o verdadeiro horror, com os pulsos pregados quinze pessoas penduradas, seus pés a cerca de dez centímetros do chão, a dor estampada em seus rostos mortos.
A dor da crucificação não era a única aflição destas pessoas, pois não bastasse esta tortura ainda tinha o fogo, sim o fogo lhes lambia as pernas. Da cintura para baixo em todos os corpos a carne já estava assada, o cheiro da fumaça enojava ainda mais os companheiros e as chamas ainda acesas tocavam as plantas dos pés das vítimas. Este fogo agora voltava a ser alimentado, três homens vestidos em armaduras traziam a lenha, enquanto um outro gritava suas orações e louvores ao Deus único, pois ele estava purificando a alma destes hereges e livrando-os de seus pecados. Neste momento outros cinco homens vinham de dentro de uma das casas, traziam uma mulher arrastada pelos cabelos, suas roupas imundas e ensangüentadas denunciavam o que acontecera lá dentro.
- Tragam a bruxa soldados, – dizia o homem que orava. – é chegada a hora de ser purificada.
Os homens a levaram até um outro lado. Lá existia um tronco cercado de galhos e foi nele que os soldados a estavam prendendo. Alef olhou para seus amigos e fez sinal para que fossem embora, porém um barulho de cascos o fez olhar para trás. Degos irrompera em fúria ao ver aquela cena toda e já investia contra os homens do Deus único, sua investida surpreendeu os soldados e sem resistência nenhuma a frente atravessou o campo entre as casas deixando sua lança nas costas de um daqueles que alimentava a fogueira. Fazendo seu cavalo dar a volta puxou a espada, os sete soldados que restavam foram proteger o sacerdote. Alef olhou para o elfo que trazia seu arco a frente e o impediu de atirar,
- Não, agora não, espere mais um pouco, Mirthand venha comigo e Miriane fique ao lado do elfo, espere até que o garoto chegue a fogueira e depois atire. – o elfo balançou afirmativamente a cabeça, Mirthand correu na direção da bruxa e Alef na direção do clérigo.
- O que eu posso fazer. – Disse Miriane não vendo para si utilidade nenhuma naquela batalha.
- Reze para seu deus garota. – foi a resposta do elfo.
Ela olhou para o elfo e o tocou no braço, neste momento como que em transe murmurou algumas palavras e sua mão iluminou-se, o elfo sentiu seu corpo ficar leve, estava mais rápido, porém a menina não ficou ao seu lado partiu na direção de Mirthand. O garoto logo chegou até a mulher que o olhava surpresa, Degos fez seu cavalo correr o mais rápido que podia, mas algo aconteceu. Alguma coisa invadira sua mente e nitidamente ele ouviu “Largue”, seus dedos inadvertidamente se abriram, sentiu o punho da espada escapar-lhe, tentou lutar contra, porém nada pode fazer, a vontade do Clérigo sobre ele era muito forte. A espada caiu no chão e ficou para trás, seu cavalo em disparada o levou desarmado, tudo o que podia fazer seria tentar frear o animal, mas algo melhor veio em sua cabeça. Com uma batida de calcanhares jogou o cavalo contra um de seus inimigos, o homem atropelado caiu, porém Degos com isso fora puxado, o impacto de suas costas contra o chão não foi em nada amaciado por sua armadura e neste momento três soldados o cercavam.
Evinwerr estava ciente da condição de seu aliado e não mais esperou, duas flechas entraram nas costas de um dos soldados que caiu de frente quase por cima do cavaleiro fazendo assim com que os outros olhassem para a posição do elfo, o que deu tempo a Degos que rolou para o lado e levantou-se buscando em sua cintura por uma adaga. Olhou para seus oponentes e percebeu aquele que havia derrubado, o soldado levantara-se também, mas para sua sorte um dos outros corria na direção de Mirthand e Miriane. Degos defendia-se como podia só que com uma adaga ele era quase inofensivo, não conseguia nem mesmo atacar, seus quatro oponentes golpeavam com fúria, golpe após golpe, mas o cavaleiro bloqueava e se esquivava. Já estivera em situações difíceis como esta antes, sentia o ar deslocado pelas espadas e em algumas ocasiões as sentia arranhando-lhe inofensivamente os braços, porém novamente ouviu em sua cabeça a voz do sacerdote que falava “Largue”, mas desta vez conseguiu segurar firme a própria arma sua vontade havia sido maior e ele fez seus dedos fecharem-se no punho da adaga tão forte que esbranquiçaram-se pela pressão.
Quase cercado o cavaleiro deu um salto para trás, tentava ver seus quatro inimigos de frente, mas agora algo o surpreendera. Um deles estava no chão, morto com uma adaga nas costas. Ele nem mesmo havia visto Alef mover-se, tão rápido era o assassino, com destreza de sobra brincou com um dos outros, bateu em seu ombro com a arma de prancha sem nem mesmo feri-lo, o homem assustado girou e atacou, mas encontrou a flecha de Evinwerr que atravessou seu olho. Aproveitando a distração dos soldados por estarem perdendo seus companheiros o cavaleiro saltou sobre um outro a adaga rasgou o pescoço do oponente que caiu e Alef ainda brincando deixou outra adaga atravessada na face do ultimo homem. O assassino olhou para Mirthand ao longe, o garoto estava usando o sabre que ele o entregara, um sabre que Alef havia retirado do corpo de um Garko.
Mirthand era habilidoso e rápido, com graça bloqueava aos ataques ensandecidos do soldado. Esperava apenas uma chance para dar cabo da vida do homem, ele protegia Miriane que libertava a mulher da fogueira. O garoto gingava e cortava seu oponente, pequenos golpes inofensivos, mas que causavam muita dor, eram muitos e faziam o soldado relaxar a guarda, tanto que o sabre logo atravessou a garganta dele, agora apenas o sacerdote continuava de pé.
Alef buscou por duas outras adagas em seu cinto e parou Degos antes que o guerreiro atacasse. Os olhos do assassino estavam fixos em seu oponente e o cavaleiro logo entendeu, Alef segurou uma adaga em cada mão, levando uma a frente olhou para o sacerdote que desembainhava sua espada com uma das mãos enquanto a outra brilhava com uma luz pálida. Com aquela mão tocou o próprio peito, algumas palavras saiam de sua boca e em pouco tempo até a espada do clérigo brilhava e o assassino apenas sorria.
- Assim será mais divertido, você pede auxilio ao seu deus, mas ele não protegeu nem mesmo seu sumo-sacerdote contra mim, então o que te faz pensar que ele vai te proteger?
O sacerdote não respondeu, segurou a espada com as duas mãos e avançou. O golpe teria dividido Alef ao meio, tamanha fora a força, mas o jovem era mais rápido e vendo antecipadamente os movimentos de seu oponente esquivou-se indo contra ele. O homem levou sua mão contra o braço esquerdo, uma das adagas do assassino estava alojada na musculatura dele e o sangue corria pela mesma. Incrédulo olhou para o céu depois para o assassino que esboçava um meio sorriso ao brincar com a adaga girando-a com a mão esquerda. O clérigo levantou a espada e pôs-se em defensiva esperando pelo ataque, o assassino não o deixou esperar muito e logo atacou. Com a mão esquerda por sobre a cabeça levava a adaga, vindo dali o oponente esperava o ataque, mas não veio, com sua velocidade Alef havia sacado outra adaga da cintura e atacou deixando-a na linha de cintura do homem que agonizou em seus braços.
Todos estavam mortos, Degos parecia atônito pela velocidade e perícia de seu aliado, mas nada disse, apenas caminhou até sua espada, juntou-a para depois retirar sua lança das costas do inimigo abatido.
- Apenas dois. – Dizia ele.
- Pelo menos desta vez meu amigo você não teve ferimentos.
- O que quer dizer com isso Alef?
- Você foi imprudente cavaleiro.
- Mas ele salvou a mulher, um pouco mais que demorássemos Alef e ela estaria morta.
- Mirthand ela não era problema nosso.
- Mas você gostou de matar aquele homem. – Degos apontava para o corpo do sacerdote.
- Rixas antigas cavaleiro, nada que lhe diga respeito. Agora é hora de irmos embora.
- Hei, hei, hei você diz que a culpa é minha, mas quem foi que quis vir para este lugar ein?
- Chega de discussão cavaleiro, vamos embora.
- E quanto a ela? – Miriane vinha carregando a mulher.
- Deixe-a aí, ela só nos atrasará.
- Alef ela morreria se fosse deixada aqui.
- Miriane não faça isso. – Vendo que a clériga o observava acrescentou. – Pois bem Mirthand eu coloco a decisão em suas mãos, mas se decidir levá-la o problema é seu.
- Iremos levá-la. Degos me ajude aqui.
O cavaleiro nada disse apenas colocou a mulher deitada sobre o cavalo e a levou até a carroça. Lá Mirthand e Miriane a ajeitaram como podiam e a clériga cuidou dos ferimentos, a mulher continuou inconsciente até o outro dia.
3 Comments»
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Loucura Vermelha

Já esta aqui, mas não aparece como lançada he he he he he
Hehehe… eita. Isso que da fazer teste em produção. Esse vou deixar por aqui ainda, os próximos coloco em private =)
–
Não se preocupa, que em breve ele entra na página principal =)
He he he, isso que dá ficar antenado no Reader!!