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Feb
28
2010

O Monstro que Era Meu Irmão ou Eu

Escritor: Felipe Soares

As coisas nem sempre são interessantes quando se é um cavaleiro de Walter. Nem todo o trabalho envolve fantasmas derrubando casas por dentro ou homens vindos das lagoas mais profundas. Às vezes, um cavaleiro de Walter tem de cuidar de pragas minúsculas. Baldur estava em uma dessas situações, e a levava tão sério quanto uma tempestade de sapos.

Ele se encontrava no castelo Raterfil, uma antiga construção a família de mesmo nome, embora fosse tão pouco ocupado que era comum alguém considerar o castelo como vazio, sendo ocupado apenas por espíritos perturbados dos penados Raterfil. Na realidade, a viúva Raterfil e seus quatro filhos ainda moravam naquele local, e, como não havia almas vivas o suficiente para cuidar das várias salas e corredores do castelo, vários knockers também moravam.

O caçador se esgueirava por um dos corredores empoeirados do castelo, ajoelhado e procurando pelos rastros de um knocker. Ele já havia preenchido um saco inteiro com os violentos roedores, por volta de duas dúzias, e pelos seus conhecimentos daquela praga o caçador imaginava haverem muito mais deles.

A concentração do cavaleiro de Walter na tarefa era fruto de experiências passadas, até a menor criatura pode ser um perigo para os inocentes, e igualmente pelo fato de knockers terem o péssimo costume de aprenderem a usar armas com o tempo.

Baldur seguiu alguns pelos de knocker até o final do corredor, onde se encontrava um grande armário de mogno, o caçador pôde ver o fino rabo semelhante ao de um rato saindo da pequena abertura do guarda-roupa.

A concentração do caçador se manteu, mesmo com o súbito e violento vento que passou pelo castelo, apesar de suas janelas estarem fechadas, e apagou todas as tochas e velas que iluminavam aquele solitário local. O que realmente quebrou a concentração de Baldur foram os gritos de dor e de medo que vieram do cômodo ao lado, a grande sala de jantar onde a família Raterfil estava se alimentando.

Baldur se levantou de súbito e começou a correr para a origem dos gritos, puxando uma flecha pela corda de seu arco, mesmo no escuro ele conseguia manejar perfeitamente seu arco, antes pertencente ao seu padrasto. “Filhos da ratazana” chingava Baldur enquanto se movia em direção onde ele achava se encontrar a porta da sala de jantar, sendo interrompido quando se colidiu com alguém bem maior que um knocker.

O pânico havia se instaurado naquela sala, a mesa estava caída no chão, a comida espalhado por todos os lados, sujando o corpo de Tom Raterfil, deitado entortado no chão com uma agulha surgindo do pescoço. Os outros membros da família Raterfil, sua mãe e os dois irmãos, olhando para o corpo com olhares atormentados. Atormentados de pena pelo familiar morto, mas ainda mais atormentados de medo pela própria vida.

Eles apenas retiraram os olhos do defunto quando o caçador entrou pela porta, fechando-a e trancando-a com um olhar de seriedade que deixaria os observadores ainda mais atormentados caso eles pudessem velo, sendo poupados pela escuridão da sala. A única iluminação vinha de uma pequena vela que a senhora Raterfil havia reacendido após o pânico.

-Senhores, ninguém mais poderá sair desta sala até resolvermos esta situação.

– O que?- disse um dos irmãos Raterfil, como se não estivesse acreditando naquela noite – O que diabos está havendo?

-O assassino do seu irmão ainda se encontra nesta sala, eu não vou deixar ninguém sair até eu encontra-lo e elimina-lo.

– Você é um idiota? Ele saiu desta sala á muito tempo. Você deveria ter seguido ele ao invés de gastar nosso tempo – Gritou a viúva Raterfil, o pânico lhe retirando toda a cortesia com que ela normalmente falaria.

-Ele tentou se retirar deste local, mas eu o confrontei logo na saída e o forcei de volta para cá.

-Você é insano, apenas me deixe sair daqui. – Disse um dos irmãos Raterfil, correndo em direção à porta para fugir daquele local.

O caçador fechou sua mão em um punho e golpeou o homem, acertando seu rosto, o golpe ressoou com o som de alguns dentes se quebrando seguido pelo som do homem caindo ao chão.

– Como membro superior da ordem dos cavaleiros de Walter, é meu trabalho eliminar a criatura assassina, e esta criatura pode estar facilmente disfarçada como um de vocês. Ninguém irá sair daqui até eu descobrir quem. – Disse o homem do chapéu negro, dando ênfase na palavra “ninguém”.

Caso Baldur não estivesse ocupado demais, ele procuraria em sua memória pelos ensinamentos de Ethelwulf. O homem era irritante, mas também um dos caçadores mais experientes ainda vivos da ordem. Ele dizia ter caçado cada tipo de criatura que já botou os pés nessas terras de hienas, e várias coisas levavam outros caçadores a acreditarem.

“Não deixe ninguém enganar esta sua cabeça vazia”, era o que Ethel disse para Baldur quando este ainda era um cavaleiro amador. “Nem todas as criaturas que você vai caçar irão pular na sua frente gritando ‘bugabugabuga’”, normalmente Baldur estaria ansioso por mais conhecimento, mas não naquele momento, em que ele estava tentando almoçar.

“Várias delas tentarão se disfarçar e cortar sua garganta enquanto você dorme, para depois tomar seu lugar e cortar as nossas gargantas enquanto nós dormimos”. Se Baldur não estivesse tão ocupado, ele se lembraria de ter se questionado se ele poderia comer em outro local. “Tem aqueles espíritos dos mortos, os duplos, que acham que podem voltar a viver se tentarem tomar o local de uma pessoa.”

Logo em seguida, Baldur ponderou se ele poderia pagar a comida em outros estabelecimentos. O velho “Cachorro Gigante” era o único estabelecimento a cobrar menos de cavaleiros de Walter. “Aquelas malditas bruxas também tentam se disfarçar, num momento uma mulher esta te servindo uma bebida, em seguida você acorda verde e coaxando”.

Baldur simplesmente resolveu tentar aproveitar seu queijo e ignorar Ethelwulf, reclamar com o homem poderia levar á membros cortados. “E também não ajuda quando aqueles malditos sugadores de sangue também se disfarçar como gente.”

“E magos, não se esqueça dos magos” disse outro caçador que se sentava à mesa. Os outros o chamavam de Xau, não era seu nome completo, mas era a única parte dele que as pessoas conseguiam pronunciar, ele era um dos poucos cavaleiros de Walter que também eram magos. “Se eu ou alguém habilidoso quisesse, eu ou este alguém poderia nos disfarçar facilmente como você ou qualquer outra pessoa”.

“Tenha piedade Xau, eu estou tentando ensinar algo de importante para o miúdo, não venha com suas bobagens”. O terceiro cavaleiro de Walter se sentou á direita de Baldur com uma pêra em mãos, “Não é tanta bobagem quanto vocês podem achar, a manipulação de ilusão é bem praticada entre os magos, então eles devem ser mais comuns que Svartalfar”. Neste momento Ethelwulf apertou seu copo com tanta força que quase chegou a trincá-lo. “Nós somos cavaleiros de Walter, ninguem nunca vai prescisar de nossa ajuda para cuidar de um maldito mago”, respondia Ethelwulf.

Mesmo que Baldur não estivesse tão ocupado, ele não se lembraria do que veio depois, pois ele resolveu esquecer da comida e saiu daquele local, deixando os dois cavaleiros de Walter discutindo.

A mesa havia sido posta de volta na posição correta, ainda manchada com restos de comida. Os membros da família Raterfil estavam sentados em volta da mesa, os membros ainda vivos, pois o corpo de um deles ainda estava jogado ao chão, com uma grande agulha presa saindo do pescoço. O homem de chapéu negro estava de pé próximo ao corpo, com uma expressão de concentração.

-Eu estava certo, o assassino foi um de vocês-disse o caçador. – A agulha estava repleta de veneno de cobra listrada, que o matou quase em alguns segundos. Os gritos começaram logo após as tochas se apagarem, o que prova que o assassino estava próximo dele no momento em que aconteceu.

O caçador começou a andar em volta da mesa, seu chapéu negro de abas curtas em uma das mãos, e sua besta em outra, ele passou a vigiar os membros da família Raterfil, examinando-os e observando cada movimento. Eles estavam parados em suas cadeiras, quase paralisados de medo, sentados nos pontos mais distantes da mesa para evitar uns aos outros, devido à chance de um deles ser a criatura assassina.

-Obviamente a criatura tinha controle sobre o vento – Continuou a falar o homem de chapéu negro, mais para si mesmo do que para os outros, Mas quem poderia ser?

-Sentem-se no local em que estavam sentados durante o ocorrido. – Ordenou o caçador.

A senhora Raterfil e um dos seus filhos se levantaram, as mãos ainda tremendo, e se mudaram para outras cadeiras. O outro Raterfil, com o rosto ainda inchado do golpe que levara do Caçador, se manteu no local.

– Isso não vai adiantar nada, qualquer um de nós poderia ter feito morto ele nesta mesa. – Disse ele.

O homem de chapéu negro apenas encarou o Raterfil por uns dois segundos, antes de levar sua mão lentamente até sua besta, fazendo o Raterfil se movimentar e sentar no local designado antes mesmo do caçador ter que retirar sua arma do cinto.

Todos sentados, o homem de chapéu negro passou a andar em volta daquela mesa, com a expressão pensativa. A viúva Raterfil estava sentada na cabeceira da mesa, um de seus filhos na cadeira a sua esquerda, a cadeira a sua direita estava vazia, onde se filho assassinado estaria sentado, e o Raterfil de rosto ferido na cadeira seguinte.

O caçador observou a cadeira por alguns momentos, logo depois andando em direção até o defunto. O homem de chapéu negro ergueu o corpo e o colocou na cadeira vazia.

O corpo estava frio, pálido, e algumas moscas já tinham mostrado atenção por ele, e a expressão de morte gravada na face do Raterfil era igualmente desagradável, principalmente para seus irmãos e mãe, que ficaram próximos aquele corpo. A viúva Raterfil soltou um grito de desespero, e um de seus filhos, que ficara de frente para o morto, saiu correndo até a janela, a abriu e vomitou por ela.

-Interessante – Disse o caçador, coçando seus curtos cabelos vermelhos. – De todos na mesa, você foi o que menos reagiu ao corpo de seu irmão.

Raiva e fúria começaram a surgir no jovem Raterfil enquanto o homem segurando o chapéu negro falava.

-Você parece estar mais acostumado com a morte dele, e ainda estava sentado bem próximo da vítima. Talvez você seja o assassino. – O caçador dera ênfase a “você”, e calmamente levantou sua besta, apontando suas duas flechas para o surrado Raterfil.

– Isto é, se você não for o assassino. – Disse a senhora da família Raterfil, ela se levantara de súbito de sua cadeira, sua expressão ainda mais furiosa do que a do seu filho.

-Mãe? – Disse o Raterfil debruçado na janela, que a pouco voltara a observar tudo.

-Você parece ter identificado o que matou meu filho rápido demais, e foi uma incrível coincidência o assassinato ter ocorrido justo quando você estava por perto.

-Hora, eu não estava próximo o bastante do seu filho quando o assassinato ocorreu, não poderia ter sido eu.
-Você tinha uma besta para matá-lo. – Disse a viúva apontando uma de suas mãos para a arma do caçador. – Eu acredito que você veio aqui para conseguir o tesouro de nossa família.

O caçador simplesmente ficou parado no local por algum tempo, calmamente, antes de se virar para a mulher.

– Isto nós veremos. – Disse o caçador enquanto virava a besta para a viúva Raterfil.

Enquanto o homem do chapéu negro preparava para lhe atirar, enquanto o medo entrava em suas veias, a viúva Raterfil conseguiu perceber duas coisas pelos seus sentidos: em primeiro local, ela percebeu em meio às sombras daquela sala, a silhueta de um homem em meio a roupas funerárias, de cabelos grisalhos e rugas ao redor dos olhos, uma pessoa que ela nunca havia visto antes.

Em segundo local, ela ouviu o som de algo colidindo com força contra a porta.

A tranca da porta se rompeu violentamente e esta bateu com a mesma força contra a parede e Baldur surgiu por ela. O cavaleiro de Walter estava sem suas costumeiras roupas marrons e sem seu chapéu preto, estando vestido apenas com as roupas brancas que ele vestia por baixo das marrons.

Ou pelo menos eram roupas brancas, estando repletas de manchas vermelhas e cortes. Baldur também estava com uma tira de tecido envolta de seu pescoço, igualmente manchado de vermelho.

O cavaleiro de Walter também levava um arco em mãos, a corda puxada e armada com uma flecha.

Baldur encarou o homem de chapéu negro e com a besta em mão, que era praticamente igual a ele. O homem virou a besta rapidamente para Baldur, mas não tão rápido quanto à flecha que voou do arco de Baldur e atingiu-o na barriga.

O homem se curvou com dor quase caindo no chão, ele tentou desesperadamente atirar novamente no cavaleiro de Walter, mas este puxara outra flecha e a soltara. A flecha acertara o homem no peito, e este caiu desacordado no chão. A forma dele desapareceu assim como uma miragem que desaparece quando alguém chega próximo.

Ele era ligeiramente mais baixo que Baldur, mas mais robusto e de cabelos vermelhos. Ele ainda vestia as roupas que havia retirado do cavaleiro de Walter.

Baldur ficou parado na porta verificando se o homem estava realmente derrubado. Quando teve certeza, ele se aproximou dele, se abaixou e recolheu seu chapéu. O cavaleiro de Walter se sentou à mesa, os Raterfil abismados demais com os acontecimentos para comentar alguma coisa.

Baldur começou a pensar no que fazer depois. Ele teria de ir a algum barbeiro para verificar os seus ferimentos. Ele teria que caçar os knockers restantes, pegar algum objeto daquele homem e explicar as coisas quando voltasse a Estevi. Ele teria de explicar para os outros cavaleiros como um mago entrara no castelo, matara uma pessoa, o derrubara e se disfarçara como ele para poder atormentar os Raterfil antes de matá-los.

Baldur se virou para o lado, para o corpo do Raterfil morto e lhe disse: “Pelo menos nenhum de vocês se machucou seriamente”.


Categorias: Agenda,Baldur |

2 Comments»

  • nikola tesla says:

    E assim eu continuo minha jornada para dominar o nerd escritor.

    Estou surpreso pelo titulo ter cabido na agenda

    Espero que aproveitem minha estória.

  • Pandion says:

    Vejam só, eis aqui um belo exemplo de conto que me agrada tanto na história quanto na estrutura literária.

    É um bela obra, se houvesse uma pontuação nos contos, certamente levaria acima de 9.

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