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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Feb
02
2010

Um Outro Conto de Fadas – Capitulo 3

Escritor: Renan Barcellos

um-outro-conto-de-fadas

Quando Faye abriu os olhos ela se deparou com algo que não esperava. A criatura que estava logo à sua frente, a menos de um metro de distancia, a fada havia vindo, mas parecia ser um monstro saído de pesadelos. O ser tinha aproximadamente um metro e vinte de altura e se assemelhava à algo parecido com um rato bípede e deformado, seus bigodes engordurados não paravam de se mexer, como se estivesse farejando constantemente com seu nariz inchado. A cabeça deformada e cheia de calombos parecia ferida em vários pontos, em carne viva, necrosando e atraindo moscas, que convergiam para as pústulas.

Faye ficou estática, sem sequer respirar, ainda não processando o horror que estava em sua frente, passeava o monstro com seus olhos, constatando cada pequeno detalhe da abominação que viera buscar seu dente: As presas de roedor, quebradas e amareladas, o rabo segmentado, faltando pedaços em alguns pontos, pequenas asas que lembravam as de um morcego, mãos de três dedos, terminadas em pequenas garras, o pêlo hirsuto e cinzento que cobria boa parte do ser. Mas nenhuma dessas periculosidades aterrorizou tanto a menina quanto a visão dos olhos do monstro. Não eram de animal. Eram olhos humanos, com uma maldade, em seu estado mais bestial, estampada.

Faye não se mexeu. Ficou a encarar debilmente aqueles globos oculares tão familiares e, por isso, tão assustadores. Queria correr, queria fugir dali e implorar que seus pais lhe perdoassem da fuga que havia planejado.

A fada, sim, existia, mas era um monstro que – a garota sabia – estaria pronto para mata-lá caso precisa-se.

A jovem percebeu um esgar que parecia um esboço de sorriso, ouviu o monstro produzir risinhos abafados – neste instante a criança só não sentiu o terrível cheiro de morte que exalava do hálito da criatura, pois ainda mantinha-se sem respirar, com medo de que fosse percebida. -, ele conseguira encontrar o dente que estava embaixo do travesseiro, sua satisfação era clara. Estava feliz, afinal, não seria castigado por voltar de mãos vazias para a sua terra. Levou seu tesouro até a base de seu grande nariz e farejou por longos segundos que torturaram a garota Faye. Parecendo satisfeito com o que quer que seja que fazia, a fada colocou o pré-molar dentro de uma bolsinha de couro, que trazia amarrada na cintura.

Virando-se para atrás, o monstro pôs-se a ir embora, com um claro ar de trinfo em seu rosto disforme e bestial.

Vendo que a criatura se afastava e não mais conseguir prender a respiração, Faye espirou os gases que havia prendido no pulmão e então suspirou longamente – com um alivio que nunca havia sentido na vida – tentando não fazer nenhum barulho que atraísse a atenção da aberração que estava em seu quarto.

Foi um grande erro.

A garota não tinha como saber, pois estava fora de si quando o monstro havia chegado em seu quarto e assim que voltou à realidade, prendeu a respiração. Portanto, sofreu um enorme choque quando, ao respirar com afinco – para que seus pulmões fossem preenchidos -, sentiu um odor pútrido, um cheiro que, em sua mente infantil, nem imaginava existir, que parecia tentar sufocá-la conforme ia inflando seus brônquios, e tentando contaminar cada uma de suas células, ávidas por oxigênio. Era um cheiro de carniça, um cheiro não vida, como se algo sujo e contaminado houvesse exalado o odor de sua própria miséria, morte e fezes, misturados em uma só fragrância corrupta e doentia.

Em menos de um segundo uma sensação desagradável subiu desde o estomago de Faye ate atingir o topo de sua garganta. Seus órgãos se contraiam – como que se houvesse um terremoto em sua barriga -, levando-a a sentir uma profunda náusea, que imediatamente fez com que todo seu mundo girasse. Tonta e sem noção alguma do que fazia, a pobre menina, levantou-se de onde estava deitada, mantendo sentada em sua cama, com as pernas ainda estiradas. Lutava com seu próprio corpo para que não vomitasse. O monstro ainda não havia percebido que estava desperta, e ela sabia, do contrario, iria morrer.

A criatura continuava indo embora, alheia à criança que tentava, com todas as forças, refrear o vômito que teimava em querer subir pelo esôfago. Mas a luta da jovem durou pouco, em poucos segundos ela já havia sido vencida. Um jato composto de jantar semi-digerido, – misturado com bile e outros sucos estomacais – jorrou da boca da garota, que ainda estava desnorteada, e esparramou-se no chão, produzindo um estalo quando chocou-se em alta velocidade com o piso e respingando na parede.

Foi diferente dos filmes. Não houve aquele instante – que sempre parece ser longo, como se a cena congelasse – onde o monstro ou o assassino demora alguns segundos para perceber o que aconteceu e então ir atrás de sua vitima. Não. A fada-monstro se virou instantaneamente, bruscamente, no mesmo momento em que o som foi produzido. Rosnando como um cachorro olhou diretamente para os olhos da menina.

Faye não teve tempo suficiente nem para sentir o suco gástrico fazer-lhe arder a garganta. Assim que sentiu o olhar da criatura, pode captar todo o ódio que ela parecia ter dentro de si, juntamente com uma incrível vontade de matar. Soube que iria ser atacada, tinha que fazer algo, rápido. Sem ver seu inimigo ou saber exatamente o que ele fazia, girou para o lado esquerdo de sua cama, caindo no chão com um baque e, por pouco, não se enrolando no cobertor. Levantou-se com toda a rapidez e coragem que conseguira reunir, pronta para correr, e ouviu algo como um “crack”, vindo de suas costas, de sua cama.

Não tinha vontade de perder tempo, voltou-se para atrás por puro reflexo e viu que a aberração havia acabado de cair pesadamente onde dormia, suas asas ainda se agitavam, como se houvesse acabado de perfazer um vôo curto e tinha suas garras enfiadas, aproximadamente, onde a barriga da garota estava à poucos segundos. A criatura tirou suas armas naturais lentamente, de onde estavam fincadas, como se saboreasse previamente o momento em que estariam chafurdando nas entranhas da garota. Demorou alguns instantes nesse ato, suas unhas haviam crescido, como por mágica, desde que iniciara o ataque e estavam tão afiadas quanto espadas.

O rato monstruoso terminou de se deleitar com o futuro e olhou com olhos malignos para Faye, que estava paralisada diante da selvageria que aquele olhar e cena transmitiam. Deu uma pequena risada carregada de catarro e então começou a brincar, chocando suas garras, agora negras com quase vinte centímetros, umas com as outras, como se as afiasse. O monstro sabia que a criança não deveria ser morta. Não agora. Mas não ligava, há muito tempo não tinha a oportunidade de fatiar um humano jovem e sentir o gosto da carne de uma garotinha. Ainda em cima do móvel, fungou com seu nariz de rato, mostrando seus dentes podres e quebrados, num sorriso maníaco que deixava uma baba esverdeada escorrer pelos seus finos lábios negros. Estava se divertindo… E seus olhos – de gente, não de animal – transmitiam um claro olhar assassino.

Deu um passo à frente.

Neste instante, tomada por um pânico que ainda não havia sentido e a certeza de uma morte da qual não queria sofrer, tentou gritar. Mas nenhum som saiu de sua boca. Afinal, Faye Luzia era muda.

O frio já não o incomodava, tampouco a brisa noturna que ainda revoltava as mechas de cabelo que saiam de baixo do seu deslocado chapéu. Em outra situação talvez reclamasse, com sua rabugice crônica, que, como ondas, vinha e voltava, mas naquele instante, estava totalmente concentrado. Nem mesmo algo que insistia em chamar de “narração”, que existia somente em sua mente louca, conseguia embaralhar seus pensamentos e tira-lo de seu estado de pura contemplação. A cena que ocorria dentro daquele quarto infantil o havia fisgado de um modo que o impedia de prestar atenção em qualquer outra coisa.

Estava maravilhado. Com um sorriso de êxtase e satisfação estampado em seu rosto. Mesmo com o perigo atroz, representado pela criatura, mesmo com chances da garota morrer, esmo com chances dele morrer, estava feliz e exultante pois, em sua loucura, sabia: A história iria continuar.

– Hugim… – disse Owen com um medo visível e reverente mas, ainda assim, tremendo de satisfação –…Sei que está aí, observando, de algum lugar… Ou de todos eles… – Aumentou seu sorriso, até não poder mais esticar seus lábios, e inclinou a cabeça para cima, tirando das sombras, formadas pelo chapéu, um par de olhos esbugalhados, assumindo a clara aparência de um louco. – Então, começou… Seus planos tão em andamento.

Riu escandalosamente, como que em histeria, um riso insano. Não se importou em denunciar sua presença, o que havia sido uma de suas maiores prioridades, há algum tempo atrás. Conteve seu ataque histérico com certa dificuldade, tendo que abafar sua risada com as mãos, e voltou a olhar para a garota que, em pânico, mantinha-se estática, sem conseguir retirar o foco de sua visão da criatura que começava a ir embora. Owen demorou-se os olhos apavorados e marejados da menina e, dessa vez, ficou sério.

= Ela ficou acordada. Ela é importante para a história e para os eventos que estão por vir, quaisquer que sejam eles… – sorriu novamente e deus os ombros, como que dando o braço à torcer – Parece que ele quer que eu conheça a garota. – Riu de novo – E, diabos, como eu poderia contrariar o escritor desse pequeno “conto de fadas”?

Ao terminar seu monólogo, percebeu que a criança levantara, sentando-se na cama. Balançando a cabeça, como que numa tontura, vomitou. Owen imaginou que a garota não conseguira suportar o odor de morte, tão característico daquela espécie de criatura que se encontrava em seu quarto e então fez uma cara que parecia dizer: “agora deu merda”. Fez barulho suficiente para ser ouvido do lado de fora do quarto, se a mágica da fada permitisse que qualquer som saísse do recinto a qual se encontrava. Era certo que a garota seria atacada.

= Parece que vou ter que entrar lá – Olhou mais uma vez para a câmera inexistente – Ou então a garota morre e a história não continua, não é? – sorriu de seu jeito peculiar, louco e assustador – É como Freddie diz na musica. “The Show Must Go On”.

Viu a menina rolar em direção ao chão, quase ficando presas em suas mantas. Instantes depois, ou melhor, quase que imediatamente, a monstruosidade com focinho de rato, em sua clássica carga diabólica, auxiliada por suas pequenas e frágeis asas “Morcegóricas”, saltara – como um predador que, ávido, busca por sua presa – até a cama, onde, imaginou Owen, a garota estivera segundos atrás. O caçador aplaudiu mentalmente a agilidade, reflexos e rapidez de pensamentos da garota, porem, sabia que ela não poderia fazer mais nada, além de receber uma morte lenta e dolorosa nas mãos do monstro que se deliciava ao imaginar o gosto de sua carne.

Inúmeras possibilidades e cursos de ação à tomar passaram pela mente insana de Owen. Ninguém poderia dizer quais loucuras existiram e foram apagadas em sua mente insana e caótica, umas simples, outras complexas, outras impraticáveis. Umas se resumiam à atirar no monstro e salvar a garota, ou chamar a atenção dele, de alguma maneira e só então atirar, outras eram sobre atirar na menina pedir um autografo ao monstro e talvez convidá-lo para sair… Algumas até mesmo envolviam arremessar o papa em cima da abominação, matar a versão zumbi do Michael Jackson, comer pizza com uma japonesa e roubar a sua moto, tudo junto.

Variadas alternativas habitaram sua mente. Mas, no fundo, todas eram fruto da mesma coisa: sua loucura.

-… Madness…? – perguntou para o nada – THIS IS SPARTA!!!

E então, dando alguns passos para trás e pegando impulso, se jogou em direção à janela, adentrando no quarto em uma chuva de cacos de vidro.

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