Uma Gota
Escritor: J. G. Valério

Alto no céu, raios cortam as nuvens, trovões ribombam e um vendaval incessante faz com que a paisagem se torne caótica. Em meio a tudo isso, pequenas partículas se chocam uma nas outras e reações químicas acontecem. Destas reações, uma gota d’água se forma, dentre vários metros cúbicos de nuvens, esta única gota vislumbra a imensidão dos céus, do espaço e da terra.
Eis então que esta gota d’água, cai. Sozinha despencando em direção ao desconhecido, ela cai. Cortando os céus, livre de qualquer força conhecida que pudesse prende-la a sua nuvem materna, ela trilha seu caminho desbravando fronteiras e sem olhar para trás, ela cai.
Uma única gota segue seu caminho, mas sem perceber que este mesmo caminho agora é seguido. Atrás dela dezenas, centenas de gotas seguem seu rastro, hora por necessidade, hora por querer sentir o mesmo que outros sentiram, hora por não saber o que fazer, hora por se aventurar, milhares de gotas d’água desabam no céu. Mas la na frente, uma gota solitária, cai.
Mal sabe ela o que existe a frente, mal sabe ela o que a aguarda, mal sabe ela.
Parada em um ponto de onibus, uma jovem garota é acertada pelo frio toque do acaso. Uma gota d’água cai sob seu nariz. A jovem retira um lenço de seu bolso, e a desbravadora gota solitária se desfaz em meio ao algodão macio sob a mão da garota. Alertada pela gota, a jovem olha para cima, calmamente pega seu guarda-chuva e o abre e por fim leva seu lenço novamente ao bolso.
Dezenas, centenas, milhares de gotas d’água, em uma chuva como nunca vista antes, desabam do céu.
A jovem garota esboça um sorriso, esta feliz por ter recebido uma gota d’água em seu nariz, foi o aviso da chuva que viria em seguida. Ela calmamente resolve seguir seu caminho e sai andando do lugar onde estava. Porém ela não vai muito longe, um onibus que passa pela rua ergue uma grande massa de água do chão, que cai sem piedade sobre a garota. Ela se molha da cabeça aos pés.
De que serviu o aviso da gota? A jovem se olha toda molhada, abaixa o guarda-chuva, leva sua mão ao bolso e joga seu lenço de algodão no chão.
Ela nunca iria saber se foi o acaso que lhe pregou uma peça, ou foi o desígnio que a esperava com sua roda e suas engrenagens, sempre caminhando ao seu lado.
O aviso da gota d’água não funcionara, ou talvez o banho inesperado tenha sido em troca da pretenção da jovem garota, de achar que aquela gota, a primeira gota a cair do céu, a se ver livre explorando um novo mundo, deveria ficar presa em um pano escondida em seu bolso.
Os motivos reais nós nunca saberemos, pode ser que seja tudo préviamente arquitetado pelo engenhoso desígnio, ou tudo pode ser uma grande peça do observador acaso. Por fim a garota se viu toda molhada olhando para o horizonte, enquanto a gota d’água que antes presa a um lenço de algodão, se via livre novamente, correndo pelos caminhos da terra, acompanhada pela enchurrada que eram suas seguidoras.
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Como eu disse para alguns, o primeiro conto de 2010 seria meu!
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Como o ano só começa após a Campus Party, esta ai, um continho, saido de um delírio onírico. =)
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Espero que gostem!
Bem, o conto começou com uma sutileza poética e terminou meio… estranho, mas interessante. Gostei.
Foi assim com o meu sonho, começou calmo.. ai eu acordei.. e tudo desandou… acho que relfeitu um pouco. =/
É um conto sem graça mas é legalzinho hahahahaha.
Hehehe.. sua chata. Repare na simplicidade! Na analogia!
Ah eu gostei! rsrs
Achei legal essa parte de começar a descrever um ponto e depois iniciar uma segunda narração a partir de outro objeto, no caso a garota.
Já o final de fato houve deveras poesia.
Olha.. o Danilo tem um ótimo gosto literário. Ganho um ponto no meu conceito! =)
Hhahahaa Olha o conto do chefe. Tb gostei.
Bruno Vox também, sempre achei que esse menino tinha futuro. Esta ai, ótimo gosto para literatura. =)
legal o conto, muito poético, mas o final ficou meio estranho….=D
Interessante.
Meio pirado, que é algo que gosto, mas poético demais pro meu gosto. Nada mal.
É, não ficou um conto … conto mesmo, fluído e tal. Esta meio rebuscado. Mas foi só um reflexo do que passou na minha cabeça. =)
Gostei, fiz algumas analogias ao desbravador que tenta algo novo e após seu sucesso é seguido por muitos outros, então vem alguém e detem seu progresso, mas de alguma forma algo maior conspira para que o desbravador seja liberto e busque trilhar um novo caminho sendo seguido por aqueles que já o seguiam, interessante. Vem cá Guns, esse sonho veio antes ou depois do blog começar a crescer de forma astronomica??? he he he he Por que de certa forma a gota reflete em vc não acha?? Outra coisa que me fez ver foi a simplicidade de um gameplay baseado nisso, arremangar as mangas e voltar a trabalhar he he he he.
Eu tive esse sonho no domingo a noite hehehehe… anotei em um papel.. e ontem a noite escrevi o conto =)
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A analogia se da a todos que buscam algo novo e de coisas que acontecem por acaso em nossas vidas… ou será tudo premeditado? Não se sabe =)
Eu gostei, e do meu ponto de vista se caracteriza muito bem como um conto, onde o autor descorre sobre a vida, o acaso e a existência de forma poética e reflexiva.
Muito obrigado! =)
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Tem partes que não fluem muito bem, ai fica meio confuso. Um texto fluído sempre ajuda na leitura. Esse ficou meio rebuscado.
Eu gosto mais de ler rebuscado, embora não escreva dessa forma. A poesia do conto ficou boa, sim. ^^
Adoro prosa poética. Ela reflete o que há de mais belo no uso das palavras.
Mandou muito bem sócio. Parabéns!!
Abção.
Cara, gostei. Mal sabia a garota que a gota d’água nunca teria um fim, sempre continuará exercendo seu ciclo de cair e subir novamente.
Curto como um bom conto deve ser e bem poético.
Hehehe.. legal seu ponto de vista. Nem passou na minha cabeça o ciclo da água
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Interpretações, isso é muito bom num conto como esse. =)
Sócio? A Laize anda meio sumida durante a semana?
A Laize começou a trabalhar hoje! =)
Mto bom, concordo com a analogia feita plo Jones…
gostei…
Thanks!
Lindo.
Também acho que o Jones acertou em cheio, na analogia. Muito bom, Guns…
A analogia está mt boa. E não acho q o final tenha ficado confuso ou qualquer outra coisa. Gosto qnd contos de coisas simples e naturais fazem olharmos para dentro de uma certa forma
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=]