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Mar
15
2010

98º Dia

Escritor: João Paulo da Rocha

Eu não deveria estar aqui. Pelo menos não ainda. Esta viagem deveria ter terminado 90 dias atrás. Aliás ela quase não aconteceu. Em 1998 o Pontes ficou com a minha vaga, e me restou voltar para os vôos de monitoramento do litoral.

No começo de 2007 me assustei quando meu superior me comunicou que eu era convocado pra uma reunião com os Ministros Jobin e Amorim. Quando cheguei no Ministério da Defesa, fui conduzido de carro ate o escritório no porão do Alvorada. O Presidente me aguardava, juntamente com os Embaixadores da Rússia e da Índia. Eu ainda não havia processado o que estava acontecendo.

O embaixador Malinovski dirigiu-se a mim em russo, idioma que treinei por vários anos, sempre em busca de meu sonho que cada vez parecia mais distante. O que ele me disse em me espantou: “Pronto pra conhecer a Lua, kosmonaut”.

Foi então que tomei ciência do estava envolvido. A Rússia ansiava dar o passo para a conquista que lhe faltava na corrida Espacial: Pousar na Lua. Um acordo estratégico e secreto com o Brasil e a Índia, era o plano russo para superar E.U.A e China na Corrida pelo Satélite. Fui escolhido para representar o Brasil no primeiro vôo conjunto entre os três países, por meu pré-treinamento e russo fluente. Pesou também o fato do governo brasileiro considerar o Pontes midiático demais para uma missão secreta.

Depois vieram os problemas do inicio da década, que acabaram me deixando novamente com o sonho desfeito.

A violenta crise financeira norte-americana e os atentados com gás químico de 17 de junho em Chicago e no metrô New York (que mataram quase 50 mil pessoas) acabaram por sepultar o já enfraquecido governo do presidente Obama, que sobrecarregado de críticas e pressionado por todos os lados, renunciou um mês depois, juntamente com o vice, que provocou uma antecipação das eleições, jogando a presidência de presente para a republicana Condolice Rice, e fez os EUA se fecharem cada vez mais; A Invasão Norte-americana na Coréia do Norte também colaborou para que há um ano e meio os americanos retirassem todos seus astronautas da ISS, deixando a bordo três russos e um alemão, que nossa missão substituiria.

Finalmente decolamos em uma nave Soyuz, no Centro de Lançamento de Baikonur. A nave é apertada, não é possível se mexer muito. Durante dois longos dias orbitamos a terra, ate acoplarmos à ISS.

Porém, no primeiro dia, os problemas. Fomos recebidos por Yuri, Pavel, Tetzvedan e Miloslav amistosamente, mas o anuncio que nos deveríamos fazer (eu, Jan e Krish), da missão futura a Lua em 2019, conjunta entre Brasil, Rússia e Índia foi adiada. Não deram motivos, nem explicações.

No terceiro dia, a tensão aumentou. Ficamos 7 horas sem contato com a base no Cazaquistão. Silencio total, nenhum dado ia ou voltava da Terra. Quando restabelecemos o contato, nova noticia desagradável: não poderíamos voltar pra casa com a nossa nave. Um problema no lançamento danificou nosso modulo de reentrada. Seria suicídio voltar com ela. Também não poderíamos utilizar o modulo reserva da ISS, pois deixaríamos “ilhados” os cosmonautas na estação. A solução, nos informou o centro de comando, era mandar o modulo de volta vazio, o qual se desfaria na reentrada, se espatifando no deserto de Gobi, e aguardar o envio de um ônibus Espacial americano, que estava sendo negociado com a presidente Rice.

Os dias seguintes foram de tensão. Não nos informavam muito, o espaço na ISS é reduzido, alguns atritos começavam, velados, sutis, mas estava uma tensão no ar.

No décimo dia em órbita, quando deveria ser lançado o ônibus espacial para nosso resgate, o tempo impediu o lançamento. Fora adiado em uma semana. Deus parecia nos querer aqui, no céu, perto dele.

Décimo sétimo dia, já estávamos muito agitados, preocupados, informações quase nenhuma. Sem explicações, e dessa vez Pavel despejou contra o contra o comando todo os palavrões em russo que o vocabulário permite, disseram que o resgate iria demorar mais duas semanas.

Após isto, ficamos novamente sem comunicação, desta vez por dois longos e angustiantes dias. O tempo parecia não passar. Eu fazia meus exercícios, continuava minhas leituras, tudo pra ocupar minha cabeça. Jan e Pavel não se entendiam, discutiam por qualquer coisa. Krish era o único que não falava nada, matinha uma calma, olhos perdidos contemplando o infinito.

Quando o silêncio foi quebrado, finamente respostas. Uma série de atentados contra embaixadas americanas no Oriente Médio e África, o esquentamento das relações entre os EUA e a China pela invasão da Coréia do Norte, impossibilitaram o envio de um ônibus espacial. Uma nova nave Soyuz estava sendo preparada. Teríamos que esperar por pelo menos mais um mês.

Não poderia dizer por que tudo deu tão errado nesta viagem. O destino? Era pra ser assim? Nunca saberei. Ou somente quando me encontrar com o Deus que me aguarda ( e olho agora para o céu e pergunto onde Ele esta).

Os próximos 15 dias foram uma eternidade. Começamos o racionamento de água e comida. Não sabíamos quanto tempo mais duraria o oxigênio.

O que aconteceu em seguida mudaria o rumo de tudo. Para manter a sanidade temos uma rotina rígida na ISS. Acordamos, nos higienizamos e fazemos exercícios, sempre no mesmo horário, já que não temos noção de dia e noite. Mas Tetzvedan, sempre o mais organizado não acordou, nem no horário, nem depois. O mais experiente de nos no espaço, com quase 400 dias ininterruptos de permanência na ISS estava morto. Não podíamos prever. Nada poderia prever que o coração de Tetzvedan pararia a 400 km de casa.

As próximas conversas com a base foram tensas. Não nos davam uma solução, não falavam nada de concreto sobre nossa volta. Ainda demoraria uma ou duas semanas o resgate.
Alguma coisa estava acontecendo na Terra. Nós sabíamos, o comando em terra sabia, mas não falava nada.

O medo e a incerteza reinava na ISS. A possibilidade de não voltarmos pra casa começava a parecer real.

Dois dias depois tivemos que decidir o que fazer com o corpo. Tetzvedan vestiu seu traje de passeio espacial pela ultima vez. Sua família o veria adentrando a terra como uma estrela cadente. Seu corpo seria consumido na reentrada, tendo o mais perfeito funeral para um homem do espaço.

Exigimos uma solução para o comando. Finalmente, eles abriram o jogo. O nosso resgate não estava vindo. Essa era a verdade. Também não foi a política que impediu o envio do ônibus espacial americano. As forças estavam direcionadas para outra direção: TUv25.

Uma bola de gelo e rocha, de 108 km de comprimento, viajando a mais de 7500 km por hora. Foi avistado há dois anos. Ele deveria passar a 30 mil km da terra. Nunca os astrônomos estiveram tão errados.

Os governos estavam num esforço para tentar parar o cometa. No cinema a coisa é fácil. Fazer uma nave a toque de caixa, mandar o Bruce Willis montar nele igual um cowboy e explodir, tudo muito simples.

Na real a coisa é bem deferente. Não tinham o que fazer. Era virtualmente impossível parar o TUv25. A última tentativa seria atingi-lo com o maximo de mísseis nucleares possíveis. Uma gigantesca nave estava sendo armada, mas pouca esperança havia.

A população ainda não havia sido informada. Mas em uma semana uma conferência da ONU comunicaria ao mundo.

Estávamos atônitos. O comando em terra autorizou a volta com o módulo salva-vidas, porém ele só comportaria 3 pessoas.

Tirar a sorte foi como jogar por nossas vidas. Foi jogar com nossas vidas. Krish foi o primeiro a tirar o palito curto. Yuri em seguida não segurou o choro quando o palito longo foi puxado. Sua esposa daria a luz em alguns dias. Ele seria privado de conhecer seu filho. O filho que ele lutou tanto pra ter. Milos e Jan também não tiveram sorte. Pavel e eu voltaríamos para a terra.

Pouco tempo antes de embarcar, analisei se realmente se teria algo pra que voltar. Meus pais morreram há algum tempo, não tinha irmãos, minha esposa estava com outro, não tinha filhos. Meus parentes mais próximos eram três primos que não. Amigos poucos. Ninguém sentiria minha falta. Não teria ninguém para voltar.

O abraço que Yuri me deu foi o mais forte que recebi de alguém em toda minha vida. Em 6 horas ele estaria com seu filho nos braços.

Nove dias depois o gigante estava próximo e assustador. A nave que tentaria explodi-lo explodiu antes, na atmosfera. Não lhe tirara pedaço algum.

Não vimos o impacto, que ocorreu na costa leste americana. Mas vimos a nuvem de poeira, pedras e fogo que se levantou, viajando mais rápido que o som e tomando toda a atmosfera da Terra. Não sabíamos o que fazer; se chorávamos, se nos desesperávamos, se apenas contemplávamos esse terrível espetáculo.

Orbitamos a Terra varias e varias vezes. Só viamos poeira. O planeta outrora azul visto daqui de cima, agora é uma gigante bola cinza e vermelha.

Não sabemos a situação la em baixo. O ultimo contato foi na véspera do impacto. Estávamos tão desesperados que agimos como se tudo estivesse normal. Não mencionamos o meteoro, nem a morte. Somente programamos nosso retorno. Como se ele realmente fosse acontecer. Milos e Jan falaram com suas esposas. Não sei o que falaram.

Milos quis sair para uma caminhada espacial, dois dias atrás. Ele disse que seria a ultima. Do lado de fora ele acenou pra nós. E se soltou. Não tivemos tempo de fazer nada. Seu corpo agora flutua por ai, no espaço, em busca de Redenção.

O oxigênio esta acabando. Alguns sistemas estão falhando. A água reutilizada já esta fiando imprópria para beber. A comida também está no fim.

Hoje, 8 dias após o impacto, Jan esta com febre. Muita febre. Recusa remédio. Diz que não tem por que ficar bom. Ele pediu-me para ajudá-lo a fazer a ultima caminhada espacial. Recusei. Pode ser cruel, mas não quero ficar sozinho ate o fim. Não posso ficar sozinho ate o fim.

Não quero morrer ainda. Ainda tenho esperança que há alguém vivo lá embaixo. Tenho que ter essa esperança. Não posso morrer sem essa esperança. Não pode tudo acabar assim.

Estação Espacial, orbitando o que um dia chamamos de lar.
29 de dezembro de 2012.


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