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Mar
18
2010

Descoberta ao acaso

Escritora: Laize Kasmirski

descoberta-ao-acaso

Ficamos presos durante anos em um prédio fechado, ninguém entrava e ninguém saia. Vivíamos ali em umas 15 pessoas, não tínhamos nada para comer, nem para beber e eu sempre me dispunha a ajudar os outros quando fosse necessário.

O clima ali dentro estava ficando cada vez mais tenso, não tínhamos idéia porque estávamos trancados ali, não fazíamos idéia do tempo em que ali ficamos, pois o tempo para nós não existia.

Houve um dia, em que uma pessoa abriu a porta e entrou no prédio, foi diretamente para o quarto em que nos encontrávamos. Após tanto tempo não tendo contato com mais ninguém, a primeira reação nossa foi de medo. Ele parecia ser mal, não parecia ser igual a nós. Ele vestia roupas pretas, tinha uma pele clara, olhos e cabelos castanhos. A cor a nosso ver, era muito mais nítida que o normal. Sentimos uma sensação estranha, por mais que encaramos ele, todos ali presente, ele não olhou para ninguém nem sequer uma vez.

O medo me fez agir, não pensei em mais nada senão fugir dali. Peguei um pedaço de tábua quebrada que estava jogada no chão e corri em direção a janela. Bati com toda minha força e consegui quebrá-la. Os outros me observavam assustados, o homem naquele momento virou instantaneamente a cabeça para ver a janela que havia sido quebrada. Meu temor aumentou, olhei para baixo, devíamos estar no sexto andar. Todos eles me encaram com um ar de desaprovação, não poderia pular, não sobreviveria. Mas eu não pensei no que aconteceria, apenas pulei.

Durante a queda, eu não senti medo, eu somente caia, sem pensamentos, sem emoção e sem reação. Quando bati no chão, não pude ouvir nada. Não houvera um baque, eu cai no chão deitada. Olhei ao redor, ninguém viera me ver ou me acudir. Foi então que percebi, já estávamos mortos há tempos.

Written by The Gunslinger in: Autores,Contos,Laize Kasmirski |

27 Comments»

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    Esse conto foi baseado em um sonho que minha mãe teve, achei a forma como ela narrou fantastica e tentei transpassar ao “papel”.

  • Báthory says:

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    meio creepy, mas muito legal!!!

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    Eu acho que o estilo de linguagem ficou meio estranha O.o
    Acho que captei a forma da fala de minha mãe hehe.
    Obrigada pelo comentário Báthory! =D

  • Vitor Vitali says:

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    Eita, muito bom. Gostei muito :D

  • Lady Darwin says:

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    Ah, muito interessante!!! ^^

    Ficou realmente bom; todo o sucinto mistério acerca do motivo do homem estar diante daquelas pessoas sem vê-las, e também o porquê dela não ter sentido nada ao cair.

    Pena que era tão curtinho!

    E, sabe, eu também já tive um sonho parecido; mas para mim, era como se eu estivesse dentro de uma caverna, e em determinado momento, caísse num burraco que não parecia ter fim. Eu ficava caindo com uma lentidão… E sabe aquela sensação de quando colocamos a cabeça para fora de um veículo em movimento e o vento forte bate no rosto, fazendo com que a gente fique com a sensação de falta de ar? Mesmo que fosse um sonho, me lembro claramente de ter sentido isso. :D

    Bem… Enfim, parabéns!!!

    Abraços,
    Lady Darwin.

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      É muito estranho sonhar, lembrar e pensar que aquilo que pareceu tão real não foi realmente real…
      Só este final de semana tive dois sonhos muito estranhos e assombrosos, quando vejo as pessoas que fizeram parte fico lembrando e tentando imaginar se seriam capazes de fazer o que fizeram O.O

  • thatha says:

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    amei!super interesante eu odeio ler coisas chatas,mas o seu texto estava muito legal

  • Geovanni Chrestani says:

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    Me lembrei do filme “Eu sou a lenda” e também do “Os Outros”. Muito legal. Eu diria que é um texto experimental. Parabéns.

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      Eu tbm digo que é um texto experimental Geovanni, mas se for pensar assim, muitos dos meus contos estão passando por uma fase experimental.

    • Andrey Ximenez says:

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      Também lembrei desses dois filmes. Mas o contexto em si não me evocou nada de especial, a não ser a qualidade da escrita.

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    Ahh, obrigada pelo elogio ^^

  • Tomás Kroth says:

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    Bom Laize, como sempre. Não foi o teu melhor e talvez se tu tivesse discorrido mais sobre o tema teria sido um dos melhores. O assunto é poderoso, e apesar do curto espaço, tu tratou ele bem, ficou agradabilíssimo de ler.

    E srta, estou esperando teu comentário há algumas semanas em “O Beijo da Cortesã” e não vi nem cor dele xD

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Hááá Obrigada Tomás e confesso que comecei a ler ele na semana passada mas acabei adoecendo de sono. Prometo que irei ler, pena que meu tempo esta escasso (pode reparar até pelos comentarios no meu blog O.O )

  • Jones says:

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    Bom, outra coisa que reparei foi algo que em outros textos teus não havia percebido, bem no inicio, acho que só no primeiro paragrafo a repetição constante da palavra “ali”!
    -
    Contudo, todavia, entretanto, A historia é muito boa, tipo o plot dela, gostei mesmo. No inicio parecia algo parecido ao mito da caverna de platão, sem balinhas por favor, depois me pareceu bem os filmes do tipo “os outros” e “sexto sentido”.

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      Confesso que nao revisei esse conto… Foi nu e cru, tem muita coisa que ao reler vejo que esta meio fora… =/
      Puxa, ser comparadado a caverna de platao, os outros e sexto sentido…puxa, agora ate me engrandeceu aqui hehehe \o/ Valeu!

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    Eu curti!

    Achei bem Laize.. sério mesmo… só achei que a garota iria quebrar o vidro e ja se jogar.. não parar e pensar. Mas tudo bem. =)

    E que papinho hein?! “eu sempre me dispunha a ajudar os outros quando fosse necessário” hehehe.. que sera que essa pessoa não fazia :D

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    O tema é bem interessante, daria para fazer uma série com ele, ou até um livro inteiro. Mas achei bem legal, parabéns!

  • RenanMacSan says:

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    Juro que assim que acabei de ler pensei: parece um sonho, hehe, e era mesmo.
    Não lembrei de nenhum desses dois filmes, mas sim de Oldboy, por eles ficarem trancados em um prédio sem saber de nada.
    Já tentei várias vezes transcrever sonhos mas nunca consigo, sei lá, os meus as vezes ficam meio bobos no papel, embora trouxessem várias emoções na hora.

  • Raione LP says:

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    Texto muito bom!
    Confesso que também achei a narrativa um pouco esquisita, mas até que dentro do universo onírico ela assume um tom natural.
    Parabéns!

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