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Mar
26
2010

O Cantar da Madrugada

Escritor: Zaratrusta Almeida

o-cantar-da-madrugada

Tu não és o tipo de pessoa que se encontre neste sítio, a esta hora da noite. Não és aquela pessoa que dorme no dia e vive a noite como um mocho. Porém aqui estás, no meio da noite, sentado num banco de jardim e esperando pela companhia que parece nunca mais vir. Tu não estás habituado a esperar, na realidade normalmente são os outros que esperam por ti, e ninguém se queixa pois já te conhecem. Uma da manhã e nada, duas e as badaladas tocam, três e o cheiro amargo do álcool podre emana-se dos clubes. Não vem ninguém.

Andas triste pelo meio da rua, e parece-te que perdeste uma óptima noite em que podias ter estado a divertir-te, sozinho ou com mais alguém. Mas não com aquela drogada, não nesta noite, não deste modo. A Fúria anda ao teu lado, e do outro lado a Razão, essa massa que é igual à carne que um homem mostra. Eles falam para ti, sussurram-te as suas palavras, mas tu tentas ignorá-los, falas mais altos e esperas que eles simplesmente desapareçam. Eles querem de facto trazer-te fogo para a noite.

-Porque não lhe ligas para que haja uma pequena briga? – diz a Fúria com um sorriso de luz. – Ela deixou-te aqui especado, não achas que merece?

-Mas ela manteve-se ao teu lado quando ninguém o fez. – responde a Razão em tom magistral. – Ela é te querida, ela ama-te em tantos sentidos.

“Quem me dera que as vozes na minha cabeça parassem de falar”, dizes baixinho, e desejavas estar a falar da Fúria e da Razão.

Se à sete anos um viajante da noite tivesse acabado no lancil exactamente em frente à tua casa, tu serias o bom samaritano, tê-lo-ias recolhido, dar-lhe-ias uma boa sopa e uma cama, os medicamentos que ele precisasse e tempo, muito tempo, para ele descansar. Tu foste essa pessoa. Mas o que te aconteceu mudou tudo isso, não mudou pequeno irmão? Tu foste de facto uma pessoa de bem, uma pessoa que ajudava sem esperar nada em troca.

Sete anos, de facto é muito tempo, e tu sabe-lo. Como estavas à sete anos? Eras ainda um bom samaritano, uma pessoa que ajuda sem esperar nada em troca. Mas depois veio o acidente, o terrível acidente que te devorou as entranhas. Tu sabes que não podias ter feito nada, já tinha partido quando tu quiseste salvá-la. Tu correste e quiseste agarrá-la, quiseste reanimá-la, mas de nada funcionou. Ela estava ali no chão, caída, nua, no meio do gelo como se de um anjo se tratasse. Tu estavas ali caído e desamparado, apesar de ser ela que precisava de ajuda para sobreviver, tu precisavas de ajuda para reaprender a viver.

Tu não és o tipo de pessoa que normalmente se encontra na rua pelas quatro da manhã, e porém aqui estás tu, nesta cidade escura e fria, fria e cruel, cruel e pouco acolhedora, e não sabes o que fazer pois as vozes na tua cabeça, que tu desejavas serem as da Razão e da Fúria, não cessam em nenhum segundo. São como os ecos dos tempos que passaram, e tu não suportas mais o seu incessante “Salva-me, salva-me.”, repetido vezes e vezes sem conta, ininterruptamente. Tu estás cansado e tens razão para o estar. Foi uma noite muito cansativa.

Vais a cambalear até tua casa, e rodas a chave lentamente. A porta abre-se e tu apressas-te a chegar ao quarto, desejoso de poder tirar as pesadas roupas e dormir descansadamente. Passas pela dispensa e agarras em algo para comer, para mordiscar enquanto te preparas para deixar outro dia passar. Ficas deitado e a olhar para o tecto, branco verdadeiro, sem nada nele pintado ou desenhado, simplesmente branco.

“Quem me dera que ela tivesse avisado que não vinha.” pensas baixinho “Assim perdi tempo que podia ter sido gasto a fazer mil e uma outras coisas. Devia já saber que não se pode confiar numa pessoa como a Mara. Ela vai deixar-te pendurado e a perguntares-te o que raio aconteceu. Sim, isso é típico da Mara.” viras-te para o lado esquerdo, e continuas “Mas por outro lado, ela foi a única pessoa que me ajudou quando tive…ela foi uma pessoa soberba, uma amiga que sempre me ajudou quando precisei, e não tentou obter nada disso. Lembro-me, chegou ao pé de mim, éramos praticamente desconhecidos, e perguntou-me frontalmente, com a doçura que a caracteriza ‘Está alguma coisa mal consigo?’ , e eu simplesmente chorei no seu ombro, nós praticamente desconhecidos, e ela não criticou, simplesmente acariciando o meu cabelo enquanto eu chorava incessantemente. Ela foi a única que suportou enquanto eu ficava apático a olhar para o tecto…” tu reviras-te para a esquerda, encolhes-te na cama, e continuas o teu murmúrio silencioso “Pena que não seja mais assim.”

Tu acordas, lentamente para que os primeiros pensamentos da manhã, esses que são os mais preciosos, não se escapem da tua cabeça, e os olhos colados com o sono e os sonhos começam a rasgar. Cambaleaste, irmão, até à cozinha, e tomaste um bom pequeno almoço. Comeste os teus ovos, que na mesa estavam quando lá chegaste, o teu pão e o presunto salgado. Depois foste trabalhar.

Destapaste a tela de cores vividas e berrantes, e começaste a ver nela a história desenrolar-se. Elevaste o pincel, e este pintou como se a sua alma fosse ele mesmo alguém. Para a direita, depois a esquerda, e depois a direita de novo, um retoque à direita, mais uma pomposidade e outra, e está completa a tua tela. Não foi assim tão difícil. Algumas horas de trabalho chegaram para a terminar. Agora está na hora de te divertires.


Categorias: Contos | Tags: , ,

31 Comments»

  • E.U Atmard says:

    Ah…finalmente chegou!…

    • lentenegra says:

      yap bonito conto. tenx um estilo k nao foge mt do meu… exa carencia de comentarios a que se deve?

  • E.U Atmard says:

    Foi postado ontem…

    • lentenegra says:

      os contos sao colocados diariamente. e parece que sao pouco lidos. cade tda gente… eu sou novo nu blog. to afim d enviar meus contos. espor meu estilo. podx detalhar cmo fazer isso?

  • Andrey Ximenez says:

    Curti o conto… bem diferente do que se ve por aqui.

  • Zaratrusta Almeida says:

    Obrigado Andrey, agradeço que tenha gostado!

  • Samila says:

    Hum… Fazia tempo que eu não lia algo made in Portugal… Adoro esse toma mais rebuscado…
    Gostei do estilo, o início fez com que eu me sentisse em uma mesa de RPG….
    Mas o final foi um tanto abrupto, não?

  • Zaratrusta Almeida says:

    Ele continua, só ainda não está aqui. Ele virá, em breve, mas virá.

    Agora uma pergunta, o POV pode-se considerar segunda pessoa? Há quem me tenha dito que é, há quem defenda que não…?

  • Samila says:

    Hum, boa pergunta, Zaratrusta… é um POV pouquíssimo ortodoxo… Não sei te informar se podemos nomeá-lo de 2ª pessoa, mas acredito que sim, já que ele parece só às vezes se encaixar como 3ª pessoa…
    Seria mais facil para mim dizer que era 3ª pessoa se você usasse ‘você’ no lugar de tu XD

    e ah, que bom que este não é o final!
    espero anciosa por ele, então!

    • Zaratrusta Almeida says:

      Eu para mim a segunda pessoa só tem um problema. Se o narrador está narrar alguém, isso não quer dizer que ele está de certa maneira ligado à história mais intimamente que um de 3a e menos que um de 1ª? Mas enfim, isto são teorias…

      • Samila says:

        bem, 1ª pessoa para mim está fora de cogitação…
        seria terceira pelo fato do narrador onisciente estar fora do conto… mas o uso do Tu confunde….
        Ah, se eu ainda estivesse nos meus tempos de escola, perguntaria para minha antiga prof de literatura… a tese de mestrado dela tinha sido sobre a classificação de textos enquanto 1ª e 3ª pessoa….

  • Andrey Ximenez says:

    Eu gostaria de ajudar na discussão… mas alguem me traduz o que “POV” ???

  • Samila says:

    Point of View, ponto de vista, ou simplificando:
    Esse conto é em 1ª, 3ª ou… será que existe 2ª pessoa?

  • Andrey Ximenez says:

    Q maravilha… nunk tinha ouvido essa expressão. Sempre utilizei o termo ” Foco Narrativo “.
    Em termos de foco, a segunda pessoa se aplica de maneira a expressar intimidade com a personagem, como se o narrador dialogasse com a situação ou com a personagem. Primeira pessoa funcionaria bem se fosse a visão de uma personagem que não tem consciencia total dos atos do texto, enquanto que em terceira pessoa seria mais válido para um narrador onisciente e distante da história.

    • Andrey Ximenez says:

      E obviamente não respondi sua pergunta…

      Creio q seja um casa de narrador em segunda pessoa. Uma vez q não seja o personagem principal o narrador, excluimos a primeira pessoa. O narrador não é imparcial e distante, mostrando de certa maneira, opinião e intimidade com a personagem. Cabe melhor o narrador de segunda pessoa.

  • Samila says:

    Ah, era isso mesmo que eu queria lembra!
    Foco narrativo! *esqueceu da maior parta das coisas que estudou no ensino médio*
    A minha dúvida permanece pq o narrador nesse caso ainda é onisciente, e apesar da intimidade com o protagonista, ele se torna distante dos demais personagens, como ‘a fúria’, por exemplo….
    e mais pq na época que eu estudei isso, nada se falava sobre a 2ª pessoa….

  • Zaratrusta Almeida says:

    Curioso que tenhas falado na Fúria como personagem. Essa é uma ideia que eu gosto de deixar bem latente nas minhas histórias, e ainda não tinha percebido se alguém entendia essa ideia.
    Mais á frente na história, é explicado em pormenor como ela funciona 😉
    Mas quanto ao afastamento, não sei se é real. Afinal, isso também acontece na 1ªpessoa, ou não?

  • Samila says:

    Eu notei a fúria enquanto personagem porque estou acostumada a personificar certas emoções em meus contos.
    e na primeira pessoa não há não esse afastamento, pois só se fala daquilo que se conhece.
    Não há onisciencia, a não ser que o protagonista tenha esse poder (sendo deus ou um demônio, por exemplo)

    • Andrey Ximenez says:

      Justamente Samila, uma vez que o narrador seja intimo só da personagem principal, se caracteriza como segunda pessoa. O narrador não é onisciente, se dá ao trabalho somente de interagir com a personagem principal, como se realmente houvesse um diálogo. Narra a história somente que circundeia o personagem.

  • Fantástico! Muito bom.

    Sério.. ta de parabéns mesmo.. eu adorei. Não mudaria nada.

  • Vitor Vitali says:

    Gostei bastante, embora eu acredite que esse final ficou meio sem graça. Fora isso, sensacional.

    • Zaratrusta Almeida says:

      Pois Vitor, eu se calhar precipitei-me no envio. Devia ter esperado para acabar…mas não faz mal, ele virá…

  • E.U Atmard says:

    ah, e como eu não esperava que as pessoas gostassem do conto assim tanto (estava a fazer a mesma experiência que o KIng fez com o Bachman), sou eu que o escrevi…:D

  • Samila says:

    foi vc, atmard?
    nhai, não tinha notado q você era português antes disso o.o

  • Zaratrusta Almeida says:

    Ah, e GUns, não é para chatear porque sei que deves ter muitíssimo trabalho, mas como vão as poesias?

  • Eric says:

    Um dos textos mais intrigantes que já li por aqui. Gostei bastante. Abss!

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