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Mar
19
2010

O Espelho

Escritora: Samila

o-espelho

Eu olhava fixamente para o espelho, compenetrado.

Espelhos não costumavam mentir. Pelo menos, não enquanto eu ainda estava vivo.

Mas agora, depois de tanto tempo, eu era capaz de analisar melhor. O que eram os espelhos, senão instrumentos da ilusão? Era cômodo pensar que eles podiam refletir tudo, e com exatidão. Era cômodo demais, tanto que ninguém se aborrecia com o fato de que eles mostravam tudo ao contrário. Era aceitável mexer o braço esquerdo, e ver o braço direito do reflexo movendo-se. Absurdo! Mas compreensível.

Ninguém se importava de ser enganado, não… Qual o problema de ser enganado, afinal? Desde que pudessem continuar a alimentar as vaidades em ilusões belas e bem montadas, não haveria problema algum. Calvin pelo menos parecia adorar espelhos, uma vez que o apartamento estava repleto deles. Talvez o ajudassem a se lembrar da sua humanidade perdida… Ou talvez o ajudassem a ver quando a Fera estava ganhando espaço… Eram inúmeras as possibilidades, e não cabia a mim ficar teorizando.

Mas o fato era que os espelhos não mostravam tudo.

O espelho mostrava a minha face, repleta da formosura da sua juventude. Uma face que não mudaria, que estava fadada a ser eterna… “Pela preservação da beleza…” –Eu ri, ao pensar no que Calvin diria.

Sim… Minha face era bela, mas não era a única.

Havia outra face, oculta. Uma face que me observava, que me falava, que ria de mim. Uma face que me acompanhava aonde quer que eu fosse, por debaixo da minha pele, escondida na minha carne. A face estava aqui, eu sabia. Eu podia ouvi-la, eu podia senti-la.

O espelho era inútil. Ele não mostrava tudo.

Pelo menos, não como ele estava… Tão plano, tão correto… Programado para mostrar uma imagem de perfeição… Uma perfeição distorcida, diga-se de passagem… Mas de uma distorção incapaz de mostrar as outras distorções existentes.

Mas eu queria ver a distorção da minha mente… Queria ver aquela face oculta, queria tocá-la, senti-la em meus dedos… Talvez se eu conseguisse tirá-la daqui, de dentro da minha carne, ela pudesse me explicar o que fazia aqui em primeiro lugar, não?

Talvez.

Talvez eu pudesse encontrar um jeito de fazê-la sair, mostrar-se… Eu queria encará-la, queria perguntar tantas coisas…

Talvez ela pudesse aliviar toda essa angústia que constringia meu coração e essa pressão que ameaçava partir meu crânio.

Talvez.

O baque foi surdo a princípio, mas resultou em uma esplendorosa sinfonia de sons agudos. Os cacos caiam no chão, tilintando belamente para então partirem-se em mais pedacinhos. Centenas deles, brilhando, refletindo com majestade a luz da elegante luminária pendurada no teto. Luz esta que era refratada através das densas gotas de sangue. O sangue que escorria livremente por meu rosto, através das cortes na minha delicada pele, através da minha testa estourada.
Pensei por um instante se Calvin ficaria mais zangado por eu ter quebrado o espelho ou o porcelanato que revestia a parede.

Desisti de pensar nisso ao notar, maravilhado, a cena que se formara abaixo de mim. Um espelho quebrado reflete centenas de imagens diferentes de um mesmo objeto, afinal. Era magnífico, era uma obra de arte. Era quase como um milagre. Um milagre da percepção.

Eu me vi.

Vi minha face.

Vi milhares de outras faces.

Algumas riam, outras choravam. Umas estavam tranquilas, enquanto outras não demonstravam nada além do total desespero. Em comum, todas estavam manchadas de vermelho. E esse vermelho se tornava ainda mais intenso à medida que mais gotas encarnadas despendiam-se do meu queixo.

Gotas que se suicidavam, mesmo sem saber se estavam vivas ou mortas. Derrubavam-se, sem medo, em direção a um abismo de cacos cintilantes repletos de faces.

Faces.

Faces que apenas eu era capaz de ver, tinha certeza.

Faces que não escutavam as batidas na porta até que a mesma foi violentamente derrubada.

-Matheus! O que aconteceu aqui? –Calvin adentrou o banheiro, certamente louco para saber o motivo do cheiro de sangue que se espalhava maravilhosamente pelo apartamento. Olhou para a cena um tanto horrorizado, e eu, em um certo momento de sadismo, gostei de ver seu horror completar-se quando ele se deparou com meu rosto desfigurado. –Por que tu fizeste isso? –Indagou, pegando a toalha ao lado da pia e molhando-a um pouco, a fim de limpar os meus ferimentos.

“Eu queria ver a face”? Não, não era uma boa resposta.

“Eu queria aliviar minha dor de cabeça”? Menos.

-Não é bonito? –Perguntei simplesmente, voltando minha atenção aos cacos no chão. Vendo que Calvin me repreendia com seu silêncio, prossegui. –Desculpa… Eu perdi o controle… De novo… Eu vou limpar tudo, e pagar pelo estrago… –Disse baixo, agachando-me para começar a limpar os cacos, as faces, o sangue, o que fosse.

-Não, deixe que algum serviçal faça isso… Mas francamente, Matheus! Por que tu sempre fazes isso? –Perguntou-me um tanto exasperado. Pude perfeitamente notar sua chateação.

Coloquei-me então a observar atentamente Calvin. Aquele Deva, tão belo e repleto de formosura. Mas tão carregado das suas próprias verdades que não conseguira evitar a morte de sua alma. Uma pena, ele estava irremediavelmente seco.

Ou não.

Podia haver uma cura. Podia haver elucidação, e esta elucidação poderia desmontar todas as verdades pré-concebidas, derrubar todos os medos e todas as amarras sociais. Poderia trazer sensações genuínas a uma criatura que buscava na carne os resquícios do prazer que fora perdido no processo da morte.

Talvez pudesse…

Eu, que até pouco tempo não passava de um falso Ventrue, havia agora sido convertido em salvador. Toquei ternamente a face daquele Deva, mensurando com as pontas dos meus dedos toda aquela perfeição estética, sentindo a textura aveludada da pele fria e morta. Vi os olhos de Calvin se fecharem, apreciando o carinho genuíno que há anos não era recebido. A solidão era a sua maior dor, eu sabia.

A solidão doía tanto que Calvin sequer ousou reclamar quando meus macios lábios partidos e ensanguentados uniram-se aos seus. Rubras lágrimas deixavam seus olhos, enquanto, sem relutar, recebia em sua boca o meu sangue. Ele sabia o que aquilo representava, mas ainda assim, aceitou aquele doce ósculo e aquela doce prisão, enquanto aparentemente sua mente se perdia em algo aconchegante e quente. De um calor que ele já nem lembrava mais existir, eu sabia.

Enquanto isso, eu me limitava a observar com certa compaixão todas as reações daquela pobre criatura à medida que trocávamos aquele beijo profano. Envolvi-o com força entre meus braços assim que senti seu corpo estremecer de leve. Beijei-o com mais intensidade. Estava partilhando com ele mais do que amor e carinho. Partilhava esperança. Partilhava com ele a minha maior benção e maior maldição. Disso, até há pouco tempo atrás, eu não sabia.

O sangue de Malkov.

Após se quebrar um espelho, era mais fácil compreender certas coisas.


Categorias: Contos | Tags: ,

35 Comments»

  • E.U Atmard says:

    Está muito bom, num estilo que eu já não notava à algum tempo em escritores deste blog. Mas à alguns pormenores que estão pouco explícitos, a ideia é deixar assim deste modo para mais contar o que significam, ou é parte de algo maior?
    Notei ainda outras duas coisas. Primeiro já vi que gostas de espelhos ;). Por outro lado, entendo que não tens medo de falar de relações que chamariam “tabuu”, mas cuidado com isso, pois por vezes uma pessoa perde-se a tentar explicar a relação e acaba por não reflectir as reações do outro interveniente…afinal se não fosse uma relação entre dois homens explicar-se-ia qual era a relação entre eles os dois, não achas. Convém deixar isto certo, ou então o texto deixa demasiado mistério para que a cabeça consiga processar…

  • Samila says:

    Primeiramente, obrigada por ler e comentar, Atmard. Fico muito feliz que tenhas achado bom, uma vez que esseé um dos textos q mais gostei de escrever.
    Esse conto na verdade é a adaptação para primeira pessoa de um romance que eu escrevo, chamado Bloddy Lunatic Asylum. Mas eu gostei tanto dessa parta que resolvi tranformá-la em conto para que um público maior pudesse ler, uma vez que o romance é muito pesado (cenas de sexo explicito…)
    Por isso fica sem explicação a relação dos dois personagens… Que na verdade seria um Toreador que deu abrigo a um Malkav que ele julgava ser Caitiff ^^’
    Na história original é tudo explicado, mas o conto não dá muito espaço… pelo menos eu acho XD
    E sim, eu ADORO espelhos! Sou fascinada por eles ^^

  • T. says:

    eu gostei, tem um estilo diferente dos mtos q eu ja li aki embora eu não comente……. vc espressa um tipo de emoção diferente nele. É algo que toca e que confunde. Que traz uma revelação e algum tipo mais de sentimento. O jeito com o qual escreve é lindo e adoravel, contos assim eram escritos a muito tempo, e agora esta de volta com este escrito por você. Adorei, traz um misterio que prende a atenção …. a harmonia aqui combina com o misterio e com as palavras que usou.

    • Samila says:

      Obrigada, T!
      Fiquei muito feliz com seu comentário… eu sempre procuro escrever de maneira mais emotiva possível, fico feliz de saber que estou conseguindo! muito obrigada por ler e comentar!
      Abraços!

  • Rainier says:

    Simplesmente fantástico. Amei a forma como você desenvolveu a história, não de fatos, mas de sentimentos. A unica ação é a quebra de um espelho, mas os milhões de pensamentos que permeiam a história deixam um tom de mistério e suspense deliciosos.
    Parabéns pelo conto, e mesmo que não seja muito fã de fantasia, espero ler teu livro em breve. Boa sorte!

  • E.U Atmard says:

    @Samila
    Eu acho que a única coisa que faz falta nas histórias de vampiros é um pouco de diversidade. Aqui vai uma ideia, só como exemplo, de algo que nunca terei tempo de escrever:
    Um vampiro, ser meio humano meio animal, vive numa caverna sozinho, alimentando-se do sangue do que apanha. As pessoas afastam-se com medo de um urso, os animais com medo de um predador. Aquele ser não age como humano, ele não é humano, nada é como ele. Mas ele pensa, ele sonha ser algo como humano. E isso dá uma dissertação ao longo do livro sobre o que é ser humano, enquanto o ser sai da sua caverna e é ostracizado pelo mundo.

    OU

    Um vampiro é um humano à partida, um louco que não sobrevive sem o sangue humano. Ele encontra-se com outros, procura outros como ele, e junto com eles, cria-se um clã. Porém este clã de vampiros homgeniza-se, transforma-se num só ser, e deixa de ser vários e passa a ser um só ser colectivo. Ele mexe-se como um só, mas não passa de um aglomerado.

    Eu não escrevo Histórias de vampiros, apenas porque ideias como as que tenho acima escritas não seriam consideradas histórias de vampiros.

    • Samila says:

      Olá novamente, Atmard.
      De fato, eu sou bem focada em intriguinhas, rivalidades, ciúmes, e principalemnete em Toreadores… Mas tenho saído disso aos poucos… (Fazer um romance entre um caitff e um lobisomem impuro seria considerado diversificar? XD)
      Sobre suas idias, a primeira me deu um pouco de medo… não consigo me imaginar escrevendo algo muito distante dos aglomerados humanos, pois ao meu ver, grande parte do que uma pessoa é, é reflexo de como as outras pessoas a veem. Para mim alguem tão isolado seria uma pessoa incompleta, e embora eu compreenda que seja exatamente o motivo da busca, fiquei agoniada aqui só de pensar…
      *Pessoa que tem arrepios quando fica se colocando no lugar das pessoas do mito da caverna*
      Essa segunda foi algo extremanete malkavian *-*
      Adoro escrever sobre Malkavians, e por isso sei que colocar mais de um deles na história é trabalhoso XD
      Mas muito, muito gratificante! isso que você falou é algo que eu tenho vontade de fazer, mas falta para mim o principal estímulo nesse contexto, que seria o do romancemm, entendes?
      Então seria muito narcisista um desses amar ao outro, já que eles eram um só?
      Oh deuses, estou confusa aqui XD
      Deve ser o horário.. XD
      Mas muito obrigada mesmo! Deu-me umas coisas interessantes para martelar em minha cabeça!

      • E.U Atmard says:

        De nada, acho, mas há só uma coisa que não entendo. O que são esses nomes que vocês dão? São vocês escritores que lhes dão nomes individuais, ou eles estão pré-atribuídos? Género Toreador, Antiribu, ou Malkavian(?)

      • E.U Atmard says:

        Ah, em relação ao romance, há outra questão. Eu já tentei afastar o romance de boa parte dos meus contos e agora estou a tentar eliminá-lo em boa parte do meu romance (irónico, não é?).
        Eu acho que é um erro que nós cometemos frequentemente, exagerar no romance, pois parece quebrar o momento, e descansar a acção. Mas não funciona assim, aliás, ainda a satura mais. Mas não critico quem o faz com gosto, aliás, até gosto de ler esse género.
        No caso de ser um só ser, era necessário que o ser tivesse uma alta auto-estima? Não sei, não pensei bem nessa vertente. Mas não faz grande diferença, desde que se esteja aberto a relações “profanas” num livro. Eu por experiência já experimentei relações entre irmãos, entre quatro e cinco pessoas, entre uma pessoa e um animal (evitando descrições que possam ofender susceptibilidades), relações BSDM, e relações com grande disparidade de idade. Mas isso pode destruir a integridade de um romance se for aplicado a romances que não estão preparados para suportar o peso de relações como essas.

        • Samila says:

          Ah, esses nomes são coiss de nerd XD
          é baseado no RPG Vampiro-a Máscara, no qual a sociedade vampirica é dividida em clãs e seitas.
          Dos que eu citei, os Toreador são vampiros estilo a Tia Rice, belos, apaixonados por arte e beleza.
          Os Caitff são párias sem clã, criados ao acaso e abandonados.
          E os Malkavian… Ah, os Malkavian são loucos! Uma loucura que faz parte do sangue mesmo, e é compartilhada de maneira tão intensa que muitas vezes eles começam a agir como um só. Existe um elo entre todos eles, no mundo inteiro, chamado rede malkaviana de loucura, através da qual eles se planejam, organizam, comunicam, whatever que eles façam *=*
          Segue um trecho que eu escrevi falando sobre eles:
          ___

          “Clínica de Saúde Mental Recomeço”.
          Era o que estava escrito na decadente fachada do prédio, repleta de limo e rachaduras.
          O mato e as ervas daninhas tomaram conta daquilo que um dia fora um jardim. Trepadeiras subiam pelas paredes envelhecidas, cuja tinta desbotara pela ação do sol e da umidade. O portão, enferrujado, pendia sobre uma única dobradiça, torta e corroída.
          As poucas janelas de vidro encontravam-se quebradas em sua maioria, ressaltando o quanto aquele local sofrera com o abandono.
          Kirios, embora não soubesse dizer como havia chego lá, tendo em vista que estava bem longe do centro urbano –provavelmente pegara um táxi, não obstante não pudesse afirmar- não sentiu medo. Sabia que deveria estar lá.
          (…)
          -Eu quero que você me ensine umas coisas sobre nós.
          -Nós quem?
          -Malkavian.
          -Eu não sou Malkavian.
          -Ah, claro… –Kirios bufou. –Claro que não é, afinal, se fosse, as coisas fariam sentido, mas elas não podem fazer sentido para mim, né?
          -Deixa de se fazer de vítima.
          -Me fazer de vítima?! Você sabe o que é ficar ouvindo toda hora pessoas falando na sua cabeça, até quando você tá dormindo?! Você sabe como eu cheguei aqui?! Se souber, faz o favor de me dizer, porque eu tô de saco cheio de não entender porra nenhuma nesse caralho! –Estourou, segurando com as suas mãos a gola da camisa de Haziel e prensando-o contra a parede acolchoada.
          -Você compreende, não compreende? –Haziel aparentemente não se incomodou com aquela agressão e falou com inquestionável calma. -Eles me chamam de louco só porque acreditam que eu sou de um determinado clã. Julgam-me maluco por ter escolhido um hospício como moradia. Mas eles não entendem… Estão cegos demais e focados demais em suas próprias verdades pré-concebidas… São escravos de seus sentidos deficientes e por isso não enxergam que na verdade todos habitamos um grande e sangrento manicômio. A única diferença é que as paredes do mundo não são brancas e acolchoadas como estas… –Ele disse, deixando suas mãos sentirem a textura da parede atrás de si. Uma maciez extremante desagradável e inconveniente nos momentos de desespero. -Quando alguém mete a cabeça com tudo nas paredes do mundo elas ficam vermelhas… –Ele fez uma pequena pausa, olhando profundamente nos olhos cor de mel. –Mas nós somos diferentes deles, Kirios… Nós temos um dom e por isso enxergamos além do que eles são capazes de ver… E quando a Gehena chegar, só nós vamos restar…
          Kirios ficou algum tempo parado, assimilando o que lhe fora dito, aos poucos liberando o colarinho da camisa escura. Soltou um riso baixo e frustrado, passou então a mão nervosamente pelos cabelos, ajeitando seu moicano.
          -Ah, claro… E ainda diz que não é Malkavian… –Comentou, tentando rir da situação. Mas não estava sendo fácil fazê-lo.
          -Não existe isso de Malkavian.
          -Ah, claro que não, assim como não existem vozes na minha cabeça, não existem faces no espelho e não existe… Ah… Não existe nada, não é verdade? É tudo apenas uma alucinação!
          -Que bom que você compreende.
          -Compreendo o quê, merda? –Perguntou irritado, sem entender mais nada.
          -Que somos todos parte de uma grande alucinação coletiva, habitando um grande manicômio alucinatório, nos alimentando de um delicioso sangue alucinógeno. Mas apenas nós sabemos disso.
          -E isso não faz de ti Malkavian? Francamente…
          -Não. Isso faz de mim esperto.
          -Certo espertalhão… Quer dizer que você não sente o cara que fundou o clã fundido no seu cérebro, então…
          -Não… –Haziel mentiu, mas não conseguiu evitar o arrepio que correu sua pele ao simplesmente pensar em Malkav.
          Kirios também não deixou de notar aquela reação, mas guardou para si.
          ______

          E sobre estar disposta a colocar relações profanas em um livro?
          Bem, eu escrevi uma versão homoerótica da lenda de Fausto… Cenas de sexo explícito, estupro e orgias…. E MUITO romance entre o demônio Belial e o Fausto (ao ponto de ter gente que disse que chorou lendo certos capítulos)…
          o pessoal disse que gostou, pelo menos XD
          Algunes se resoltaram “po! o diabo como e padre?!!”, mas isso é o de menos a meu ver XD
          Eu não consigo escrever uma cena de sexo sem colocar no fundo dela pelo menos algum sentimento, por mais feio que ele seja… mesmo que seja simples desejo ou vontade de profanar, ele estará lá…. e minha tendência é transformá-lo em amor…

          esse próprio trecho que eu coloquei aí tem umas tantas senas de sexo e mutilação, tudo bem sangrento… e romance!

          eu sou uma romântica incurável, não tem jeito XD

          • Lord Jessé says:

            Oieeee novamente!!!!
            então; quanto ao msn é um pouco diferente do orkt!
            todas as letras são minúsculas, e no lugar do underline fica um ponto!
            assim: [email protected]
            enquanto ao Atmard eu gostei da sua idéia. Eu já estava fazendo um personagem dessa forma, ele é do clã Gangrel. A minha idéia era essa de fazê-lo afastado da civilização, daquele tipo que vive em uma choupana no meio do mato!
            e também estou colocando referencias voltadas para elementos, do tipo fogo, ar etc…
            (coisas que geralmente em manga influenciam no nome).
            Vou usar basicamente alguns desses clãs que conhecemos, tanto da Camarilla quanto do Sabat, ainda não decidi, mas eu estava pensando em fazer um dos principais, como alguém que seria da Camarilla( toreador é claro) , e protege o código da mascara.
            Também o que sei que vou fazer é uma menina que acompanha ele, e ele ensina a ela toda essa história de clãs e seitas, só não decidi ainda se ela vai ser alguém que se transformou em vampiro, ou aquele coisa apenas deles andarem juntos, pq ela descobriu o segredo que ele é vampiro, e então fica aquela expectativa… será que ele vai transformar ela? E coisa do tipo, tem bem mais idéias, só pra escrever tudo aqui, iria dar preguiça de ler tudo!

  • Samila says:

    @Jessé

    Vou add vc assim que chegar em casa *no trabalho*
    Eu gostei também da ideia do Atmard, mas não consigo conceber um vampiro no meio do mato, provavelmente pq eu sempre jogo com Toreador com atributos sociais máximos fazendo intriga com as harpias XD

    e bem, eu acho muito complicado um humano convivendo com um vampiro, a não ser que se trate de um carniçal… caso contrário, o vampiro teria que ter uma humanidade muito, muito alta… algo estilo… arg, crepúsculo, saca?
    Tenha cuidado para essa menina não ficar uma coisa tipo bella
    “eu te amo”
    “mas não podemos ficar junto!”
    “Mas eu te amo!”
    “Eu sou um monstro, você não pode me amar!”
    “Mas eu te amo!”
    “Oh, eu também te amo! Vamos ficar juntos até o fim da SUA vida!”
    “Sim! Vamos!”
    x_x

    MEDA ._.

    • Lord Jessé says:

      Ah! valeu pela ideia, realmente não ia dar muito certo, bem essa coisa crepúsculo, ou o diario do vampiro!^^
      quanto a esse jogo, eu ainda não joguei, mas achei umas inforções sobre isso e sobre o clãs, a proposito, não me lembro agora se era o malkavian ou assamite, mas tinha clã que eu achei meio estranho a ideia de que eles ao invéz de ficar brancos como se estivesssem mortos, a pele fica mais escura,
      claro que pelo menos eles não viram pupurina quando saem no sol, mas é estranho, e acho que foge um pouco dos padrões!

  • Samila says:

    sim sim, são os assimitas que vão ficando mais escuros com o passar do tempo… quanto mais ‘negão’ o vampiro for, já sabe que o cara é perigoso, até pq eles são os mestres dos assassinatos silenciosos… *-*
    foge um pouco dos padrões mesmo, mas é tudo explicado livro do clã (o qual eu ainda não tive curiosidade de ler). Acho que tem algo a ver com o fato de eles terem se originado na África, e o fato de eles adorarem se alimentar de sangue de outros vampiros…. Assismitas mais velhos nem conseguem se alimentar de humanos, de tão acostumados com o sangue vampírico.
    O universo de Vampiro a máscara é muito, muitoooo rico, uma delícia de trabalhar!
    temos vampiros loucos, vampiros metade demônios, vampiros metade magos, vampiros ‘selvagens’, vampiros ‘anarquistas’, ao mesmo tempo que não podemos no prender a estereótipos….
    realmente uma delícia para se trabalhar!

  • Bianca says:

    Adorei a forma como escreveu.
    É o estilo que mais gosto em que os sentimentos imperam e guiam a história.
    Prende a atenção do início ao fim.
    Parabéns.

    • Samila says:

      Olá Bianca! Muito obrigada! Que bom que você gostou!
      E sentimentos são o motor do mundo, a meu ver, então tento destacá-los sempre que escrevo ^^
      Obrigada mesmo!

  • Vitor Vitali says:

    Gosto desse tipo de conto piscológico, no entanto somente quando ele tende para a loucura profunda ou ao terror; acredito que faltou mais de algum dos dois. Enfim, no geral, eu gostei, ficou bem legal. Adorei a idéia do espelho e do sangue ^^

    • Samila says:

      Obrigada, Vitor… Terror não é comigo não, sou romântica demais, então eu tento me apoiar na loucura, mas… para mim os loucos são mais lúcidos do que os ditos ‘normais’, pois eles apenas enxergam além e questionam as verdades consagradas, então não chego num ponto muito ‘maluco’.
      Mas muito obrigada pela leitura e pelo comentário =D
      Abraços

  • Samila says:

    Ah, gostaria de agradecer ao Guns pela imagem! Ficou linda!

  • Geovanni Chrestani says:

    Típico texto que exige muito mais da imaginação do que se supõe. Desde que participo do site como leitor e escritor, foi o texto mais bem escrito que encontrei aqui. E sei também que a fórmula mágica da Samila é a narração em primeira pessoa, pois permite maior sentimentalismo e jogo de palavras em relação a outros modos. Sem mais delongas, minhas sinceras congratulações.

  • Geovanni Chrestani says:

    PS: fiz associação com “O retrato de Dorian Gray”. Estou correto?

    Obs: Ao meu ver, o único problema do conto está no nome Calvin. Desculpe, mas tenho aversão a escritores da língua portuguesa que colocam nomes anglo-saxões divulgados amplamente na mídia televisiva e cinematográfica. 🙂

    • Samila says:

      Olá Geovanni!
      Primeiramente, muito obrigada por ler e comentar!
      eu fiquei realmente lisongeada com a sua declaração!
      E como você falou, a primeira pessoa tem mesmo uma mágica, pois não apenas facilita para o leitor se indetificar, como tambémpara quem escreve… eu acho muito gostoso escrever em primeira pessoa, pois nesses momentos eu me transformo no personagem ^^
      E bem, eu adoro o Oscar Wilde, mas tenho que ser sincera: faz um bom tempo que o Retrato de Dorian Gray tá encostado aqui na minha estante, implorando para ser lido….
      E sobre esse nome, é porque eu sempre ambiento meus contos de ‘vampiros velhos’ na Europa. Mas quando é no Brasil sempre uso Miguel, Renato, Antônio…

      Mais uma vez, Obrigada!

  • Samila says:

    eu add vc, Jessé
    só não sei quando conseguiremos nos falar, pq eu aramente entro no msn… *trabalho o dia todo, e faço faculdade de noite*

    • Lord Jessé says:

      era só pra saber!
      porque eu entrei no msn e não me lembro de ter recebido o convite! Mas nesse caso então, recebi e não percebi!
      Mais uma vez obrigado, mas só uma duvida passageira.
      você entende bem dos clãs certo?
      Então pode me responder… quanto a minha história, como te falei é uma briga para proteger o codigo da mascara, e o personagem principal protege esse codigo, e ele seria algo como… podemos dizer “guerreiro”, porque ele luta para proteger o codigo, porém eu gosto muito do clã toreador, e eis ai a dúvida, como os toreador são artistas, estaria fazendo mal, ou até mesmo contradizendo a história se fizesse ele “guerreiro” e do clã toreador?

      • Samila says:

        Uma coisa que eu aprendi com o storyteller foi a não se prender a esteriótipos.
        Qualquer vampiro pode ser esse ‘gerreiro’ que você fala. Pode ser um xerife, um justiçar, uma harpia… Todos esses são Membros que ‘ajudam’ o Príncipe a mander a Máscara.
        E existem muitas maneiras diferentes de um vampiro lutar.
        Uma harpia por exemplo seria uma ‘guerreira social’, que vence seus inimigos através das palavras e de sua influência. Ela não precisa usar seus músculos, pois pode convencer os demais a fazerem isso por ela.
        É nesse quesito mais ‘social’ que a maioria dos Toreador se encontram, pois eles são, assim como os Ventrue, grandes mestres da manipulação.
        MAS, como eu disse antes, não podemos generalizar, e nada impede um Toreador de ser muito forte fisicamente. Eles possuem uma Diciplina chamada Rapidez, que se bem usada pode transformá-los em maquinas de matar.
        E quanto ao conceito de artista que eles tem, devemos lembrar que ‘arte’ e ‘beleza’ são muito relativos….
        Um Toreador pode muito bem ser um artista marcial, assim como pode achar que não há nada mais belo nesse mundo do que víceras espalhadas pelo chão.

        Beijos ^^

        • Lord Jessé says:

          Nossa! Muito obrigado. Esclareceu uma grande dúvida, era o que eu prescisava ouvir, isso ja vai me ajudar a progredir um pouco mais na criação da história.
          Quanto ao principe, eu tinha lido algo a respeito. Mas no caso seria um unico principe pra toda Camarilla?

          • Samila says:

            Não.
            É um príncipe para cada domínio, e a extensão de seu domínio costuma refletir seu poder.
            Um príncipe pode tomar conta de uma pequena cidade, de um distrito, um estado, de uma metrópole inteira, ou ser ele for o ‘x-caralhão’, até um país inteiro.
            É interessante que muitas vezes um príncipe diz ‘agora eu controlo esse estado’, mas muitas vezes outros membros (geralmente os líderes anarquistas) não aceitam esse domínio, e aí vão se formando redes de poder paralelas….

            adoro!

  • mindhazard says:

    Me preocupo ao me pegar pensando que estou gostando dos seus textos. Brincadeira.
    Poxa, você escreve bem, mas acho que já está além de elogias quanto a forma que escolhe para se expressar.
    Gostei particularmente da cena quando Calvin encontra Matheus depois que ele quebrou o espelho.

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