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Mar
15
2010

O que me deixa mais triste – Parte 3

Escritor: Lucas Schutz

É irônico que em minha própria vida eu não tenha controle do que acontece, é irônico que eu não saiba o que aconteceu. Afinal, por que eu não lembro de merda nenhuma dos dias passados? Desde que minha mulher foi saiu eu não lembro de nada. Que merda, não posso morrer, eu gosto de salmão aos domingos. Agora me surgia a dúvida de que poderia ser um trote. Claro, era um trote, não haviam mais dúvidas, não preciso me preocupar.

É nesse ponto meu querido não-leitor que você começa a perceber que eu sou mesmo um merda. Qualquer coisinha me desestabiliza. Se eu comecei a contar essa história de uma forma crítica, centrada, com auto-confiança, você percebe no decorrer dessa merda que tudo muda com o telefonema. Na verdade tudo muda com o dedo, um dedo pode mudar tudo. Preste atenção fique bem atento aos detalhes, talvez você vá notar algo que eu mesmo não notei, por que, já vou adiantando, eu não sei como resolver isso.

Monitor, mesa, teclado, secretária, pernas da secretária, chefe, alguém falando – ouço um zumbido, pernas da secretária, monitor, dedos… Quando fico nervoso fico assim, uma merda. Não consigo fazer nada, não consigo pensar em nada. Vou pegar um café. Levanto-me e vejo meu chefe vindo em minha direção, ele começa a falar e eu só ouço alguns fragmentos “Três…não o que você anda pensando? Três… não… desculpa… merda… demitir…três merdas de… Não…” Essas são as palavras dele pra mim. Tenho coisas mais importantes na cabeça. Ignoro meu chefe e consigo chegar a sala do café, a máquina está estragada então fazemos o café fervendo a água no micro-ondas. Água quente, pó, café, transborda, água quente, quente, quente… Queimo a merda do meu dedo, essa porcaria dói… Dedo, um dedo pode mudar tudo, de quem é aquela merda de dedo afinal? Tô vendo que não vou conseguir ter uma merda de hora de sono se não descobrir isso.
Volto pra minha mesa. Ela tá parecendo a mesa de um filho da puta, suja, torta, arranhada. Droga. Lá vem meu chefe com um cliente, jogo no chão o que encontro em cima da minha mesa. E espero, espero com cara de cachorrinho dócil que só pensa em agradar ao chefe e ao cliente. E que cliente. Em anos de profissão nunca tive uma cliente assim, uma mulher. Geralmente eu atendia homens barrigudos que tinham os bolsos cheios de dinheiro, mas não tinham nada vivo no meio das pernas e sempre dormiam apoiados na barriga, homens modelo, homens de uma geração que enriqueceu vendendo as almas de seus compatriotas, vendendo seu trabalho, escravo trabalho. No melhor sentido da palavra. Alta, com peitos fartos, aqueles com os quais se sonha os melhores sonhos, ruiva, como um pôr do sol no deserto (pode não ter parecido até agora, mas eu tenho um certo talento para o lirismo), o olhar dela parecia me aquecer como uma onda de calor, de mormaço, e em pouco segundos eu estava caído. Eu só ouvia, nada dizia.
A mulher parecia ser rica, pediu para ver um dos maiores apartamentos que tínhamos, levei-a até lá, ela gostou. Quem não gosta de ter a possibilidade de monitorar a cidade inteira da sua janela? Quem não gosta de ser invejado por todos que caminham 17 andares abaixo? Quem não gosta de ter porteiro 24 horas? Essas coisas parecem fazer diferença na nossa vida, pequenos pedaços de plástico.
Foi estranha a maneira como ela me tratou, foi estranha a maneira como ela foi tratada. Não consegui ser gentil, não consegui dar em cima daquela mulher espetacular, mesmo assim vendi o apartamento. Isso vai me dar uma boa quantia de dinheiro, pequenos pedaços de papel. Pequenos pedaços coloridos de papel que nos trazem a felicidade, isso tudo é uma grande merda.
A compradora quis assinar os papéis ali mesmo, obteve autorização, fez a transferência, assinou os papéis, ela era a nova dona, uma linda dona. Quando eu ia saindo, feliz por ganhar algum dinheiro, que me possibilitasse a compra de mais salmão para os domingos, a vadia da cabeça em chamas me chama, chega perto de mim me dá uma leve beijo, coloca a mão em lugares impróprios para uma relação cliente / vendedor, e faz meu ego crescer de uma maneira que eu não lembrava, então ela diz:
? Amanha, às 17:08 no cais, armazém 17. Vou te esperar lá. Ou você leva o que tem que levar, ou você ficará sem seu salmão.

Quer dizer que eu havia acabado de vender um apartamento que vale milhões pra alguém que quer tirar a porra da minha vida? Essa merda tava me confundindo, essa hora eu não sabia mais o que era invenção da minha mente e o que era real. Confuso. Perdido. Nervoso. Indignado. Usado. Eu tinha todas essas sensações. Eu tenho todas essas sensações.

Resolvi me acalmar. Tinha uma venda boa em andamento, não vou trabalhar, vou pra casa, tentar lembrar do que aconteceu.

4 Comments»

  • Thainá says:

    Gostei,é bemlegal eu queria ler o sétimo masi ainda não achei,ou não tem?

  • HIOTO says:

    Evolução…
    >
    Eu gosto disso!
    >
    Já achei o motivo final do abandono do seu texto: o início desincentiva a leitura, o título não agrada (como disse o andrey) e a sensação de “sujeira” também não ajuda. Talvez seja cedo pra dizer, mas por essa parte, percebi uma grande evolução na escrita e no roteiro. As figuras de linguagem também estão mais agradáveis nessa parte e o lirismo continua presente, não na fala do personagem, mas no texto em si.
    >
    Vamos ver o que sai na parte 4. Parabéns por enquanto, você me surpreendeu.

  • Vinicius says:

    Tá melhorando muito
    Lerei até o fim com certeza, tá bem interessante
    Farei minhas as palavras do Hioto

  • “Volto pra minha mesa. Ela tá parecendo a mesa de um filho da puta, suja, torta, arranhada” xD ehuiahuiahi

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