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Apr
23
2010
Conto em Série

Belial – Relatos da Queda – Capítulo I

Escritora: Samila

belial-relatos-da-queda

Orgulho

Aqueles que hoje vêem essa minha imagem, tão bela e obscura; Aqueles que com espanto e maravilha sentem a aura negra e amaldiçoada que circunda o meu espírito; Aqueles que se deixam seduzir por meus gestos e minhas palavras, tão elegantes e repletos de malícia; Enfim, aqueles que se deixam apaixonar por esse coração deturpado e negro, que consegue ser mais frio e cortante que o cinza morto dos meus olhos que ardem apenas em luxúria.

Nenhum desses é capaz de compreender o que eu já fui um dia.

Já fui puro e honrado, digno de ser considerado o ‘primogênito’ de Deus, isso, é claro, se Ele nos considerasse Seus filhos… Mas fato é que, provavelmente Ele se cansou do tédio, e em Sua onipotência, decidiu me criar.

O Primeiro de uma série, um ser que seria mais tarde denominado Serafim, a mais alta classe entre todos os anjos. A mim foi dado um nome, Beliel, que significava “A prosperidade do Senhor”, além de uma posição: Sempre próximo a Deus, adorando-O e entoando a Ele hinos com a bela voz que Ele me concedeu.
E desde a primeira vez que eu senti Sua imensa luz sobre mim, eu o adorei.

O adorei perdidamente, ao ponto de meus olhos não conseguirem se voltar a qualquer outro foco, senão o da Sua presença. Minha voz era inútil, senão para cantar em seu louvor, e meu ser existia apenas para contemplar a existência magnífica daquela luz.Meus pensamentos eram apenas Ele, e meu amor era todo Dele. E eu tinha ciência disso.

E com isso, eu era feliz.

Eu era tão cego, que nem notava o universo que Ele criava a nosso redor, pois para mim, tudo que existia era a luz Dele. Eu sabia que ele havia criado outros iguais a mim, mas isso não me incomodava ou sequer me importava, pois enquanto eu tivesse o privilégio de prestigiá-lo, eu seria completo e único.

E eis que um dia ele me chamou.

Sua voz era algo indescritível, tão severa e tão suave ao mesmo tempo, que fazia meu espírito tremer em medo e emoção. E com aquela voz, ele me disse que queria que eu visse uma coisa, Sua mais nova criação, feita à Sua imagem e semelhança.

E pela primeira vez, eu olhei para algo que não fosse a luz pura de Deus.

Adão era um ser belo. Mesmo nunca tendo visto uma imagem concreta para servir de parâmetro, eu soube que ele era belo, afinal, ele era a imagem de Deus, não era? Deus seria assim, se Sua luz não me ofuscasse os olhos? Não sei, e jamais saberei. Sei apenas que me cativei por aquela imagem de um ser que se movia de maneira rude, mas ainda assim graciosa. Eu não conhecia cores, textura ou formas, portanto, não tinha como descrevê-lo de outra maneira senão ‘encantador’.

Mas algo em mim me dizia que eu não devia deixar que meu olhar se desviasse. Eu deveria olhar apenas para Deus, pois a Ele eu pertencia.

Mas Ele nunca mais havia olhado para mim ou para meus irmãos, e esse fato me preenchia de tristeza. Ele olhava apenas para o humano e para o mundo que Ele estava criando para Adão.

E em minha solidão e abandono, eu olhei para esse mundo.

Olhei e me surpreendi com todas as belezas com as quais me deparei. O Jardim do Éden era algo extraordinário, tão repleto de cores, cheiros e sensações! Parecia tão completo que me fazia desejar poder morar lá também. Mas eu não deveria, pois eu era um ser espiritual, e como tal, não deveria ir até ao mundo material. Eu deveria ficar no céu, esperando pela presença de Deus, para então agraciá-lo com minha voz.

Mas nada me impedia de observar, de aprender sobre aquele mundo e sobre as criaturas que o habitavam, especialmente, o Homem.

O Homem era um ser extremamente estranho, mas Deus tinha um grande apreço por ele, por isso eu sentia que também deveria ter. Mas algumas coisas relacionadas a ele me deixavam incomodado. Lembro-me que fiquei espantado quando ele teve a audácia de reclamar para Deus que se sentia só, quando tinha a companhia de todos os animais! Sozinho? Ele não sabia o que era solidão, afinal! Solitário era eu, que nunca havia utilizado minha voz para outra coisa senão para cantar! Era apenas eu, eu e a imensidão ao meu redor.

Havia outros anjos, eu sabia pelos distantes pontos de luz, mas eu não deveria me dirigir a eles…

Mas Adão ainda assim se considerava solitário, e então Deus, tal qual um pai que mima o filho, criou para ele a Mulher.

Seduzido.

Foi como me senti assim que vi a bela figura de Lady Lilith – Não consigo utilizar outro tratamento para minha eterna rainha. Quem hoje vê nossa relação conturbada e repleta de ódio e ciúmes dificilmente acreditaria se eu dissesse que já adorei essa Mulher.

Lady Lilith conseguira ser mais bela ainda que Adão. O corpo de pele alva e curvas sinuosas era coberto apenas pelo majestoso manto dourado que eram os compridos fios encaracolados.

E ante àquela beleza, eu não consegui desviar meu olhar para nada mais, esquecendo-me até de Deus.
Minha racionalidade havia sido selada pela imagem daquela criatura, mas a loucura só me tomou de fato quando vi o verdadeiro motivo para a criação dela.

Eu os vi copular.

Eu não compreendia. Em toda a sabedoria com a qual Deus havia me dotado, eu ainda era incapaz de entender o motivo daquilo tudo. O corpo dela abaixo do dele; ela o recebendo dentro de si; ela gemendo, parecendo aproveitar aquilo tudo.

E o que mais me angustiava, além de não compreender aquela situação, era não compreender a dolorida euforia que eu sentia dentro de mim cada vez que assistia aquele ato se repetir.

E sem mais suportar minha ignorância, pela primeira vez eu me movi. Eu sai daquele lugar em meio ao nada, onde eu estive desde o início dos tempos.

Eu fui ao Jardim, mesmo sabendo que não devia. Pela primeira vez, senti o calor do sol acalentando-me, senti a brisa acariciar minha pele, senti a textura da terra sobre a qual eu pisava. E senti a luz refletida da figura dela adentrar diretamente nos meus olhos.

Ela se surpreendeu, levantando o rosto tristonho e molhado para me encarar.

-Quem és tu? –Ela me perguntou incerta.

-Sou Beliel. Sou um anjo de Deus.

-E o que é um anjo?

Aquela pergunta me calara. Eu não sabia o que eu era, afinal.

Eu sabia que era um Serafim. Sabia que havia sido o primeiro anjo criado por Deus. Sabia que minha voz era esplendorosa e que eu deveria cantar hinos de exaltação ao criador. Eu fui dotado de grande sabedoria, mas eu não sabia quem eu era.

-O que é um anjo? –Eu repeti a pergunta dela, para mim mesmo.

-Tu não sabes?

-Não… –Confessei. Naquela época, eu não detinha qualquer traço do orgulho que hoje marca a minha existência. –O que tu achas que sou?

-Não sei, mas tu és muito bonito. E tu tens asas, assim como as aves! –Ela me respondeu sorrido. Que lindo era o sorriso dela! Tão sincero e cativante!

-Eu sou bonito?

-Sim! E muito! Vais dizer que nunca notaste?

Na verdade, até então eu nem sabia que eu tinha uma imagem. Eu pensava que eu não passasse de luz, assim como Deus – Que pretensão a minha, diga-se de passagem.

-Vem comigo! –Ela me puxou pelo braço! Eu tinha um braço! Eu era tangível! Ela podia me tocar! Eu fiquei tão feliz com aquilo! –Vem ver como tu és.

Ela me levou até um lago, onde fui apresentado ao meu reflexo.

Eu tinha um rosto. Um rosto bonito, perfeito e simétrico, aparentemente delicado, não semelhante ao dela, mas também não semelhante ao do Homem.

Um rosto único.

Meus cabelos eram mais escuros que as noites sem lua, e eu então vi as pontas dele no chão, enquanto em me agachava para melhor observar meu reflexo na água. Toquei meus fios, sentindo como eles eram sedosos.

Toquei meu rosto, toquei meu corpo, toquei minhas asas. Que belas asas eu tinha! Eram seis! Tão grandes e brancas! Mais brancas que as nuvens do céu!

E meus olhos! Meus olhos tão profundos e brilhantes, da exata cor que se encontrava entre minhas asas e meus cabelos!

Eu era lindo! E pela primeira vez, perdido no êxtase de minha descoberta, eu experimentei daquele que viria a ser o meu primeiro pecado.

Orgulho.


Written by The Gunslinger in: Belial - Relatos da Queda,Contos,Samila | Tags: , ,

33 Comments»

  • Samila says:

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    Um dos romances que mais gostei de escrever… Trata-se da versão de Belial sobre a rebelião no paraíso, e a decorrente queda dos anjos.

  • Andrey Ximenez says:

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    Ja que gostei do seu texto, me darei o direito de ser chato.
    -
    Paragrafo 11 : “Mesmo não nunca ” Ou não, ou nunca.
    Paragrafo 21 : “assim que via a bela figura de Lady Lilith ” , pode ser somente para mim, mas esse “via” ta mt estranho.
    -
    No mais, um texto muito gostoso de se ler. Fora o fato de ver alguém citando lilith, o que é sempre prazeroso.
    =]

    • Samila says:

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      É é dar uma de chato, não ^^
      é ajudar a autora que sofre de DDA XD
      se eu pedir para o guns arrumar, será que dá? ._.
      e nhai, que bom ver mais alguem que gosta da minha Rainha *-*
      Obrigada por ler =D

  • Asami says:

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    Estou acompanhando todas os relatos de Belial e a cada estória me surpreendo ainda mais com a narrativa… está tudo muito impressionante.. parabéns!!! ;)

  • peregrina says:

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    muito bom mesmo!(embora eu não faça a menor idéia de quem é belial)
    suas historia são sempre as melhores do site.

    • Felipe Lopez says:

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      Beliel foi o primeiro anjo criado por Deus (E isso aparece no conto, mas..)
      _

      Gostei mesmo do conto! E que bom que as outras partes já estão na agenda, vou acompanhar! :D

      • Samila says:

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        Belial, após cair como anjo, tornou-se um dos 7 Grandes Satãs ou P´rincipes do inferno, sendo o representante do pecado do Orgulho, mas muitas vezes também associado à luxúria.
        ~~~~
        Obrigada, Peregrina! Sinto-me honrada ^^
        ~~~~
        Obrigada, Felipe! Está até a 4º parte na angenda… ainda tenho que acabar… ._.
        o problema é que da parte 5 em diante a coisa começa a pesar… vou ter que dar uma suavizada para ver se o Guns publica aqui no site XD

      • Jones says:

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        @Felipe Existem diversas fontes, em umas Lucifer foi o primeiro, em outras se não me engano Miguel. Desculpe, só pra constar he he he he he.

        • Samila says:

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          Exatamente como o Jones falou, existem muitas -MUITAS- versões para a criação e queda dos anjos.
          Nesse romance eu utilizo predominantemente versões islãmicas (no que diz respeito à que de Samael, que mais tarde viria a ser Lúcifer) e hebráicas (no que diz respeito ao papel da minha doce lady Lilith). Mas também que coisas tiradas de crenças cristão (especialmente as oriundas da igreja católica medieval) e do Luciferismo e do Satanismo, além, é claro, da minha mente perfida aqui XD
          Enfim, digamos que eu fiz uma sopa de histórias de anjos e demônios, tentando encontrar pontos coerentes que pudessem ser ligados, e dei o grande ênfase ao belial, que além de ser meu demônio favorito, é protagonista de mais dois romances meus (A lenda de Fausto e O trilo do Diabo).
          Aí eu juntei o útil ao agradável =D

        • Felipe Lopez says:

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          Hehehe
          Aah, sem problemas, Jones. Assuntos como esse nunca são realmente esclarecidos :)

  • Vinicius Maboni says:

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    Muito bom!
    Narrativa muito boa mesmo!
    cada palavra nos tenta a continuar a leitura
    parabens!

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Samila, ótimo conto! Não se preocupe com os errinhos. Se tem uma coisa mais difícil que escrever, é editar os próprios textos; mas se serve de dica, não publique nada antes de deixar algum tempo repousando no HD do computador, ou melhor, impresso, numa folha de papel, mesmo (pro diabo aqueles que dizem que você está matando árvores. Isso é mesmo necessário, para um escritor!). Aí, quando tiver, meio que esquecido do texto, pegue-o de novo, e você vai se surpreender com coisas que você não tinha intenção de dizer e foram ditas, e que coisas que deveriam ser ditas e ainda não foram escritas. Tente para ver… E vou ler as outras partes de seu texto. Sou novo aqui neste site e fiquei imensamente satisfeito por experimentá-lo. Parabéns de novo!

    • Samila says:

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      Obrigada, Albarus! Sim, é realmente muito díficil ver os próprios erros, e ‘esquecer’ por um tempo o conto realmente ajuda… geralmente eu imprimo e releio, mas o meu maior problema é realmente a falta de atenção, tanto que eu geralmente não consigo revisar nem textos alheios. Me diagnosticaram como tendo disturbio de defcit de atenção, eu fiz tratamento, mas não adiantou, por isso que meus textos tem tantos erros, e por isso que eu sou péssima em xadrez também XD
      Mas muito obrigada pela dicas, atenção, leitura e comentário ^^

  • Vitor Vitali says:

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    Sei lá, o assunto não me atrai, então talvez por isso eu tenho achado chato. No entanto, minha opinião é só relativo a temática mesmo, o texto está muito bom e bem provocativo, dá vontade de ir lendo mais e mais, muito legal. :)

    • Samila says:

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      AAAHHHHH! *feliz*
      Primeira vez que o Vitor elogia asim um conto meu!
      Senti-me honrada² agora xD

      Obrigada, Vitor =D
      Pena que você não gosta da temática =/

  • LindenNerd says:

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    Saudades de AbdA!!!
    Mto bom conto, eu gostaria de escrever com essa propiedade sobre esse tema!

  • Geovanni Chrestani says:

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    Romance judaico!

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Samila, não se apresse a terminar a história, pois o nível está muito bom. Leve o tempo que precisares, para que a narrativa continue interessante como está, neste momento. Ficou uma boa mistura de “eventos”, com um toque divino e, ao mesmo tempo, profano. Parabéns.

    • Samila says:

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      Muito obrigada, Elcio =D
      e bem, mesmo que eu quisesse me apressar, não conseguiria, pois minha lerdeza para escrever é crônica XD
      Então acho que esse não será um perigo.
      E obrigada por notar essa mistura entre o divino e o profano. É esse contraste que eu sempre procuro trabalhar nos meus contos do gênero =D
      Mais uma vez, obrigada!

  • Victor Esteche says:

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    Samila, se Stephenie Meyer ler o seu conto, vai cortar os pulsos! Sempre admirei a capacidade das escritoras mulheres em descrever o emocional. Você não foge à regra. Eu mesmo como escritor e homem que sou, tenho uma tendência à descrever melhor a ação do que emoção.
    E em relação as demais escritoras, você tem um toque à mais: você entende de mitologia, coisa que a própria escritora do badalado e pra lá de fraco “Crepúsculo” não faz… Parabéns mesmo!
    Por que você não escreve uma trama mais urbana?!?! Com seu conhecimento sobre mitologia arcana, seria genial!
    Parabéns de novo!

    • Samila says:

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      Fazer a Meyer cortar os pulsos? Mas isso seria uma grande feito! Tornar-me-ia uma heroína! *-*
      XD
      Nhai, obrigada pelo comentário. De fato, eu sempre me ligo mais à descrição emocional… tenho até dificuldade para descrever ações.
      Mas com a mitologia eu tomo mesmo um bom cuidado. Faço questão de pesquisar o máximo possível, de várias fontes. Da mesma maneira eu me preocupo muito com a questão histórica, quando vem ao caso.
      E sobre uma trama mais urbana, como exatamente seria? O primeiro romance que escrevi sobre o Belial, uma versão da lenda de Fausto, passa-se na Estugarda medieval, e o outro (O Trilo do Diabo) passa-se no final do período de transição para a Idade Moderna, em Veneza.
      Tenho também umas histórias de vampiro contemporâneo, nas típicas metrópoles, especialmente Londres.
      O negócio é que a maior parte das coisas que eu escrevo não poderia ser publicada aqui no ONE….

  • Daniel Santos Lima says:

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    Muito Bom você escreve muito bem…

  • mindhazard says:

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    Faz parte de um livro? Onde eu compro?

  • Craaaudio says:

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    Samila, tu tás de parabéns!

    mas alguém deveria editar esse post pra colocar o link para as próximas partes.

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