Desilusão
Escritor: Murilo Andrade

Entrou pela enésima vez na comunidade de escritores amadores do Orkut. Gostava de ler sobre as experiências de pessoas que tinha o mesmo sonho que ele, mesmo sabendo que provavelmente ninguém lá alcançaria a fama que ambicionava. Era uma forma de não se sentir o único no mundo a ter interesse nessa atividade mágica, capaz de transmitir sorrisos e lágrimas. Seus conhecidos sequer liam, quanto mais escrever. Pegavam na caneta mais por necessidade do que por prazer, como ele fazia sempre.
Sua única frustração era que nunca achara ninguém para avaliar seus textos, saber se estava indo bem ou se deveria mudar algum detalhe das tramas que bolava. Então escrevia só para si e mais ninguém. Não era verdadeiramente um escritor, já que escritor é aquele que é lido, mas se orgulhava como se fosse mais lido que o Paulo Coelho e seus livros vendessem mais que pão.
Certo dia aventurou-se. Criou um blog para publicar suas histórias e passou a divulgar arduamente o endereço na internet. Mas quando vieram os seus primeiros leitores, ele percebeu chocado, odiaram tudo o que publicara, criticando-o duramente e sem dó alguma. Mas como isso era possível? Logo ele que escrevia tão bem. Ao menos assim o achava. 80 comentários ao todo e nenhum elogio. Desistir: foi à ideia que lhe veio a cabeça. E assim o fez. Só leria seus livros e não se meteria mais com essa tal de literatura, que só lhe trouxe decepção e tristeza.
Passou-se dois meses. Nesse tempo não havia escrito nem uma linha, tirando, claro, as atividades da escola. Nem entrava mais na comunidade dos escritores amadores. Estava lendo bem menos também, preenchendo esse tempo com os desenhos da televisão. E dos desenhos veio a vontade de desenhar os personagens que gostava e provou ter um talento raro para a atividade, conseguindo fazer ilustrações semelhantes mesmo com o modelo em rápido movimento na TV. Tornou-se seu novo hobby. Desenhava de tudo. Pessoas, lugares, animais, personagens dos desenhos. Seu caderno da escola tinha mais desenho do que os assuntos das aulas.
Não demorou muito tempo para começar a desenhar histórias completas, quadrinhos, que compensavam seu parco talento na atividade de narrar. E fez isso durante anos, até um dia conseguir se tornar profissional e se manter com este trabalho, ainda que não o mais respeitado da sociedade, e tivesse certo receio de afirmar que era quadrinhista. Mas nunca se esquecera do blog que criou há tanto tempo e dos comentaristas raivosos que, indiretamente, levaram-no ao caminho do sucesso e da fama que sempre ambicionou.
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Hehe.. isso aqui é um meta conto?! =)
Não…é mais uma crónica. E se o autor não se importasse, até acho que caía melhor nessa categoria…mas bem escrito, está interessante
tá, bacana, mas meio vazio, não?
É, esta meio oco mesmo. Precisa de mais emoção. =)
Nao gostei.E usar referencia de Paulo Coelho…
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Vazio,sem emoçao e autocritico. Na verdade nao gosto de auto-pena…sei la. Se é pra ser, vai la e pega. Como o Conan disse – Crom ajuda quem se ajuda e as vezes nem esses!
Bem escrito, mas parece um auto-depoimento do Orkut. Estranho né? Mas tá valendo, espero que a personagem que se tornou quadrinista tenha um futuro brilhante!
Muito massa o conto, mas achei que ia ter uma desilusao maior no final. TEve final feliz ehehe
Chato, nem terminei de ler.
Nunca desista, é isso aí.