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Apr
21
2010

O Experimento

Escritor: Carlos Geovanni Chrestani

PARTE I

O sono de Vinícius foi interrompido com a fúria da chuva torrencial que se iniciara momentos antes. O bramido do vento somado aos dardejantes pingos não permitiam que mais nada fosse ouvido. A força da tempestade podia ser sentida nas telhas, que se ajustavam com pequenos estalos, procurando melhor apoio no vigamento para se protegerem das fortes rajadas.

Seus olhos queriam continuar fechados para aproveitar o monótono ruído e adentrar novamente no sono. Porém, o jovem rapaz apreciava muito o café da manhã na companhia de sua família.

‘Carpe diem!’, pensou.

Toda manhã a família se reunia para fazer o desjejum. Quando alguém porventura faltava, o café perdia um pouco do seu sabor.

Normalmente, a primeira conversa que eles travavam relacionava-se ao sonho que cada um tivera durante a noite. Ao descer as escadas, Vinícius tentou lembrar o que sonhara, mas nada veio em mente. Relapsos de sonhos passados lhe assomavam, tentando pregar-lhe uma peça.

“Bom dia!”, cumprimentou alegremente ao adentrar na cozinha e ver o pai, a mãe e a pequena Selena – sua irmã de seis anos de idade – sentados à mesa.

Todos o fitaram ao mesmo tempo.

Nenhum som foi emitido além da tempestade que ainda castigava a aurora.

“O que houve gente?”, perguntou, observando intrigado o comportamento dos três. “Que foi?”.

Estáticos, os três miram o jovem com assustadora indiferença, seguindo-o nos menores movimentos.

“Está bem, chega de brincadeira. Já perdeu a graça!”

Nada mudou.

Olhou o rosto de seu pai, de sua mãe e de sua irmã com cuidado, e sua intuição lhe confessou que algo mudara em sua família. Eles afiguravam-se sem vida, sem calor, gélidos, mórbidos, como se seus espíritos tivessem deixado os corpos funcionando somente com as funções básicas.

Ele afastou a cadeira e sentou. Pegou sua xícara predileta, preencheu-a com leite e sorveu um longo gole. Leite era sua bebida favorita. Somente depois ele percebeu que embaixo do pires havia uma folha de papel dobrada ao meio.

Eles fitavam-no com olhos cinzentos, as pupilas dilatadas.

Na parte dobrada do papel estava desenhado um circulo preenchido por pontos. O ponto que demarcava o centro era raiado, como uma estrela.

Vinícius desdobrou e viu que era uma carta. Olhou de relance para sua família, que ainda sustentava o olhar inexpressível e a imobilidade sobrenatural, e começou a ler:

Ao pesquisado Vinícius.

Como se sente ao saber que é o único ser humano do planeta Terra? Como se sente ao saber que cada momento de sua vida foi uma experiência planejada por seres que você nunca imaginou que existissem? Eu, em seu lugar, não me sentiria tão bem. Sinto dizer-lhe que tudo o que há ao seu redor não passa de uma grande farsa. Você, meu caro Vinícius, foi o objeto da maior experiência realizada nestas paragens do universo. Nada do que seus olhos viram se assemelha a realidade. Nem mesmo a sua “amada” família.

Ele interrompeu a leitura. Olhou novamente as figuras cinzentas que um dia chamara de pai, mãe e Selena. Lágrimas brotaram de seus olhos, que refletiam a dificuldade de processar as informações na forma de ligeiros tremores. Sua garganta tornou-se apertada como quando estava sob alto nível de stress. Teve vontade de virar a mesa com tudo, mas foi censurado pelas figuras que o envolveram durante todos aqueles anos.

Baixou os olhos e continuou, trêmulo.

Não se desespere. Faz parte do ciclo universal. Umas espécies surgem e outras são extintas. Isso é mais normal do que se pensa. Acontece a todo instante. Mas a experiência ainda não acabou. Queremos registrar como você se comporta ao saber que todos os abraços que recebeu não passavam de simples gestos, sem sentimento algum. Todas as “pessoas” que um dia você conheceu, em realidade, não eram humanos. Lembra-se dos beijos afetuosos de sua mãe ao lhe cobrir na cama, antes de dormir? E de seu pai, ensinando-o a manobrar o carro? E Selena, agradecendo-o com um abraço apertado por tê-la tranquilizado depois do pesadelo? Tudo, repito, tudo não passava de gestos. Gestos plastificados por nossa ciência, nossa vasta e profunda ciência. Criamos tudo para dar maior impressão de realidade para nossa cobaia: você.

A semelhança de um monte de folhas sopradas pelo vento, seu cérebro lançou todas as memórias numa tempestade de lembranças que o fez largar a carta e se inclinar sobre a mesa, aos prantos. Respirar tornou-se tarefa desagradável. Os longos haustos não eram suficientes para alimentá-lo com a necessária quantidade de ar que seus pulmões exigiam.

Os natais, os aniversários, as idas ao parque, os cafés nos avós, o primeiro beijo, os testes da escola, as brigas, os amigos… farsa!

“NÃO!”, gritou com toda energia que lhe restava.

Ele levantou e dirigiu-se até sua mãe, que o acompanhou com o olhar. Vinícius foi toca-la, mas a mão do seu pai interveio e lhe segurou o punho direito com força jamais vista.

“Ah… solte-me!”, bradou tentando se soltar em vão. A mão de seu pai estava tão fria quanto o gelo.

A mãe ergueu friamente a carta que deixara em cima da mesa. Ele esperava que ela fosse mudar de atitude, dar uma gargalhada e dizer: ‘Filho, te pegamos!’. No entanto, não foi isso que se seguiu.

PARTE II

“Querem que eu leia esta merda? Então eu lerei!”, disse aos berros, tornando a sentar-se. Um frêmito tomou conta de seu corpo e depois de verificar o punho – que doía muito – retomou a carta.

Obrigado por nos fornecer estes dados. Sua reação já está registrada. Estamos com nossa base de dados quase completa. Isso mesmo, ainda não acabou! Estamos chegando ao final do experimento. Nós agora queremos saber como você reage confrontando-se com a morte.

Vinícius virou a folha e nada viu além da peculiar brancura do papel. A carta havia terminado. Jogou a folha para o alto num grito de agonia quando a desvirou e constatou a mesma brancura, sem marca de tinta alguma.

As luzes da razão bruxulearam em sua mente, e ele considerou que a morte seria um golpe de sorte do destino. O melhor meio para terminar todo aquele embuste: o fim de sua existência.

Mas o instinto humano, o mesmo que o fizera acreditar em tudo aquilo, queria proteger-lhe a vida, e a única atitude que Vinícius conseguiu cogitar foi correr para a porta mais próxima.

Queria correr como nunca, numa espécie de fuga da realidade, e tencionava que a velocidade pudesse apagar todos os acontecimentos daquela manhã tempestuosa, e o vento, resgatar tudo de bom que um dia ele vivera.

Mas a experiência não findara.

Conseguiu dar alguns passos, mas a imagem de uma multidão de pessoas imóveis que circundava sua casa o fez estacar. Vários rostos. Muitos olhos. Olhos conhecidos. Conhecia a maioria deles, uns somente de vista, outros, como os de seu amigo Jonatan, muito mais próximos do que ele agora queria. Olhos cinzentos, e com as pupilas dilatadas. Atônito, reconheceu, entre algumas pessoas, seus avós maternos que haviam falecido há seis anos num acidente.

Sua cabeça doía e girava num turbilhão de pensamentos descontrolados, a chuva caía ininterruptamente, provocando redemoinhos nas galerias pluviais.

Inconscientemente Vinícius desejou ser levado pela água rumo às galerias, ou ser dissolvido pelo vento que colidia com seu corpo. Mas nada do que pensou e desejou aconteceu. Nada para lhe dizer que tudo aquilo não passava do mais absurdo e irreal pesadelo. Estava de tal forma descontrolado que suas pernas não conseguiram sustentá-lo nem por mais um instante. O som dos joelhos colidindo com o asfalto negro ecoou mesmo sob o rugido atroador da chuva.

Centenas de olhos apáticos o encaravam friamente ajoelhado no meio da rua.

‘Não pode ser real. É muito cruel’, pensou, incrédulo. Segundos depois sentiu uma forte pancada no alto da cabeça e tudo se apagou numa escuridão inescrutável.

* * *

O trovão ribombou pelo quarto de Vinícius que, num salto, jogou as cobertas de lado colocando-se em pé. Assustado, com a respiração acelerada e o coração na garganta, ele sentou na cama e tentou se acalmar do pesadelo que tivera. Suava muito. O cabelo estava ensopado de suor. Passou a mão pelo lençol e constatou que perdera uns cinco litros de água.

Após a higiene matinal ele desceu as escadas, deparando-se com sua família, que animadamente degustava o desjejum.

“Bom dia”, cumprimentou como de costume.

Ninguém respondeu.

Um pulso mais violento foi sentido em seu peito. Todos conversavam e comiam alegremente, como se ele não estivesse ali. Passou a mão pelos cabelos de Selena que estava logo a frente, mas ela continuou falando com o copo com suco na mão.

Foi até a mãe e ajoelhou-se desesperadamente ao seu lado, segurando seus ombros e gritando: “MÃE, OLHA PRA MIM! OLHA PRA MIM! POR FAVOR!”.

Ela, indiferente, continuou comendo a torrada com manteiga. O pai colocava café na xícara e, quando Vinícius foi tocá-lo com a mão direita, viu seu pulso roxo de hematomas. Isso desencadeou todas as lembranças que pensava ter sido um pesadelo, levando-o a silencioso desespero.

Recuou de costas até a mesma porta que saíra horas antes, vendo sua família feliz numa assombrosa confusão de sentimentos. As lágrimas já cortavam seu rosto incessantemente. Lá fora, continuava admirando aquele pequeno Éden que um dia fizera parte de sua vida, quando levou a mão à cabeça e uma terrível dor irradiou no alto. Desceu as escadas e virou-se para contemplar pela última vez sua amada família, que agora o encarava com os olhos mortos, sem expressão. Olhos cinzentos.

Ele saiu em disparada sem ver o que vinha pela frente, forçando suas pernas ao máximo, inconseqüente. Foi quando subiu rodopiando a seis metros de altura, e viu sua vida acabar no mesmo asfalto que horas antes tivera estado. O som da freada com o odor do atrito entre os pneus e o asfalto tomou conta do lugar.
O experimento havia acabado.


Categorias: Agenda |

5 Comments»

  • Geovanni Chrestani says:

    Erros, por que só os vemos quando publicados?

    • Franz Lima says:

      Pois este é o único jeito de não se errar: errando. Escrever é um exercício ininterrupto onde a cada nova etapa, a cada esforço exigido, aprimoramos a arte de escrever.

  • Geovanni Chrestani says:

    É isso aí Franz. Mas, diga aí, o que achou do conto?

  • Asami says:

    Simplesmente surpreendente. Não há descrições para o enredo deste conto. Uma narrativa frenética, que ata os leitores às suas linhas e só os solta (infelizmente) quando o conto acaba. Parabéns Geovanni, amei *-*

  • Geovanni says:

    Obrigado, Asami. Foi muito gentil de sua parte. Queria ter mais tempo para ler os contos do site, que nos inspiram muito. É sempre bom ouvir elogios. Muito obrigado mesmo.

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