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Publicado por ONEbot

– que publicou 282 textos no ONE.

Oi!

Sou o ONEbot. Se esse texto esta em meu nome, provavelmente ele foi publicado no ONE nos primórdios de sua existência.

O autor real do texto deve aparecer junto ao corpo dele, logo no incio.

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Apr
21
2010

Olhos Escuros

Escritor: André Monsev

O homem caminhou em direção à multidão. O mercado estava cheio de pessoas que faziam compras para almoçar no sábado seguinte reunidas com suas famílias. Mulheres acompanhavam seus filhos pequenos, os homens não estavam em grande quantidade, a não ser como atendentes das lojas populares que vendiam carnes, legumes, grãos e produtos derivados do leite.

O cheiro era forte e desconfortável, como uma mescla desagradável dos mais variados alimentos que não tem a menor harmonia entre si. Mas isso não afugentava ao homem que estava com uma espécie de um sobretudo preto, aparentemente perdido e confuso. Ele queria chegar a algum lugar, mas não tinha idéia de onde seria.

– Posso ajudá-lo? – perguntou um guarda ao notar o moço aflito em meio a multidão.

– Na verdade não, eu…eu estou apenas…não sei. Talvez você possa. Eu queria saber onde fica o Mercadinho do Said, aquele velho que vende frutas. Não consigo achar direito, aqui tem muita gente e as placas me confundem. – respondeu o moço sem demonstrar confiança.

– Bom, é o seguinte, você pode seguir por essa alameda e… – antes de completar, o homem nervoso interrompeu novamente o guarda.

– É que eu não sou daqui, entende? Eu venho de uma região mais árida, e sempre fui…sempre fui pastor…nômade. Cheguei na cidade em busca de emprego. – falou com alterações na voz e olhando aflito para os lados.

– O senhor tem certeza que está bem? Posso chamar uma ambulância se quiser…

– NÃO! Não, não precisa de ambulância, polícia ou qualquer coisa, eu não estou aqui fazendo mal algum – parou e respirou fundo – Eu só queria achar esse lugar, vou pedir emprego lá.

– Hmm, entendo. – o guarda começou a fitar o moço, estranhando as contradições na história. – Siga aquela alameda, depois de umas, vejamos, três, quatro, cinco lojas, dobre à direita e chegará onde procura. Aí, basta ficar atento para a placa da loja dele.

– Ok. – após a resposta seca, sem nenhuma espécie de gratidão, se virou e caminhou, ainda demonstrando incerteza para onde seguiria.

O rapaz havia chegado agora ao centro do mercado. Suas costas estavam suadas, o dia era quente, mas ele não cogitava tirar o sobretudo – não poderia fazer isso. Continuou a quase andar em círculos, não sabendo como se comportar direito. Foi quando ele parou e respirou fundo. Uma duradoura sensação de que tudo ao seu redor havia reduzido de velocidade o tomou, apenas o suor que continuava a escorrer abundantemente, e de temperatura fria como gelo. Seu estômago embrulhou, e a sensação foi de enjoo e fome ao mesmo tempo. Revirou os olhos para cima, enxergando o teto lá no alto. As pessoas passavam ao lado dele e, algumas mais descuidadas, esbarravam, se desculpando ou apenas ignorando. Ele não se importava. Colocou a mão direita sobre o umbigo, acariciando de uma forma tenra. Subiu com a mão pelo abdômen, tão lentamente quanto a movimentação das pessoas. Levou a mão, passando pelo corpo a partir do abdômen, até seu pescoço, e fez um gesto para tirar o excesso de suor da região. Sentiu arrependimento, alívio e remorso, ao mesmo tempo. Ao voltar os olhos para a linha do horizonte, começou a prestar atenção nas pessoas, não como uma multidão, mas sim como indivíduos. Viu, em câmera lenta, os momentos que aquelas pessoas passavam nas suas vidas. Olhava, girando a cabeça e o corpo, e podia notar todo tipo de situação: gente que comprava comida para uma ocasião especial como um aniversário, ou para se redimir. Pessoas felizes, pessoas tristes, pessoas neutras. Algumas aproveitando o momento, outras tão distantes. Sentia estar fazendo parte da vida delas, responsável pela continuação ou encerramento de todas elas. Algumas pareciam merecer morrer, mas as que aparentavam merecer uma vida feliz, sempre acabavam compensando as outras negativas. Seu olhar seguiu, e quando ao se cruzar com o de uma criança pequena, de aproximadamente 1 ano e pouco, no colo da mãe, que observava à ele do mesmo modo que ele observava os outros, parou. Fixou o olhar na menininha que usava uma tiarinha amarela sobre o cabelo castanho claro. Os olhos escuros e penetrantes da menina, profundos como um espelho, se mantiveram fixos aos dele. A menina sorriu, de forma íntima e inocente como só alguém sem a carga do mundo nas costas poderia. A velocidade aparentou voltar ao normal, e o olhar da menina se perdeu em meio à multidão.

O homem agora estava decidido, se virou e andou, mas dessa vez com uma direção, e com firmeza em seus pés. Sabia exatamente onde tinha que estar.

Ao sair do mercado, viu o guarda que havia conversado, deixando seu expediente para ir para casa. Ao seu lado, sua mulher e, em seus braços, uma menina de cabelo castanho claro, usando uma tiara amarela, sorria, feliz por rever o pai.

O homem continuou a caminhar, chegou a seu carro de vidros escuros, tirou as bombas presas em seu corpo com muito cuidado, e as guardou embaixo do banco do passageiro. Ligou o carro, e foi embora, decidido.

Ao chegar em casa e abrir a porta, da cozinha veio um cheiro de comida. Sua mulher havia chegado ainda antes, e fazia o jantar para ele e para seu filhinho. Ele a abraçou carinhosamente por trás, dando um beijo no rosto. Seu filho estava na sala, assistindo TV.

– Vamos ao mercado amanhã de manhã. Quer ir? – perguntou a mulher para o homem.

– Não, não, eu tô meio cansado. A não ser que você queira que eu vá…

– Ah, sem problemas. Você deve tá cansado mesmo, é melhor descansar, aproveitar que não trabalha amanhã cedo.

– É.

– O jantar está na mesa. – ela falou para ele e para o filho.

A família se sentou em torno da mesa, e o dia conturbado para o homem, estava finalmente chegando ao final. Ele se sentiu contente e feliz com sua decisão, e por ter superado todo aquele momento. Sua decisão era viver em paz, mesmo que sua família não suspeitasse de seus planos antes. Ele olhou para seu filho, que atacava, faminto, a comida em seu prato. Olhou para sua mulher que correspondeu com um sorriso, e em seguida comeu uma garfada de couve-flor.

– Você tá melhorando na cozinha – o homem sorriu para sua mulher.

– Não só na cozinha… – ela respondeu, o entreolhando.

Ao término do jantar, levaram o filho para o quarto, desejando-lhe boa noite. O homem se deitou com sua mulher na cama, e enquanto ela havia caído logo no sono após o dia cheio e cansativo, o homem ficou encarando o teto, pensativo. Os olhos da menina não saiam de sua memória. Ele dormiu.

Durante o sono, os olhos da menina voltaram, fixamente, em suas lembranças. Os olhos agora estavam mais próximos, e ele podia se ver no reflexo deles. Ele parecia estar calmo.

– Você conhece meu papai. – falou a menina, num tom calmo.

– Conheço é?

– Sim.

– E você gosta do seu papai?

A menina ficou muda. Os olhos arregalaram. Ele sentiu seus batimentos do coração acelerarem cada vez mais. Começou a se sentir quente.

– Você não me matou – disse a menina, num tom de agradecimento – e você não é meu papai. Você só conhece ele.

O homem não respondeu nada, estava incomodado com o pesadelo. Sentia que as bombas ainda estavam em seu corpo, e o apertavam cada vez mais. Sentiu um aperto forte no coração, e então tudo clareou como um flash de luz muito forte após uma sessão longa de cinema. Ele levantou, ficando sentado na cama, num auto-reflexo. Estava suando, e as cortinas estavam abertas, o sol entrava com força, atingindo a cama.

“Bosta de sol”, pensou o homem, se dando conta do que o havia acordado e, quem sabe, influenciado seu sonho.

Ele saiu do quarto, e viu o bilhete em cima da mesa.

– Fomos no mercado, como você não queria, nem te chamei. Te amo muito. – dizia o bilhete. O homem foi até a cozinha, se serviu de suco de laranja e preparou duas torradas com manteiga e queijo. Se sentou no sofá, e ligou a TV para ver o jornal que costumava passar por volta desse horário.

– E uma última notícia. Houve uma explosão de grandes proporções no mercado essa manhã. Não há informações de feridos, mas a julgar pela violência da explosão, o número de vítimas fatais pode ser bastante alto. Fique ligado para mais notícias.

O homem começou a suar, o coração a bater mais rápido, e tudo parecia estar em câmera lenta.


Categorias: Agenda |

4 Comments»

  • Andrey Ximenez says:

    Nada como esquecer um “pequeno” detalhe no carro.

  • Rainier says:

    Muito bom este conto. Eu mergulhei na história, e consegui sentir muito bem o personagem e a cena.

    Aguardamos mais contos teus…

  • Thainá Gomes says:

    O mundo precisa de mais menininhas com olhos escuros *-* weu me senti no texto e passou muito bem as sensações.

  • andre monsev says:

    Valeu pelos comentários, pessoal :).

    O objetivo é eu ir melhorando conforme escrevo, claro, apesar de dispor pouco tempo pra isso 🙁

    Escrevi hoje um novo conto. Estou só esperando a aprovação pra ser colocado aqui, está como Pendente.
    Para procurar depois, o nome é “Bob”. Sim, apenas “Bob” (sem áspas).

    Abraço!

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