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– que publicou 282 textos no ONE.

Oi!

Sou o ONEbot. Se esse texto esta em meu nome, provavelmente ele foi publicado no ONE nos primórdios de sua existência.

O autor real do texto deve aparecer junto ao corpo dele, logo no incio.

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Apr
08
2010

Presentes

Escritor: R. Báthory

presentes

Gisela acordou naquele 14 de março como em qualquer outro dia. Levantou-se, comeu, lavou-se. Vestiu-se, saiu, trabalhou. Quando chegou a seu apartamento, que era atulhado de coisas, surpreendeu-se em ver sua mãe sentada em seu sofá.

– Como você entrou? – foi a primeira coisa que Gisela disse.

– Tenho uma cópia da chave – respondeu a mãe indo para a cozinha – Quer chá?

Gisela sentou-se no sofá e largou sua pasta em cima da mesa de centro. Olhou para a mesa e lembrou-se de quando a comprara. Fazia um ano já. Ela a JD, que era seu noivo, haviam comprado aquela mesa para presentear a mãe da Gisela de dia das Mães, mas ela gostou tanto da mesa que acabou dando flores para a sua mãe. Foi um dos pontos na discussão de separação deles.

A mãe de Gisela entrou na sala com a xícara de chá para sua filha. Sentou-se na poltrona logo em frente. A poltrona em que Gisela comprara com Felipe, outro namorado seu, para presentear o pai dela de Natal, mas acabou comprando um simpático pijama listrado para ele. Felipe teve uma séria lesão na coluna por carregar a poltrona por dez andares de escada. Gisela acabou com ele, entre outros motivos, suas limitações devido a coluna.

Gisela bebeu de seu chá de camomila. Estava com pouco açúcar. Ao invés de se levantar para pegar o açucareiro, preferiu largar a xícara em cima da mesa. Olhou para a sua velha mãe.

– Você não pegou chá? – perguntou Gisela.

– Não quis – respondeu a mãe – Mas você tem um belo jogo de xícaras.

Gisela corou. Aquele jogo seria de sua mãe. Uma vizinha delas da praia havia dado para Gisela entregar a sua mãe de aniversário, mas eram tão bonitas. Marco, seu namorado na época, terminara por causa desse fato.

– Obrigada – disse Gisela bebendo de seu chá.

– Então minha filha, como foi seu dia de trabalho?

– Normal.

– Ah… Que bom então.

Ambas sorriram. A mãe de Gisela pegou o cinzeiro da mesa e ficou admirando-o. Gisela tentou se lembrar de que daria aquele cinzeiro para seu pai, mas não se lembrou. Mas se lembrava muito bem da justificativa que dera para Fabrício, seu namorado que comprara o presente. Dissera que combinava com as cortinas que tinha na época. Mentira. Teve que sair para comprar novas cortinas que combinassem com o cinzeiro. Pagou caro e usou-as por um mês antes de dá-las para a faxineira, pois não combinavam com o sofá. Comprou novas. Também não se lembrava aonde as cortinas tinham ido parar, mas sabia que não combinavam com a paisagem do quadro a sua esquerda.

– Você está namorando? – perguntou a mãe.

– Não.

– É uma pena… Você vai ficar passada se continuar desse jeito… E o tal JD, que era seu noivo, cadê?

– Terminamos mãe, há um ano – disse Gisela acariciando a mesa delicadamente com o seu pé.

– Ah… Você tem um belo apartamento. Meio alto…

– Me dá uma boa vista a altura.

– Ah é, vista. Você sabe que eu não gosto de janelas.

“Não gosta?” pensou Gisela “Então posso ficar com as cortinas que minha secretária de comprou de sei-lá-o-quê e por no meu quarto! Realmente estou precisando de cortinas novas!”.

A mãe de Gisela olhava para tudo ao redor, sem saber que mais da metade deveria ser seu. Olhava para tudo, menos para a sua filha. Pegou a anjinho que ficava ao lado do cinzeiro.

Aquele anjinho Gisela comprara no Vaticano para sua irmã Aurora, que estava doente na época. Mas o anjinho ficou tão bonito na sala. Acabou comprando um terço na igreja ao lado do hospital. Disse que fora no Vaticano e tinha a benção do papa. Todos ficaram felizes e Gisela ficou com a recordação.

– Faz tempo que você não viaja – disse a mãe.

– Fui a Punta no último feriado.

– Ah… Eu não sabia…

Gisela terminou seu chá. Olhou para o colar de pérolas da mãe e pensou o quão bem aquele colar ficaria com o vestido que comprara em Punta Del Este. Os brincos também, para fechar o conjunto.

As duas ficaram um tempo em silêncio. A mãe admirando objetos que deveriam ser seus e a filha admirando objetos que ainda seriam dela. O relógio que Gisela comprar para seu pai (e não dera) no último dia dos pais tocou. Nove vezes ele badalou. – Olha a hora! – disse a mãe – Já está tarde. Eu já vou indo então – e foi para a porta – Tchau filha.

– Tchau mãe – disse Gisela, levantando-se para colocar a xícara na máquina de lavar.

Antes que a porta se fechasse, Gisela segurou-a.

– Mãe – disse ela no corredor.

– Sim? – perguntou a mãe esperançosa no segundo degrau de escada.

– A chave.

– Chave?

– Do meu apartamento.

– Ah… Claro. É seu direito – disse ela entregando a chave à filha – Tchau então.

– Até – disse Gisela entrando em seu apartamento.

Quando fechou a porta ouviu um soluço abafado. Assustada, Gisela olhou pelo olho-mágico e viu sua mãe com o rosto cheio de lágrimas e mão na boca descendo as escadas.

Ao se virar para a sua sala sentiu raiva de tudo que via. Até de seu reflexo. Pegou um saco de lixo e começou a colocar dentro tudo o que deveria ser de sua mãe e não era. Pegou um pequeno polvo de pedra que comprara para sua mãe em sua última ida a Punta e jogou pela janela.

Quando terminou de juntar os pequenos objetos, Gisela foi levar o lixo para baixo. Aproveitaria e falaria com o porteiro para ele pegar o relógio, a mesa, a poltrona e outros móveis que ela não queria mais. Ao chegar à recepção do prédio viu que havia alguma coisa acontecendo na rua. Havia ambulância e um monte de gente olhando algo na calçada.

– O que aconteceu? – perguntou Gisela a um garoto de quinze anos que estava próximo.

– Uma mulher morreu – respondeu o garoto ficando na ponta dos pés para enxergar por cima dos vários ombros.

– Como?

– O policial me disse que acertaram ela com um polvo de pedra.

Gisela sentiu como se seu estômago estivesse cheio de gelo. Subitamente ela, mesmo sem ver, sabia quem era que havia sido acertado. Mesmo assim abriu caminho entre as pessoas e constatou.

Desesperada Gisela subiu para o seu apartamento. Sentou-se no chão e chorou. Chorava e olhava para seu apartamento quase vazio. Olhava mas nada via. Grava em sua retina estava a imagem das belas pérolas manchadas de sangue.


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