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– que publicou 282 textos no ONE.

Oi!

Sou o ONEbot. Se esse texto esta em meu nome, provavelmente ele foi publicado no ONE nos primórdios de sua existência.

O autor real do texto deve aparecer junto ao corpo dele, logo no incio.

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Apr
21
2010

Um Outro Conto de Fadas – Capitulo 4

Escritor: Renan Barcellos

um-outro-conto-de-fadas

Faye havia perdido qualquer esperança que outrora podia ter habitado seu coração. Sentia-se encurralada, sem escapatória. Em suas costas mantinha-se imponente o grande guarda roupa de mogno – o qual sempre lhe trazia a impressão de que monstros habitavam seu interior – à sua direita estava a parede, branca e intransponível. O pior estava à sua frente, a menos de dois metros de distancia, o monstro em forma de rato que pegara o dente da garota. Ele estalava a língua, saboreando o cheiro exalado pelo medo de sua presa, bem como pela prévia do gosto que a carne da criança teria.

À Faye não havia escapatória.

Ela poderia tentar correr, ir para sua esquerda, pular o banquinho que estava entre a cama e o armário de bonecas – localizado logo após o armário de mogno -, atravessar seu quarto e então chegar até a porta. Mas como conseguiria tal feito sem ser interceptada por seu nêmeses, já que este possuía asas? Não. Não havia fuga, ela sabia.

O monstro deu um passo à frente, ficando com os pés na armação da cama, lugar onde teria melhor apoio para pular e então dilacerar a sua vitima. Tomada pelo pânico, a garota se deslocou lentamente para trás – do mesmo jeito que faria caso estivesse se afastando de uma fera perigosa que rosnava -, até que, não tendo mais para onde recuar, comprimiu-se contra o armário, acuada. Sentiu a cabeça girar, ficara nauseada novamente, agora que a criatura se aproximara exalando aquele odor fétido – Faye imaginou que nem em mil anos se acostumaria com aquilo -. A adrenalina era despejada progressivamente no sangue da garota, em uma intensidade que não havia experimentado, cansando-a e a fazendo tremer. Suava frio devido a tensão.

E não havia escapatória.

Faye fechou os olhos, não mais sabendo o que fazer ou se existia algo a ser feito desde o começo daquela noite de terror. Não estava pronta para aquele tipo de situação, nunca estaria. Não fora preparada para enfrentar criaturas como aquela, nem mesmo acreditava que tal monstro existia. Suspirou, resignada. Já não havia o que fazer, sua morte era certa. Não podia lutar. Estava cansada daquilo, esgotada, queria que tudo acabasse, o mais rápido possível, para bem ou para o mal. Que fosse morta então, aceitaria seu destino sem muito relutar, queria apenas que todo aquele terror tivesse um fim. Sabia que estava diante da calmaria e a tempestade não tardaria a vir.

E não havia escapatória.

De olhos fechados, vendo apenas a escuridão de suas pestanas, tentou se aclamar, encontrar um ponto de equilíbrio que lhe desse forças durante esse momento insano, respirou duas vezes, tentando se controlar. Tudo ia acabar, rápido, sabia disso, não havia porque se preocupar. Sim, iria morrer, mas então, tudo seria paz.

A garota abriu os olhos e era outra pessoa, alguém decidido que, imponente, ruma para o próprio fim. No fundo ela era constituída de uma matéria à qual muitos heróis desconheciam, precisando apenas ser… Lapidada. E então, – não mais tremendo, agora firme como uma rocha, serena e altiva – visualizou, o que esperou ser uma ultima vez, aqueles perturbadores olhos possuídos por seus algoz em forma de monstro. Manteve a cabeça erguida.

E não havia escapatória.

Maliciosamente a criatura devolveu o olhar. A fada não sabia o que era melhor, o gosto do medo o qual cometera na criança ou a chance de arrancar gritos de dor e horror de alguém que se mostrava tão petulante e cheio de si no momento de sua morte. O monstro estava pronto, iria acabar com aquele joguinho.

Faye sentiu um arrepio, que mais parecia uma corrente elétrica, percorrer toda a sua espinha, começando no cóccix e indo terminar na base de seu cérebro, o que fez com que suas pálpebras do olho esquerdo tivessem uma pequena convulsão. Suas pupilas se dilataram. O mesmo aconteceu com as do monstro. Naquele instante, ambos souberam que o ataque aconteceria imediatamente.

E não havia escapatória.

Mesmo estando estranhamente calma, Faye sentiu que todos os seus músculos se retesavam. Percebeu de súbito que as histórias mentiam, ela não viu nenhuma imagem de sua vida, não teve nenhum flashback ou refez o caminho de sua trajetória no mundo. Não, não viu nada disso. Percebia apenas o frio olhar de seu assassino e não iria tirar aquilo do foco de sua visão. Ou pelo menos, foi o que pensou.

E não havia escapatória.

Uma sombra apareceu na janela do quarto da garota, imediatamente atraindo, por reflexo, o olhar da garota. O monstro teria atacado naquele instante, mas conteve-se, estranhando a reação de sua vitima, que parecia olhar por cima de seu ombro. O vulto pareceu se agigantar-se, como se aproximasse do vidro e então espantados, vitima e monstro, puderam ouvir um grito alucinado, sendo seguido pelo som de vidro sendo quebrado e espalhado pelo chão.

Alguém entrara no quarto. Gritando como um louco e destruindo a janela numa explosão de vidro e pedaços de madeira. Não parecia se importar com ferimentos. Mantinha um semblante sagaz e zombeteiro
O monstro virou para o intruso, que havia atrapalhado sua caça e banquete.

Destravando sua arma pela segunda vez naquele dia, e mandando um sorriso digno dos atores mais galantes e dos personagens ousados, o intruso, com seu chapéu de cowboy e sua Sword Cutlass, proferiu uma única frase.

– Tá na hora do pau!

E, à fada, não havia escapatória.

Ick-renor.

Era como se chamava a criatura.

Não era uma nomenclatura para usa espécie, como um termo cientifico, mas sim seu nome próprio – ao menos pelos moldes de sua cultura.

Ele – pois o monstro era do gênero masculino – fora incumbido pessoalmente pelo líder dos seus para pegar o dente da pequena garota. Havia conseguido, mas, por algum motivo que desconhecia, a menina havia escapado do sono provocado por sua presença. Seus semelhantes veriam isso como piada, sua fêmea o rejeitaria, mas ao menos havia ganhado o direito de ter um belo banquete. Não iria ter muito trabalho, bastava dilacerar, com suas garras, a pequena “irtinkwa” – modo como sua raça chamava os humanos desde tempos imemoráveis – e voltar para as “terras reais”, atravessando a membrana que separava as duas realidades.

Mas as coisas não saíram muito bem como havia imaginado. Afinal, alguém simplesmente havia se jogado para dentro do quarto, pela – segundo a opinião do monstro – abertura inútil que os humanos chamavam de janela.

Ick-renor perdeu o ímpeto. A fome desaparecera, o instinto assassino cessara e até mesmo o conhecimento de que havia uma garota logo atrás dele, pronta para ser morta, fugira de sua mente. Alguns segundos se passaram, no qual o intruso, aquele que atrapalhara o seu jantar, simplesmente ficou parado, tirando os pequenos cacos de vidro do próprio corpo – rindo por vezes de alguns dos ferimentos -, mas a criatura do “outro lado” não conseguira entender a situação, seu cérebro semi-primitivo não era muito acostumado com eventos súbitos e inesperados como aquele.

Após algum tempo a mente pouco desenvolvida do ser – quem sabe menos eficiente apenas para os padrões terrestres – começou a fazer ligações e a se lembrar de uma história passada por muito a muito tempo pelos seus companheiros. Pedaços desconexos de uma antiga lenda invadiram seu centro nervoso, tudo confuso, partes separadas, aleatórias.

Um homem. Um garoto Irtinkwa. Ia atrás de alguém, corria. Chora e é fraco, como os outros de sua terra maculada. Adentra nas “terras reais”, sem saber como chegou. Foge com medo, tenta escapar de algum dos moradores de onde se encontra, não é bem vindo. Escapa para a terra maculada, outra terra. Ele quer algo, não se contenta com a vida que preserva, Irtinkwa são assim. Histórias são feitas, contos sussurrados, ele é conhecido… Uma lenda, um mito. Um perigo.

Só agora sabia, o intruso era perigoso. Ick-renor odiava estar longe de seus companheiros por esse motivo. Tudo ficava mais difícil de entender e memória era algo pouco eficiente. Isso não era problema na maioria das vezes, mas dessa vez fora interrompido em sua coleta. Queria seus amigos, precisava estar com seu bando mais uma vez. Mas, sabia que não poderia voltar. Não agora, não sem destruir aquele que já causara mal para o seu povo. Se voltasse de mãos vazias para sua terra o matariam, seria morto se deixasse o Irtinkwa viver, morreria se não começasse a se mexer.

Não tinha escolha.

O monstro conseguiu se restabelecer e preparou-se então para atacar seu inimigo, sabendo que mataria ou morreria. Aprumou-se para um novo pulo, como o que dera na tentativa de atingir a garota, só que desta vez iria com a intenção de matar e não de mutilar como outrora – fato que tornou possível a criança escapar -. Começou sua investida, crente de que atingiria o alvo, mas, suas garras encontraram apenas o vazio, nenhuma carne, nenhuma vítima, apenas o ar fétido daquele lugar amaldiçoado… Maculado. O intruso havia evitado o ataque, o golpe que o morador das “terras reais” julgara ser perfeito.
À Ick-renor realmente não havia escapatória.

Não foi difícil para o caçador se desviar do ataque da criatura. Muitas vezes antes tivera que fazê-lo para sobreviver. O golpe vinha extremamente rápido e caso o inimigo já estivesse em vôo quando o perigo fosse percebido, poucas pessoas teriam chances de sobreviver à investida sem levar nenhum dano. No entanto, havia alguns sinais – estes já conhecidos por Owen -, que tornavam aquela tentativa de assassinato simplória de se evitar. Por esse motivo, assim que o insano vingador percebeu que seu oponente baixou suas pequenas asas, grudando-as em suas costas, e esticou levemente os braços deformados para trás, soube que era o momento de mexer-se, dando dois pequenos passos para o lado e saindo da linha de fogo do ataque da fada, sabendo que ela não alteraria sua rota em pleno vôo. O caçador observou a criatura golpear o vento e esperou que ela o encontrasse. Em seu rosto não mais havia o sorriso jovial e brincalhão que mantinha no rosto desde que entrara em cena. Não, ele não parecia a pessoa um tanto quanto idiota que demonstrara segundos atrás. Seu olhar era o de um assassino.

A fada farejou o ar e rapidamente virou-se, ainda um pouco confusa. Deu de cara com seu inimigo jurado e sibilou em direção a ele, e, mesmo não conseguindo compreender expressões humanas, achando-os todas iguais, não deixou de hesitar por um segundo diante do olhar sombrio e do ar de seriedade e desprezo que envolvia aquele que caçava seu povo. Assim que pensou em realmente atacá-lo, tirar sangue do desgraçado e vingar a morte daqueles do seu povo que pereceram, já era tarde, pois a pesada bota de Owen havia acertado o seu tórax. A criatura foi projetada para trás, não conseguindo agüentar a força do chute e se chocou dolorosamente suas costas contra a porta do quarto.

Owen se adiantou, sem perder um milésimo sequer, e correu imponentemente, com suas botas pulverizando os cacos de vidros do chão e sua camisa de botão esvoaçando pelo caminho que fazia. Em instantes alcançou o monstro que, devido ao choque, ainda estava um pouco atordoado. A criatura tentou acertar o caçador com uma de suas garras, mas estava tonta e seu golpe foi ineficaz, sendo facilmente evitado pelo adversário. O louco estava empunhando sua “espada”, no entanto não fez uso dela, parecia divertir-se, mesmo que seu rosto mostrasse o contrário, sentia um prazer maligno em lutar contra aquele tipo de criatura e não pretendia matá-la naquele momento, por isso, limitou-se a aplicar uma joelhada onde deveria estar localizada a boca do estomago do monstro, golpe que fez dobra-se sobre a barriga.

O monstro sentia dor, disso Owen sabia. Mas também tinha o conhecimento de que ele era muito mais resistente que um ser humano e que não estava fazendo nada além de irritá-lo e admitia para si mesmo que só conseguia levar a luta daquela maneira porque havia surpreendido seu adversário. Precisaria de mais do que socos e chutes para acabar com a vida de seu inimigo jurado e mesmo sua poderosa pistola precisaria de alguns tiros para acabar com a criatura. Ele estava brincando com o monstro. Descarregando uma raiva que já era parte de sua persona. Queria ver aquilo sofrer, queria fazê-lo sentir o máximo de dor que conseguisse infringir, para então mostrá-lo que morreria ali, naquele mundo que odiava e então trabalhar para que a criatura sentisse o pavor daqueles que sabem que vão morrer. Por isso, chutou mais uma vez o ser na sua frente – desta vez com a ponta de sua bota – e de novo e de novo.

O quarto golpe daquela seqüência não foi tão bem sucedido quanto os outros. A surpresa passara e a fada já estava se situando naquele duelo, começando a resistir aos chutes de Owen, que mal lhe causavam dor, embora tivessem assustado no começo. O pequeno monstro não era um grande estrategista, era dotado apenas de uma inteligência pouco acima do puro instinto, no entanto isso foi o suficiente para perceber que não podia continuar acuado, portanto, assim que notou que mais um ataque vinha, estava preparado. Não teve dificuldades em agarrar o pé do seu inimigo em meio ao chute devido a seus reflexos apurados, então, utilizando a força sobrenatural que sua magia lhe conferia, somando com a vontade de matar e a raiva por apanhar de um ser inferior, empurrou o humano para trás, querendo que ele caísse e lhe desse espaço para se movimentar. O plano funcionou e em instantes Owen se desequilibrava e caía para trás, sendo empurrado pela fada, que já se preparava para pular atravessá-lo com suas longas garras assim que ele tocasse o chão.

Já sabendo do perigo que corria o caçador não se deixou simplesmente cair, isso seria sua perdição. Assim que sentiu suas costas tocando o piso frio do quarto, pressionou seu queixo contra o peito – para proteger seu pescoço e cabeça – e trouxe os joelhos em direção à cabeça, utilizando o impulso da queda para projetar-se para trás em uma cambalhota. O movimento fez com alguns pequenos cacos de vidro penetrasse nas costas de Owen, mas esse foi um preço pequeno, já que tal ato foi necessário para salvar sua vida, escapar do ataque da fada.

Os dois combates fizeram suas peripécias simultaneamente e em velocidades quase idênticas, era como se estivessem numa coreografia, onde o golpe da fada foi acompanhando artisticamente a esquiva do caçador, errando por uma pequena disparidade em suas freqüências.

Quando o monstro aterrissou no chão foi acompanhado de um baque abafado, enterrando então suas afiadas garras – agora decoradas com um pano quadriculado – até a metade no piso, esperava encontrar a carne de seu inimigo, no entanto, em meio ao seu pulo, a única coisa que conseguiu fatiar foi um grande retalho das costas da camisa quadriculada de Owen, denotando que ele havia escapado por pouco e teria sido atingido na região da barriga caso não estivesse em meio à sua cambalhota.

A fada logo percebeu que não havia tirado sangue do caçador e pretendia remediar este fato. Ela voltou sua cabeça para frente, direção a qual sabia que seu adversário havia escapulido e pensou em atacá-lo imediatamente caso ele ainda estivesse se levantando. No entanto, Owen já estava em pé, com sua Sword Cutlass apontada para o focinho do monstro e preparada para atirar. Não conhecendo o poder da arma e nem entendendo o que era aquilo nas mãos do humano, Ick-renor guinchou em direção ao objeto, querendo intimidar seu inimigo.

Owen ainda mantinha lançava seu olhar sombrio para a fada e seu semblante ainda era de escárnio, nojo e ódio, mas quando falou sua voz foi estranhamente apática e não raivosa como seu estado sugeria.

– Eu gostava dessa camisa.

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