Amor ininterrupto
Escritor: Caio Rian
Todos os dias, durante todas as manhãs, Charlie levantava de sua cama coberta por lençóis floridos, ia ao banheiro, lavava o rosto e depois voltava para o quarto. Sentava-se na beira da cama de casal larga e lustrosa, possuía dois criados suspensos pela madeira da cama, um no lado esquerdo e outro no direito, parecendo ser um só móvel. Sentado, ele observava com muita serenidade e apreço um porta retratos que continha uma bela face feminina, uma face quadrada, milimetricamente perfeita. Era sua mulher, no qual vivera metade de sua vida e que já morrera a mais ou menos 5 anos, mas que ainda despertava naquele homem de idade avançada, uma grande paixão.
Após seguir durante todos os dias estas ações, ele geralmente ia a um mercadinho simples que ficava na esquina da rua onde morava. Uma rua tranquila onde todos eram boas pessoas, pacatas e sempre sorridentes. Exceto Charlie.
Charlie vestia-se como se não ligasse para a vida a sua volta, colocava uma camisa surrada qualquer e saia de casa sem se importar com o que os outros pensariam de sua aparência. Ele trancava a porta de casa e seguia pela calçada até o mercado. Ao entrar no mercado, pedia meio bolo de milho, que sempre o estava aguardando, separado dos demais, em uma prateleira ao lado, pois todos que trabalhavam no mercadinho sabiam que ele sempre pediria a mesma coisa ao chegar no balcão.
Com isso, Charlie voltava para sua casa, colocava o meio bolo sobre a mesa e ia para sala assistir a um programa matinal qualquer. Sua sala era empoeirada, com vasos e objetos, cobertos pelo pó, totalmente cinzas. Aquilo parecia não ser limpo desde a morte de sua esposa.
Na vizinhança, Charlie era mau visto. “Aquele velho? Sempre mal educado com todos” ou “Ih, lá vem o chato da vizinhança” era o que diziam sobre ele. Mas ele não se importava, ele nem se quer sabia o que as pessoas falavam dele, só queria seguir a mesma rotina monótona de sempre até o fim de seus dias, sem ser incomodado.
Na manha em que Charlie completaria 87 anos, ele simplesmente não aguentou, seus dias que passara com sua esposa foram incrivelmente felizes, e ele a desejava de volta, ele não sentia mais gosto por continuar a viver.
Charlie ergueu os lençóis que o cobriam, levantou-se da cama e virou-se para a bela fotografia em preto e branco de sua mulher. Naquele momento ele desabou. Seus olhos cansados formavam lagrimas que deciam fulminantes e intensamente reluzentes em seu rosto iluminado pela pálida luz que invadia seu quarto, Sua boca permanecia semi-aberta, como se estivesse sem forças para mantê-la fechada, e suas mãos tremiam ao tentar lentamente pegar o porta retratos. Ao pega-lo, ele o sacolejava, mas com o passar dos segundos suas mãos foram se acalmando, e ele pode tranquilamente acariciar o belo rosto na fotografia. Mas o rosto continuava friamente imóvel, sem nenhuma reação perante ao sofrimento e ao choro gritante do pobre velho. Ele suplicava para que ela voltasse, mas naquele momento, nada se manifestou a seu favor. Ele desistiu, enraivecido jogou o porta retrato contra a parede, transformando-o em cacos. Charlie decidiu ficar em casa naquele dia.
Na manha seguinte lá estava ele, deitado em sua cama, vestindo um terno preto, uma gravata preta com um belíssimo alfinete de gravata em ouro e com um rubi reluzente incrustado na ponta. Estava de barba aparada, sapatos lustrados e com os olhos fechados. Expressava um pouco de serenidade em um rosto que permaneceu durante 5 anos totalmente triste, Mas estava morto. Deitado na cama, um homem com cabelos totalmente brancos, um fino bigode, trajando-se com elegância nunca antes vista por ninguém que o conhecia e com uma marca de bala em sua testa. O que acontecera ali?
Charlie sabia que nunca mais veria sua amada novamente, então resolveu terminar com tudo. Mas estava errado. Na ponta da cama, se encontava uma senhora de cabelos curtos e brancos penteados para traz, ela acariciava o corpo de quem um dia fora o seu grande amor.
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‘Se encontrava’
Desculpem o erro de portugês, eu estava meio cansado quando escrevi o conto.
‘desciam’ –’
Pois é…
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Achei fraco.
-
Muita repetição de palavras, descrições desnecessárias.
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Mas é um começo.
-
=~]
Concordo. Entretanto achei interessante o final, com a amada voltando a vida.
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Achei que faltou também um pouco de emoção. Eu não “senti” a dor do personagem.
É… o final até foi interessante. Mas não teve o efeito esperado, uma vez, como vc disse, que a gente não sentiu a dor do personagem.
vlw pelas críticas, vou tentar melhorar
É realmente importante melhorar, Caio, pois as críticas estão corretas. Contudo, apenas escrevendo muito essa melhora ocorrerá. Continue no bom caminho…