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May
17
2010
Conto em Série

Continue Andando – Parte 1

Escritor: Rodrigo Bravo

Robert Brown, 38 anos. O início do século XXI é uma época extremamente estranha: Ninguém é “nativo” dessa época, sempre existe uma novidade, e a solidão é tão comum, que ninguém mais fala dela.

Robert, ou Rob, ou Bro, ou Doctor, são a mesma pessoa, em épocas ou círculos diferentes, todos compartilhando uma mesma história e buscando o sentido que ligaria tudo. Hoje ele acordou, mais uma vez, acreditando que seria o último dia da sua vida. Errou de novo. Faziam vários meses que não bebia , não fumava, não se drogava, e o mais importante: não lembrava dela. Ontem à noite lembrou.

Hoje a única coisa que lembrava era que tinha tomado uma garrafa de vodka e entrado em um bar barato de um subúrbio qualquer de Lisboa, conhecido alguém tão na lama quanto ele, e acordava agora num motel dantesco, com a mulher nua dormindo ao seu lado em uma poça enorme de vômito. Já tinha acontecido a mesma coisa em 5 continentes, devia ser algum recorde, mas decidiu que dessa vez era a última. Pasou em uma farmácia e comprou uma caixa de calmantes, e completou o kit-suicídio com uma garrafa de bagaceira, decidiu homanegear Portugal, já que ali seria sua última parada. Sentou em um bar tão esquecido e escuro quanto o motel no qual acordou, soltou os comprimidos um a um e empilhou na mesa. Não pensava em nada, o ato era totalmente mecânico. Percebeu uma figura conhecida entrando no bar, não o via a há bastante tempo, mas não teve qualquer reação quando seus olhos se cruzaram. O recém-chegado sentou na adeira em frente:
- Por acaso te chamei aqui ? Robert pergunta sem tirar os olhos dos comprimidos
- Você sabe que sim, Robert.
- Veio assistir meu fim ?
- Vim te provocar…
- HAHAHAHAHA !!!! – Robert gargalha pela primeira vez em meses – Eu sei oque quero, e você não vai me impedir.
- Realmente, eu não vou te impedir. Pode ir atrás dela, eu não vou te segurar…
- Mas eu quero morrer em paz !!!
- Não tem mais coragem? Mesmo sabendo que ela é que te completa nessa vida? Vai desperdiçar mais esta vida, mesmo depois de saber como as coisas funcionam?
- Nosso tempo passou, não vai dar certo…
- Use a memória, Robert, sabe que ainda é possível. Será que agora você passou a quebrar promessas? Eu estava lá quando você jurou que ia amá-la para sempre, e li nos olhos dela que ela acreditou.

Robert luta contra as lembranças, e junto com o último comprimido cai uma lágrima. O demônio na sua frente tem um leve sorriso de vitória no rosto.

Continua…

5 Comments»

  • Lord Jessé says:

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    Sinceramente, acho que faltou algo.
    -
    Intendo que talvez você estivesse com a ideia de não fazer rodeios, mas, ficou faltando algo. Poderia ter ilustrado um pouco mais.
    -
    Devo dizer meu caro que seu conto me lembrou o conto da Daisy, “O vestido”

    • Rodrigo Bravo says:

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      Cara, obrigado pelo toque. Esse foi meu primeiro conto , e pretendo continuá-lo, mas sempre é ótimo ouvir críticas construtivas. Abraço.

  • Gabriel Monteiro says:

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    Sinceramente, não cheguei nem gostar, nem a desgostar do texto. Achei-o meio pequeno, faltou coisas.
    Encontrei uma contradição no conto (ou não). Em um parágrafo está escrito que faziam meses que não bebia, no seguinte ele se lembra de ter tomado vodka na noite anterior.

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    Gostei muito, acho que não falta nada, é exatamente o tipo de leitura que eu gosto. Continue e ficará melhor ainda!

  • rbravo says:

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    Valeu pela atenção Ricardo…..

    Estou terminando uma segunda parte e breve vai estar aqui, espero conseguir concluir a estória toda como planejei …

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