Fronteiras – Prólogo
Escritor: Felipe Lopez
2 de Fevereiro de 1959.
Em algum lugar do Montes Urais – Rússia
Vitálik continuou correndo, mesmo com a neve batendo em seu joelho. Deixava para trás o cheiro pútrido do acampamento destruído e dos corpos jogados. Corria para sobreviver.
Junto dele estavam mais três amigos do grupo de dez estudantes do Instituto Politécnico Ural que trilhavam os Montes. Enquanto avançava com dificuldade, tentava entender o que estava acontecendo, mas tudo do que lembrava era de acordar no meio da manhã com os berros de dor de dois de seus companheiros. Debatiam-se e negavam qualquer tipo de ajuda, Vitálik ainda tentara segurar um deles à força, mas se afastara quando sentiu o calor no corpo do companheiro. Estava em chamas.
Foi quando as vira. Inicialmente pequenas como um globo de vidro, mas logo grandes como uma bola de basquete. Alaranjadas, eram duas e flutuavam sobre as suas cabeças. Despreocupadas. Irreais.
Então houve uma explosão de luz. Veio a dor, o frio e o cheiro podre. De uma hora para outra, Vitálik se viu de cara contra a neve, fora da barraca e sozinho, exceto pela companhia de algo que bruxuleava a sua frente, contra a retina ofuscada pela luz repentina. Era o braço de um casaco.
Cego, tentou diversas vezes puxar o casaco para si, o instinto de sobrevivência apitando. Percebeu, por fim, porque não conseguia se apoderar da roupa. Já havia alguém nela.
A realidade caiu como uma tormenta inesperada sobre ele; se encontrou no meio da neve, uma parte da lona verde-escura da tenda desaparecera por completo, o dono do casaco permanecia imóvel. Morto.
Vitálik não pensou muito a seguir, por algum motivo sabia que aquilo não tinha acabado e se apressou em conseguir roupas para se aquecer. Depois disso, só correu. E continuou correndo quando encontrou com outros sobreviventes e correu mais ainda quando as duas Esferas Laranjas voltaram, muito maiores do que antes, e mais três dos seus amigos começaram a gritar de dor. Mesmo com a neve quase o soterrando e o frio aumentando cada vez mais.
Esgotado, parou e se agachou perto de uma árvore, olhou pelo caminho que seguira e constatou que não percorrera uma distância grande, embora parecesse que passara horas fugindo. Não viu nenhuma Esfera e tampouco ouvia os lamentos das vítimas. A borda da floresta voltara à sua normal paz.
O que é normal? Vitálik se aconchegou o quanto pôde em seu precário esconderijo, tocou o rosto com as mãos, mal o fez e sentiu arder a área tocada. Olhando para as mãos, deparou com um par de mãos gigantes, azuladas pelo frio. Ao mesmo tempo em que sentiu uma protuberância na região do tórax. Com uma das mãos azuis gigantes, apalpou o local e nesse momento sua vista nublou, dobrando-se de dor, lágrimas caíram na neve. Não tinha certeza se chorava pela dor ou por toda aquela situação.
Um brilho tênue se projetou em seus olhos, involuntariamente, deitou-se na neve e virou para o céu; acima dele, as duas esferas flutuavam, na sua contínua serenidade. Elas eram, de fato, apenas algum gás, não havia corpo e a cada oscilação do vento, uma mecha da esfera se deslocava um pouco, para depois se juntar ao amontoado original; a variação de tons alaranjados contrastava o cinzento nebuloso do Montes. Vitálik ficou hipnotizado com a graça dos movimentos das esferas, com toda aquela suavidade…
Seus olhos saltaram as órbitas, pressionou as têmporas com toda a força que suas mãos inchadas podiam exercer. Não conseguia raciocinar, era como se tivesse perdido a capacidade; flash, vozes, sensações. Tudo vinha em uma velocidade inimaginável e se chocavam, formando lapsos incoerentes, não tinha controle do seu corpo. A última fonte de razão sabia que não passaria dali.
Não estava mais na floresta, era uma cidade, embora nada ali parecesse verdadeiro. Uma mulher morena acenou para ele, saindo de um prédio do outro lado da rua, ele acenou de volta, com mãos que não eram suas e um estranho relógio no pulso. Enquanto a mulher se aproximava, Vitálik olhou para o prédio por onde ela tinha saído. Era um arranha-céu espelhado, nunca vira nada assim antes.
Antes que algo mais acontecesse, a cidade, o prédio e a mulher sumiram, deixando Vitálik no vácuo escuro. Curioso, esperou para rever a cidade, mas não voltou a vê-la. Aquela luz nunca mais se acendeu.
Seu corpo foi achado dois meses depois, enterrado na neve, sem nenhum ferimento externo, mas com duas costelas quebradas e o crânio esmagado.
Subúrbio de Genebra – Suíça
2 de Fevereiro de 1989
O homem tirou os óculos e piscou, continuando sentado em frente aos monitores, se recuperando. Nunca será fácil.
Quando finalmente dissipou o reflexo da retina, se levantou e encarou outro monitor, o download estava em 100%. Com um sorriso, apertou um botão e retirou uma pequena mídia em DVD. Parou um instante, olhando a mídia e depois todo aquele equipamento eletrônico a sua volta. Nada daquilo existiria em pelo menos dez anos. Seu sorriso ficou mais largo.
Vestindo o paletó que deixara jogado no encosto da cadeira, se afastou da mesa de equipamentos e saiu do aposento escuro. Deu-se em um hall apertado, com quatro portas em cada canto, da porta da direita vinham música e som de vozes. Seu empregador deveria estar na porta da esquerda, uma carta de baralho riscada era o sinal. Podia entrar.
O próximo cômodo era o oposto de onde estava da sala de equipamentos e do club à frente, era todo mobiliado de forma clássica, com grande predominância da cor de vinho, tanto nas tapeçarias da parede quanto nos tapetes, do outro extremo do aposento, lá estava seu empregador, protegido por sua mesa vitoriana e pela submetralhadora escondida. Era um homem robusto, cabelos grisalhos e traços definitivamente suíços.
- Guten Abend, Herr Gottfried. – Saudou o intruso, Herr Gottfried se limitou em acenar, fazendo um sinal para o outro se sentar.
- Como foi sua incursão aos Montes, Herr Liv? – Perguntou Gottfried, entrelaçando os dedos e olhando de soslaio para Liv.
- Bem produtiva, senhor – Ele colocou a mídia em DVD sobre a mesa, com cuidado. Gottfried se mostrou satisfeito.
- Tem certeza do lugar onde vai ocorrer a troca?
Herr Liv sorriu, os olhos brilhando.
- Certeza absoluta , Herr Präsident.
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MINHA CABEÇA EXPLODIU! Foo Fighters na área? Experiências do governo? Atividades Paranormais? Ou estou lendo FRINGE ou X-FILES?
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Muito bom! Aguardo continuação ANSIOSAMENTE!!
Heei Rainier!
Obrigado pelo comentário e que bom que você gostou!
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Fringe me serviu de insight para escrever, depois de Lost, é minha série preferida xD
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Quanto a uma continuação, tentarei fazer alguma coisa durante essas semanas, mas como são semanas de prova, vai ficar meio complicado escrever ^^
Fala a verdade nem lii nada shauhsua só seii qii vii oo doidãoo doo LOPEZ akiie ii queria mandar uma abrass para tii mlk bjão doo seu truta akie sem muita viadagem ok
uhm.. tá. Mas eu acho que você errou de pessoa.
E de conto, será que não quer comentar no O Teste do Vampiro?