Só Uma Noite de Verão
Escritor: Caio Rian
O telefone pegou-a de surpresa. Atendeu com impaciência, os olhos presos a um livro que tinha nas mãos, uma história policial que não conseguia parar de ler. Era bom estar sozinha, lendo um livro de suspense numa noite de ventania. O sábado já estava quase no fim e ela ali, presa aquelas páginas. O som do telefone era uma intromissão, um estorvo. Atendeu a contragosto. Uma voz rouca sussurrou friamente a palavra morte, fazendo-a se arrepiar. Desligou o telefone totalmente apavorada, não sabia o que fazer, o que pensar. Respirou fundo e em sua mente concluiu que aquilo não passava de uma brincadeira boba.
Voltou a ler o livro calmamente e com o passar das paginas, foi se sentindo cada vez mais dentro da história, tornando-a mais realista e intensa.
O telefone tocou novamente. Ela atendeu receosa. Era só a sua tia pedindo para que ligasse a TV no noticiário, pois segundo ela, era importante. Despedriram-se e em seguida ligou a TV. O jornalista alertava para fuga de um criminoso molestador e logo ela notou a semelhança entre o livro fictício e a vida real, pois no livro, a personagem principal perseguia também um criminoso molestador.
Ela rapidamente tratou de fechar a porta e as janelas, desligou a TV, acalmou-se e retomou a leitura.
Seus olhos começaram a pedir descanso, ela fechou o livro e foi atender a campainha que acabara de ser tocada. Olhou pelo olho mágico e o corredor do prédio onde morava estava vazio, não havia ninguém e o único movimento captado era de uma lâmpada velha que piscava continuamente. Ela pensou, “Devo estar pirando, é o sono” e se dirigiu para o sofá onde tirou uma bela soneca.
Acordou cansada, o relógio marcava 03h00min da manha e percebeu que dormira 04h00min seguidas. Levantou-se. Tudo estava apagado, ela andava descalça e com um medo inconsciente de alguém agarrá-la no escuro enquanto ia para o seu quarto.
Chegou segura até ele, iluminada pela luz pálida da lua, deitou-se na cama e pensou, “Que mente fértil eu tenho, melhor dormir logo, pois amanhã acordarei cedo e não quero mais paranóias em minha cabeça!”. Mal sabia ela, que em sua janela, um homem de cabelos negros e desgrenhados, com olhos horripilantemente arregalados e um sorriso maléfico a observava através do vidro na penumbra daquela noite quente de verão…
5 Comments»
RSS feed for comments on this post.








Espírito do Século. Novo RPG Pulp da RetroPunk já entrou em pré-venda!
Editora UNZA RPG estreia com suplemento GOBLINS em campanha para OLD DRAGON!
Alan Moore pede que leitores de Before Watchmen nunca mais leiam obras de Alan Moore
Papo na Estante 34 – Prêmios Literários
Papo na Estante 33 – Literatura de Entretenimento
Show, Don’t Tell ou Mostre, Não Diga.
Occupy Comics: Alan Moore e David Lloyd colaboram
Resenha do livro "O estranho mundo de Tim Burton"
Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida 


Poizeh… não há impacto. O conflito apresentado no inicio se realiza como o esperado.
É realmente.
-
Faltou aquele TCHARAM!!!
Igual ao teu outro conto, não senti o medo da personagem, o suspense do ambiente ou qualquer outra coisa.
Faltou alguma coisa, mas tá legal! tudo bem que eu comecei a ler pq o titulo me lembrou “Sonho de uma Noite de Verão”, logo esperava algo do genero, mas tá bem bacana.
concordo com o sanchez,ta legal mas falta alguma coisa e eu tb comecei a ler pq me lembrou ¨Sonhos de uma noite de verão¨