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Jun
04
2010

Vermute Baby

Escritor: Thomaz Lucas Alves

I

O bar.

Do lado de fora, o néon brilha.

Dentro, a mulher espera.

No balcão.

Põe o cigarro na boca.

Acende.

Fuma sorrindo.

Solta uma arfada de ar.

A fumaça é expelida.

Desvanece.

Outras pessoas bebem no bar.

Ela olha.

Para.

Pensa.

Está se arrastando entre bêbados.

Como um corpo amorfo.

Vira-se para o barman.

Faz um gesto com os dedos.

Pede.

Mulher  – Um Vermute.

Barman – Certeza?

Ela se inclina para frente.

Repete.

Mulher – Vermute.

Barman – Ok.

Ele destampa a garrafa.

Pega o copo.

Despeja a bebida.

Põe no balcão.

A mulher olha o copo.

Segura.

Ergue.

Leva a boca.

Bebe de um gole só.

Desce pela garganta.

Queima.

Arde.

É um gosto acido.

Forte.

Penetrante.

Ela faz careta.

Engasga-se.

Tosse.

O barman dá um sorrisinho.

É de desdém.

Um sorriso estilo “eu sabia”.

Ou “mulher não agüenta beber”.

Ela não gosta.

Bate o copo na mesa.

Com um sorriso de canto de boca, pede.

Mulher – Mais.

O barman balança a cabeça.

Sorri em contragolpe.

Torna a encher o copo da mulher.

Ela torna a beber de um único gole.

Na segunda vez não queima tanto.

Esforça-se para não fazer careta.

Não engasga.

Torna a pedir.

Ele torna a encher.

Ela dá outra tragada no cigarro.

Longa.

Olha em volta.

O chão é de madeira.

As paredes são vermelhas.

Cartazes de filmes antigos decoram o ambiente.

Desbotados.

Pessoas bebem em mesas ao fundo.

Outras tentam dançar ao som da Jukebox.

Rock.

Anos 80.

Tosco.

As pessoas dançando, são toscas.

Solta um longo suspiro.

Observa a fumaça que sai da própria boca.

Do fumo.

Doses e mais doses de vermute.

A mulher sente-se cansada.

Prisioneira.

Lamenta.

Uma completa ausência de atitude.

Está ali, no bar.

Bebendo vermute.

Bebida ruim.

Pensando.

Na vida.

Na sua merda de vida.

Também.

No merda do chefe.

Babaca.

Não agüentava mais analisar papéis.

Aqueles papéis malditos.

Da Agência.

O Chefe sabia.

O Puto sabia.

Depois de dezenove horas de trabalho.

Ininterruptas.

A boca.

Começa a salivar.

A cabeça deixa de funcionar.

Passa a funcionar no automático.

Trabalhando sem pensar.

Dezenove horas ininterruptas.

E o babaca saiu de sua sala.

Precisa dela “por mais duas horas”, pois “o cliente cobra o relatório”.

Vinte e uma horas.

Sem parar.

Foda-se o cliente.

E o relatório.

E o emprego.

A merda do emprego.

Justa causa “sua lunática”.

Foi o que ele disse.

Ela respondeu.

Pegou-lhe o teclado e abriu-lhe o nariz.

O puto sangra.

O emprego dança.

II

No agora.

Ela bebe.

Pede mais.

Então percebe.

O fim do som da Jukebox.

O fim da música.

Silêncio

Pessoas conversando.

Ela ouve.

O barulho.

Zumbido.

Um zumbido intermitente.

Parece um sibilar.

Escuta.

O barulho fica lá no final do ouvido.

Zzzziiimmm.

Irrita.

Qualquer um.

Irrita.

Deve espantar quase todo mundo.

A mulher olha ao redor.

Procura a fonte do zumbido.

Sorve o último gole de vermute.

Vê a luz azul.

Do néon.

Deve ser dali, o barulho.

Faz cara feia.

Revira os olhinhos.

O barman nota.

Pergunta.

Barman – Algum problema?

A mulher vira devagar.

A cabeça não está boa.

Estreita os olhos.

Mulher – Como?

Barman – Eu perguntei se há algum problema.

Mulher – Comigo?

Barman – Sim.

Mulher – O que te faz pensar que eu tenho algum problema?

Barman – Pelo jeito que a senhorita bebe vermute sem parar…

Mulher – Uma mulher não pode sair para beber?

Barman – E pelo jeito como olhou lá para fora.

Mulher – Que jeito?

Barman – Desgosto.

Mulher – Desgosto?

Barman – Isso.

Ela revira os olhos.

Torce os lábios.

Ele ri.

Discreto.

Mulher – Seu néon.

Barman – Minha placa néon?

Mulher – Me deixa desgostosa.

Barman – Sério?

Mulher – Você tem que dar um jeito nessa luz néon.

Barman – Por quê? O que há de errado com o néon?

Mulher – Esse tom de azul é uma desgraça.

Barman – Eu gosto do azul.

Mulher – Acho de gosto duvidoso. Sério.

O barman suspira alto.

Contrariado.

A mulher estende o copo.

Ele torna a encher.

Barman – O que tem contra azul?

Mulher – Sério. É feio.

Barman – Você acha mesmo?

Mulher – Aposto que usa há anos a mesma luz.

Mulher – E tem o barulho. Esse zumbidinho é irritante.

Barman – Ha! Ha! Ha! Ha!

Mulher – Irrita qualquer um, porra.

Barman – Acho que a senhorita bebeu demais.

Mulher – Porra.

Torna a virar o copo.

Engole.

O barman ri.

Oferece a garrafa.

Nisso, a porta se abre.

Um moço entra.

Carrega um violão.

A mulher vira o corpo para olhar.

É um babaca, pensa.

Poucas coisas a irritavam tanto quanto um babaca com um violão.

Barman – Ele toca aqui quase todas as noites.

Mulher – Sei.

Barman – Ele é legal.

Mulher – Duvido.

Ela espera.

Paciente.

O moço prepara seu violão.

Em uma mesa do canto.

Afina.

Faz barulho.

Ajeita o microfone.

A caixa.

A mulher acende outro cigarro.

Exala a fumaça pelas narinas.

Ele começa a dedilhar.

Toca.

Renato Russo.

Merda.

Ela pensa.

Já teve um apreço por ele.

Hoje não tem mais.

Seus acordes simples instigam os idiotas a imitá-lo.

Isso é uma droga.

“Tempo perdido” foi um tempo perdido.

A mulher ri, pela ironia.

HA! HA! HA! HA!

HA! HA! HA! HA!

Mulher – Dá mais um vermute aí!

Ele atende ao pedido.

Ela bebe.

Fuma.

Eles se olham.

A mulher e o barman.

Inclina-se para frente.

Sorri.

Ela devolve.

Discretamente.

Barman – Então. Por que riu agora a pouco.

Barman – Pela música?

Mulher – Não foi nada.

Barman – Vamos, me conte.

Mulher – Piada pessoal. Deixa pra lá.

Barman – Tudo bem. Se não quer falar…

Alguém o chama.

Ele atende.

Serve uma tequila.

Mulher – E então? Quem é o dono?

Barman – Do bar?

Mulher – É. Do bar.

Barman – Um paulista.

Mulher – Paulista?

Barman – É. Se mudou da capital para vir trabalhar aqui.

Mulher – Deixou São Paulo para montar um bar aqui?

Barman – Ao que parece sim.

Mulher – Ele não fica aqui?

Barman – Só às vezes.

Barman – Por quê?

Mulher – Nada.

O cara do violão muda de música.

Outra vez Renato.

Ela dá uma tragada.

A última.

Coloca o cigarro no cinzeiro.

Amassa.

A ponta explode em brasas mínimas.

A mulher observa.

Direciona o olhar para o balcão.

Fala.

Mulher – E você. É daqui?

Barman – Sim. Desse bairro mesmo.

Mulher – Sério?

Barman – Sério.

Mulher – Legal.

Barman – Quando eu era moleque…

Ele faz uma pausa.

Serve a si mesmo, uma cerveja.

Bebe um gole rápido.

Barman – Isso aqui era um descampado.

Mulher – Nossa.

Barman – É. Mas mudou muito. Hoje só tem puta.

Mulher – Não gosta de puta?

Barman – Deteriora o bairro.

Mulher – Sei.

Barman – Tem o bar também.

Ele ri.

Bebe outro gole de cerveja.

Prepara algo para outro cliente.

Mulher – Tem você também.

Barman – Ha! Ha! Ha! Verdade.

Ela pensa que também era puta.

Por que puta é todo mundo que se fode fingindo sentir prazer.

Não é uma definição brilhante.

Mas fazia sentido.

Ela se fodia no emprego.

Fingia que gostava.

Não era verdade.

Agora bebe.

O violão continua soando.

Renato deve estar revirando a caveira.

No túmulo.

Explora a paciência da mulher.

Ela olha o bolso.

Pega a carteira.

Abre.

Pega uma moeda.

Levanta.

Anda.

Passa por um bêbado.

Um homem com uma bunda gorda em uma cadeira minúscula.

Uma moça loira conversa.

O rapaz do violão toca absorto.

A mulher chega a Jukebox.

Olha as músicas.

Escolhe uma.

Põe a ficha olhando para a cara do moço do violão.

Digita um número.

Toca.

“Good Love, Bad Love”.

Eddie Floyd.

Musica soul.

Meio balada.

A Jukebox grita.

A mulher dança.

Devagar.

Discreta.

Rebola.

Enquanto caminha de volta ao balcão.

Rebola.

A cabeça não está boa.

Levemente tonta.

Ou bêbada.

Pega o copo.

O moço do violão para de tocar.

Olha para a mulher com cara inquisitiva.

Levanta-se.

Vai desligar a Jukebox.

A mulher devolve um olhar.

Bravo.

De provocação.

Faz sinal com o copo e a cabeça para que não desligue a musica.

Outras pessoas embalam na música.

O moço e seu violão desistem.

Tornam a sentar.

Contrariado.

Decepcionado.

Finge que não liga.

Faz sinal para o barman.

Pede cerveja.

Ele atende.

Ela Bufa.

Sua cabeça está ruim.

Agora suas costas também doem.

Ela dá graças a deus por parar de ouvir o idiota com violão.

Bebe.

Pensa.

É a última dose.

Olha.

O barman volta.

Ela gira a cabeça para diminuir a dor.

Não adianta.

Confunde ainda mais a cabeça.

Faz uma careta.

Sente-se como se estivesse balançando.

Em um barco.

Mas não está.

O barman percebe.

Barman – Você está legal?

Mulher – Estou.

Barman – Acho que está na hora de parar.

Mulher – É. Pode ser.

Barman – Mas afinal, veio aqui só para beber?

Mulher – E se for? Não posso?

Barman – Puxa! Não me entenda mal.

Barman – Mas não é todo dia que uma mulher entra aqui, bebe a noite inteira sozinha e depois vai embora.

Mulher – É?

Barman – É. Digo… Você veio aqui por outro motivo, certo?

Mulher – É, pode ser que sim.

Barman – Quer me contar?

Mulher – É um dilema.

Barman – Dilema?

Mulher – É.

Barman – Você está aqui por causa de um dilema?

Mulher – É. Isso.

Barman – E o que seria esse dilema?

Mulher – Tenho pensado na hipótese de me suicidar.

Barman – Como?

Mulher – Minha vida é uma merda.

Barman – É sério?

Mulher – Sério.

Barman – E veio para cá para se matar?

Mulher – Veja. O dilema em si, não é o suicídio.

Barman – Não?

Mulher – Não. Essa é a parte fácil.

Barman – Fácil?

Mulher – É. Um único tiro.

Mulher – Ou estricnina. Ou veneno de rato. Tanto faz.

Barman – Meu deus! Você está falando sério!

Ele passa uma das mãos pelo cabelo.

Apóia-se no balcão.

Olha bem para a mulher.

Barman – Mas… Por quê?

Mulher – Minha vida é uma merda.

Mulher – Mas não é fácil se matar.

Barman – Sim! Claro. É uma decisão muita drástica. Tem que se pensar muito…

Mulher – Todos os caminhos levam ao suicídio.

Barman – Hã!?

A Mulher leva os dedos próximos à cabeça.

Fecha os dedos.

Deixa o indicador e o polegar esticados.

Como uma arma.

Sorri.

Mulher – Qualquer dia desses, fffuuufff. Acabou.

Ela abaixa o polegar.

Como um gatilho.

Inclina a cabeça para o lado.

Língua para fora.

Ri.

O barman arregala os olhos.

Mulher – Brincadeira.

HA! HA! HA! HA!

HA! HA! HA! HA!

Mulher – Só estou brincando.

Barman – Você bebeu demais.

Mulher – Estou aqui por outro motivo.

Barman – Outro.

Mulher – Hoje tenho contas a acertar.

Barman – Acertar contas com quem?

Mulher – Deve ser por isso que estou bebendo tanto.

Barman – Quem?

Mulher – Quando ele chegar, vou chamar seu nome. Vou me aproximar.

Mulher – Vou olhá-lo nos olhos. Vou dizer para ele tudo o que eu tenho engasgado aqui.

Fez um gesto em direção a garganta.

Barman – E então, vai matá-lo?

Mulher – E vou matá-lo porque ninguém faz isso comigo e fica como se nada tivesse acontecido.

Barman – E o que fizeram com você?

Mulher – Não aceito mais que pisem em mim.

Barman – Você bebeu muito. Não fala coisa com coisa.

Mulher – Eu cansei de deixar que pisem em mim.

Barman – Quer que eu chame um táxi para você?

A mulher olha para o barman.

Faz cara de deboche.

Ri para dentro.

Mulher – Mais um vermute.

Barman – Olha… Você já bebeu demais. Eu acho…

Mulher – Outro vermute.

Ela bate o copo.

O barman, contrariado, enche o copo.

A mulher bebe.

O tempo passa.

Ela olha no relógio pela primeira vez na noite.

Está ficando tarde.

Espera.

A Jukebox se cala.

Alguns clientes vão embora.

A porta abre.

O sinete faz barulho.

Um homem entra.

Alto.

A mulher se vira.

Vê.

O sangue ferve.

Pisca.

Sorri.

É ele.

Finalmente ele chegou.

Demorou.

Mas veio.

Ela sabia que ele estaria ali.

O babaca sempre vinha ali.

Já havia falado.

O babaca.

O puto.

Sacana.

Chefe.

Dezenove horas.

Ininterruptas.

Chamou-a de lunática.

Ele vai pagar.

Levanta do banco.

Fala.

Mulher – Melhor se afastar.

Barman – Como?

Mulher – O babaca chegou.

Ela estufa o peito.

Vai andando em direção ao homem que entrou.

Grita.

Mulher – Ei!

O homem continua andando.

Vai à direção da mesa.

Os poucos clientes do bar nem se percebem.

O moço do violão se levanta.

Pensa que é com ele.

Mulher – To falando com você seu merda!

O homem se vira.

Finalmente percebeu.

Seu rosto se contorce em espanto.

Dura um segundo.

O bar todo se cala.

O moço do violão percebe que não era com ele.

Mulher – Que palhaçada foi aquela de me chamar de lunática?

Mulher – Seu filho da puta!

Ela puxa da cintura, uma arma.

Revolver.

Trinta e oito.

Estava debaixo da jaqueta.

Exibe.

Aponta para frente.

O homem fica atônito.

Os olhos arregalam.

Como por instinto, levanta as mãos.

Para cima.

Balbucia palavras.

Muito baixas.

Não dá para ouvir.

A mulher dá um passo para frente.

O cano da arma encosta na têmpora do homem.

Frio.

Mulher – Quem é a lunática aqui, seu filho da puta? Hein? Diz pra mim.

Avança.

Empurra o homem.

Ele esbarra em uma mesa.

Um copo cai.

Quebra.

Cacos de vidro se espalham pelo chão.

Ela pisa em cima.

Mulher – Está assustado, seu babaca? Hein otário?

Mulher – Nunca viu um desses, não!

O cano da arma faz pressão na cabeça do homem.

Ele fecha os olhos.

As pessoas em volta ficam paradas.

Estarrecidas.

Algumas se levantam.

O barman não se mexe.

Mulher – Está vendo o brilho dela? Comprei! Novinha em folha. Com o dinheiro que você me pagava. Seu dinheiro. Você pagou pela arma que vai te matar!

Mulher – Quem é a lunática agora? Quem é a vagabunda? Otário!

Ela empurra novamente.

O homem cai em cima da mesa.

Garrafas e copos quebram.

O rosto se torce de desespero.

A boca treme.

Tensa.

Os olhos da mulher queimam.

Raiva.

Inclina-se.

O cabelo cai sobre o rosto.

O trinta e oito faz pressão.

Mulher – Seu merda! Ajoelha.

O homem não se move.

Treme.

Caído sobre a mesa.

Geme.

Ela agarra o colarinho.

Puxa.

Gruda o rosto no dele.

Mulher – AJOELHA, MERDA!

Ela faz força.

Torce a camisa dele.

Ele fecha os olhos.

Com dificuldade, se move.

Vai para o chão.

Ajoelha.

Os braços erguidos.

A boca está meio aberta.

A baba escorre.

Geme.

Ela ri.

Diabólica.

Deliciada.

Mulher – Pede desculpas, seu cagão! Cagão de merda!

Mulher – Pede desculpas!

Treme.

A arma treme.

O homem também.

A baba escorre pelo queixo.

A boca se move.

Os músculos da face ficam tensos.

Chefe – Des… De… Desculp… Desculpa!

Mulher – Como? Não consigo ouvir!

Chefe – Desculpa! Desculpa!

Mulher – Ainda não estou ouvindo! FALA!

Chefe – DESCULPA!! PORRA!

Mulher – Olha só… Agora ta mansinho, né seu puto?

Mulher – Encosta a cara no chão! Deita!

Ele obedece.

Nervoso.

Encosta o rosto no chão.

Molha-se com a própria baba.

A mulher ri.

Deixa as costas eretas.

Segura o trinta e oito com as duas mãos.

Põe-se imponente.

O baman se aproxima.

Pede calma.

Outras pessoas pedem o mesmo.

Gesticulam.

O moço com o violão se aproxima.

Mulher – Você! Fica ai! É melhor tocar algo.

O rapaz estaca onde estava.

Com medo.

Vira para o lado.

Procura o barman.

Mulher – Toca logo, porra!

Não sabe o que fazer.

Segura o instrumento.

Posiciona.

Tenta tocar.

Não consegue.

Erra.

Acorde errado.

Trouxa.

Assusta-se.

A mulher olha para ele.

Raiva.

Ele tenta de novo.

Não consegue.

Bang!

Bang!

Tiros.

A arma foi disparada.

Para o alto.

Lascas do teto caem.

Poeira.

Todos ficam congelados.

Medo.

O moço com o violão se abaixa.

O barman pede calma.

Mulher – Todo mundo para o chão! Para o chão.

Mulher – Eu atiro em quem chegar perto.

Barman – Calma! Abaixa a arma! Não precisa fazer isso!

Mulher – Eu disse pro chão! Pro chão!

O barman obedece.

Todos obedecem.

No chão.

A mulher aponta a arma de volta para o chefe.

A cabeça está ruim.

Tudo balança.

As costas doem.

Ela pisa sobre o homem ao chão.

Seu alvo.

Ele sente dor.

Chora.

Mulher – Isso. Bebezão! Chora! Chora!

As lágrimas rolam.

Ele chama por deus.

Mulher – Me diz se é bom sentir o cheiro do chão. E a minha bota? Tem gosto bom? Tem?

Ele chora.

Ela puxa o cão da arma.

Prepara-se.

Mulher – Diz seu merda. DIZ PORRA!

Mulher – TÁ SURDO, CARALHO? Caralho!

Ele implora.

Pede desculpas.

Chora.

Mas não diz o que ela quer ouvir.

A musica para os ouvidos dela.

O gosto da sola da bota.

O cheiro do chão.

Os cacos de vidro cortando a pele.

Mulher – Agora olha bem pro meio desse buraquinho. Bem no meio dele. BABACA!

O suor escorre de seu rosto.

A baba do homem se mistura com a sujeira do chão.

O vidro perfura.

Dor.

Ela tenciona os braços.

Segura a arma com firmeza.

O trinta e oito não treme mais.

Ela ri.

Nervosa.

Os outros estão no chão.

O homem sussurra.

Reza.

Implora.

A mulher não se importa.

Ignora.

Prepara.

Respira fundo.

Olha fixo.

Segura o fôlego.

Puxa o gatilho

BANG!


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6 Comments»

  • Andrey Ximenez says:

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    Kra… embora longo gostei bastante.
    -
    Sem falar que fica a dúvida se ela matou o cara ou se matou, para assim fuder ainda mais com a cabeça do chefe
    -
    Mt bom msm!

  • Thomaz L. Alves says:

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    Obrigado. Mas eu confesso que não havia notado que estava muito longo. ^^

  • Thainá says:

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    muito bom mesmo.:)

  • Samila says:

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    MUITO bom
    olha que eu tenho tendência a não gostar de personagens femininas, mas essa me encantou, talvez pq eu tenha visto uma boa parte de mim nela…
    Gostei bastante da trama, e por alguns momentos eu me vi dentro daquele bar, conversando com o barman, beberno absinto (não gosto de vermute)
    e como o Andrey disse, a icognita do final ficou ótima
    parabéns

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