All That Jazz
Escritor: R. Báthory

- E há quanto tempo isso?
- Um mês mãe.
- Um mês?! E quando você pretendia nos contar?
- Logo mãe, logo.
- Logo quando? Quando?!
- Assim que eu tivesse um dinheirinho para ajudar aqui em casa.
- Um mês… Então foi assim que você conseguiu dinheiro para pagar a parcela da hipoteca da nossa casa?
- Foi. Viu só mãe, esse dinheiro vem só para ajudar!
- Sim, mas olha maneira que você achou para botar dinheiro dentro de casa!
- Melhor do que o emprego na farmácia!
- Melhor? – quem falava agora era o pai – Melhor! Diga-me quem vai querer casar com você agora que você fez o que fez!
- Papai, já estamos em 1948…
- E? Não mais lhe respeitará! E o que dirão os vizinhos ao saberem!
- Os vizinhos! – disse a mãe com lágrimas nos olhos sentando-se em uma cadeira.
- Papai, mamãe… Eu só estava querendo ajudar aqui em casa…
- A casa é minha e eu posso sustentá-la sozinho!
- Ora que mentira! Sempre está fazendo dividas papai! E a hipoteca!? Você ficou muito agradecido com o dinheiro que eu lhe emprestei!
- Aqui está! Eu lhe devolvo! – gritou o pai atirando notas na filha – Eu não vou aceitar dinheiro de… Dinheiro de uma…
- Uma o quê? Diga! Vamos!
- Você não é minha filha!
- Fale pai, diga! Assuma que sua filha é uma vedete melindrosa!
O pai deu-lhe um tapa no rosto.
- Nunca mais repita essa palavra sobre meu teto!
- Parem! Parem! – pedia a mãe chorando – Peça desculpas para a sua filha!
- Eu não tenho filha!
- Tem sim! Peça desculpas!
- Você – disse o pai à filha -, quero você fora da minha casa!
- Não! – chorava a mãe – Filha minha mora comigo até casar!
- Entenda mulher, ninguém mais vai querer casar com ela! Você acha que Harry vai querê-la depois de saber do que ela fez?
- Quer dizer que se eu quiser ajudar em casa eu tenho que casar com um ricaço ao invés de trabalhar?
- Não seja tola! Você tinha um bom emprego na farmácia! – dizia o pai de costas para que sua filha não visse suas lágrimas.
- E eu ainda posso casar com outro…
- Há! – riu o pai virando-se para ela – Você acha mesmo que alguém vai querer casar com uma mulher que viveu em meio à bebida, homens e jazz?
- Você está enganado pai. Eu não vivi em meio a homens e bebida. Eu vi em meio a gim gelado, piano quente, diversão e jazz!
Sua mãe desmaiou.
- Suma da minha casa agora!
Ela se levantou, pegou a sua pequena mala que havia sido feita assim que ela voltara para casa após ver seu pai no clube e saiu de casa para nunca mais voltar. Nove meses depois viu no jornal a noticia de que seus pais tinham uma nova filha…
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Gostei. O final é surpreendente, embora leve.
=]
Eu não vi necessidade de um final mais pesado. E que bom que tu gostou! fico feliz
Bem, sei lá. Gosto de descrições, talvez tenha faltado alguma, embora a ausência delas traga uma fluidez. Mas questão de gosto, no geral, está interessante, só não entendi muito bem.
Legal demais. Gostei bastante, mas se eu não estiver enganada, vai uma correção para o trecho “essa palavra sobre meu teto”. Não seria melhor sob o meu teto? Fora isso, achei seu conto muito interessante.
simsim! ^^ e tmb não seria “essa palavra” já que vedete melindrosa são 2!! erros de digitação! #sorry!
Legal! O texto flui fácil e rápido, mas senti falta de alguma coisa,só não sei explicar bem o quê. Final ótimo.
Obrigado! Eu realmente fico feliz que tu tenha gostado!
muito fluído, conseguiu o efeito todo graças aos diálogos diretos e palpáveis…
gostei muito *-*
se não fosse pelo título, acharia que o conto era atual, e a moça tinha se prostituído…
é bom ver o puritanismo das gerações passadas… e pensar: que bom que está acabando, mesmo que aos poucos…
tem certeza que é bom o fim do puritanismo de entigamente? (falou agora o grande fã das décdas de 20, 30 e 40!)
-
E bem, ela meio que era prostituta né.. vedetes não eram puras…
Que maldade, pô… não fala assim das vedetes, pô…
eu pelo menos sou muito fã das pin-ups! XD
Sim, eu tmb sou muuuuuito fãs de opun-ups (tenho uns 5 botons), mas ainda assim a gente tem que admitir que elas não eram nada santas! Ou pelo menos a sua grande maioria!
Causa um efeito legal até a metade do conto, sem ler o título, tu te perde pensando “O que diabos essa menina fez?”… Ai quando vêm a data e a verdade, mais pro fim, fecha muito bem e é engraçado por não se parecer com nada do que tu imaginou antes. Achei legal esse jogo de sensações.
Mas acho que faltou a cereja no final, sei lá, parece que o fim ficou devendo um pouco.
Mas parabéns, baita conto…
Se tu tiver uma ideia pra ser a cereja, me avisa, pq como disse meu professor Charles Kiefer, um texto só fica pronto quando o autor morre, até lá ele pode e deve ser lido, relido e reescrito em alguns pontos.
Pior é que como nossos estilos são totalmente diferentes, minha concepção de cereja seria um escarro sobre a tua obra…
Não me entenda mal, adorei o conto. Só acho que não me senti inteiramente completo ao fim dele.
A minha ideia no final foi que os pais dela teriam tido um outra filha, como que para substituí-la e, quem sabe, casar-se com algum ricaço…
-
Mas cada um tem direito a interpretação que quiser!
A tua intenção ficou clara ao final da conto…Talvez o que tenha me desagradado foi a simplicidade da troca, do recomeço… E talvez fosse justamente essa a tua intenção com o conto, mostrar a simplicidade para se esquecer…
Enfim, eu adorei o conto, achei que pro meu gosto o final teria sido diferente, mas ainda assim, um dos grandes contos do ONE…
Viva os comentários!
.
Se não fosse por eles, não teria entendido o que o texto tenta passar. Talvez porque eu não soubesse exatamente o que é uma “vedete melindrosa” ao ler pela primeira vez (viva os sites de busca tb).
.
Tá legal, bem escrito. Como em tudo que leio, gostaria de saber quem conta a história. Do ponto de vista de quem estamos observando?
Obrigado pelo elogio!
-
Bem, quem conta a história é ninguém, tipo, é como se tu estivesse ali parado olhando… ou foi o que tentai fazer pelo menos! ;P
Eu entendo-te Hioto, torna-se confuso quando nos põe no meio de um diálogo e o narrador não é ninguém de especial. Mas neste caso acho que é um de terceira pessoa que não interfere com a história.
—
O texto está sublime, o diálogo flui muito levemente e diz exactamente o que seria preciso. Quem me dera poder escrever diálogos assim! O fim é mais que tudo surpreendente, apesar de o que ela tinha feito ser já bastante claro, com tanto alarido e com o dinheiro. A ideia de eles terem outra filha deixou-me com uma leve ideia de que tudo aparenta ser possível de substituição. O título, por outro lado, pode não ter sido o melhor. Eu só vim agora ler, e foi porque, bem, comecei recentemente a gostar de jazz!
—
De facto um conto excepcional.
Puxa… muito obrigado! Fico muitissimo feliz que tu tenhas gostado! Afinal, por que escrever se não tiver quem goste?
Se eu não conhecesse e apreciasse jazz, apostaria mesmo na prostituição. A ambiguidade dos diálogos conduz bem o texto e surpreende aos menos informados. Final simples e cabível; real penso eu.
Gostei.. diálogos fortes.
–
Mas.. não entendi no jornal. Pq estava no jornal que os pais tiveram uma nova filha?!
Tipo anuncio de nascimento, sabe… A ideia era mostrar que eles a substituiram…
A filha descobre que o pai não é o santo que aparentava. A mãe não resiste às respostas da filha. A filha trabalha em um jazz club.
Diálogos rápidos e eficientes. Boa história, sem dúvida. Parabéns.
Contudo, do mesmo modo que o Guns, fiquei sem entender a notícia sobre a nova filha.
Esta hipocrisia característica de famílias americanas de muito tempo atrás (nem tanto, nem tanto tempo assim) fica muito bem retratada aqui. A substituição da filha vedete, por uma outra, chega a ser cruel. Adorei!
A sociedade norte-americana (american way of life) é uma das mais racistas e hipócritas do mundo… até os dias atuais. Não há muita diferença do que lemos para o que se vive atualmente. New Orleans foi dizimada e teve que esperar dias por apoio do governo (cidade de maioria negra). Os latinos recebem cargos para que todos pensem estar integrados à sociedade, mas as fronteiras do país são isoladas por cercas elétricas e muros gigantes, além da vigia de fronteira 24 horas. A vedete do conto pode ser substituída pelo imigrante que busca a sorte ou o pobre que é visto como lixo pelos mais abastados. A hipocrisia vai desde o banco destinado a gordos (IMC acima de 30) mas sem qualquer mudança no espaço para transitar no ônibus, até o abrigo para moradores de rua. Tudo, podem acreditar, é apenas um “agrado” para os marginalizados (à margem da sociedade) e os excluídos, dando uma falsa sensação de proteção e atenção. Esta política de “aceitação” jamais será suficiente para os que buscam uma vida honesta e produtiva, ainda que não tenham tido oportunidades de progredir.
A verdade é que o abandono pelos pais radicais. A falsidade dos que fingem que nos aceitam. O almoço por 1 (um) real. O governo que obriga os colégios a aprovarem um aluno sem rendimento escolar. A cota para negros (ao invés de cota para pobres). Enfim, todos estes “cala-boca” são apenas subterfúgios destinados a tirar nossa atenção da realidade. É uma Matrix cruel (e real).
Fico feliz que meu conto tenha te feito ter essa reflexão, o que me prova (de maneira nada humilde!) que meu conto cumpriu sua função como literatura, levou a uma relfexão!
Nem me fale em sistema de cotas… o governo parece que só copia as coisas mais bizarras, não as mais certas… e a “sociedade” apoia. Pois é, Sanches, missão cumprida!
Obrigado! ^^V
Mission Completed!!!
ficou muito legal.
coitada da garota. -_-
tem continuação?
não planejei nenhuma continuação… até pensei em desenvolver o enredo (virar livro), mas seria mostrando como ela se tornou vedete…
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mas que bom que tu gostou!! ^^
Gostei. Bem criativo. Mas o final com o jornal ficou meio estranho mesmo, porém não deixa de surpreender.
Parabéns cara!
Obrigado! Estou a repensar o último paragrafo para deixa-lo menos estranho.. continuaremos a ter o jornal, mas de outra forma (espero…)
Talvez deva detalhar um pouco mais o período entre a saída de casa e o nascimento da bebê. Também sugiro esclarecer os motivos que levariam um jornal a publicar o nascimento de um bebê de uma família, aparentemente, pobre (a filha iria trabalhar em uma farmácia).
Na verdade era uma tipica familia classe media e o jornal é tipo, que nem tem na Zero Hora, só um anuncio que os pais põe…
-
Até pensei em detalhar esse espaço de tempo, mas achei que o conto perderia a fluidez original e a ideia original de ser só de falas…