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Jul
11
2010

Bring me to Life!

Escritor: Dhy

Eu estava caminhando lentamente, meu salto fazendo eco na rua. Eu não me importava com mais nada. Estava sozinha no mundo. Não me importava com o que quer que acontecesse comigo.

Continuei andando sem um destino certo, o álcool fazendo com que a caminha ficasse ainda mais difícil. Escutei uns passos atrás de mim, mal perceptíveis por causa dos barulhos dos meus próprios passos, pensei em olhar para trás, mas era burrice, pensei em correr, mas também era burrice, pensei em até para e brigar com quer que fosse. Mais aí me perguntei porque realmente me importo com isso? Se for para morrer, que eu morra logo de uma vez.

Os passos ficaram mais rápidos, continuei no mesmo ritmo. Vi uma sombra vindo em minha direção, mais liguei a mínima com isso.

Senti uma mão me segurando pelo ombro. Acabei soltando um suspiro de alivio, não era exatamente um toque que eu esperava, mas era diferente daquele que eu tinha imaginado.

-Rosa!

Me virei com o meu nome e fiquei encarando o Eduardo.

-O que aconteceu? Faz tanto tempo que não te vejo, e agora… você está… assim!

-nada de importante aconteceu.

-então, você só saiu para se divertir?

-sim!

-não acredito em você.

Dentre todas as pessoas Eduardo era a pessoa que me conhecia melhor. Por que ele tinha que me ver na droga daquele bar? Será que eu não posso ficar bêbada sem alguém para me atrapalhar?

-Rosa! -  ele disse meu nome com pena. – porque está fazendo isso com você mesma?

Eu só olhei feio para ele.

-O QUE VOCÊ TEM HAVER COM ISSO? POR QUE ESTÁ TÃO INTERESSADO? NÃO HÁ NADA DE ERRADO! O mundo está… perfeito!

Disse a ultima frase quase num sussurro e a ultima palavras já aos prantos.

Eduardo vendo o estado em que estava me abraçou, ele ficava murmurando coisas sem sentidos e afagando meus cabelos, ele me levou para a casa dele, me emprestou uma camiseta sua e um short e mandou eu tomar um banho. Depois do banho fui para sala, ele estava sentado vendo TV.

-Melhor?

-muito! Obrigada!

Eduardo e eu éramos como irmãos. Um sempre ajudava o outro. Quando um aprontava o outro encobria.

Eu me senti feliz, que a nossa amizade não tenha terminado quando ele foi embora! Quando desistiu de tudo e quis levar uma vida normal. Apesar de não gostar da idéia de que eu nunca mais poderia não ver ele, sendo uma boa amiga, apoiei ele até o final.

-ei! O que aconteceu? Sério não tente mentir para mim, sabe que não consegue. Você nunca foi disso. O que aconteceu?

Eu olhei para o chão, de repente ele se tornou muito interessante. Mas mesmo assim, decidi contar a ele, se eu não contasse a ele, para quem mais eu contaria? Ele era a única pessoa pra quem eu demonstrava meus sentimentos, meus medos, tudo. Absolutamente tudo.

-eu estou sozinha. Todos me abandonaram. Até mesmo você!

Disse baixinho, mas como ele tinha deixado a TV no mudo, ele me escutou muito bem.

-eu mão te abandonei. Eu estou aqui. Sempre estive!

-você não deu noticias durante dois anos.

-desculpe. – silencio – mais foi por isso que você estava naquele estado?

Suspiro.

-Não.

- e foi porque então?

-eu não estive lá. Eu a abandonei quando ela mais precisava… eu… eu… não queria que ela… eu sinto tanta falta dela Eduardo. Minha mãe era a única pessoa que me restava e agora ela… ela…

Eu não consegui terminar, os soluços me impediam, mas eu não queria falar que ela tinha morrido. Sentia que ela ainda estava viva e se eu falasse que ela tinha morrido, isso poderia realmente acontecer. Falar que ela tinha morrido, tornava a dor ainda pior.

Eduardo me abraçou, enquanto eu chorava, ele só me abraçou e não disse nada. Não disse que ficaria tudo bem como todas as pessoas, porque ele sabia que não iria ficar tudo bem. Ele só ficou no meu lado. E isso foi melhor do qualquer palavra no mundo!

Depois disso acabei dormindo.

Quando acordei estava sozinha e na Cama do Eduardo, estava de noite, eu estava toda suada e tive um pesadelo horrível. Uma pesadelo com Eduardo. Mesmo me sentindo boba, fui atrás do Eduardo.

Fui a sala, mas estava vazia, fui a todos os cômodos, mas também estavam vazios, tentei até o banheiro. Mas eu estava sozinha.

Troquei de roupa, coloquei a minha e peguei um casaco dele, e saí atrás dele. O sonho martelava em minha mente.

Eu não suportaria perder ele também!

O que eu fiz meu Deus? O que fiz para merecer tudo isso?

Saí a passos rápidos, estava quase amanhecendo, podia ver uma cor púrpura vindo do horizonte.

Andei meio que sem direção, procurando por ele. Não fazia a mínima idéia de onde ele estava, mas uma intuição me guiava, decidi seguir minha intuição, não sabia onde ele estava mesmo, e qualquer rumo seria um lugar!

Andei várias quadras, depois, escutei alguém brigar, num beco. Eu olhei, eles estavam nas sombras, mas eu consegui enxergar. Era o Eduardo.

Não pensei muito, agarrei um pedaço de madeira quebrada e fui até ele, o homem estava tão absorvido no que fazia que mal notou minha presença. Aproveitei essa chance e bati nele com a madeira, tinha um pedaço de prego, e eu virei para aquele lado, o prego fez um corte feio nas costas do homem, dei alguns passos para trás e me firmei em meus pés, pronta para caso ele vier atrás de mim.

Ele olhou para mim com ódio e uma pontada de divertimento.

-Era minha melhor camisa!

-Solta o Eduardo.

Disse assustada. Fiz a bobeira de olhar para o Eduardo e o cara veio para cima de mim. Como eu já estava preparada, eu só baixei o pedaço de madeira em minhas mãos. Dessa vez eu tinha virado o lado do prego para cima, e acertei a cabeça dele, ele recuou um pouco, balançou a cabeça e voltou mais irritado ainda. Como eu não estava preparada dessa vez, ele me acertou, deu um soco no rosto, que fez recuar alguns passos e fez meu mundo dar um pequeno giro, quando dei conta de mim o cara já estava batendo em mim de novo, recebia outro soco, mas esse foi em minha cabeça, que me fez ouvir um som agudo e minha vista embaralhar. Ele me derrubou com muita facilidade.

Eu gostaria e muito, dizer que eu fui a heroína, mas eu só fui atrás do Eduardo para morrer junto dele, o que me pensando bem, não seria muito ruim. Porque já não me resta muito aqui, já não tinha um razão para continuar vivendo, mais o Eduardo tinha muito que viver. Ele merecia isso. Com muito esforço, muito mesmo, eu me levantei, o cara estava falando alguma coisa que eu simplesmente não conseguia ouvir devido ao zunido que ainda estava em meus ouvidos, olhei rapidamente em volta, achei um pedaço de metal, não sabia dizer do que era ou foi aquilo, e nem questionei muito, o peguei com um pouco de dificuldade, estava fraca, mas forcei as minhas mãos a segurarem com força a barra de ferro. Me forcei a caminhar, então bati com a barra na cabeça do homem, ele se virou para mim, com puro ódio no olhar.

Mais que diabos, aquele cara não desmaiava, não morria, não se machucava?

Bati de novo, ele recuou alguns passos. Agora sim. Essa brincadeira também pode ser para dois! O acertei de novo, ele ficou um pouco zonzo, eu bati novamente nele, ele acabou caindo no chão, eu o acertei de novo.

Olhei para o Eduardo, ele estava sentado respirando com dificuldade. Fui até ele, não larguei a barra de ferro, ajudei o Eduardo e quando me dei conta, o cara não estava mais ali.

Diabos, quem era ele?

-vamos para um hospital!

-Não. Eu não quero. Me leva pra casa.

-eu por um acaso perguntei se você queria? Eu estou falando que nós vamos para um hospital. E não discuta comigo.

Eu não queria de jeito nenhum voltar a um hospital. Mas eu não queria perder Eduardo, ele era tudo o que me restava! Meus olhos se encheram de água mais eu pisquei para afastá-las.

Eu não queria me arriscar novamente e ser atacada, então chamei por um taxi. Ainda tinha um dinheiro em minha carteira e rezei para esse dinheiro fosse o suficiente.

Quando o taxi parou, agradeci pois o dinheiro que eu tinha, deu para pagar, e ainda me sobrou um troco, muito pouco admito, mas já era alguma coisa. O Eduardo continuava reclamando de ter que vir para o hospital, mas o ignorava, estava quase aos prantos, odiava aquele lugar. Assim que entrei na emergência com o Eduardo praticamente sendo carregado por mim, um enfermeiro apareceu e me ajudou. Eu reconhecia ele, já que eu estive aqui durante muito tempo, eu conhecia muitas pessoas naquele hospital. Vi que ele também me reconheceu. Assim que ele colocou o Eduardo em uma pequena sala, ele foi chamar o médico, ele pediu pra mim que saísse, e ficou comigo lá fora.

-Como você ta?

-Bem, acho.

-É difícil, não é?

-Achei que você já tinha se acostumado, vendo tantas pessoas morrerem aqui.

-Nunca é fácil ver uma pessoa morrer, trabalhos para que elas fiquem bem, melhores e sobrevivam. É sempre triste quando alguém morre. É claro, tentamos que a morte das pessoas não nos afete, porque como você diz, as pessoas morrem, e as vezes não podemos fazer nada!

-Eu queria nunca mais volta para esse lugar.

-Falando nisso. O que aconteceu?

-Eduardo se meteu em uma briga!

-Hum, você se machucou?

-Não.

-Você devia mentir melhor sua cara está toda mercada, sem falar no seu braço.

Suspiro.

-É, eu tentei separar e sobro para mim, mas, hei, eu supero! – Dei um grande sorriso que me custou muito e não ficou muito tempo no meu rosto. Eu realmente odiava aquele hospital.

-quer que eu cuide disso?

-você não devia ajudar as pessoas?

-eu não estou ajudando?

-sim, mas, bem… eu não estou aqui exatamente para ser examinada.

-Rosa, é só uns curativos. Prometo, nada de agulhas!

-Tudo bem então.

Nós fomos para um deposito, onde ele pegou gaze e outras coisas, mas eu sinceramente não queria saber. Depois ele me levou para onde o Eduardo estava, o médico estava conversando com ele, e ele parecia que respondia civilizadamente. RAM. Comigo ele nem se quer falou direito! Revirei meus olhos e passei direto por ele.

O Natan, o enfermeiro, começou a ver meus machucados, eu tinha um corte no meu braço, de quando eu fui jogada no chão. Mas não doía nada. Não até ele tocar.

-Ai!

-Desculpa. Esse corta ta feio. Dói muito?

-Não tava doendo até você tocar! – Reclamei.

-Vamos ter que dar uns pontos.

-Natan, você prometeu. Nada de agulhas.

- Desculpe. Mas isso foi antes de ver isso.

-Mas você prometeu… – Tentei inutilmente convencer ele da promessa, mas sabia que não adiantaria, porque quando se tratava da saúde, ele não se importava de quebrar umas promessas bobas, como essa.

-Desculpe, mas realmente preciso fazer isso.

-Eu sei – Disse baixinho – Mas eu tinha que tentar néh! – Disse mais alto. E um pouco mais feliz, estar perto dele, sempre me deixava alegre.

Ele sorriu para mim. Se levantou e foi buscar a maldita agulha. Simplesmente odeio hospitais.


Written by Dhy in: Agenda,Contos,Dhy |

3 Comments»

  • Lord Jessé says:

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    Termina assim?
    -
    No meio do texto quando enfim está ficando bom… Achei que faltou algo. E o Eduardo? E porque ela odeia tanto hospitais?

  • Felipe Lopez says:

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    Algumas palavras repetidas e uns errinhos bobos de português, nada que atrapalhe muito.
    -
    Mas, acabou? Acabou.. mesmo?
    E o Eduardo?[2]

  • Sanchez says:

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    Gostei. Uma boa história, mas com o maldito vicio (?) de repetição de palavras!! :P boa história

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