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Jul
11
2010

Descobrindo um sentimento

Escritor: Felipe Mateus

O sol começava a se colocar no horizonte, e Henrique se arrumava, colocando sua melhor roupa e tomando um banho de perfume. Nem acreditava que aquele momento estava chegando. Será que tudo daria certo? De frente para o espelho, ele arrumava o colarinho da camisa e ficava repassando em sua memória tudo o que pensava em dizer para a mulher dos seus sonhos. Bom, ele tinha apenas 16 anos, mas sentia que ela era pra sempre.

- Espero que ela goste de flores – disse Henrique segurando o buquê que comprou com o dinheiro da venda de jornais.

Depois de se despedir dos seus pais, ele sai determinado de casa. Caminha pela rua com passos confiantes. Apesar de serem apenas cinco quadras, aquela rua parecia infinita. Mais uma vez, a sua mente borbulhava de idéias, suposições e tudo o mais que ligasse ele a sua amada Camila. Desabotoou o primeiro botão da camisa, que o estava sufocando, a tensão por aquele momento tão esperado começara a atacar o seu sistema nervoso. Uma gota de suor descia pela sua testa e ele limpava com as costas da mão.

- Será que ela gostará de mim? – pensou Henrique em voz alta – E se eu falar bobagem?

Os passos continuavam firmes, mas a sua auto-estima já não era a mesma. Na verdade Henrique nunca se dera bem com mulheres e também nunca sabia se, aquilo que sentia era amor ou uma simples paixão adolescente.  Quando faltavam duas quadras para chegar à casa de Camila, Henrique cheirou debaixo dos braços para ver se a ansiedade e o nervosismo tinham atacado o seu odor.

Henrique conheceu Camila num banco de praça. Ela conversando com uma amiga e tomando sorvete, ele com mais dois amigos, andando de bicicleta. Desde o primeiro olhar, ele ficou hipnotizado, nunca tinha sentido o coração acelerar daquela forma. Esse momento já havia passado e ele nunca teve coragem de se declarar. Não estudavam na mesma escola, não moravam na mesma rua, não tinham amigos em comum. Tudo mudou quando, num esbarrão dentro do shopping trocaram olhares e pedidos de desculpas. Depois desse incidente do shopping, começaram a se encontrar sem querer, pelo menos pelo lado da Camila, naquela mesma praça e conversavam, riam. E o sentimento de Henrique aumentava.

Quando Henrique entrou na quadra onde ficava a casa da Camila, seu coração disparou de vez, a vontade de desistir era imensa, mas agora não tinha o que fazer, não podia voltar. Aproximou-se do portão e, hesitando por alguns segundos, apertou a campainha. Após alguns minutos, um barulho de chave destrancava a porta principal. Era ela, loura, magra, alta, linda. Camila. Com um singelo sorriso ela desce os poucos degraus que a levavam ao portão.

- Oi – disse Henrique numa voz trêmula.

- Oi – responde Camila surpresa. – O que você faz aqui essa hora?

- Bom, e-eu estava p-passando e resolvi dizer um olá. – gagueja Henrique sentindo o rosto corar.

Os minutos se passavam e os dois continuavam em silêncio. A camisa de Henrique grudava de tanto suor tamanho era o nervosismo. Já Camila apenas o encarava. Com um olhar questionador, finalmente ela interrompe o silêncio e pergunta:

- Era só isso que você queria mesmo Henrique?

Ele sabia que a hora tinha chegado. Era agora ou nunca. Todo aquele sentimento que ele tinha dentro de si seria extravasado. Respirou fundo, coçou a orelha esquerda, sentiu ela quente. Olhou fundo nos olhos de sua amada.

- Camila, eu te…

A porta principal se abria e um rapaz moreno, alto, nitidamente mais velho que Henrique descia os degraus em direção a Camila. O rapaz se aproxima e dá um grande abraço em Camila.

- O que você queria dizer Henrique? – pergunta Camila, retribuindo o abraço do rapaz moreno.

Naquele momento, Henrique tinha vontade de dizer muitas coisas. Palavrões eram os pensamentos que mais o rodeavam. Mas ele olhou para Camila e viu que ela estava feliz. O seu sorriso era forte, intenso, nitidamente ela estava apaixonada pelo rapaz moreno.

- Camila, essas flores o seu namorado pediu para que eu te entregasse – disse Henrique com voz firme.

Abrindo um largo sorriso, Camila abre o portão, pega as flores das mãos de Henrique e abraça o namorado.

Voltando para casa, com as mãos nos bolsos da calça, Henrique sentia as lágrimas escorrendo em seu rosto, mas apesar disso sua tristeza era mínima e ele não sabia o motivo. Descobriu-o dois dias depois, depois de muito pensar. Pela primeira vez na sua vida, o que ele sentia por uma menina era amor. Pegando uma folha de papel e uma caneta, Henrique escreve em letras de forma: “Paixão é fazer-se feliz, Amor é promover a felicidade do outro”.


Categorias: Agenda,Contos |

9 Comments»

  • Lord Jessé says:

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    É… Não tenho muito a dizer porque não gostei do final.
    -
    Estava tudo bem até a hora do Ricardão aparecer, e tudo mais. Só que não gostei de acima de tudo ele ainda ajuda o cara. Entendo o que vc queria dize, que, ela estando feliz ele ficaria feliz mas, ele não precisava encher a bola do outro.

    • Andrey Ximenez says:

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      Tb concordo que o final não agradou. Mas não foi pelo fato de ele entregar as flores em nome do cara… sei lá… ficou meio pedante o final… e dava na cara desde o inicio que o final seria este.
      -
      Enfim, a escrita esta boa, só falta um pouco de técnica em relação a criar um conflito e ter poder sobre o desfecho do msm…

  • Felipe Mateus says:

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    Lord Jessé e Andrey. Muito obrigado pelos comentários, o meu maior objetivo ao postar meus contos aqui era descobrir os meus erros mesmo. Abraço.

    • Andrey Ximenez says:

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      Q isso Felipe. A gente ta qui pra ler e tentar dar alguma critica construtiva. Nem sempre se trata de erros. Mas sim de coisas bobas, ou simplesmente técnica.
      -
      Apareça mais vezes no ONE, não só como escritor.. existem ótimos textos aki com os quais vc aprende mts maneiras diferentes de se escrever… e sempre rola alguma discussão sobre esse tipo de coisa por ai.
      -
      ;)

      • Lord Jessé says:

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        É isso ai. E como me disseram um dia (pra ser exato ontem), é quebrando os ovos que se faz um omelete.

  • Felipe Mateus says:

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    Valeu Andrey, esses “erros” que eu disse, foram no sentido de crítica construtiva mesmo..hehe. Sempre estou lendo um conto ou outro, mas nunca comento, começarei a comentar a partir de agora. Abraços.

  • Franz Lima says:

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    Narrativa boa. O final não deixou a desejar, mas ficou algo “surreal” na bondade do Henrique. Contudo, há muitos caras como ele…
    Enfim, fica a questão: o que é ser feliz?

  • Asami says:

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    Muito legal. Gostei muito da narrativa, mas me decepcionei um pouquinho com o fato de Henrique ter desistido assim tão fácil de Camila, o que é justificável observando a última oração do conto. Mesmo assim a lição transmitida é muito bela. Parabéns!

  • Luciano A. Veiga says:

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    Achei um conto bem legal sobre o primeiro amor. Mas achei o final um pouco confuso, por que o namorado de Camila não disse nada a respeito das flores? Acho que se você tivesse descrito a reação do namorado dela, a estória ficaria com uma aparência mais realista e o conto estaria bem encerrado. Tirando isso gostei do conto, mesmo com o final um pouco triste.

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Publicado por Felipe Mateus

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