ERAEN, Capítulo 1
Escritor: Jhonnie
ERAEN, Capítulo 1, no qual:
DESCUBRO QUE MINHA TIA É O ORÁCULO
Meu nome é Thomas Smith. Basicamente minha descrição seria algo assim: um garoto um tanto psicótico de olhos castanhos (gostaria de dizer que tenho olhos azuis, ficaria realmente mais bonito – mas não seria verdade) e cabelos também, que tem sérios problemas com relação a insetos e outras criaturas abissais do gênero. Eu poderia começar a contar minha história logo pela parte emocionante, mas vamos começar do começo.
Estava de férias na praia com meu pai, as areias de St. Pete’s beach se estendendo diante dos meus pés. Brilhavam alvas com os raios do sol enquanto eu espantava desesperado um mosquito irritante, pensando que sua picada poderia causar algum tipo de efeito terrível, como sugar minha alma. Meu pai estava procurando um guarda-sol que não estivesse ocupado, uma tarefa hercúlea em pleno verão, quando não se tem dinheiro suficiente para reservar um lugar na praia. Havíamos nos hospedado em uma pousada chamada Coco & o Mar, um lugar simpático, tirando o fato de que sempre havia um barulho incômodo vindo do teto (acho que eu morava embaixo de um superobeso, ou algo assim) e com a minha sorte, pelos próximos sete dias que passaríamos ali, logo uma suspeita goteira se formaria também, e é provável que o lindo forro de gesso esculpido em conchinhas caísse na minha cabeça.
Ainda estava me vangloriando de ter conseguido matar o mosquito infernal quando ouvi a voz grave de meu pai me chamando- Ele havia feito o impossível – encontrou um guarda-sol bem de frente para o mar dando sopa em plena temporada.
-Thomas!Encontrei um aqui, veja que sorte, bem do lado da barraca de sorvete!
-Parabéns, pai.
Acho que ainda não comentei sobre meu pai. Seu nome é Joseph Smith, tem olhos de um verde-água bem claro (os quais eu não herdei infelizmente, e ainda culpo a genética maldita por isso), quarenta e dois aos de idade e é um engenheiro com uma vida mais ou menos estável, que sempre tentava alegrar todos à sua volta com piadas infames. Algumas vezes nós saíamos juntos, mas essas ocasiões eram raras por causa do trabalho dele, que exigia viajar constantemente para diversos países em busca de novos projetos que nos sustentariam por alguns meses e ainda pagariam minha escola particularmente cara. No geral, era um cara legal que merecia encontrar alguém depois que minha mãe fugiu com o dentista, ou como ela o chamava, Timmy, ex-melhor amigo de meu pai por razões óbvias.
Parecia que ele havia feito amizade com uma mulher que ocupava o lugar ao nosso lado e tinha os traços parecidos com os de uma atriz famosa de cujo nome eu não me lembro agora, e que estava deitada sobre canga estendida na areia, de barriga para baixo, como se estivesse se bronzeando (não fosse o guarda-sol estaria mesmo).Fui dar um mergulho no mar para dar um pouco de privacidade aos dois depois que notei no rosto sorridente de meu pai aquela expressão de “Ahnn….nossa, como você é linda!”enquanto conversava com a mulher cujo nome meu ouvido seletivo havia descoberto ser Martha,e que coincidentemente também morava em Atlanta, e tinha vindo visitar o litoral da Flórida como nós.
À noite, conforme eu esperava, meu pai marcou um jantar com Martha em um restaurante chique nas proximidades, enquanto eu fiquei em meu quarto na pousada, esperando o jantar que a Sra. Hamsley prepararia para os hóspedes (provavelmente seria uma sopa de frutos do mar – mas que estranhamente incluía frango, salsichas e outras coisas sobre as quais eu tinha medo de perguntar) e esperando o momento em que a mortífera goteira se formaria. Ainda observava a mancha escura no teto quando notei um sutil movimento com o canto do olho esquerdo, como se alguém estivesse correndo no andar de cima e fosse possível ver através da mancha, mas o barulho que acompanhava do movimento era inesperado: o som inconfundível de botas pisando na grama e galhos estalando sob o peso dos pés. Logo ouvi também sons de alguém falando, e eu tinha a impressão de que se dirigia a mim.
-O JANTAR ESTÁ NA MESA! – Era a Sra. Hamsley berrando um pouco mais baixo que o comum, mas ainda assim alto o suficiente para fazer com que o barulho de um jato comercial não passasse de um leve sussurro perto de si. A propósito, esqueci de mencionar que a Sra. Hamsley era minha tia para-normal.
Pulei fora de minha cama, e saí correndo de meu quarto para a sala de jantar no andar de baixo. Ótimo. Meu quarto era mal-assombrado. Isso me fez preferir imediatamente a hipótese da goteira, mas aquilo parecia improvável. De qualquer maneira, era melhor sair logo daquele recanto do terror.
-Thomas, onde está seu pai?
-Hm, saiu com uma mulher que conheceu na praia, uma tal de…
-Martha?
-Ahn, sim.
-Que bom para ele, tomara que tudo dê certo dessa vez, ele é um homem tão bom… Merece encontrar a felicidade ao menos desta vez…
-É, espero que sim.
Não me pergunte como ela sabia o nome da mulher. Como eu mencionei, ela é minha tia paranormal, sabe de coisas inexplicáveis (queria que ela entortasse uns garfos pra mim também) e talvez por isso minha prima, Anna, não gostasse muito de ser filha dela. Segundo Anna, faltava privacidade numa casa em que sua mãe era onisciente.
No momento seguinte, minha tia irrompeu da cozinha berrando como uma desvairada, com ambas as mãos em luvas de (não diga!) cozinha, com o cabelo chamuscado. Olhei para a porta da qual ela havia acabado de sair. Parecia que havia acontecido uma chacina lá dentro, com pedaços de bolo de carne pelo chão, cebolas e verduras massacradas e muito (acredite, muito mesmo) ketchup espalhado por todos os armários do cômodo. Anna, com uma sacola de mercado na cabeça, catava os restos mortais do que fora provavelmente uma lata de feijões, enquanto resmungava algo sobre ter acabado de fazer uma escova definitiva.
No geral, foi um jantar pacífico. Anna, com os cabelos loiros parecendo uma tigela caótica de espaguete, olhava de cara feia para tia Helen (o primeiro nome dela), que ocasionalmente tossia cinzas e fumaça, e apagava um possível foco de incêndio em seus longos cabelos negros. Assim que acabei de comer, disse boa noite para minha tia e Anna, e, infelizmente, dirigi-me ao meu sinistro aposento.
O barulho da mancha (que, aparentemente, ficava mais escura conforme você se aproximava dela) cessou quando meu pai entrou no quarto com cara de “me dei bem hoje!” e ficou me fitando. Àquela hora, eu ainda estava espantado por causa das vozes, mas tentei esconder, perguntando:
-Então, como foi com Martha?
-Foi ótimo, ela é muito interessada em engenharia também, mas se formou em arquitetura. Inclusive me mostrou um de seus projetos. Sabia que ela mora em Atlanta também?
-Sério? Que coincidência! – Menti, para que ele não desconfiasse de que eu ficava ouvindo todas as conversas particulares que tinha com suas namoradas, afinal, ainda queria escutar mais delas.
Apesar de eu jurar de pés juntos que algum ser maléfico habitava o quarto, tive uma tranqüila noite de sono. Quando acordei meu pai ainda estava dormindo, então não abri a janela. Saí de fininho, fechando a porta suavemente. Quando me virei para encarar o corredor, adivinhe quem estava lá. Isso mesmo, tia Helen. Mas ela me olhava de um jeito diferente, mas não notei o quanto até ver por que: Suas órbitas eram dois discos brancos, sem íris nem pupilas, e emanavam um brilho sobrenatural. Enquanto me fitava, em uma voz grave, que não parecia nenhum pouco com a sua, mas sim com a de várias outras em uníssono, disse:
“O dia eis que chegou, a mensageira irá buscá-lo,
Prepara-te à noite, que o mal virá matá-lo.
Se quiseres salvar teu mundo, a outro terá de ir,
Pois sem a tua nobre mão, a luz terá de partir.”
Logo seus olhos retomaram o habitual tom esverdeado (sim, só eu sou o desprovido de olhos verdes da família) e seu corpo amoleceu. Ela teria caído bruscamente no chão, não fosse pela minha tentativa mais ou menos bem-sucedida de segurá-la. Antes de desmaiar, olhou-me demoradamente, como se estivesse vasculhando os cantos mais escondidos de minha mente e sorriu.
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Esse conto me deixou em uma dualidade.
Gostei e não gostei.
Não sou muito habituado a um personagem em primeira pessoa, principalmente tão solto. Entretanto ele me agradou de alguma forma.
–
Uma coisa que eu notei é a falta de trama. Não há um suspense e as coisas não acontecem. Quando acontecem são desnecessárias.
–
Qual o intuito do pai achar um guarda-sol na praia? Qual o intuito do jantar? O que a Martha e Anna tem a ver com a história? Ficou meio largado entende.
–
De qualquer forma fico esperando a continuação. Creio que tem muita coisa ainda para se desenvolver neste conto. E tenho certeza de que vai ficar muito bom.
–
Boa sorte e bem vindo ao ONE.
Fiquei curiosa, estou indo ver a continuação.
È, também acheia narração um pouco confusa.Apesar da narração em primeira pessoa dar um ton divertido, a mudança de tempos é constante demais.Cuidado para não perder a sequência logica.Sei que os fatos cotidianos servem para mostrar aspectos da personagem principal.Mas so foi realmente interessante do meio para o fim.
Tive a impressão que você se desviou do foco. A premissa original, imagino eu, era de ser um conto sobrenatural, como foi visto. Você, porém, adicionou um tom leve de comédia e um detalhamento (desnecessário em alguns pontos, ao meu ver) que eu realmente acho que não caiu tão bem. A narração eu também achei confusa em certas partes, seria legal procurar seguir uma narrativa mais “linear”, pelo menos enquanto os principais eventos não acontecem no enredo.
Uma coisa a mais que eu ressaltaria é que esses momentos mais “dramáticos”, como a da fala da tia de Thomas no corredor, precisam de uma construção maior anteriormente, o que eu acho que veio muita abruptamente nesse texto. Esses são os pontos em que eu acho que poderia melhorar. Tirando isso o tema sobrenatural é bem interessante. Vou esperar as outras partes.