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Jul
30
2010

Lamento do Poeta

poesiaAutor: E.U Atmard

Na memória glorificada

Perdidos em mil cantamentos

Dorme dolorosa e marcada

História de afrontamentos

Dos que pela vida atacada

Caem em esquecimentos

E imortais relembros intentos.

No monte da vida imorta

Onde há árvore ancestral

Com o espinho da queda vertical

Afiado com faca d’horta

Do anjo em prevenção vigila.

Dez vezes três milhas

De elísio campo glorioso

Na relva da vida

No carvalho árvore do doce espinho

Na caverna do oscuro

Doce e formoso

Sem maldito caminho

Só o sol no seu puro.

Caminhantes das eternidades,

Os que a vida ‘maldiçou,

Caíram vindos de seus mundos.

E num elísio campo glorioso

Dormentaram sus mentes

De loucos insatisfeitos.

Mas em suas maldições

Gritaram com os seus vis pulmões

“Abram, abram, abram os portões

Abram os portões bu-hu…”

Tormentando na relva da vida

No carvalho de doce espinho

Nas cavernas escuras e profundas

E gritando, oh homens do mundo

Procuraram um caminho

E se irritaram o espinho!

Um senhor cortante antigo

De três metros de dor

Criado por louco amor

Foi levado para o quase mal

Castanho de cor dura

Crescido na velha casca madura

Não mais mal pode fazer

Quando o carvalho milenar

Caiu de falta de mar.

Mil homens dizentes

Em gritos de enorme pranto

Como um erro de miséria

Foi-lhes dado a maléria

De ficar ou ir não voltar

A escolha a perpetrar naquele segundo.

Dez mil escolheram partir

Em mundos espalhados, em vão

Perdidos em cantamento profundo

Em eterna noção viventes

De logo se arrependeram.

Eterno é demais

E imorto excessivo

E pediram perdão aos que tais

Que em torpor haviam cedido

Ao inobre e pobre pedido

Dos erróneos dez mil

Cansados da dor da fama

Em imaculada regressão

Voltou a frota do outro mundo

Que em esquecida repreensão

Quis esconder-se do público rotundo

Em notas de sombra e escuridão.

Esquecidos por tempos que já lá vão

Perdidos na falta de razão

Chorosos da contra-acção

Pedem ao juiz da expiação

O voltamento ao Paradiso.

“Moção negada” disse em trovão

O juiz, supremo do tribunal da razão!

Em doloroso e quente tropeção

Caíram os chorosos e gritantes

Tal qual os que no início viajantes

Nessas dez vezes três milhas

De Campos Elísios Gloriosos

De puro verdume e Céu Azul.

Reinou o Carvalho do doce espinho

Não deixando criar caminho

Caído o Carvalho

E o espinho que tal

Dormente, o campo ficou anormal

Com o rio cascata correndo de novo

E as cavernas oscuras

Com mar interior

Estas sem silêncio algum pois o caído perdido

Continuava o seu pranto

“Abram os portões!, abram os portões!

Bu-hu, pobre de mim, abram os portões!”


Written by E.U Atmard in: E.U Atmard,Poesias |

11 Comments»

  • E.U Atmard says:

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    Yay, o meu poema aqui!
    Não gosto deste poema, muito pelo menos. Representa o que eu agora já não gosto tanto. Ainda assim, ele tem o que eu considero uma mensagem bem explícita, e acho isso importante (apesar de fazer o contrário ser muito divertido).

    • E.U Atmard says:

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      Ah, Guns, nos futuros poemas é possível respeitar a estrutura estrófica? Não pelos verso livre, mas em casos como o meu chant royal, é preciso que ele tenha cinco estrofes de 11 versos e uma tornada de sete versos. Se ficar tudo num só poema, fica uma amalgáma…

      • Thumb up 0 Thumb down 0

        Ué?!

        Mas foi você quem escreveu assim, tava em draft no wordpress. Eu só publiquei! :o

        • E.U Atmard says:

          Thumb up 0 Thumb down 0

          Ah…ok…desculpa, eu vou verificar os seguintes…

          Sorry, my bad…:D

          • Thumb up 0 Thumb down 0

            Atmard, teu poema parece aqueles clássicos portugueses de outrora. Eu jamais conseguiria escrever assim. Acredito que tenha dado algum trabalho, mas compensou o resultado. Parabéns.

          • Thumb up 0 Thumb down 0

            Viu Atmard, se tiver ai o poema com a estrutura certinha, me envia! Eu arrumo aqui pra você! ;)

          • E.U Atmard says:

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            Não, eu estive a ver e devia ter feito o espaçamento depois de passar para o wordpress. Eu tenho outro poema para sair, mas esse já está arrumado.

            Muito obrigado :D

  • Vitor Vitali says:

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    Gostei bastante, embora eu tenho me perdido um pouco da metade para o final. Talvez ler a “Filosofia da Composição” do Poe desse ajuda nesse sentido, de tornar mais palatavel.

    • E.U Atmard says:

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      Eu entendo que o grande Poe preferia o conto ao romance, e portanto a poesia curta à longa. Mas eu sou ao contrário, e embora concordando que possa ficar confuso a meio, creio que não é o tamanho um problema. Aliás, porque tenho outros poemas de tamanhos muito superiores, que se mantêm unidos.

      Eu também prefiro o romance ao conto, pelas razões contrárias às dele…mas isso sou eu…

      • Franz Lima says:

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        Não é o tamanho de um conto ou poema que o faz ser melhor ou pior. O que determina a qualidade de um trabalho literário é a determinação e a inspiração de seu criador. Há textos pequenos e de uma profundidade extraordinária. Há outros de grande porte e pequeno conteúdo…
        É o escritor e suas qualidades que dirão se a obra será digna de vencer as barreiras do tempo ou não.

        • E.U Atmard says:

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          Eu entendo perfeitamente Franz, eu concordo com tudo isso. Mas temos também de tomar em consideração que em certas ocasiões à histórias que não se podem contar num conto, ou ideias que não se podem transferir com pequenos poemas.

          Com isso, gostou do meu poema :D ?

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