Lamento do Poeta
Autor: E.U Atmard
Na memória glorificada
Perdidos em mil cantamentos
Dorme dolorosa e marcada
História de afrontamentos
Dos que pela vida atacada
Caem em esquecimentos
E imortais relembros intentos.
No monte da vida imorta
Onde há árvore ancestral
Com o espinho da queda vertical
Afiado com faca d’horta
Do anjo em prevenção vigila.
Dez vezes três milhas
De elísio campo glorioso
Na relva da vida
No carvalho árvore do doce espinho
Na caverna do oscuro
Doce e formoso
Sem maldito caminho
Só o sol no seu puro.
Caminhantes das eternidades,
Os que a vida ‘maldiçou,
Caíram vindos de seus mundos.
E num elísio campo glorioso
Dormentaram sus mentes
De loucos insatisfeitos.
Mas em suas maldições
Gritaram com os seus vis pulmões
“Abram, abram, abram os portões
Abram os portões bu-hu…”
Tormentando na relva da vida
No carvalho de doce espinho
Nas cavernas escuras e profundas
E gritando, oh homens do mundo
Procuraram um caminho
E se irritaram o espinho!
Um senhor cortante antigo
De três metros de dor
Criado por louco amor
Foi levado para o quase mal
Castanho de cor dura
Crescido na velha casca madura
Não mais mal pode fazer
Quando o carvalho milenar
Caiu de falta de mar.
Mil homens dizentes
Em gritos de enorme pranto
Como um erro de miséria
Foi-lhes dado a maléria
De ficar ou ir não voltar
A escolha a perpetrar naquele segundo.
Dez mil escolheram partir
Em mundos espalhados, em vão
Perdidos em cantamento profundo
Em eterna noção viventes
De logo se arrependeram.
Eterno é demais
E imorto excessivo
E pediram perdão aos que tais
Que em torpor haviam cedido
Ao inobre e pobre pedido
Dos erróneos dez mil
Cansados da dor da fama
Em imaculada regressão
Voltou a frota do outro mundo
Que em esquecida repreensão
Quis esconder-se do público rotundo
Em notas de sombra e escuridão.
Esquecidos por tempos que já lá vão
Perdidos na falta de razão
Chorosos da contra-acção
Pedem ao juiz da expiação
O voltamento ao Paradiso.
“Moção negada” disse em trovão
O juiz, supremo do tribunal da razão!
Em doloroso e quente tropeção
Caíram os chorosos e gritantes
Tal qual os que no início viajantes
Nessas dez vezes três milhas
De Campos Elísios Gloriosos
De puro verdume e Céu Azul.
Reinou o Carvalho do doce espinho
Não deixando criar caminho
Caído o Carvalho
E o espinho que tal
Dormente, o campo ficou anormal
Com o rio cascata correndo de novo
E as cavernas oscuras
Com mar interior
Estas sem silêncio algum pois o caído perdido
Continuava o seu pranto
“Abram os portões!, abram os portões!
Bu-hu, pobre de mim, abram os portões!”
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Yay, o meu poema aqui!
Não gosto deste poema, muito pelo menos. Representa o que eu agora já não gosto tanto. Ainda assim, ele tem o que eu considero uma mensagem bem explícita, e acho isso importante (apesar de fazer o contrário ser muito divertido).
Ah, Guns, nos futuros poemas é possível respeitar a estrutura estrófica? Não pelos verso livre, mas em casos como o meu chant royal, é preciso que ele tenha cinco estrofes de 11 versos e uma tornada de sete versos. Se ficar tudo num só poema, fica uma amalgáma…
Ué?!
–
Mas foi você quem escreveu assim, tava em draft no wordpress. Eu só publiquei!
Ah…ok…desculpa, eu vou verificar os seguintes…
—
Sorry, my bad…:D
Atmard, teu poema parece aqueles clássicos portugueses de outrora. Eu jamais conseguiria escrever assim. Acredito que tenha dado algum trabalho, mas compensou o resultado. Parabéns.
Viu Atmard, se tiver ai o poema com a estrutura certinha, me envia! Eu arrumo aqui pra você!
Não, eu estive a ver e devia ter feito o espaçamento depois de passar para o wordpress. Eu tenho outro poema para sair, mas esse já está arrumado.
—
Muito obrigado
Gostei bastante, embora eu tenho me perdido um pouco da metade para o final. Talvez ler a “Filosofia da Composição” do Poe desse ajuda nesse sentido, de tornar mais palatavel.
Eu entendo que o grande Poe preferia o conto ao romance, e portanto a poesia curta à longa. Mas eu sou ao contrário, e embora concordando que possa ficar confuso a meio, creio que não é o tamanho um problema. Aliás, porque tenho outros poemas de tamanhos muito superiores, que se mantêm unidos.
—
Eu também prefiro o romance ao conto, pelas razões contrárias às dele…mas isso sou eu…
Não é o tamanho de um conto ou poema que o faz ser melhor ou pior. O que determina a qualidade de um trabalho literário é a determinação e a inspiração de seu criador. Há textos pequenos e de uma profundidade extraordinária. Há outros de grande porte e pequeno conteúdo…
É o escritor e suas qualidades que dirão se a obra será digna de vencer as barreiras do tempo ou não.
Eu entendo perfeitamente Franz, eu concordo com tudo isso. Mas temos também de tomar em consideração que em certas ocasiões à histórias que não se podem contar num conto, ou ideias que não se podem transferir com pequenos poemas.
—
Com isso, gostou do meu poema
?