Um dia no hospital
Escritor: Mario Dutra
Minha tia, que sempre morou comigo, tinha a porra da pálpebra de um dos olhos caída, à moda Sylvester Stallone.Passou por vários médicos e obteve como resposta as mais divergentes opiniões…se operar, fodeu…se não operar, também fodeu.Médicos do caralho.Ficam durante a faculdade toda cheirando farinha, queimando fumo e comendo bunda de defunto.Não tenho idéia como conseguem se formar precisando decorar aquela pá de nomes estranhos relativos a partes do corpo, doenças e o caralho a quatro.
Pensando bem, não tenho muita moral para criticá-los já que fiz as mesmas merdas quando cursei engenharia (obviamente excluindo comer bunda gelada do rol das cagadas)..mas porra, eu cursei engenharia e não medicina!Antes que você, caro leitor, se preocupe, resolvi não exercer minha formação.Pode dormir sossegado que sua casa não desmoronará sobre a cabeça dos seus filhos, no que depender de mim.
Voltando para o problema da minha tia, depois de tomografias, ressonâncias magnéticas e putaqueopariugrafias, foi constatado um aneorisma na parte frontal do cérebro.Os médicos diziam que não era nada muito grave, uma cirurgia sem grandes complicações.No meu modesto ponto de vista, piroca grossa no cu dos outros não doi em você.
Chegou o dia da cirurgia.Todos agitados, família, vizinhos, amigos, gatos e cachorros da região…minha tia sempre foi do tipo que procura ajudar e ser simpática com todos, conhecidos e/ou desconhecidos, hábito que sempre me causou certo desconforto, talvez por nunca ter conseguido ser como ela.
Estava no trabalho quando minha mãe ligou dizendo que a cirurgia tinha corrido como o esperado, ressaltando (leia-se intimando) que o horário de visitas seria das 20:30hs às 21:00hs…sempre foi público e notório que sou um cagalhão quando se trata de assuntos relacionados a hospitais.
Quando cheguei ao andar que minha tia estava internada reparei na recepcionista…morena gostosa.Imediatamente veio a sensação de repúdio.Porra, sou um filho da puta, minha tia nessa merda de situação e eu trocando olhares com a recepcionista vagaba?!?Com a mesma velocidade que me acudiu a sensação de repúdio, achei uma explicação para justificar meu comportamento…instinto masculino…voltei a olhar para a perva, dessa vez despreocupado.
Chegou a hora de entrar na sala de recuperação dos pacientes.Fui atrás da minha mãe, todo confiante que aguentaria segurar as pontas, erroneamente, claro.Tentei me policiar a fim de não dirigir o olhar a nenhum morimbundo, mas uma força malígna/xereta não me fez obter sucesso.
O primeiro paciente que vi não tinha recebido visitas, e me olhou com uma cara de cachorro sarnento abandonado.
A segunda paciente era uma velha entubada até o cu.Seu filho chegou com alarde: “Oooó mamãe querida!”.A preguiçosa não esboçou a mínima reação, fato que não conteve o entusiasmo do filho.
O terceiro paciente foi o que mais me impressionou.Era um japa que deve/deveria ter no mínimo 150 anos de idade.Deve ter comido peixe pra caralho e feito aquela porra de tai chi chuan a vida toda, o viado tava aparentemente inteirão, mas por dentro deve/deveria estar todo bichado.Fiquei com a impressão que ele morreria em não mais que 10 minutos, e eu que não ficaria ali para comprovar minha teoria.
Depois dessas visões, que mais me pareceu com a fila para o purgatório, cheguei até a cama em que minha tia se recuperava.Ela estava com a cabeça enfaixada e toda inchada, falava uma pá de merda…chapadona a danada.Vendo seu estado, juntando com o fato dela não ter me reconhecido, não aguentei ficar nem 1 minuto ao seu lado e sai correndo da sala, choramingando igual um maricas.
Enquanto esperava minha mãe, mais alguns visitantes saíram da sala.Reunidos em frente a recepção trocavam palavras e frases idiotas e sem sentido, querendo se solidarizar uns com os outros e ao mesmo tempo demostrar força e coragem.Força e coragem é a grande puta que te pariu!Tava todo mundo com o cu na mão que to sabendo.Antes ser um chorão que um babaca metido a arrogante, acho…
Enfim minha mãe terminou sua visita e voltamos para casa sem trocar muitas palavras durante o caminho.Ela percebeu que fiquei impressionado…que merda…
PS: a morena da recepção nunca mais me olhou nas visitas posteriores.Decerto porque me viu saindo muito rápido e chorando durante o primeiro contato, demostranto fraqueza e que não poderia ser um macho-dominante.Tenho certeza que essa puta vai a baile funk aos sábados.
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Mario, o tema não é ruim, mas, na minha opinião, a abordagem mais radical (demonstrando o radicalismo da personagem) ficou muito ríspida. A leitura se torna pesada para uma situação não tão radical. Mas, no conjunto, você conseguiu descrever a insegurança de um cara que quer, a todo custo, manter a pose de “macho-dominante”, como mesmo disse.
Continue a escrever e desenvolver idéias.
Eu achei o conto um bom e interessante, todavia há alguns pecados que devem ser evitados em um texto assim.
–
Expressões como: “e/ou”,”malígna/xereta”,”deve/deveria”
O conto é contado em primeira pessoa, ou seja, o personagem descreve tudo o que viu e sentiu.
Quem fala “assim/desse jeito”?
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“um maricas” – Plural ou singular???
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Tirando esses errinhos, o conto está ótimo. Fiquei transtornado da forma como o personagem se expressa sobre a situação das pessoas. Parabéns, e bem vindo ao ONE!
mt bom! gostei do personagem! haha
unica coisa q incomodou foi a ausencia de espaço após os pontos.
ps.: tb axo q maricaS* soa mt melhor q marica ^^ uheuehu
O Mário ainda está ativo no ONE? Cara, eu tinha esquecido que comentei este conto.