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Aug
06
2010

A Última Viagem Entre Amigos

Escritor: Batavo
Todo adolescente sofre a pressão de tentar ser alguém na vida, entrar em uma universidade e se formar em um curso superior. Para muitos, isso é um sonho. Para este grupo de amigos, não é mais um sonho, mas sim um objetivo concluído.

Camila recebeu o resultado da Universidade Federal de Minas Gerais, passou entre os 20 primeiros no curso de moda. Aline não passou em nenhuma universidade, mas foi contemplada em estudar na Europa, com direito a moradia numa cidade próxima a Inglaterra. Rafael foi um dos mais afortunados, passou na Universidade Federal do Paraná entre os três primeiros, onde recebeu uma quantia considerável em dinheiro da universidade como prêmio. Os gêmeos Murilo e Augusto sempre competem entre si, e ambos passaram na USP no curso de Direito, ambos entre os 30 primeiros colocados.

Todos se conhecem desde a época de colégio, sempre foram bons amigos, nos piores e nos melhores momentos. Algumas pessoas dizem que eles faziam coisas que nem mesmo a pessoa mais obscena ousaria pensar. Mas eram apenas boatos, sempre existem sem saber se é verdade ou não.

Como todos conseguiram realizar parte de seus sonhos, provavelmente este ano seria a última reunião entre eles. No 2º semestre de 2010 cada um seguirá para um caminho diferente, o que entristece o grupo. Em um fim de semana qualquer, estavam todos tomando uma cerveja e conversando sobre o que poderia ser feito.

- Pois é galera, o que será depois que cada um for embora? – Perguntava Murilo, enquanto preparava um belo copo de Mojito.

- Eu ia dizer morar juntos, mas não existem tele transportes ainda né? – Aline perguntava, num to de brincadeira.

- Dãã, para de sonhar, louca. – Camila respondeu, um pouco alterada, já que experimenta todas as bebidas que Murilo prepara.

- Já sei, como todos irão ficar este ano sem fazer nada, que tal se todos nós viajarmos pelo Brasil? Ou até mesmo para a Argentina? Nossa última grande festa! – Augusto jogou a idéia no grupo, onde todos olharam com um sorriso nos rostos.

A resposta foi única, todos aceitaram. Viajar pelo Brasil, como mochileiros, aproveitar a companhia de todos antes de seguirem caminho pela vida afora. Ali mesmo, começaram os planos do que fazer, e para onde ir. Iriam começar pelo Rio Grande do Sul, seguindo a costa brasileira até o Nordeste. Parecia uma boa idéia, um pouco diferente, mas muito boa. As garotas já pensaram em qual biquíni iriam levar na viagem, os rapazes pensaram em conseguir uma barraca, dessas que mais parecia uma mansão onde uma família de 10 pessoas poderia morar sem ter muitos problemas.

- Um brinde a nossa viagem. Amanhã mesmo irei atrás das coisas e ver as passagens para nós! – Rafael ergueu o copo de cerveja, e todos brindaram.

- A nós. – Aline falou com os olhos cheio de lágrima.

Durante a noite, todos foram bebendo, até a bebida se acabar, no caso dos gêmeos, até caírem bêbados no chão. Dormiram ali mesmo, afinal, era a casa do padrasto da Camila, e ele nunca estava por perto para ver o que acontecia por ali.

No dia seguinte, todos começaram a ir atrás dos itens para viajar. Os gêmeos foram comprar 5 passagens, as mais baratas possíveis, para o Rio Grande do Sul, Rafael foi em uma casa de camping comprar mochilas, barraca e talvez um fogareiro pequeno. Camila e Aline foram ao shopping, queriam biquínis e roupas novas. Andar pela praia sem estar de biquíni não as agradava.

- Será que este biquíni fica bem em mim? – Camila perguntou, esperando aprovação da amiga.

- Claro que fica, você poderia andar com roupas rasgadas que todos iriam olhar para você com vontade de te agarrar. Já eu, vou comprar maiô, até parece que vou me mostrar.

- Pode ir parando, Aline, vamos ver uns biquínis para você. Ficará lindo em você!

Enquanto conversavam, as pessoas olhavam para as duas enquanto experimentavam as roupas. Camila com seus olhos castanhos escuros, e os cabelos negros e ondulados, que lembrava o movimento do mar em uma noite, ficava se mostrando com o biquíni, sem se importar com todos que passavam pela loja. Aline, um pouco mais envergonhada, seguiu os conselhos da amiga, experimentou alguns biquínis de cores básicas, nada muito extravagante. Com os olhos apontando para a cor de mel, mas um pouco mais escuro, e os cabelos quase lisos, até a região dos ombros. Saiu do provador com um biquíni preto e recebeu um assovio de um rapaz que passava pela loja.

- Viu só? É este mesmo que você vai levar. – Camila escolheu o biquíni da amiga, e gargalhava.

Após alguns longos minutos pelo shopping, as duas estavam seguindo para a casa de Rafael para deixar as sacolas. Todo mundo iria ter roupa nova, aparentemente, elas se empolgaram nas compras. Chegando na casa, Murilo estava sentado no chão em frente a casa, tomando uma cerveja.

- Demoraram, ein? Bem, o Augusto conseguiu as passagens, não sei para onde ainda, mas hoje a noite saímos.

- Mas já? Nossa, não perdem tempo. Então tenho que ir em casa me despedir dos meus pais. – Aline falou deixando as sacolas com Murilo, e desceu a rua a pé.

- Meus pais estão viajando mesmo, ligo para eles de algum lugar. – Camila se sentou ao lado de Murilo. – Tem mais cerveja? Estou com sede.

E ficaram ali, bebendo e esperando o resto do pessoal chegar. Rafael chegou de carro, era um conhecido do cursinho que deu carona a ele. Rafael tirou do porta-malas uma sacola imensa, onde víamos ele suar um pouco para puxar.

- Nossa casa móvel. Vou monta-la e ver se realmente vale a pena. – Rafael só faltou lamber a sacola, de tanta emoção que falou olhando para a “casa móvel”.

Camila, Murilo e Rafael entraram. Abriram a barraca, e ficaram alguns minutos encarando-a sem saber o que saber.

- E agora? Cadê o manual? – Murilo deu um tapa nas costas de Rafael.

- É…ta em algum lugar no meio dessa zona.

- Os homens se viram nessa parte, eu vou ir assistir novela. – Camila se retirou, e foi para a sala assistir Malhação.

Após alguns tapas e socos entre Murilo e Rafael, conseguiram montar a barraca. Era imensa, de cor azulada. Ela era dividida em quartos, e tinha uma parte central que poderia ser usada para fazer uma fogueira. Era completamente acolchoada, muito confortável. Murilo tirou a camisa, mostrando sua tatuagem tribal nas costas e usou-a para limpar o suor do rosto.

- Sem passar mal dentro da barraca, vai ser trabalhoso limpar. – Murilo ouviu Rafael e ficou envergonhado, já que, normalmente, ele é um dos primeiros a cair nas bebedeiras.

Aline apareceu com uma mochila nas costas, junto de Augusto, que pulava ao redor dela, como se estivesse comemorando.

- 5 passagens para a Barra do Chuí, Extremo Sul do Brasil!!! 45 horas de viagens. Consegui praticamente de graça, e o melhor, o ônibus sai hoje as 23:45.

- Hoje mesmo?! Nossa, vou correr para arrumar minhas coisas então. – Camila pulou do sofá tão rápida que parecia um passe de mágica.

- E quem vai com a gente, Augusto? – Murilo gritou, já que estava ao lado da barraca.

- Esta é a melhor parte, apenas nós. O ônibus é todo nosso!

- Como isso? Você fez favores sexuais para quem? – Aline perguntou, cutucando as costelas de Augusto e piscando o olho direito.

- O cara da empresa disse que ninguém viaja muito para aqueles lados, e nos levaria por diversão. Ofereci apenas o dinheiro para ajudar no combustível. Muito bom, não?

- Confirmado, meu irmão fez favores sexuais.

Todos caíram na gargalhada, Augusto não gostou muito, mas riu junto.

O resto da tarde foi para arrumar as mochilas, não poderiam levar muitas coisas, afinal hotel seria luxo, iriam passar maior parte do tempo andando e acampando. Rafael foi com Camila no mercado mais próximo comprar gelo para um cooler que eles possuem. O ônibus inteiro para eles, a idéia era beber e festar o máximo que puderem.

- Não esqueçam os cigarros! – Aline gritou de dentro da casa.

A noite chegou, a expectativa era alta. Em torno das 22:00 chamaram um táxi e seguiram para o ponto do ônibus. A programação era de que iria pega-los em um posto de gasolina quase fora da cidade, e seguiria caminho. Às 22:30 já estavam no posto.

Rafael era o que estava com a maior mochila, a função de carregar a “casa móvel” ficou com ele. Cansativo, mas ao mesmo tempo, prazeroso para ele. O grupo inteiro estava vibrando, abriam o cooler e brindavam toda cerveja que abriam. A festa já começou antes mesmo da viagem começar.

23:30 e o ônibus chegou. Não era nada cinco estrelas, dava para notar algumas partes sem tinta, como se fosse ferrugem, mas nada desanimou o grupo. Possuía uma cor amarelada. O motorista desceu, parecia um clone do papai noel, mas um pouco mais acabado. Usava bermudas, uma camiseta florida e sandálias de couro.

- Vocês são os passageiros? – O velho perguntou, com uma voz rouca, como se tragasse charutos o dia inteiro sem se preocupar com nada.

- Somos nós mesmo! – Augusto respondeu.

- Bem, vamos embarcar? A viagem será longa.

- GALERA, vamos lá!!! Chuí, aqui vamos nós. – Aline berrou e foi entrando por primeiro e indo para as cadeiras finais.

- Bem, quase de graça, não vou reclamar, né? Mas poderia ter limpado um pouco. – Camila falou, num tom baixo, passando o dedo no ônibus e limpando na camisa de Augusto. Ele apenas olhou bravo para ela, mas não se importou.

Todos entraram e largaram as mochilas nas cadeiras centrais, e ficaram juntos nas cadeiras finais. Abriram o cooler e cada um pegou uma cerveja.

- A nossa última viagem galera! – Rafael brindou.

- A nossa amizade! – Murilo completou.

Todos deram uma golada nas cervejas, e o ônibus ligou. A viagem esta iniciando.

- Iremos seguir pelo litoral, caros passageiros. – A voz do motorista saiu pelos auto-falantes  do ônibus, que estavam em péssimo estado.

Eles olharam para frente, e nada viram, o vidro era forrado por insulfilm. Não se importaram. Apenas comemoram com um grito de alegria. E a viagem começou.

Destino Incerto

Algumas horas se passaram, o cooler ainda com muitas cervejas, e até mesmo três garrafas de tequila, caso alguém queira se aventurar numa viagem alcoólica. Rafael olhou seu Nokia 5800 express e viu que o relógio indicava três da manhã. Murilo ainda continuava de pé, e todos aplaudiram, mas pode-se notar seu rosto branco ficando vermelho, esboçando ainda mais seus olhos azuis. Camila tirou o cabelo liso escuro do rosto dele, no qual deu para notar que ele estava extremamente bêbado.

- Chega de beber, ein Murilo? – Aline gritou, virando a garrafa de tequila na boca.

- Aaaaa, vão começar a pegar no meu pé? Ainda estou são… – E ele tropeçou ao tentar passar de um banco para outro, caindo de peito no corredor do ônibus.

Todos estavam rindo, contando piadas, as vezes até saia uma cantada mal feita entre eles, mas tudo virando piada logo em seguida.

- Será que estamos no litoral? Quero tirar fotos! – Augusto indagou, colocando o rosto pela janela, mas tudo que conseguia ver era a escuridão e algumas árvores.

A noite estava extremamente nublada, o que não ajudava na visão exterior. A iluminação frontal do ônibus não ajudava em muita coisa, na verdade, nem era possível enxergar o motorista com aqueles vidros escuros entre a cabine e as poltronas.

- Só foram 4 horas de viagem, no máximo. Devemos estar chegar no litoral lá por meio dia, eu acho. – Rafael puxou um mapa do bolso e ficou olhando para ele, sério.

- Você nem sabe sair de casa para ir comprar pão, imagina saber aonde estamos? – Camila apontava para Rafael e caiu no colo da Aline, de tanto rir. Rafael apenas fez uma cara de mal humorado.

- Já sabe aonde você vai tomar, né? Bem lá mesmo, com areia ainda por cima.

Antes mesmo da Camila retrucar as palavras de amor de Rafael, Murilo se levantou e correu até a porta da cabine do motorista.

- Seu Zé, seu Zé, para o ônibus, quero vomitar! E não tem banheiro aqui. Seu Zé! – E ele batia na porta, e tentava abrir, mas em vão.

- Porra, Murilo. Segura ae. – Augusto tentou abrir as janelas do ônibus, mas a maioria estavam emperradas. Na última tentativa, uma fresta se abriu, com muito esforço uma cabeça caberia naquele espaço.

Rafael não pensou duas vezes e correu até Murilo, segurando-o pela camisa e o arrastando até a fresta da janela.

- Minha mãe me ensinou a nunca enfiar o dedo em buracos estranhos. – Murilo resmungava , e teimava em se aproximar da janela.

- NOSSA mãe também nos ensinou a não por qualquer bebida na boca, sua mula! – Augusto agora já estava bravo, e ainda dava uns tapas na cabeça do irmão.

- Não deixa ele passar mal, senão eu também passo mal junto! – Aline gritou levando a mão na boca, como se estivesse passando mal.

Discussão foi, discussão veio, Camila se levantou, segurou Murilo pelos cabelos e, praticamente, o jogou contra a janela, e o segurou pelos cabelos, seu rosto estava na fresta da janela, ele tentou se debater, mas em vão. Augusto mudou a expressão para um tom mais ameno, como se estivesse segurando para não rir.

- Quero ver você passar mal aqui dentro agora, trate de virar do avesso nesse buraquinho agora! – Camila falou com tanta convicção que Murilo nem tentou responder.

Foi dito e feito, Murilo começou a passar mal. Não dava para saber da onde saia tanta coisa de sua boca. Imediatamente, o cheiro de álcool começou a se impregnar no ônibus, alguns resquícios da proeza de Murilo respingou nos bancos. Aline correu até a porta do motorista gritando:

- Motora, motora, temos que dar uma parada. Sujaram o ônibus e seria bom esticarmos as pernas.

Apenas silêncio, nenhuma resposta. Ela deu com os ombros e voltou para o lugar onde estava. Um chiado ecoou pelas velhas caixas de som espalhadas pelo ônibus:

- Não se preocupem, passageiros. Em alguns minutos estaremos realizando a parada noturna. Poderão banhar-se e se alimentar. – A voz do motorista estava muito rouca, talvez pela péssima qualidade do som.

Murilo terminou o serviço, e se sentou no mesmo banco sujo, e adormeceu. Os outros se acomodaram em poltronas mais afastadas, devido ao mal cheiro. Aline estava ao lado de Camila, ambas fofocando sobre o que pretendem fazer durante a viagem. Augusto e Rafael ficava jogando em seus respectivos celulares.

O celular de Rafael indicava ser 5 da manhã, e pode-se sentir o ônibus diminuir a velocidade e fazer uma curva à esquerda. O ônibus trepidou um pouco, a estrada deveria estar mal conservada, e então parou.

- Iremos fazer uma parada de uma hora. – O motorista estava parado na porta, ninguém se quer o viu abri-la.

- Aeeeeee, estou morrendo de fome! – Murilo foi o primeiro a se levantar, mesmo bêbado, ainda tinha condições de se animar daquela maneira.

Augusto correu para segurar o irmão, mas em vão. Murilo saiu do ônibus, todos o seguiram. Murilo estava parado do lado de fora, olhando fixo para frente. Estavam em um posto de gasolina imenso, bem iluminado. Não tinha como não ser visto, e mesmo assim, não o viram enquanto o ônibus fez a curva. Não há nenhum outro veiculo estacionado, na verdade, não deu para notar nem mesmo os funcionários. O letreiro luminoso de cores verde clara indica o nome “Posto dois mundos, sejam bem vindos e se acomodem”.

- Nossa, lugar grande não? Onde será que estamos? – Augusto olhava ao redor, tentando saber aonde estavam.

- Estamos próximos do litoral de Santa Catarina. – O motorista respondeu por de trás deles, como ele havia aparecido por de trás deles ninguém saberia responder, pelo menos não agora.

- Para de aparecer de repente assim, até parece uma assombração, seu Zé. – Rafael disse, tirando sarro.

O motorista apenas sorriu, e entrou para dentro do ônibus:

- Irei limpar a sujeira do amigo de vocês, podem se acomodar. Conheço este lugar a séculos.

O ônibus seguiu mais a frente, para um lava jato que havia logo ao lado das bombas de combustível.

- Espero que ele não fuja com nossas coisas, eu caço aquele velho até o acre se for necessário. – Camila colocou a mão na cintura e ficou olhando o ônibus.

- Para de ser pessimista, o cara é gente boa, vai acontecer nada. – Augusto deu um leve empurrão nas costas de Camila para que começasse a andar.

Foram todos para o restaurante, Murilo parecia um pouco distraído, e era arrastado por Aline. No restaurante um rapaz de cabelos brancos, mas aparentando estar no auge de seus 20 anos, e com uma voz como se fosse um cantor de recitais bíblicos os recepcionou-os:

- Boa noite, passageiros da Condução. Sejam bem vindos ao nosso humilde ponto de parada. Se sentem e iremos servi-los em poucos minutos.

O mais impressionante é que havia apenas uma mesa, com cinco lugares. O resto do lugar estava completamente vazio.

- Estranho, restaurante grande, com apenas uma mesa, até parece que esperam por nós. – Rafael olhava os detalhes do lugar, mas não havia o que reparar. Paredes brancas lisas, sem nenhum quadro ou algum outro tipo de arte. Banheiros mais a frente, para cavaleiros e madames, e um espaço na parede onde notava-se a cozinha.

- To com fome! Quero uma pizza! – Murilo foi se sentando na cadeira na ponta, como um chefe de família.

- Verdade, não? Uma pizza de frango com catupiri seria uma boa. – Aline falou, passando a mão na região do estômago.

- Não, não, um cachorro quente duplo com maionese de alho. – Rafael entrou na brincadeira.

- Nossa, tudo lombriguento. Estou sem fome, se tiver, vou pegar apenas um doritos, e olhe lá. – Camila se sentou o mais longe possível de Murilo, talvez pelo medo dele ainda passar mal.

- Hahahahaha, uma costela bem passada com um arroz seria divino! – Augusto riu enquanto via o irmão de olhos fechados lambendo os lábios.

Alguns minutos se passaram, e o rapaz que os atendeu apareceu, com uma bandeja e cinco pratos, e foi os colocando na frente de cada um do grupo. O impressionante era que cada prato já estava servido, com a comida que cada um imaginou, e até mesmo bebidas que nem haviam sido comentadas estavam ali.

Todos se olharam espantados, todos sentiram os pelos do corpo se arrepiarem de tal maneira que nem mesmo o pior filme de terror poderia conseguir o mesmo efeito. Murilo nem se importou, estava devorando sua pizza de calabresa com muita vontade. Rafael se virou para falar com o garçom de cabelos brancos, mas ao se virar, não havia ninguém ali. Ele se levantou assustado:

- Que porra é essa? Cadê o cara? Como ele sabia o que queríamos?

- Estou tão confuso quanto você! – Augusto olhava para todos os lados.

Um ruído ensurdecedor ecoou pelo restaurante, vindo de fora. Todos se levantaram e correram até a porta do restaurante. O posto de gasolina já não estava mais ali, nem mesmo o ônibus. Apenas grandes árvores a uns 100 metros a frente, e uma pequena clareira mais próximo. Murilo continuava do lado de dentro comendo.

- Estou com medo! – Camila abraçou o braço de Augusto, estava se tremendo inteira.

- É uma alucinação, não? Vocês batizaram a tequila! – Aline se sentou no chão e colocou as mãos no rosto.

Do meio das árvores o motorista surgiu, cambaleando, como se estivesse bêbado. Ele chegou até a clareira e apontou para o grupo:

- Corram, ainda há tempo. – A voz do motorista era falha agora, como se estivesse com um resfriado intenso.

- Correr por que? – Rafael gritou, mas sua voz travou logo em seguida.

Uma espécie de cobra esverdeada florescente surgiu por de trás do motorista, se entrelaçou em suas pernas e seguiu até o rosto, entrando em suas narinas. Os olhos do motorista clareou momentaneamente, para a mesma cor da cobra, e voltaram a escurecer.

Ele sorriu para o grupo, e, no mesmo instante, correram de volta para dentro do restaurante. Ao darem as costas, Murilo não estava mais lá, nem mesmo era o restaurante, era uma sala prateada sem nem adorno ou detalhe, sem nenhuma outra saída. Eles recuaram até o canto mais afastado da porta.

O motorista parou na porta, sorrindo e dizendo:

- A Condução já já retorna, seu amigo esta sendo cuidado para que não infecte-a novamente. E não se preocupem, logo vocês não se lembrarão de nada, na verdade, ninguém irá lembrar de vocês.

E o salão prateado escureceu com a pior escuridão já presenciada por eles.

Final Feliz?

Rafael acordou em uma sala oval sem nenhuma janela ou detalhe. Ao consegui focar com clareza o que estava ao seu redor, notou milhares de luzes coloridas espalhadas por todo o recinto. Levantou-se e tentou caminhar, mas não conseguia sair da sala oval. Tocou o ar com a palma das mãos e sentiu como se tocasse uma parede de metal, fria e resistente. Deu dois socos e pode ouvir o eco de metal, mas não conseguia ver o que o impedia de sair.

- Tem alguém ai? – Gritou Rafael. – Onde estou? Cadê meus amigos?

Nenhuma resposta. Apenas o som de máquinas com sons estridentes ecoando pelo recinto.

Rafael se sentou no chão bruto e abaixou a cabeça entre os joelhos e ali permaneceu.

*

Camila acordou deitada sobre uma espécie de cama de ginecologista, completamente despida e presa, com suas partes intimas exposta. Tentou gritar, mas nenhum som saiu devido a um aparelho metálico preso a sua boca. Seus olhos se encheram de lágrima em sinal de desespero.

Olhou em volta e notou outras mulheres no mesmo estado que ela, todas presas com imensas tubulações na região da boca e suas partes intimas. Pôde ver que uma mulher a sua esquerda estava acordada se debatendo. Notou que o ventre da mulher brilhava intensamente e crescia a cada segundo.

Um grito abafado saiu por entre as tubulações e a mulher pendeu o rosto para o lado, deixando escorrer uma lágrima dos olhos e perderem o brilho da vida. Um som de carne sendo rasgada veio em seguida, e o ventre da mulher se abriu ao meio fazendo com que cinco cobras quase que transparentes, mas com órgãos internos luminosos saíssem de dentro.

Permaneceram por um tempo em meio ao sangue da mulher até que viu a silhueta de uma pessoa se aproximar, era Murilo caminhando calmamente até a mulher.

Camila tentou gritar pedindo socorro. Murilo se aproximou de Camila sorrindo e parou ao lado dela.

Lentamente passou a ponta dos dedos em seu pescoço e desceu por seu corpo, passando entre os seios e parando no ventre e apoiando a palma da mão.

- Você recebeu a dádiva de dar a luz para eles. – Disse ele com um tom calmo. – Irei prepará-la assim que cuidar dos filhotes.

Ele caminhou até o corpo da mulher sem vida e estendeu a mão para o que pareciam ser cobras, e eles rastejaram até seu braço. Como um passe de mágica elas entraram na pele de Murilo fazendo-o se estremecer de prazer e sumiram.

Outra silhueta surgiu por de trás de Murilo que se virou prontamente e abaixou a cabeça. O que Camila viu ela jamais iria esquecer, pelo menos enquanto estivesse viva. Parecia uma pessoa, mas sua pele era transparente, podendo ver o interior daquela coisa. Ele conversava com Murilo, um som estalado e seco, e o rapaz apenas concordava balançando a cabeça.

Ele se virou para Camila e sorriu.

- Os outros dois não servem para a mãe. Iremos usá-los para o hibrido. – Disse Murilo.

Três espécies de serpentinas caíram sobre as coxas de Camila, fazendo-a se arrepiar inteira, Murilo se aproximou dela e segurou as serpentinas. Ele sorria como se fosse outra pessoa.

Ele acoplou duas serpentinas na vagina de Camila, no qual gritou abafadamente, e a última serpentina ele acoplou em seu ânus. Murilo se aproximou do rosto de Camila e o acariciou, deu as costas e caminhou para longe dela.

Camila permaneceu presa a cadeira e olhou para o teto, notando uma gosma verde e circular presa a um tipo de jaula, com várias serpentinas presas em seu corpo. Estas serpentinas seguiam por todo o salão em que estava, onde eram acopladas a outras mulheres. Algumas estavam sem vida, outras pouco a pouco iam acordando com gritos abafados.  Um brilho verde desceu por uma das serpentinas presas a gosma e escorreu pela que estava presa em sua vagina. Ela tentou se debater para sair, mas não conseguiu.

O brilho a penetrou e a sensação foi de prazer e êxtase, e por final, relaxamento. Camila adormeceu com uma lágrima escorrendo por seu rosto.

*

Rafael ouviu um som estridente como se barras de ferro fossem friccionadas contra outro metal, procurou o que poderia ser, mas tudo o que viu foi dois seres parcialmente transparentes com seus órgãos visíveis. Eles seguravam um tipo de cabo metálico com uma ponta circular, lembrando um anel.

Um som estalado saiu da boca dos seres, e Rafael ficou de pé pronto para reagir. Avançou contra eles e trombou com um deles, no qual permaneceu no mesmo lugar enquanto Rafael tombou. O ser se abaixou e o segurou pelo pescoço erguendo-o novamente, pendeu a cabeça para o lado e o fitou nos olhos. Os olhos do ser eram azuis, sem nenhuma pupila, como se fosse iluminado por uma lanterna.

O outro ser estendeu o cabo metálico e prendeu Rafael pelo pescoço, no qual sentiu suas pernas amolecerem.

- Ande. – Rafael ouviu.

Sem entender porque, ele obedeceu. Caminhou pelo corredor à frente, completamente iluminado por luzes de aparelhos que nunca havia visto, mas aparentavam serem computadores com linguagens em forma de símbolos.

Durante a travessia pelo corredor viu várias outras salas ovais ao longo do corredor com outras pessoas gritando por ajuda ou desmaiadas no interior, mas em nenhuma encontrava seus amigos. No final do corredor viu um tipo de monitor no topo de uma porta como se estivesse monitorando seis lugares simultaneamente, e todas as imagens mostravam o interior de veículos com outras pessoas, todos com um mesmo motorista, o senhor barbado com vestes precárias.

Os seres fizeram o som de estalo e empurraram Rafael, mas ele pôde entender o que diziam.

- Apresse-se! – Disse o que segurava o cabo metálico.

Ao atravessar a porta, Rafael sentiu o ar passar por ele com muita pressão, teve de fazer força nas pernas para não ser puxado para a sala, como se ela fosse capaz de respirar, em seguida, cheiro de sangue e podridão.

A sala era escura, não era possível saber onde estava, e ele foi empurrado para continuar andando. Encostaram-no em uma parede fria e o fizeram erguer os braços, onde grampos prateados surgiram da parede, prendendo seus pulsos e suas pernas. Os seres retiraram o cabo e se afastaram.

Uma forte luz branca tomou conta do recinto, ofuscando a visão de Rafael. Ele ouviu um choro feminino e uma respiração ofegante.

- Pare Augusto. Por que estava fazendo isto comigo? – Era a voz de Aline em desespero.

Rafael conseguiu focar a visão e notou que estava em uma espécie de sala cirúrgica com três macas, alguns monitores com linguagens em forma de hieróglifos. Ele forçou  sua saída, mas os grampos forçavam seus pulsos a ponto de sentir que iria separá-los de seu próprio corpo. A dor o fazia parar e apenas observar.

Aline estava nua sobre uma das macas, presa pelos mesmos grampos nos pulsos, nas pernas e um que prendia sua cabeça pela testa. Augusto a observava sem demonstrar nenhuma emoção. Os dois seres nos consoles emitiam seus sons estalos e Augusto apenas concordava.

Ao redor da sala haviam espécies de containeres cilíndricos e  metálicos de aproximadamente dois metros e meio. Em cada um havia símbolos em forma de animais, talvez mais hieróglifos.

- O que fizemos para você Augusto? O que são estas coisas? – Rafael perguntou.

Augusto se virou para Rafael e caminhou em sua direção. Por um instante Rafael pensou ter visto seus olhos brilharem levemente com uma coloração esverdeada.

- Rafa… Não tenha medo. Se sinta honrado. Vocês foram selecionados. – Disse Augusto.

- Selecionados? Que merda é esta?

- Nós estamos purificando sua raça. Melhorando-a. E logo não iremos mais usá-los. Observe com atenção.

- Augusto! – Rafael gritou, e outro grampo saiu da parede cobrindo sua boca por completo.

Um orifício circular surgiu no teto da sala, como se ácido corroesse o metal, e um tubo desceu. Murilo saiu do interior do tubo, trajando um tipo de capa de borracha, sem nenhuma expressão, e caminhou até Aline. Ela se debatia gritando e pedindo para parar.

Murilo tocou na mesa onde Aline estava deitada e um suporte subiu ao lado com uma luva sobre ela. Ele vestiu a luva e a fitou enquanto uma leve luz azulada surgia na palma.

Enquanto isto, Augusto foi até um dos containeres e o abriu, em seu interior, um cadáver feminino com a face de Aline. Ele empurrou uma das macas e deitou aquele cadáver e o levou ao lado de Aline, que chorava em desespero.

- O que vocês vão fazer comigo? Se for dinheiro basta pedir! Mas não me machuque.

- Shhhhh. – Disse Murilo. – Relaxe, você esta prestes a ser eternizada. – Ele sorriu.

Ele encostou a luva no rosto dela e a fez adormecer. Rafael tentava gritar em vão, não conseguia forçar sua saída devido os grampos que o prendiam. Os seres não esboçavam nenhuma reação, apenas prestavam atenção nos consoles.

Augusto tocou na maca do cadáver, fazendo outro suporte com a mesma luva surgir, e ao vesti-la esticou o dedo indicador e passou entre os seios do corpo, um cheiro de queimado invadiu a sala e a abriu. Afastou um pouco o tecido, junto com os ossos da caixa torácica e deixou aberto. Era possível notar que não havia um coração.

Murilo fez o mesmo gesto com Aline, abrindo seu peito lentamente. Rafael ficou pálido ao ver o coração de sua amiga pulsando a poucos metros dele.

- Magnífico. – Disse Augusto olhando para o coração bombeando.

Com cuidado, Murilo segurou o coração de Aline e o retirou do corpo de Aline, ainda viva, e o deixou apoiado na mão, com os vasos e artérias intactos. Por um breve segundo Aline acordou e seus olhos se encheram de lágrimas, não houve tempo de gritar. Com uma precisão de médico cirurgião, ele cortou as artérias e as veias do coração de Aline, um jorro de sangue saiu do peito aberto de Aline, e ela fechou os olhos. Sua respiração parou.

Rafael tentou gritar mais uma vez, mas tudo que conseguiu foi chorar em silêncio.

Murilo entregou o coração de Aline para Augusto, que delicadamente apoiou no interior do cadáver copiado de Aline. Augusto fez um corte lateral no coração e o abriu levemente. Um dos seres caminhou até a mesa cirúrgica e observou o coração.

Ele emitiu um som estalado no qual fez Augusto sorrir.

- Só precisaremos do coração mesmo. Estamos melhorando. – Disse ele.

O ser enfiou a mão no próprio corpo, na região do fígado, e retirou uma gosma verde, na qual inseriu no corte do coração. Instantaneamente o coração se fechou e começou a bombear, mas com uma coloração verde.

Augusto apenas colocou o coração no cadáver e ele automaticamente formou artérias e veias no interior do corpo. Com o mesmo gesto de abrir o corpo, ele fechou o corpo e se afastou da mesa.

O clone de Aline ganhou uma coloração viva, e lentamente se levantou da mesa. O ser que havia retirado algo dele mesmo lhe entregou um roupão branco e emitiu novamente os sons estalados.

- Muito bem, obrigada. – Respondeu ela.

Murilo a abraçou e a beijou no rosto.

- Bem vinda irmã. – Disse ele.

- Corpo saudável. Como esta a outra fêmea?

- Acoplada a mãe. Os filhotes serão bem nutridos com ela.

Ela sorriu e caminhou até Rafael. Acariciou o rosto dele enquanto lágrimas escorriam de seu rosto.

- Calma Rafael. Logo irá passar.

Subitamente o grampo que o amordaçava retraiu.

- Por favor, não me mate. – Disse ele entre soluços.

- Não somos maldosos. Não temos porque matá-lo. – Aline sorriu.

- Irá me soltar? – Rafael perguntou.

- Claro. Você irá para casa.

Os grampos que prendiam Rafael se retraíram. Ele levou a mão esquerda ao pulso direito, massageando-o levemente. Aline indicou o caminho para a porta na qual ele havia entrado.

Ele caminhou desconfiado, passou pelo corpo original de Aline e segurou para não passar mal. Trancou a respiração e caminhou.

Antes de chegar a porta, Augusto e Murilo o seguraram pelos braços.

- Temos um presente para você antes de ir. – Disse Aline.

Ela levou a palma da mão até a boca de Rafael, no qual sentiu algo viscoso descendo por sua garganta até chegar seu estomago. O que quer que tenha entrada em sua garganta queimava ao tocar a pele interna de seu corpo, sentiu ânsia e nada saia. Augusto e Murilo o soltaram e ele correu desesperado. O corredor pelo qual ele estava antes não era mais o mesmo. Procurou por uma saída e não encontrou nenhuma. Viu uma luz de sol pela janela e correu até ela.

Parou de frente a janela e arregalou os olhos. O que via só poderia ser fruto de sua imaginação. Teve a impressão de ver o planeta visto de fora e ao longínquo o sol iluminando aquela janela minúscula.

Ele tremeu e correu achando que estava alucinando. Entrou na primeira porta que viu.

A sensação de arrependimento tomou conta de seu corpo ao entrar na sala. Milhares de mesas com mulheres nuas presas a estas, com canos e serpentinas presas em seus corpos. Algumas com seus ventres abertos, outras se debatendo ainda presas. Um urro vindo do teto fez com que Rafael se ajoelhasse levando as mãos aos ouvidos, ao olhar uma imensa gosma verde dentro de uma jaula. A gosma urrava, se contorcia e fazia com que várias serpentinas brilhassem com uma tonalidade verde. Rafael correu sala adentro tentando achar uma saída.

Até que ele parou ao ver Camila.

- Camila? – Perguntou ele.

Ela não respondeu, estava inconsciente. Seu ventre estava um pouco maior e parecia haver algo dentro mexendo. Rafael sentiu uma imensa pontada de dor na parte frontal da cabeça, e se ajoelhou gritando de dor.

Camila abriu os olhos e pode virar a cabeça para o lado. Nada podia dizer com aquele cano na boca, mas seus olhos imploravam por ajuda. Rafael não agüentou a dor na cabeça e desmaiou ali mesmo.

*

Uma forte pancada fez com que Rafael acordasse.

- Dormindo em aula novamente? – Um homem de óculos disse acordando Rafael.

Ele olhou para os lados e estava em uma sala de aula com várias outras pessoas. Não reconhecia ninguém.

- O senhor esta bem? Esta pálido. – Disse o homem.

- É… Acho que estou bem. Onde estou? – Perguntou Rafael.

- A noite foi boa não? Estamos na aula de Genética, lembra?

- Acho que vou tomar um pouco de água.

- Faça isto.

Rafael saiu da sala perdido, sem entender o que estava acontecendo. Caminhou por corredores de um prédio que não reconhecia e parou em frente a um mural acadêmico, onde prestou atenção a um jornal.

- Abril de 2011? Só pode ser brincadeira. – Sussurrou para si mesmo.

Sentiu o estomago embrulhar e correu para o primeiro banheiro que pode encontrar. Debruçou-se sobre a pia e tentou vomitar, mas nada saiu.

Augusto apareceu no banheiro e o observou.

- Ta mal ein? – Disse Augusto.

- Cara, tive um sonho muito estranho. Teu irmão parecia possuído, ele matou a Aline.

- Meu irmão? Não tenho irmão. E qual Aline? A que faz medicina?

- Para de sacanagem. Foi muito real para ser um sonho. E como estamos em 2011?

- Calma. Respira um pouco. Você deve ter comido algo que te fez mal.

Subitamente Rafael sentiu algo subir de seu estomago e ele se virou para a pia. E vomitou.

O que saiu de sua boca provara que não era sonho, ele vomitou uma gosma verde e densa. Um gosto amargo e forte tomou conta de sua boca.

- N… Não foi sonho? – Gaguejou Rafael.

Augusto passou o braço em volta do pescoço de Rafael e com a outra mão segurou sua boca, fazendo algo descer por sua boca e o queimando por dentro. Rafael caiu de joelhos no chão tossindo.

- Falta pouco. Logo ele irá controlar sua mente e você nunca mais se lembrará de nada. – Augusto sorriu.

Os olhos de Rafael brilharam e ele se levantou como se nada tivesse acontecido. Ficou de pé e caminhou para fora do banheiro, acompanhado de Murilo.

Alguns acadêmicos eufóricos pararam Murilo na saída do banheiro.

- Nossa Augusto, você é o cara. Como conseguiu essas passagens tão baratas?

- Mágica! – Disse ele com um tom alegre.

- Que triste que você não irá com a gente, Rafael. Na próxima? – Disse uma moça de belos olhos castanhos claro.

- Claro, na próxima poderei ir. – Disse Rafael.

O grupo puxou Augusto com eles, no qual parou e olhou para Rafael. Por breves segundos os olhos de Rafael brilharam e ele sorriu.

- Galera, o ônibus sai amanhã à noite, melhor se apressarem. – Disse Augusto.

- E precisa avisar? Estaremos pronto. – Disse um rapaz.

Augusto sorriu e continuou caminhando com eles para mais uma viagem.


Written by Batavo in: Agenda,Batavo,Contos | Tags:

8 Comments»

  • lobaempeledeovelha says:

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    Legal Batavinho xD

    • Batavo says:

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      Agradeço por ter gostado. =)

      ps: Faz tempo que não vejo alguém me chamando de Batavinho. Gera uma certa nostalgia.

  • Rahyra says:

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    Nossa, muito bom ! Muita coisa parecida com A Hospedeira, muito mesmo .. adoro esse tipo de coisa *-* rsrs

  • irla says:

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    Porra q coisa meu!!eu e minha prima passamos meia hora lendo essa coisa pra nada >>>>> afinal isso ai eh real ou eh um filme Brasileiro….`;( to mansa, sim!!

  • Alex Nunes says:

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    E aí, cara? Tudo certo?
    Gostei da história, ela é muito legal, apesar de não ser original. Não sei se outras pessoas que leram sentiram isso, mas eu não consegui distinguir nenhum dos personagens. Ninguém parecia ter uma características marcante e volta e meia eu me perguntava “Quem é esse aqui mesmo?” Com muitos personagens, o leitor fica confuso se o texto não for conduzido com habilidade. Você precisa melhorar também na concordância verbal, porque há muitos verbos fora de lugar e isso deixa a leitura truncada, tira toda a fluidez do texto. Outra coisa é que a parte dos diálogos podia ser melhorada para soar mais natural. As explicações das ações dos personagens após o segundo travessão, em alguns momentos, foram desnecessárias.
    Espero que não se aborreça com minhas observações. Acredite, se eu não tivesse gostado do texto eu sequer teria parado para apontar o que foi que eu não achei que estava muito bom. Se você achar as observações válidas, tente pegar o texto e tentar reeescrevê-lo até que fique melhor trabalhado. Não sou especialista em literatura, mas tô tentando ajudar. Certo?
    Quando puder, busca “Alex Nunes” aqui no ONE e dá uma opiniões sobre meus textos. Serão muito bem-vindas!
    Valeu!

    • Luis says:

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      Bem, para começar eu agradeço a crítica. Afinal, é assim que melhoramos.
      Agradeço por ter gostado, mesmo após tanto tempo sem poder escrever. Este texto eu fiz para brincar, testar o que poderia sair.
      Já me falaram sobre concordância verbal, nunca fui bom nesta parte, mas vivendo e aprendendo.
      Abraços.

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    o texto é sensacional. Muito boa a leitura, segura a gente até o fim.

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    Nossa !!! que conteúdo, um verdadeiro conto para a imaginação das pessoas.

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