Arte por Arte
Escritora: Deborah Regina de Souza Stuhl

Estava acabado.
Depois de vários dias dedicados inteiramente à sua obra e de noites insones em que sua mente refletia arduamente sobre como aprimorá-la, finalmente ele havia terminado. Descansou os pincéis na mesa, grandes companheiros na jornada, e limpou os dedos grudentos no pano que estava jogado sobre o ombro.
Analisou novamente sua tela, e ela encarou-o de volta. A luz jorrava no quarto através da janela e em sua superfície, criando uma moldura de reflexos brilhantes. Tão sublime e tão completa. Um verdadeiro convite à meditação e ao debate. Aquela era sem dúvida a janela que abriria portas no interior de cada um.
Mais satisfeito do que jamais fora com outra obra sua, o pintor cobriu sua majestosa tela com um lençol de veludo escuro, resguardando-a da exposição exarcebada. Empurrou para um canto empoeirado os esboços de sua obra-prima, telas de pequenos pecados que ele cometera enquanto tentava alcançar o divino com sua arte.
Quando tudo em seu estúdio lhe pareceu arrumado, ele então permitiu-se sentar e descansar. Acomodado no chão (pois naquele quarto atulhado de ideias ele se sentia confortável de qualquer maneira), ele se deixou levar por um sentimento de realização e orgulho.
Como pintor, seu maior desejo sempre fora retratar a beleza, pois ele acreditava simplesmente que a arte acontece onde a beleza está. Porém ele não se contentava somente em pintar graciosas formas femininas, ou paisagens edênicas, mesmo que estas o tenham levado a ser um famoso pintor contemporâneo, capaz de agradar aos olhos mais soberbos.
Ele aspirava ser o autor de uma tela cuja beleza fosse tão extasiante que transcendesse as Eras. Para tanto, era preciso que ele explorasse visões diferentes da vida a fim de capturar aquela beleza atemporal, tão fugaz em seus sonhos.
Durante meses ele mergulhou em si mesmo, procurando a solução. Pensou tê-la encontrado diversas vezes, daí os esboços, que agora eram apenas pedras retiradas do caminho. Recorreu a grandes artistas do passado, não somente pintores, como também músicos, compositores, escultores e até arquitetos. Todos percurssores de maneiras diferentes de se encontrar beleza na vida.
Até que uma noite a resposta assaltou-lhe em um devaneio com características oníricas. Levantou-se rápido da cama e partiu diretamente para o estúdio; o corpo vibrava com as ondas de excitação que viajavam por sua pele até a ponta dos dedos.
Trabalhou febrilmente em sua obra espetacular, esta que nascera do sangue e suor de seu pintor. E agora ele estava pronto para compartilhar sua visão com o mundo. Estava pronto para ganhar finalmente a voz que sempre desejara; sua arte teria afinal a repercussão mundial que ele almejara desde a primeira vez em que unira tinta e pincel.
Em uma exibição pomposa e na presença de renomados críticos e apreciadores de arte, o pintor puxaria enfim o véu que cobria sua criação, revelando a todos o mundo como ele o vê.
Repousando solenemente sobre o cavalete, estaria um espelho. A princípio, olhares espantados recobrir-lhe-iam a superfície. Porém logo depois sorrisos de aceitação iriam florescer em cada reflexo, fruto da aparente compreensão.
E então, como o último sombreado que faltava, o pintor, com um sorriso despontando na face, golpearia o espelho, deixando-o em estilhaços ainda grudados na tela. Todos os sorrisos agora espalhados em cacos.
Já chega de mentiras. A verdadeira beleza não precisa de espelhos para se refletir.
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Mt boa a narrativa… só acredito que os parágrafos ficaram de certa maneira redundantes… tlvz o texto pudesse ficar ainda mais enxuto e limpo.
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Aquela parte que tem paretenses tb pode ser cortada, na minha opinião.
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Mas ainda assim, um belo conto.
Realmente!
Muito bom, e o final quando se retrata a um espelho, fez eu me lembrar de dois contos da Samila.
Me perguntando porque esse texto está parado sem comentários há algum tempo, resolvi ler.
Me parece que o pessoal não conseguiu captar exatamente o que o texto quis passar. Talvez por culpa da autora ou mera incapacidade de compreensão.
A idéia é boa. Acho que o texto é curto pra ela e o vocabulário poderia ser melhor trabalhado. Ainda assim é uma idéia e tanto.
Sugiro que aqueles que leram, leiam novamente com mais atenção.
Concordo!
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As pessoas deveriam ter comentado mais aqui.
Concordo com vcs, guys.
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Mas ainda acredito que os parágrafos são redundantes. Tem coisa que pode ser cortada ae.
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Fora isso, concordo com o Hioto, uma idéia e tanto. Nâo sei pq não foi comentado pelos demais.
Bela temática, mas em alguns trechos o trabalho feito pelo pintor me levou a imaginar um quadro concreto, o que se contrapõe aos três últimos parágrafos, quando o espelho é revelado. O enredo é muito bom, só precisa ser mais explorado, mesmo assim achei o conto muito legal.
ficou muito legal.
principalmente o conceito da beleza.
acho que voce exagerou nos parágrafos,mas fora isso ficou uma bela obra de arte. =)
Tava sumida hein peregrina?
claro, ela é peregrina, anda de canto em canto, né Peregrina?
Concerteza!
mais já voltei,pronta para me afundar em todos os contos.
Os últimos parágrafos estão escritos de uma forma um rebuscada, mas de resto a narrativa está subtil, leve, e de muito agradável leitura.
Muito bom o conto, está de parabéns!
Bom conto, mas de dificil interpretação(gosto disso)
parabens!
Bom, é a terceira vez que leio esse conto e ainda não consegui compreender bem o que a autora quis passar.
.
Porque os “dedos grudentos” se a obra seria um espelho? O que exatamente “quebrar o espelho” iria mostrar?
.
Alguém pode explicar?
Embora seja um espelho, pelo que eu entendi o artista deve ter pintado detalhes sobre ele. Acredito eu.
Pois é, acho que houve uma pequena falha de fatos…Começa com ele repousando o pincel, seus companheiros de trabalhos, dedos grudentos de tinta…”Trabalhou febrilmente em sua obra espetacular”, ele fabricou o espelho?
A idéia do conto foi fantástica, a beleza está em qualquer um, está em todo o lugar, e no meu entendimento, mesmo que o que estamos vendo esteja distorcido e quebrado, como o reflexo em um espelho estilhaçado. Porém faltou coesão nos trechos…
Quantos aos parágrafos, não tiraria nenhum, é teu estilo esse descritivismo, e eu adoro isso, deixa assim que foi ótimo.
boa ideia, bem escrito… mt bom mesmo! b(^^)d
Três meses aqui…
E ninguém se arrisca ou melhor, poucos se arriscam a interpretar o texto. Por onde anda a autora?
\o/
Go go tirar da agenda.
Ao meu ver é ums dos melhores contos do ONE, se algum dia eu conseguir interpreta-lo vou gostar mais ainda.
auhauahuah
NÃO INTENDI BEM!VOCE PRECISA PASSAR PRA GENTE, DE UMA FORMA MAIS SIMPLES PRA GENTE INTENDER OQUE VC QUIS DIZER PQ SE NAO DIZER O DOBRO DO QUADRADOR ENTRE DIVIDIO POR PI + O RAIO DA CIRCUNFERENCIA QUE PODE SE TRAÇAR ENTRE A TERRA E O SOL!
Ãh?
Ãh 2 (a missão)?
Ufa, achei que tinha sido só eu que não tinha alcançado a profundidade dos pensamentos do indivíduo acima…
Acho que ele tentou dizer, num troço que parece português, que é tão complicado entender o conto quanto o que ele disse.
>
Deve ser isso…
Speak portuguese you have. (Yoda)
Strong, is the force in the ones, that this words, understand can.(Yoda²)
Nossa, belo conto, com um final profundo. Demorou para sair da agenda!
–
Eu acho que narrou bem. Não gosto muito do tempo da narrativa.. pretérito futuro? Sei lá, não sou bom nesses nomes!
Achei meio sem graça, mas gostei da idéia.
Até que enfim saiu!
\/
CONGRATULATIONS
>
“É preciso ter a graça, conhecer a graça, saborear a graça para encontrá-la nas coisas simples.”
A beleza está nos olhos de quem a vê (frase célebre) e, desta forma, a autora tentou evidenciar isso. Não há como retratar o verdadeiro belo. O encanto de algo bonito para um pode não ser tão evidente para outra pessoa. Nós é que determinamos o que é lindo ou feio, de acordo com nossos conceitos já incrustados em nossa alma.
Diante de tal dificuldade, o pintor não teve outro recurso para mostrar o belo, a não ser este: um espelho. Ele reflete tudo como é, independentemente do número de pessoas que o olhem e da visão deles. A beleza que só os olhos deles podem captar seria refletida… mas, ainda segundo a ótica da autora, o que é realmente bonito não precisa ser refletido. As belezas, as obras, pessoas ou coisas dotadas de beleza existem e continuarão existindo, quer a retratemos ou não. Elas continuarão diante de nós, não importa nossa opinião.
Por isso, no meu entendimento, a quebra do espelho.
Li algo que, indiretamente, se relaciona a isso. Em um livro de Jostein Gaarder (Ei! Tem alguém aí?) ele exemplifica o que seria fé. Para isto, questiona-se a existência de Deus com base em nossa crença naquilo que nos cerca. Temos os cinco sentidos. Todos eles nos auxiliam a compreender e a captar as criações ao nosso redor. Mas, se podemos crer que a força da Lua influencia nas marés, se acreditamos que a força da gravidade faz um planeta girar em torno do Sol, o que nos leva a desacreditar em uma força capaz nos puxar para fora dos ocenos e nos dar olhos e cérebros para pensar? “Às vezes penso que as pessoas que não acreditam nisso devem ter um sentido importante a menos.”.
O texto ficou muito bem escrito (o estilo da autora é sublime) e o conteúdo filosófico leva à reflexão, ao pensamento em prol de novas descobertas.
Parabéns. Continue escrevedo desta forma…
Você ajudou muito a enteder, agora na décima lida, o que o texto passa. Realmente sublime.
>
Uma pena a autora não nos dar o ar da sua graça.
Primeiro, eu gostaria de me desculpar imensamente por não ter passado aqui antes. Entre outras coisas, anda me faltando tempo, por causa do Vestibular D:
Segundo, eu agradeço a todo mundo que comentou, eu realmente achei que esse texto fosse passar despercebido por aqui xD
Agora, sobre o conto em si.
Sim, eu tenho essa mania de escreve rebuscado e às vezes (muitas vezes) eu acabo me perdendo e sendo prolixa. É uma falha minha que eu reconheço e venho buscado sanar. Os comentários ajudam muito nessa parte ^^
Sobre a dificuldade de interpretação, é outra coisa minha mesmo. Eu penso sobre o tema de um jeito, e às vezes acho que todo mundo terá a mesma visão que eu, o que não acontece sempre, né? xD
Aí, quando eu tento aprofundar a temática, quem teve uma perspectiva diferente da minha se perde mais ainda.
O que eu quis dizer sobre o texto é como o Franz Lima falou mesmo, é bem simples na verdade: a beleza é relativa.
Eu li por aí também que os “dedos grudados” geraram certa dúvida. Bom, quando eu escrevi isso eu pensei em grudados de cola, e não de tinta. Por que ele teve de colar o espelho do cavalete (não tenho experiência com arte, não sei se isso seria possível, mas pensei assim xD)
No mais, perdão novamente por ter deixado o mistério no ar por tanto tempo, não foi minha intenção x)
Tá ai um texto que eu precisava ler,parabés.