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Aug
24
2010

Cego Arrependimento

Escritor: Rodrigo Braga Scop
Todos os ossos de minha mão direita pareciam estraçalhar-se. Naquele momento, eu via meu punho encontrar-se com a parede de pedra. Um ato estúpido, desesperado. Ato que apenas somou-se a outras ações estúpidas tomadas anteriormente. Tudo aquilo estava errado, e eu pagaria um alto preço. Não precisei de mais do que um instante, daquela linda noite, para perceber que minhas ações haviam sido completamente equivocadas. Ao ouvir minha mão quebrar-se contra a parede e meu sangue colorir as cinzas pedras, reconheci meu erro.

Acabara de participar da cremação do corpo de meu pai, quando resolvi, logo após assistir ao pôr-do-sol, adentrar a taberna para relaxar. Era uma área da cidade que eu pouco freqüentava, conhecida pelas inúmeras confusões, assassinatos e roubos. Em momento algum aquele seria um bom lugar para um tipo de pessoa como eu, mas eu pouco ligava. Queria apenas sentar ali, beber algo forte e, depois, ir para casa dormir, torcendo para que eu deixasse de lado o que tanto me importunava.

Empurrei a porta da taberna e, ao analisar o local, junto do inconfundível cheiro de suor, bebida e vômito, veio-me a mente que o nome daquela espelunca não poderia ser mais perfeito: Toca dos Ratos. Não demorou mais de três de meus passos para que quase todos os presentes na taberna olhassem e analisassem a minha pessoa. Eu vestia um colete de placas e carregava o símbolo do Tigre de Kalinshir nos trajes por sobre a armadura. Sim, um guarda. Eu era membro do exército do reino. E eu caminhava em um lugar onde um representante da lei seria o último a ser bem-vindo. Carregava minha espada na cintura e meu elmo embaixo do braço. Caminhei em direção ao taberneiro, olhando para todos os lados, observando a taverna me observar. Sentei no banco e larguei o elmo no balcão.

– O que vai querer? – disse bruscamente o taberneiro.

– O melhor hidromel que você tiver. – sem tirar os olhos da multidão.

– O mais suave para você? – gargalhando.

– O mais forte, por favor. – falei devolvendo um sorriso.

No momento em que me virei para tomar o hidromel servido naquele copo sujo, pude ouvir o burburinho comum a taberna retornar ao seu nível normal. Ainda assim, sabia que todos veriam qualquer coisa que eu fizesse. Tomei um grande gole do hidromel e meu rosto tomou forma de amargura. Mal consegui engolir.

– Temos uma donzela, senhores. – anunciou o taberneiro para todo o salão.

Ao som de risadas por toda taberna, sorri e tomei mais um amargo gole. Senti-me mais tranqüilo e mergulhei em hidromel. A cada copo, a importância que eu dava para o fato de meu pai ter sido morto por uma mulher era menor. Até mesmo começava a contentar-me com esse fracasso daquele que me treinara. No entanto, uma pergunta permanecia em minha mente: eu também seria derrotado em uma luta contra uma mulher? Uma simples e fraca fêmea?

Depois de ter experimentado um copo de cada diferente hidromel à venda naquela taberna, dos quais já nem mais sentia a diferença de gosto, a perturbação continuava. Bati minha cabeça no balcão e repeti a resposta algumas vezes em voz baixa.

– Não. Eu não seria. Superei meu pai. – insistia em repetir em voz abafada pelos braços ao redor de minha cabeça.

E naquele momento, acreditei no que eu dissera repetidamente. Pedi mais um copo do hidromel mais suave, e fui servido sob os sorrisos do taberneiro. Quando dei o primeiro gole, sentou ao meu lado uma linda mulher. Usava uma calça de couro colada ao corpo e ostentava um generoso decote.

– Doshum, quero seu melhor vinho. – disse a mulher jogando algumas moedas no balcão.

– Está feliz, Áthalla? – perguntou o taberneiro enquanto servia um copo para a mulher.

– Claro. Hoje consegui uma ótima quantia de moedas com os duelos. Além de um bom cavalo. – respondeu a mulher, saboreando, logo em seguida, seu vinho.

Tentei não falar nada, mas não me contive. Uma mulher ganhar duelos não era possível. Virei para a mulher, olhei para sua pele branca e cabelos castanhos.

– Você duela? Contra crianças por acaso? – falei emendando uma risada.

O salão todo parou outra vez.

– Se você quiser, posso cravar estas minhas katares em você. – disse ela sorrindo enquanto batia nos lados de suas pernas.

Olhei para as katares atadas a calça de couro, mas meus olhos deslizaram pelas pernas, cintura e seios de Áthalla.

– Se é assim, vamos duelar. Se você perder, passará a noite comigo. – propus com um sorriso ridículo no rosto.

– Tudo bem. Se eu ganhar, quero sua espada, seu elmo, seu colete de placas e todas as moedas que estiverem com você. – disse provocante.

Eu não falara sério quando propus o duelo e a aposta. Não esperava que ela aceitasse. No entanto, eu não podia recuar. Não poderia admitir recuar perante uma simples mulher. Sendo assim, aceitei o desafio. Levantei-me, com alguma dificuldade, e paguei ao taberneiro pelos copos de hidromel. Áthalla jogou mais algumas moedas no balcão e pegou a jarra do vinho.

– Já que ele bebeu um pouco, beberei um pouco mais. Tenho que dar uma chance. – piscando para Doshum.

– Esse será um duelo muito fácil para você. – decretou o taberneiro.

O fato de meu pai ter sido morto em um confronto contra uma mulher voltou à minha mente, fazendo com que eu ficasse enfurecido.

– Se você está sugerindo que eu vou perder para uma mulher, você está muito enganado. – disse já esbravejando.

Saímos acompanhados por algumas pessoas que desejavam ver o duelo. Uma das arenas da cidade não ficava longe. Ao chegarmos, o público se posicionou ao redor e nós, entre quatro paredes de pedra, das quais aqueles que assistiam ficavam em cima, começamos o duelo. Àquela altura, a mulher já havia bebido toda a jarra de vinho, no entanto, parecia brincar comigo. Seus movimentos pareciam caçoar da forma como eu lutava. Eu cada vez ficava mais irritado; cada vez lutava pior. Ela me atingira duas vezes, pequenos cortes, que deixaram ainda mais evidente como ela parecia tratar-me como seu brinquedo. Ela exibia-se para a platéia, que a exaltava.

– Eu não serei derrotado por uma mulher. Não sou como meu pai. – gritei enfurecido antes de atacar.

Áthalla não teve dificuldades em defender meu ataque e derrubar-me no chão com um rápido jogo de pés. Levantei-me ainda mais enfurecido. Sentia raiva de mim, dela, de meu pai.

– Vou te matar. Não sairá viva daqui. Sou homem, ao contrário de meu pai. Não perderei para uma simples mulher. – insistia em repetir para mim mesmo em voz mais alta do que gostaria.

Não sei por que eu continuava repetindo que eu não era igual a ele. Talvez eu precisasse afirmar a mim mesmo que ele fora ridículo ao ser derrotado por uma mulher.

– Quando seu pai morreu? – perguntou ela.

– Ontem à noite. – respondi reunindo minha raiva para mais uma investida.

– Infelizmente, não fui eu que matei seu pai. Não mato alguém faz alguns dias já. Na verdade, acredito que você será o primeiro do mês. – com um tom de ironia que não pude agüentar.

– Você vai pagar por ter falado isso. Abusarei do seu corpo, mesmo depois de morta. – sorri em deleite ao imaginar.

– Façamos assim. Terá uma chance. Lutarei apenas com uma katar. – jogando a katar da mão esquerda no canto da arena. – deixando transparecer crueldade em seus olhos.

E avancei. Pensando em nada mais do que feri-la. Rasgá-la toda. Poder afirmar a mim mesmo que eu era melhor que meu pai. Que eu não seria derrotado por uma simples mulher.

Ela apenas seguiu defendendo minhas investidas e recuando. Até o momento em que ela se viu encurralada perto de uma das paredes. Tive certeza da vitória, mas estava errado. Ataquei visando o joelho dela, mas ela deteve a espada com sua katar. Empurrado por uma enorme raiva, por uma gigantesca vontade de derrotar aquela mulher, acabei soltando minha mão direita do punho da espada e tentando desferir um soco forte em seu rosto. Ela esquivou e minha mão quebrou-se na parede. Senti a dor e aceitei que seria derrotado. Que seria morto. Que eu fizera tudo errado.

Senti grande dor quando ela passou a lâmina da katar na parte anterior de meu joelho, fazendo com que eu caísse de joelhos de frente para a parede, olhando o sangue de minha mão escorrendo pelas pedras. Apenas conseguia pensar em meu erro. Não esbocei qualquer reação. Pude ver, pela sombra de Áthalla na parede, que ela parara exatamente atrás de mim. Mesmo querendo, eu não conseguiria atingi-la naquela posição.

Ela encostou a ponta da katar no alto de minhas costas. Lembrei de meu pai, morto por uma mulher. Percebi que eu armara toda aquela confusão apenas para, no final, acabar derrotado por uma mulher. Eu reconhecia meu erro. E já me contentava.

Senti a ponta da arma de Áthalla penetrar em minhas costas. Naquele último instante, meu erro continuava claro em minha mente. Só pude pensar na idiotice que eu havia feito. Minha estupidez, o motivo de eu estar ali prestes a morrer. Um sorriso surgiu em meu rosto.

Eu não poderia ter bebido.


Categorias: Agenda,Contos |

3 Comments»

  • Thainá Gomes says:

    vale a pena ler ficou grande eu não sei muito o que comentar me agradou.

  • Rainier Morilla says:

    Gostei do conto, a narração ficou bem fluida, entretanto há algumas coisas que poderiam ter ficado melhor.

    Em apenas 4 parágrafos seguidos a palavra hidromel aparece 6 vezes. Evite essa repetição de palavras utilizando alguns sinônimos ou adjetivos.

    Outra coisa que ficaria interessante é você entrar mais fundo no sentimento do personagem. Embora você fale, ficou meio superficial. Não senti a tormenta e angústia que ele deveria sentir. (Usar analogias ajuda tbm.)

    • RodrigoBS says:

      Concordo Rainier. Repeti muito ali mesmo. Melhorarei isso.

      Eu não curti muito esse conto que escrevi. Na verdade, eu tive essa mesma impressão. Não consegui dar a profundidade que dei ao “Oh, Shakka” ou a outros contos que tenho aqui já escritos.

      Agradeço a opinião. 😀 Trabalharei para melhorar.

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