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ingressos para a luta variaram com o tempo e local no estadio de 200 a 1300 reais nos últimos dias.
Aug
12
2010

Joana – A mulher da minha vida.

Escritor: Andre Manente

Bem, deixe-me apresentar. Sou o Joaquim. Eu trabalhava num armazém na cidade de Uberaba em Minas Gerais. E, quando vi Joana pela primeira vez, me encantei completamente. Ela vendia flores na pracinha perto do armazém onde eu trabalhava. E, todos os dias nos vimos. Ela era uma moça linda, simples e elegante ao mesmo tempo. Vestia um vestido azul claro com renda branca, usava os cabelos soltos, e quando o vento batia, seus cabelos dançavam no ar. Eu nunca falava com ela, nem ela comigo. Apenas nos olhávamos.

Eu, era um rapaz educado, gostava do meu trabalho. E no fim de semana saía com meus primos para um bar que tinha forró até ao amanhecer. Se divertíamos um pouco, e íamos embora. Eu morava com cinco primos meus, Adolfo, Alfredo, Rodolfo, Mario e Lourenço. Também minha mãe e minha tia moravam com nós. Ah! E a dona Marieta. Uma vizinha nossa, que mais ficava em casa, do que nós mesmos!

Então, voltando ao meu amor. Um dia, no fim de tarde, Joana caiu enquanto andava para voltar para sua casa, eu fui ajudá-la! Lhe perguntei seu nome, ela me disse:”Joana!” Eu, me apresentei. E, depois desse dia, sempre nos falávamos. Comecei a amá-la perdidamente, e um dia tomei coragem e a chamei para tomar um sorvete.

“No domingo pode ser?” perguntei a ela.

“Pode sim!!” respondeu elegante.

“Tudo bem, então, domingo passo na sua casa. E nós vamos para a sorveteria!!” falei

“Certo” concordou ela.

Meus primos zombavam de mim porque eu ficava como um bobo olhando para ela. Meu primo Alfredo, a conheceu também. Mas, não deixei ele conversar muito com ela. Afinal, eu a amava, e não queria ela perto de nenhum homem, a não ser de mim.

No domingo, depois do almoço, passei na casa dela. Chamei por ela, sua mãe me atendeu muito bem. “Ela já irá descer, rapaz!” disse. Então, Joana desceu alegremente a ladeira de sua casa, e fomos. Ela estava tão linda, com aquele vestido amarelo e o chapéu combinando. Ela me perguntou se eu a amava. Estranhei, logo no primeiro encontro ela ser tão direta.Mas, fui sincero e respondi claramente: “Sim, eu a amo!” Ela sorriu e disse; “Eu também o amo!” Então, demos as mãos e fomos a sorveteria.

Mas, meu primo Alfredo estava lá. E começou a zombar de mim. Chamou os meus outros primos, e diziam bem alto na sorveteria: “Joaquim bobão, ama a bundão! Joaquim bobão, ama a bundão!” Joana tentava me tranqüilizar, mas eu não suportei, parti pra briga com meu primo Alfredo, e nos pegamos ali na sorveteria. Porém, para acalmar a situação, o dono da sorveteria nos pôs para fora, inclusive Joana, que ficou decepcionada comigo, ela não disse nada; mas via em seu rosto a humilhação que passou.

Levei ela de volta, já era umas três da tarde. Na porta da casa dela, pedi desculpas pelo o ocorrido. Ela disse que estava tudo bem, e que me amava. Eu sorri. Então, o pai dela apareceu na janela, e gritou: “Joana!! Entra!! Agora…” Ela disse.”Já vou, papai.”, Ela voltou para mim e disse:” Tenho que ir. Meu amor.” Eu fiquei muito feliz por ouvir isso dela. Ela entrou para casa, e eu fiquei ali, uns vinte minutos depois que ela entrou. Pensando como eu a amava.

Quando, cheguei em casa, minha mãe estava me esperando para brigar comigo. “Fiquei sabendo da pouca vergonha na sorveteria!” gritou ela comigo. “Mãe, eu só levei uma namorada minha para a sorveteria.” respondi. “Namorada?” perguntou ela ironicamente. “Onde já se viu, meu filho namorando na sorveteria?!! Onde errei meu Deus?” dizia ela. “Mãe, o que aconteceu, foi que o Alfredo, levou o Rodolfo, Adolfo, Mario e o Lourenço, para caçoarem de mim lá! Aí, eu não suportei, parti pra briga ali mesmo!” disse. “Eu sei disso também! Mas, eles tem que vigiar você! Que não me está saindo boa cousa! Está de castigo, rapaz!! Proibido de sair no fim de semana por um mês.” ordenou ela. “Mas, mãe!!” insiti. “Nada de, mas” continuou ela.

Confesso, deu vontade de me matar!! Como eu ia sair com a Joana agora! Bem, pelo menos eu a via na pracinha vendendo flores.

O dia amanheceu chuvoso, porém, mesmo assim, eu tinha que ir trabalhar. Observava durante todo o serviço, Joana, debaixo de um guarda chuva, vendendo suas flores. No horário do almoço, não hesitei em falar com ela. A procurei. Então, ficamos debaixo de um coberto.

“E o seu primo Alfredo? Se acertou com ele?” perguntou ela a mim

“Não. E nem quero me acertar!” respondi.

Ficamos ali, um bom tempo, conversando, conversando e conversando. Até, que tomei coragem e perguntei a ela se eu podia beijá-la. Ela respondeu que sim, mas demonstrou receio. Então, demos um longe beijo apaixonado. Me senti nas nuvens, perdi meus sentidos, minha consciência. Eu a queria pra mim, só pra mim. Mas, quando as coisas estão muito boas, sempre acontece algo de errado, e, naquele momento não foi diferente. Minha mãe que passava ali por perto, nos viu. E, gritou.

“Joaquim!!!”

Olhei e a vi, não me preocupei muito naquele momento com ela, a ignorei, e continuei ali com Joana. Minha mãe, resolveu nos deixar ali, a sós.

Então, terminando o horário de almoço, eu voltei ao trabalho e Joana continuou a vender flores. Passado o dia, cheguei em casa. Procurei por minha mãe. Quando a encontrei ela estava sentada na beira da cama em seu quarto. Entrei.

“Mãe?” perguntei cismado.

Ela nada respondeu. E, quando me aproximei bem. Ela se virou pra mim, me bofeteou, e começou a gritar.

“Vagabundo!! Sem vergonha…isso não se faz no meio da rua!!”

Minha tia e meus primos a seguraram para ela não me partir a cara. Mas, eu me revoltei. E, gritei com toda a minha força!!

“Quero que a senhora morra!! Entendeu? Morra!! Eu vou ficar com a Joana!! Eu a amo.”, então me virei e saí. E, observei um silêncio que invadiu a casa. Fui para o meu quarto, deitei e dormi.

Meses se passaram…continuava me encontrando com Joana no serviço, e saía com ela nos fins de semana. Eu e Alfredo não nos falávamos mais. Minha mãe, adoeceu. E, fiquei muito preocupado com ela. Em todo o momento passava sobre minha mente, o que eu a tinha dito. Ah! Se arrependimento matasse…Minha tia, cuidava da minha mãe. E, um dia, a peguei chorando na cozinha. Perguntei o que havia acontecido. Ela, porém, disse que não era nada! Ela estava estranha, não estranha comigo, mas sim, estranha com tudo.

Alfredo dizia que arrumou trabalho e que ia sair de casa. Eu não cria muito, até porque, ele era braço curto. Meus outros primos…bem…nem olhavam mais no meu rosto. Não sei o que eu tinha feito a eles. Mas, o clima em casa só ia piorando.

Lembro que um dia, minha mãe me chamou no seu quarto, já era a noite, quase hora de dormir.  E, ela me disse umas coisas, nas quais nunca irei entender.

“Meu filho, se algo acontecer comigo. Trate bem a tia Célia. E, cuide de seus primos. Acho que meu fim está chegando!”falava ela.

Eu, segurei-me para não chorar. Mas, as lágrimas foram mais fortes, deitei com minha mãe e me pus a chorar.

Joana demontrava cada vez mais o quanto me amava. Ela, brigava com seu pai quase todos os dias por causa de mim. Ele falava que eu não era moço decente. E o que era decência pra ele? Ter dinheiro? Me subia o sangue quando Joana me falava essas coisas.

Então, um dia, quando eu levei Joana para o Festival da cidade. Disse a ela que logo iríamos nos casar. Ela sorriu e ficou feliz. Ofereci a ela um lanche. Ela aceitou. Então, me retirei para ir comprar os lanches, quando voltei, ela conversava com Alfredo. Olhei para os dois desconfiadamente, Alfredo olhou para mim, com desprezo. E, Joana olhou preocupada, com receio de causar brigas novamente. Mas, Alfredo, evitou a briga. Saiu. Sentei-me com ela, e perguntei.

“O que ele queria com você?”

“Nada. Estávamos apenas conversando!”

Fingi que não dei importância. Mas, ardi de ódio.

Como todas as vezes, eu estava trabalhando no armazém. Era a tarde. Já havia passado o almoço. Joana, estava lá. Vendendo flores. Aliás, eu ficava imaginando o dia que eu tiraria Joana dessa vida, de vender flores, ela merecia coisa melhor Ser uma dama. Quem sabe?! Mas, inesperadamente, Rodolfo foi procurar-me no armazém.

“Joaquim! A sua mãe não está bem!” chegou gritando, para a cidade inteira ouvir.

Joana também ouviu. Ficou preocupada e saiu correndo atrás de mim e do Rodolfo. Ao chegar em minha casa, a tia já estava chorando, meus primos estavam cabisbaixos, os médicos já ligavam para acertar o velório. Cheguei, olhei em volta. E, percebi: era tarde demais! Joguei-me no chão com vontade de morrer. Joana chegou depois. Abaixou a cabeça. E, consolou-me.

Horas mais tarde, já estávamos velando o corpo de minha mãe. Os médicos falavam que ela tinha Tuberculose, um doença que não havia cura, pelo menos, na época. No velório, estavam presentes, eu, meus primos, minha tia, Joana, o pai de Joana, a mãe de Joana e o padre. Chovia muito. E, eu também. Joana tentava me consolar. Mas, era quase que impossível. Talvez, eu tivesse sofrido menos se eu desse mais valor em minha mãe.

“Calma amor. Ela vai para um lugar melhor! Eu estou com você até a morte.” dizia Joana.

Mas, era como se eu não ouvisse.

Ao fim, a enterraram. Todos me deram seus sentimentos, exceto Alfredo, que guardara mágoa de mim. Mas, eu não me importava. Eu o odiava.

Quando cheguei em minha casa, tirei a roupa, tomei um banho gelado, deitei e dormi. Ao amanhecer, não fui trabalhar, estava dispensado do serviço pelo motivo de luto. Era um sexta. Minha tia, gritou durante todo o dia que era minha culpa a morte de mamãe. Minha vontade era de voar no pescoço dela. E, dizer que a odiava, como odiava o filho dela “Alfredo!”

No fim do dia, Joana me procurou, chamou-me para sair.

“Não, amor. Não estou com coragem de sair lá fora. Deixe-me aqui!” disse eu a ela.

“Você precisa sair. Esparecer um pouco.” insistiu ela.

“Cala a boca! Não quero esparecer. Quero minha mãe!” gritei com ela, brutalmente. Alfredo e meus outros primos ouviram e olharam para ver o que estava acontecendo. Minha tia olhou. E, fingiu que nada havia acontecido. Joanam, virou as costas e saiu, sem se despedir.

Tentava esquecer o ocorrido. Já havia passado três dias, desde que minha mãe faleceu. E, desde então, não vi mais Joana. Ela, devia estar rancorosa comigo. Com razão. Mas, era segunda. Fui trabalhar, Joana estava lá. Vendendo flores. No horário de almoço a procurei. Mas não a encontrei. Fui então, até sua casa, também não estava lá. Fiquei preocupado. Mas, já havia acabado o horário de almoço. Voltei ao trabalho. E a vi lá. Trabalhando.

No fim do dia, tentei falar com ela. Ela me disse

“Joaquim, preciso contar-lhe uma coisa.”

“Fala, meu amor!” disse eu a ela, abraçando-a.

“Eu te traí.” disse ela, assim, na telha.

Me afastei, fiquei branco, roxo, azul, dourado. Senti um peso em minhas costas, senti como se eu tivesse sido humilhado, pisado e massacrado. Enlouqueci. Perdi meus sentidos, dessa vez, por decepção. Então, levantei a mão e dei uma bofetada em sua face. Ali mesmo, na frente de tudo e de todos. Joana caiu no chão de tão forte que foi minha bofetada.

“Bate mesmo! Eu mereço. Te traí com o Alfredo.” gritava ela, já caído ao chão.

“Vagabunda!” gritei eu.

O pai dela, apareceu, não sei da onde. Quis me bater, mas Joana, impediu gritando:

“Pai, deixa! Ele está certo. Eu o traí com seu primo.”

Então, o pai dela, olhou para mim com um olhar sincero e profundo. Pegou ela por seus cabelos e foi arrastando para sua casa.

“Que baixaria!” dizia uma senhora moradora da região.

Criou tumulto em volta. Todos olhavam para mim. Apenas para mim. Ao chegar em minha casa. Alfredo riu.

“Tudo bem, priminho?!”

Senti forte desejo de acabar com ele. Ali. Na lata. Mas contive-me.

“Vão se casar?” perguntei

“Quem?”disse ele

“Você e Joana.”

Alfredo começou a rir. E, a dizer:

“Nunca! Joana é mulher das noites!”

Perdi a paciência. E brigamos.

Passado alguns dias, Joana não ia mais vender flores na pracinha. E, confesso, sentia muita falta dela. Imensas saudades. Joana, eu e Alfredo estávamos na boca de toda a cidade…Por falar nisso. Alfredo começou a trabalhar. Eu estranhei. Ele era braço curto. Nunca ajudou em casa. De repente começou a trabalhar? Era duvidoso.

Em casa, minha tia disse.

“Soube que Alfredo está trabalhando?”

“Sim…onde?”

“Num restaurante, no centro.”

“Muito bom.”

“Ele irá se casar, então, agora precisa começar a trabalhar!”

“Casar?”

“Sim…ah! Você, pelo visto, não soube da outra novidade?”

“O quê?!”

“Joana será mãe! Ela está grávida!”

Outra decepção.

“Sei…que você tem muita inveja de meu filho. Mas, Joaquim, Alfredo sempre foi muito melhor do que você, em tudo. Desde crianças, ele era mais amigo de todo mundo do que você. E, você ficava chorando, gritando, batendo nele. E, ele sempre te batia no fim da história. Mas, não liga não. Ainda te consideramos.” dizia aquela víbora vestida de amarelo.

“Titia, não preciso de vocês. Vou embora dessa casa…amanhã mesmo!” disse eu sem pensar.

Eu já ia saindo, mas minha tia segurou-me pelos braços e soltou.

“Vai voltar se arrastando para essa casa, muleque!” disse.

Então, sai. Quando, Alfredo chegou perguntou por mim. Foi até o meu quarto. Deixei-o entrar.

“Só vim te avisar. Que eu vou casar com Joana.” disse

“Certo. Sejam felizes.”

“Feliz? Impossível ser feliz com aquela mala sem alça!”

“Não fale assim dela. Não fez um filho nela?! Assuma!”

“Parece o pai dela falando. Devia ter deixado ela com você. Aliás, fui eu que a tirei de você.”

“Saia.”

“Porque?!” disse irônico, Alfredo.

“Saia!” gritei

Alfredo e Joana casam-se. A tia faleceu, logo depois do casamento, Rodolfo havia se casado e mudado para longe. Mario foi preso. Lourenço virou mulher. e Adolfo, seguiu a carreira artística na Espanha.

Alfredo havia feito sociedade com o restaurante em que trabalhava, estava ganhando muito dinheiro. Joana, parecia ser feliz, com o seu filho Gustavo de 6 anos. Bem…e eu? Eu continuei trabalhando no armazém. E, o mais triste disso tudo, foi que quando olhava para pracinha não via Joana lá, vendendo flores. Eles moravam ali perto do armazém, não muito longe, cerca de 5 minutos.

Um dia, Alfredo ia passando de carro, e resolveu parar para me cumprimentar. Não sei o que tinha dado nele, mas me tratou como gente.

“Olá, meu primo! Tudo bem?” disse ele

“Sim…tudo bem…”

“Olha, amanhã iremos dar uma festa em casa. Comemorar negócios. Joana pediu para chamá-lo, mas eu pensei que você não ia aceitar, você é um homem muito ocupado nesse armazém, não é?! Mas, ela insistiu muito, E, estou eu aqui.”disse ele.

“Está certo. Vou ir.”

“Sabe onde é?!” perguntou ele.

“Sei.”

Então, ele saiu… Pegou o seu carro e partiu. Olhei para a janela de sua casa, e vi Joana olhando-me. O que ela queria olhando para mim? Oh, Céus! É uma mulher casada.

Passado o dia. Foi para minha casa. E, deitado em minha cama. Pensei:

“Joana teve sorte. Casou e está feliz, se tivesse casado comigo, estaria aqui. Nessa espelunca”

Ao amanhecer, fui trabalhar, porém, já estava cansado daquele serviço. Eu era muito humilhado lá. Mas, era meu ganho pão. Precisava do dinheiro. Quando apareceu uma bela jovem.

“Olá” disse ela.

“Olá…o que a senhorita gostaria?” perguntei eu educadamente.

“Uma informação… onde fica a casa do Sr Alfredo?”

“Ah! Mora ali.” disse eu apontando a casa.

“Obrigada…”

“O Alfredo vive saindo e deixando a Joana sozinha, diz que é serviço.” disse eu.

“O senhor os conhece?”

“Eh… Bem… sou primo do Alfredo.”

“Que interessante. Bem, vou uma festa lá hoje. Queria me acompanhar?”

“Bem, preciso me arrumar…”

“Eu espero.”

Então, fomos

Ao chegar na casa de Joana e Alfredo, percebi que não havia muitos convidados. A casa deles era impressionante. Muito linda! Na sala havia os prêmios que Alfredo conseguiu como o melhor empresário de Minas. Joana estava deslumbrante. Vestida com um vestido elegante e caro, pelo visto. Alfredo estava com palitó. Havia importantes convidados. Alfredo nos recebeu bem. A mim e a bela jovem. Joana me olhou como se a tivesse esquecido. Mas, seria impossível. Eu a amava e sempre a amaria. Mas, estava com raiva dela. Rancor. Algo desse tipo.

Então sentamos na sala. E, Alfredo começou a conversar de negócios com aqueles homens que me olhavam estranhamente. Alfredo me apresentou

“Esse é meu primo, Joaquim, ele trabalha no armazém aqui perto.” disse Alfredo

Aqueles homens e aquelas mulheres me olharam com certo desprezo. Aliás, porque será que Alfredo quis me convidar? Estranho. Eu e Joana, até então, não havíamos conversado. E, nem queria conversar com ela. Queria logo, que ela se jogasse em meus braços. Mas, seria impossível.

As horas foram passando, e, percebi que Alfredo apenas me convidou porque queria se gabar do seu sucesso. Eu o conhecia muito bem, o tempo não havia de mudá-lo. Joana, continuava sentada no sofá, com Gustavinho, em seu colo. A bela jovem, na qual eu não sabia o nome. Sentou-se do meu lado. E, não largava do meu braço.

Até o momento, tudo parecia normal. Foi, então, que percebi algo de estranho. Joana foi servir café, e acidentalmente, deixou cair uma xícara no chão, antes de servir. Joana ficou envergonhada. Mas, Alfredo a tratou muito mal.

“Você não presta nem pra isso, Joana! Pelo amor de Deus. Eu aqui conversando de negócios. E, você destruindo os objetos da casa. Francamente. Não serve para ser dama” disse ele.

Joana abaixou a cabeça, e deixou cair uma lágrima de seus olhos. Correu para o quarto. E, trancou-se lá.

Quando havia acabado a festa, todos foram embora, sobrando apenas eu e a bela jovem que estava comigo. Joana não desceu mais de seu quarto. Então, quando fomos nos despedir de Alfredo para sair. Alfredo beijou aquela bela jovem, com certa intimidade.

“Te encontro no mesmo lugar de sempre, certo?!” disse ele.

“Tudo bem. Sua mulher não pode desconfiar.”

“Ela é uma burra… nem vai notar.”

Confesso a todos. Se eu não tivesse amor a mim mesmo. Teria matado Alfredo naquele instante!

“A vida é mesmo sem graça!” pensava eu, sentado, em frente ao armazém. Já havia se passado alguns dias daquela festa. E, nunca mais vi aquela jovem que me acompanhara. Aliás, ela não era tão bela assim. Ela era, pelo visto, uma mulher da vida. Também, não tinha visto mais Joana, muito menos Alfredo, que enche a boca para dizer que tem um trabalho importantíssimo.

Entretanto, um dia. Sentado na frente do armazém, pensando como a vida fora ingrata comigo. Joana passou com seu filho em seus braços. Aproximou-se de mim. E, perguntou.

“Como anda a vida, Joaquim?”

“Bem, senhora.”

“Senhora? perguntou ela, espantada. Fiquei em silêncio, para não a contrariar.

“Não sou senhora. Sou mulher do seu primo.”

Olhei rancorosamente em seus olhos. E, disse

“Sim, claro. Eu vi como ele a ama na festa!” disse sem pensar.

Ela abaixou a cabeça, ficou sem jeito e disse-me.

“Meu marido, bem, ele sairá essa noite. Não ficará em casa. Estará viajando. Por isso, vá em casa, preciso lhe perguntar uma coisas.”

Porém, eu respondi

“Minha senhora. Sou um homem de respeito. E, a senhora é a mulher de meu primo. Não farei tal.”

“O quê?” perguntou espantada. Após, uma pausa, soltou.

“Estarei esperando- o do mesmo jeito.” disse.

Joana saiu. Fiquei pensativo se deveria ir ou não. Mas, eu sabia que no fundo, não podia ir. Era errado. Estaria me rebaixando ao nível de Alfredo. Mas, ao mesmo tempo tentava adivinhar o que Joana queria falar comigo? Não fazia ideia. Mas, então, resolvi; esquecer esse assunto. E, ir para casa.

À noite, estava em casa. Alguém bateu em minha porta. Abri, era Joana. Ela, logo foi entrando sem ser convidada.

“O que faz aqui, Joana?” perguntei, espantado e nervoso.

“Fiquei te esperando. Você não apareceu como disse. Então, resolvi vir eu mesma falar com você.” disse

“Sabe que é errado vir aqui! É casada. Se te vejam vindo aqui. Será repudiada por seu marido!” eu disse nervoso.

“Só vim perguntar, se meu marido e aquela jovem, que estava com você naquela festa, eles têm um caso?” perguntou diretamente.

“Bem… eu não sei se…hum…certo! Vou falar…Eles se beijaram ontem na festa! Enquanto você estava no quarto trancada.”

“Sabia…”

“Mas, ele é o marido. Então, já sabe. Não pode repudiá-lo!” eu disse.

“Eu sei. Já me vou. Meu filho está com a vizinha.”

“Tudo bem.”

Então, quando ela ia saindo, ela voltou-se para mim. E, beijou-me intensamente. E, assim, ela acabou ficando por lá, a noite inteira.

Joana acordou cedo, e foi correndo para a sua casa; pois tinha que tomar seu filho na casa da vizinha. Quando acordei, não a encontrei mais em minha casa. Levantei e pensei.

“Oh… meu Deus!! Como eu pude fazer algo tão errado!? E Joana? Se pegam Joana ela será repudiada e nunca mais casará. Lembro-me quando éramos moços, formosos, charmosos e tudo mais. Hoje, estamos já ficando velhos. Velhos parcialmente, temos apenas 34 anos. E, estou solteiro.” pensava.

Joana foi buscar seu filho, a vizinha perguntou.

“Onde esteve mulher durante a noite toda?”

“Estava ocupada!”

“Eu a vi entrando na casa do Joaquim do armazém!”

“Não é do interesse da senhora!” disse Joana racorosamente, tomou seu filho e saiu.

Joana chegou em sua casa, colocou seu filho em seu quarto, pois ele ainda estava dormindo, desfez sua cama, para enganar Alfredo quando chegasse.

Não passado muito tempo, Alfredo chegou. Foi até seu quarto, e viu Joana deitada na cama.

“Como foi a viagem?”

“Que viajem? Ah… a viagem… foi ótima!”

“Que mancha é essa na sua camisa?” perguntou Joana aproximando-se de Alfredo. “É batom?!” disse ela, concluindo.

“Você está me traindo, não é?! Alfredo.”

“Claro que não, Joana.”

“Você pensa que sou trouxa!” gritou Joana ardentemente, bofeteando Alfredo. Ele olhou para Joana, e devolveu a bofetada.

“Nunca mais faça isso, vagabunda!” disse ele, saindo do quarto. Porém, Joana não se conteve. E, voltou a provocar.

“Se você pode me trair. Eu também posso!” gritou.

Alfredo que já ia saindo do quarto, voltou, tirou sua cinta. E, disse

“Agora você vai se arrepender de ter nascido, sua desgraçada!” disse Alfredo. E, então, Alfredo bateu em Joana, até aproximadamente o horário do almoço.

Eu estava em minha casa. Cada vez mais encantado pela noite que passei com Joana. Talvez, eu tinha a esquecido. Esquecido, parcialmente. Mas, meu amor por ela, só tinha a aumentar. Então, naquele dia, não fui trabalhar. Era minha folga. Fui passear no parque, com esperança de encontrar a minha Joana.

Mas, horas passavam, e nada, ela sempre ia naquele parque. Mas, nada! Decidi então voltar para minha casa, liguei o rádio, e comecei ouvir as notícias da 2° Guerra Mundial.

Passado dias, Joana mandou-me uma carta, mandado pelo um garotinho da rua. Então, comecei a ler.

“Meu amor, meu marido realmente está me traindo. Não sei o que eu faço. Não posso sair de casa. É, um perigo. Temo por meu filho, Gustavinho, não posso deixá-lo para trás. Mas, amanhã de manhã, meu marido irá sair novamente, voltará apenas daqui 12 dias. Ele irá numa Conferência Internacional em New York. Então, estarei aí. Durante os 12 dias. Depois veremos o que fazemos. Te amo para sempre. Joana!”

“12 dias?!” pensei.

Então, amanhecido. Joana bateu em minha porta, abri, ela entrou. E, jogou-se em meus braços. Ficamos juntos ali por horas. Depois, ela tocou nos assuntos do passado.

“Você ainda tem raiva de mim por eu ter te largado e ter ficado com o Alfredo?” perguntou ela.

“Isso é passado!”

“Não quer falar sobre isso?”

“Não.”

“Porquê?”

“Porque me dói até hoje.”

“Perdão!”

“Perdoada. Se eu não a tivesse perdoado, não estaria aqui.”

“Tem razão.”

“E o seu filho?”

“O quê?”

“Ele tem quantos anos?”

“06 anos. Desde, que aconteceu tudo aquilo.”

“Ah, pois é.”

“Joaquim, lhe confesso uma coisa. Quero ficar com você para sempre, eu, você e Gustavinho. Vamos fugir?! Vamos sair dessa cidade para sempre. Vamos embora! Ninguém nunca vai nos encontrar.” a ofereceu.

“Está disposta a abandonar seu marido?” perguntei

“Sim…muito disposta! Ele é um covarde que me bate.”

“Veremos…”

À tarde, Joana ia saindo de minha casa, mas, encontrou o jornaleiro da cidade. E, se trombaram.

“Dona Joana! Perdoe-me!! disse ele.

“Ah, tudo bem.” disse ela.

“O que fazia aí, na casa do Joaquim do armazém?”

“Nada. Negócios.”

“Negócios?”

“Sim. Tenho que ir. Passar bem…” disse ela saindo.

Então, novamente, ela foi buscar seu filho na vizinha, que começou a desconfiar das atitudes de Joana.

Estávamos juntos novamente. Havia passado alguns dias. Bateram na porta, Joana assustou-se e eu também. Eu disse que não sabia quem era. Então, escondi Joana, e abri. Era um amigo meu.

“Boas tarde, Joaquim! Vim saber o que está acontecendo com sua pessoa, está faltando muito do serviço está doente?”perguntou ele.

“Não, Renato! É, uns probleminhas aí.”

Renato, então entrou em casa, sentou na cadeira. E, começou a conversar comigo. Joana era alérgica. E a tinha escondido debaixo das roupas sujas. Mas, ela não suportou e espirrou. Renato levou um susto.

“Isso foi um espirro!”

Eu fiquei de todas as cores. Ele levantou-se e olhou onde Joana estava. E a viu despida. Renatou olhou para mim assustado!

“O que é isso, Joaquim!! É a Dona Joana…ela é casada!” disse ele assustadamente.

Joana levantou-se e vestiu-se.

“Calma Renato. Eu a amo. Amo muito!” eu disse

“Renato, é esse seu nome não é!? Por favor não me entregue para meu marido!” Joana disse desesperadamente.

Renato abaixou a cabeça.

“É…eu sei da história que vocês tinham no passado. Aliás, toda a cidade.” disse ele

“Então, Renato! Nós estávamos mesmo pensando em fugir!”

“Fugir?! É loucura, vão descobrir.”

“Nós vamos para longe, Renato.” disse Joana.

Renato ficou em silêncio.

“Certo. Não falarei nada a ninguém. Mas, consertem essa situação.” ele disse.

Renato saiu, despediu-se de mim e de Joana. Então, ficamos eu e ela ali. Beijando-se.

Passaram-se 10 anos. Meus cabelos já começaram a embranquecer. Minha pele a envelhecer. Minhas costas a encurvar. Minha voz a atafulhar. E, quase nada mudara. Joana e eu continuávamos a nos encontrar as escondidas. Seu filho, Gustavinho, já tinha 10 anos e ficava sozinho em casa. Não era mais necessário deixar com a vizinha, até porque, ela estava desconfiando demais. Renato, sempre me cobrava. Perguntando quando que eu e Joana íamos acabar com essa história. Ele estava se perturbando demais, como se a culpa fosse dele. Alfredo continuava a viajar. Cada vez mais, com mais frequencia. E, nunca nem desconfiava de mim e de Joana. Exceto um dia. Que flagrou Joana falando comigo na rua. Mas, apenas isso.

Joana apanhava frequentemente desse maldito, Alfredo. Joana também envelheceu e mudou muito. Seus cabelos haviam embranquecido, e muito. Encurvou-se bastante. E, sua pele envelhecido muito. Diziam que a mulher envelhecia mais do que o homem. O único que não mudara muito era Alfredo. Que continuava ganancioso e desgraçado.

Um dia, Joana foi até minha casa, claro, isso sempre ocorreu durante 10 anos. Mas, cobrei dela, a nossa fuga. Ela disse-me que iríamos para a Irlanda. Lá haveria divórcio. Fiquei meio triste por sair da minha terra. De Minas. Do Brasil. Até porque, lá fora haveria pouco tempo que acabara a guerra. Mas, se fosse para ficar com Joana. Eu assim o queria.

Joana, foi para sua casa. Gustavinho estava brincando em frente ao jardim. Eu fiquei a observando indo para sua casa. Os anos não tiraram a beleza da minha deusa. Ah!! Como a amava.

Então, uma noite, Joana enviou-me uma carta, dizendo:

“Amor, temos data para a liberdade do nosso amor. Dia 14, às 2 hrs da manhã, espere-me em frente a sua casa, com as malas prontas. O nosso, avião partirá às 9 hrs da manhã em Belo Horizonte. Levaremos meu filho. Te amo. Joana!”

Fiquei muito feliz com a carta. Finalmente seríamos felizes para sempre. Faltavam apenas 2 semanas. 2 semanas para o grande dia. Estava muito alegre.

Acordei, era ainda dia 13. Ah!! Lástima. Quando queremos que algo chegue logo, aí, que não chega. Fiquei muito ansioso. Joana não foi em minha casa. Alfredo não estava viajando. Isso era uma pena. Mas, eu a consegui ver da minha janela andando pela rua com seu filho. No final da tarde, recebi um convite de Alfredo, chamando-me para ir até sua casa. Entranhei. Alfredo nunca fazia esse tipo de coisa. Convidar-me para ir a sua casa. Então, resolvi ir. E fui. Chegando por lá. Chamei por eles. Alfredo abriu a porta. Entrei, e vi, Joana caída no chão da sala, toda machucada, sangrando por todos os lados e os olhos roxos. Abaixei-me no chão. Tentei ajudá-la. Mas, Alfredo segurou-me pelo braço e me deu um murro, muito forte. Caí no chão, ele começou a me chutar. Tentei acalmá-lo. Ele parou, sentou no chão, e começou a chorar. Perguntei o que estava acontecendo. Ele nada respondia. Gustavinho, estava do lado da mãe, chorando, ajoelhado no chão. Joana, com dificuldade. Disse.

“Ele descobriu, Joaquim, ele descobriu!”

Eu assustei-me. Olhei para ele, ali, sentado no chão, lamentando-se. Inesperadamente. Irritei-me com aquela situação. E disse a Alfredo

“Chega! Alfredo…quer saber? Eu amo a Joana. Eu vou casar com ela. Vou ter ela comigo pelo resto da minha vida. E você, não vai impedir nada! Não vai nos impedir. Você a trata como cão. Você é um maldito, desgraçado e miserável! A Joana e eu te odiamos.” gritei a ele. Ele nada disse, continuou do mesmo jeito. Então, aproximei-me dela. Peguei-a no colo. Mas, Gustavinho levantou-se contra mim. E, gritou

“Não irá levar minha mãe!”

“Cala a boca! Muleque! Você puxou o maldito do seu pai!” disse eu, descontroladamente.

Gustavinho calou a boca, e ficou quieto. Então, sai com Joana nos braços e corri até o hospital mais perto da região, que ficava uns 5km da onde estávamos.

Passou horas, eu estava na sala de espera, preocupado com Joana, e com Alfredo que a qualquer momento poderia invadir o hospital e matar-me. Ele era louco. Repentinamente, o médico voltou e perguntou-me

“Você é o que de Joana?”

“Sou…um amigo!”

“Hum… e o marido dela? Onde está?”

“Foi ele o causador disso tudo. Ele a agrediu!”

“Comum isso…”

“Como está ela?”

“Ela sofreu grave lesões. Na cabeça, no tórax, nos braços e principalmente nas pernas. Tenho inclusive uma grave e péssima notícia a dar, mas ainda não falarei nada! Quero ter certeza!”

“O quê, doutor?! Ela ficará bem?”

“Se bem cuidada, sim…ela agora está sendo medicada. Está ainda inconsciente.”

O médico já ia saindo, mas eu o chamei.

“Olha, amanhã, teríamos uma viagem para fazer, e ela…”

“Não terá condições de viajar!” interrompeu o médico.

“Raios!” pensei.

Sentei-me ali. E esperei.

A cidade ficou sabendo do fato. E, muitos foram visitar Joana no hospital. As enfermeiras tentaram acalmar a multidão. Muitas viam me cumprimentar e dizer que eu salvei a vida de Joana, que a livrei das mãos de Alfredo. Mas, algo me dizia. Que ele não nos deixará em paz.

Os médicos voltaram e eu estava no meio da multidão.

“Onde está o homem que conversei a pouco?”

“Estou aqui!” disse eu

“Venha comigo.” disse um dos médicos. Então o segui até uma sala. Ele, sentou-se e ofereceu-me para sentar. Sentei. Ele mostrou os exames de Joana. E disse-me

“Abra você mesmo. Esse exame!” mostrando-me um envelope. Abri. E li. Mas, não entendi nada. Perguntei a ele, o que aquilo significava, ele respondeu-me

“Joana teve sérios problemas nas pernas e nas costas. Ficará paraplégica.” disse.

Eu pus-me a chorar. Ele tentava me consolar. Mas, fiquei com mais ódio ainda de Alfredo. Culpa dele. Minha amada não andará mais. Oh! Só de lembrar, meus olhos lacrimejam de ódio.

Então, sai daquela sala. Alguns moradores da cidade, perguntaram-me como ela estava. Disse a notícia. Todos se chocaram! Joana não andará mais.

Passado mais algumas horas. o doutor deixou-me entrar para ver Joana, ela já estava consciente. Entrei na sala. Ela estava olhando-me com um olhar triste.

“Meu amor!” disse ela.

“Minha linda.”respondi

“Como está meu filho?” perguntou ela.

“Está bem. Dona Amélia, está aqui, ela disse-me que está na casa da Zuleica.”

“Dona Amélia?” disse ela assustada

“Sim… ela está aqui como muitos moradores da cidade.”

“Ah! E o Alfredo?”

“Não sei dele.”

“Hum… não sinto minhas pernas!”

“Bem…”

“O quê?”

O doutor ouviu a conversa e disse.

“Joana, precisamos falar com você!”

“O quê?” perguntou ela, já desconfiada.

“Você sofreu graves danos às pernas e às costas. E, descobrimos que você, bem…”

“Diga, logo, doutor!” a interrompeu.

“Bem… você está paraplégica!” disse

Joana começou a gritar e a chorar. Queria levantar-se e sair correndo. Os médicos e as enfermeiras correram até lá. E, deram-na injeção. Para acalmá-la! Fiquei perplexo… Minha amada estava paraplégica, por culpa de um desgraçado. Ele terá a sua vez.

Joana já havia saído do hospital. E, foi morar em sua casa. Alfredo tinha sido preso. Eu fui ficar com Joana, pois ela precisaria de mim para muitas coisas. Gustavinho estava conosco. E as enfermeiras todos os dias passavam por lá. E nos ajudavam. A cidade inteira ainda estava revoltada com tal brutalidade e covardia por parte de Alfredo, que por sinal, estava já sem emprego.

Toda a maldade de Alfredo estava acabando, mas com fortes marcas em nossas vidas. Joana nunca mais poderia andar.

Entrei no quarto de Joana, sentei a beira da cama, ela estava dormindo. Já era quase meio dia. Ela despertou com um beijo meu. Olhou para mim, e disse:

“Que horas são?”.

“Quase meio dia”

Ela olhou intensamente para mim, e perguntou:

“Ainda continua me amando?”

“Claro. Sempre!”

Soltei um belo sorriso. E a beijei.

Mas, o que eu não sabia era que Alfredo já tinha sido solto, havia pagado uma fiança muito caro. Ele estava solto, e diziam que ele havia ido para Belo Horizonte e de lá partiria para São Paulo. Era menos mal.

Passado alguns dias, Joana estava se conformando mais e aceitando suas condições, Gustavinho estava me aceitando mais. As enfermeiras continuaram ir à casa de Joana para ajudá-la em diversas coisas. Joana era minha vida. Não a poderia abandonar nesse momento tão difícil.

E nem pensava nisso.

Capítulo 18 – A Última Maldade

“Amor, amor, não consigo dormir.” Joana dizia para mim durante a madrugada.

“O que foi meu amor?”

“Eu não sei, estou sentindo uma perturbação.”

“Precisa de água?”

“Não.”

“Do quê, então?”

“Você”

Sorri para ela. Beijei-a.

“Eu também preciso de você, sempre precisei.”

Então, dormimos ali, abraçados.

Amanheceu, fui trabalhar no armazém, as enfermeiras estavam com Joana. Mas o que mais me deixou surpreso naquela manhã, foi o seguinte:

Cheguei ao armazém, o abri como sempre o fiz, e lá, estava um seguinte recado:

“Ficar ligado é um dom, pena que você não o possui.”

“Que raios de bilhete é esse?” Pensei comigo

Após isso, continuei trabalhando.

Anoitecendo, voltei para casa da Joana. Beijei-a, cumprimentei Gustavinho.Jantamos, e fomos dormir. Nem, ousei-me a contar sobre tal bilhete a Joana. Não a quis preocupar. Mas, durante a madrugada, acordei, abri os olhos e vi o desgraçado do Alfredo no quarto. Assustei-me fiquei em pé. Olhei para o meu lado, não vi Joana.

“Onde está a Joana?”

“Ela está bem.”

“Não vou perguntar de novo. Onde está?”

“Cale a boca!” gritou ele que me levantou um facão.

“Você não pode fazer isso com a Joana”

“Pare de mariquice. Agora venha Te levarei até Joana.”

Então, fui. Alfredo me levou até o sótão da casa. Vi Joana caída no chão. Gustavinho ainda estava no quarto, eu achava pelo menos.

“O que você quer conosco?”

“Nada. Apenas me divertir um pouco.”

“Desgraçado.” Não me agüentei, saímos na mão como a primeira vez. Rolamos ao chão. Joana despertou e começou a gritar:

“Parem com isso.”

Não a ouvimos. Queria matar aquele maldito. E, por certo, ele também.

Não estava mais agüentando. O facão caiu no chão, tentei pegá-lo, mas Joana se arrastou pelo chão e a pegou. Alfredo deu-me um murro. E, tomou das mãos  de Joana que não podia fazer muito. Levantou o facão para mim. E golpeou-me em meu braço esquerdo, na qual, até hoje tenho uma grande cicatriz; Joana gritou
“Não. Não faça isso, Alfredo. Pare.”

Mas, já era tarde. Berrei de dor. Sangrei muito. Mas, não me entreguei ao Alfredo. Continuei ali, firme. Protegendo a Joana e ao Gustavinho.Então, após esfaquear-me, Alfredo procurou um galão. Ele dizia que precisava fazer tal. Eu não entendia, aliás, nem ouvir conseguia direita, de tanta dor que sentia. Mas, Joana parecia entender. Ela gritava

“Não. Não Alfredo.”

Fiquei preocupado. Mas, Alfredo pegou um galão que parecia estar cheio.E, disse

“Adeus a todos vocês. Fiquem no meu passado.”

Então, resolvi esquecer a grande dor, e parti pra cima. Não ia deixar fazer nada. Aliás, eu já entendia o que ele queria fazer, por fogo em todos nós. Mas não ia permitir. O joguei longe. Joana gritava perguntando de Gustavinho. Alfredo gritou.

“Está morto em seu quarto.”

Joana desesperou-se. Foi rastejando até o quarto de Gustavinho, e realmente, o encontrou morto. Com o facão.

Apenas ouvi o forte e tenebroso grito de Joana. Que até fez, os vizinhos despertarem, terem chamado a polícia. E, todos sabiam que algo de errado havia lá. Mas, a polícia não podia entrar. Estavam com medo de Alfredo estar armado. E, então, eu continuava lutando com Alfredo, que infelizmente, conseguiu pegar uma caixa de bombas festivas e jogar no galão, que incendiou e explodiu. Acabou comigo. Quase morri. Então, a casa estava em chamas, Alfredo caiu desmaiado. Aproveitei e sai de lá, procurava por Joana, para tirá-la de lá. Não a encontrava na casa.
 “Joana” gritava eu.

Não a encontrava. Meu desespero foi tomando conta de mim, não sabia se chorava ou gritava. Consegui achá-la, estava deitada no chão, chorando. E chorando… Chorando mais e mais. Peguei-a no colo. E, tentei sair pela porta da frente, mas estava impossível, as chamas espalhou-se rapidamente. Então, tentei sair pelos fundos, também não podia. As chamas estavam espalhando-se rápido demais. Foi quando, caímos. O segundo andar tinha sido consumido totalmente pelo fogo, e despencou até o primeiro. Tinha perdido Joana, por certo ela estava desmaiada. Eu tinha me quebrado todo. Estava muito ferido. Não conseguia ver mais nada. E, desmaiei.

“Ele está voltando, ele está voltando. Chame o Doutor Eduardo!” eu ouvia depois de ter perdido os sentidos. As primeiras palavras a ouvir depois de ter nascido de novo.

Abri os olhos e vi, uma bandeja de médicos e enfermeiras em minha volta. Muitos equipamentos ao meu redor. Percebi então, estava no hospital.

“Onde está Joana?” perguntei direto.

“Calma, precisamos cuidar de você agora. Você ficou muito tempo em coma, entre a vida e a morte. Temos que ver se você voltou inteiro.” Disse um médico.

“Hum… Estou com fortes dores na cabeça. E quanto tempo eu fiquei em coma”

“Aproximadamente cinco meses.”

“Cinco meses?”

“Sim. A imprensa toda soube da tragédia que ocorreu e não nos deixa em paz. Agora que você voltou, vão importunar ainda mais.”

“Quero saber onde está a Joana?”

“Bem, uma hora você terá que saber, Joaquim, o incêndio foi muito elevado. Quando despencou o segundo andar, os policiais e os bombeiros decidiram invadir o local, então encontraram o senhor jogado no chão da cozinha, fogo se aproximava muito do senhor, muito velozmente, pegamos o senhor, e alguns dos bombeiros procuraram pela Joana, não a encontrara. Então, tiveram que sair do local, porque estava muito quente. E, na semana passada, estavam procurando os restos mortais das outras vítimas, e encontraram de Joana, Gustavo e de Alfredo. Você é o único sobrevivente.”

“…”

Dor, dor e mais dor. Foi isso que senti em meu coração e na minha alma. Foi horrível ouvir que o meu amor já não estava comigo. Tinha partido para longe, e por culpa de um desgraçado como Alfredo.

Dor…

Depois de velho, quase nada mudou em minha vida. Hoje tenho 68 anos de vida. E, fazem exatamente 35 anos que Joana faleceu. Mas, ela não morreu pra mim, ela continua e sempre continuará existindo dentro de mim. Talvez, seja por isso que nunca casei e nunca amei outra mulher a não ser Joana. Depois de alguns meses que saí do hospital, alguns médicos me relataram que Joana estava grávida. E, tudo indicava que o filho era meu. Mas, ainda continuo morando em Uberaba, trabalhando no mesmo armazém de sempre. As pessoas daqui já me conhecem muito bem. Sou conhecido em toda região pela grande história de amor que vivi com Joana.

Joana, sempre foi, será e é a mulher da minha vida.


Categorias: Agenda,Contos |

2 Comments»

  • Samila says:

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    O final não combinou a a história a toda, a qual, diga-se de passagem está longa demais, o que acaba por torná-la cansativa. Eu sugeria você dividir em capítulos. Não faltam ganchos para tal, e ela se tornaria mais agradável de ler.
    Esse enredo é de novela, e não de conto, mas é interessante.
    -
    Outra coisa que notei é a falta coloquialidade em certas falas.Horas os personagens falam de maneira informal, outras como se estivessem vivendo no século XX, deixando os diálogos muito surreais.

  • Thainá Gomes says:

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    Muito bonito mais um pouco confuso.

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Publicado por Andre Manente

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