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Aug
03
2010

Sopro sem vida

Escritor: Leonardo Lazo

sopro-sem-vida

O que sabemos sobre Vellfer não pode ser dito como verdade. Filho de um nobre, se dedicou desde cedo aos estudos da magia e do ocultismo de Ulrich. Passou 16 anos no templo de Paralav e só voltou para casa após a morte de sua mãe, a quem era muito apegado. No velório conheceu um velho homem, amigo de seu pai, que possuía grande conhecimento místico e decidiu aceitar sua proposta para prosseguir seus estudos em sua cidade.

No dia seguinte foi visitar a casa do velho mestre e ficou muito excitado com a enorme biblioteca e variedade de livros, desde encantos simples aos mais detalhados feitiços. O velho mestre era muito atencioso e não negava nenhum tipo de conhecimento a Vellfer, o tratava como filho.

Vellfer, permaneceu junto ao velho por 10 anos até o dia em que ele veio a falecer, deixando para Vellfer sua casa, bens pessoais e sua imensa biblioteca particular. E no deleite deste vasto mundo de conhecimento, ele encontrou “o grimório”, um livro espesso de capa negra e folhas escritas com sangue de carneiro. A primeira vista, qualquer um sentiria medo de tocá-lo mas Vellfer era um homem do conhecimento, poucas coisas lhe ofereciam resistência ao saber, e sem pestanejar desobstruiu a larga mesa de centro da biblioteca, soprou com todo entusiasmo o pó contido na capa e sorriu ao ler, “O que faz o corajoso é o medo”, em uma rara língua dos antigos sacerdotes. Vellfer ficou obcecado pelo livro e quanto mais ele lia mais sua mente se voltava para os encantos necromânticos do grimório.

Foram mais de 20 anos de dedicação, persistência e força de vontade de Vellfer. Ele havia absorvido praticamente todo o conhecimento ali contido, anos e anos praticando cada encanto, cada feitiço, cada palavra de poder, mas existia algo que o deixava inconformado, cinco folhas seqüencialmente arrancadas.

Vellfer sabia quem era o único ser que poderia ajudá-lo. Antigamente sentiria repulsa da forma com que ele poderia resolver a questão, mas agora tudo era tão diferente, tão justificável, era um mundo novo para ele. Resistiu o quanto pode, e os Deuses sabem o quanto ele pereceu dia após dia com a idéia fixa do que seriam aquelas folhas. Preparou o feitiço inúmeras vezes, mas recuou. Até que um dia sentiu uma palpitação tão forte no peito e desmaiou, imaginou que iria morrer. Falecer, sem saber não era aceitável para Vellfer, então preparou mais uma vez o feitiço e desta vez não recuou.

Seu rosto ficou pálido, seus olhos estáticos e as mãos tremiam diante do ser cadavérico. Apesar de o corpo apresentar os antigos traços, após anos embalsamado, a feição não era a mesma. Engoliu a seco a frase ensaiada para ocasião só conseguindo balbuciar pra si mesmo as palavras, “velho” e “mestre”.

O velho mestre, naquele corpo decrépito, pigarreou por alguns instantes e depois sorriu perguntando a Vellfer por que ele havia lhe retirado do mundo dos mortos. Vellfer soluçou e tossiu o ar denso que havia se formado no ambiente, perdera a fala, mas enfim falou sobre sua grande curiosidade, as cinco páginas arrancadas.

Sinto muito, mas você cometeu um grande erro dedicando-se a este grimório, disse o velho mestre. Sua sede por este conhecimento o dominou, transformando você em um ser sem limites, empenhado a todo custo por esta busca pelo saber. Este é o lado obscuro que ele exerce, uma vida empenhada em feitiços do mundo das sobras, chamada de “a maldição”. Foi por isso que eu aprendi apenas dois feitiços deste grimório, arranquei as cinco folhas e depois as queimei.

Vellfer ficou atônito e só conseguiu fixar seus olhos no velho mestre que prosseguiu com o discurso. Dizia ele que um dos feitiços o ensinou a transformar a alma, o conhecimento de um ser que tenha falecido em no máximo uma hora em energia mística, e com ela forjar um item mágico ou simplesmente transportá-la para outro ser que esteja vivo. E com o segundo ele aprendeu a matar um ser com apenas uma palavra de poder, sem esforço algum.

Vellfer continuou atônito. E então o velho mestre pronunciou: Morte!


Written by loat in: Contos,Leonardo Lazo | Tags: , ,

30 Comments»

  • Lord Jessé says:

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    Uouuuu!!!
    -
    Legal! Gostei bastante, é bem interessante a história, um tanto direferente. Gostei mesmo.
    -
    Parabéns!

  • Lord Gilgamesh B says:

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    ótimo conto! parabéns, continue assim!
    []s

    LGB

    • Lord Jessé says:

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      O quê??? Outro Lord???

      • E.U Atmard says:

        Thumb up 1 Thumb down 0

        Por acaso, com tantos títulos acolhedores…Grand Vizir, Arquiduque, Visconde, Kaiser, Toti-Regina, mais Lord’s são desnecessários. Ainda por cima que fazem referência à secção B de épicos Mesopotâmicos…

  • Mrs. Debs says:

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    Sensacional…….adorei!

  • Z3N says:

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    Muito bom…Parabens!

  • Andrey Ximenez says:

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    Bacana. Qualquer amante de rpg vai se amarrar com certeza.
    -
    Será que somente eu vi toda a história com um plano do velho mestre friamente calculado para ser trazido de volta a vida qnd morrese?
    -
    O.o

  • KustOdio says:

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    Talvez seja a hora de abandonar este velho grimório de T.I. e dedicar sua energia a arte.
    Nao sera facil, obviamente, porem uma dungeon a ser explorada e apos muita luta e sangue traga recompensas para a alma… riqueza é apenas consequencia.
    A coragem voce ja possui.

  • Bonke says:

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    Bacana…continue assim!!!

  • Marco Goes says:

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    Uma super estoria, vai em frente, acredito que será uma grande estoria

  • Franz Lima says:

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    Ótimo conto. A narrativa está bem amarrada e o final ficou bem legal. Mas há a necessidade de uma pequena revisão na pontuação para dar uma maior fluência ao texto. No mais, parabéns.

  • Serak says:

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    Muito bom, bem interessante!

  • Fabio Domingues says:

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    Caralho!

    Muito bom, até onde a curiosidade nos leva?

    Pena que a história acaba tão rapidamente…

    Quando começa o Livro?

  • Asami says:

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    Muito interessante, pra mim o ponto alto deste conto foi a narrativa frenética e pouco descritiva, que contou a estória de uma forma mais “crua”, tornando-a mais intensa. Legal :D

  • Franz Lima says:

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    Já expus minha opinião sobre o conto. Entretanto, venho frisar a dedicação dos que leem e avaliam tantos textos neste blog. É muito bom ver a produtividade intensa e, em contrapartida, a determinação dos leitores em mostrar sua real opinião para com os escritores.
    Muito construtivo este binômino Leitor x Escritor.
    Parabéns a todos…

  • Asami says:

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    Também acho que uma das grandes vantagens em se publicar os contos em sites como o ONE é a interação escritor/leitor que tanto ajuda o primeiro em seu crescimento ao fornecer conhecimento através de críticas e elogios quanto fornece ao segundo a oportunidade de expor sua opinião acerca do que leu. É esta influência recíproca que torna o ato de ler e comentar tão belo…

    • Thumb up 2 Thumb down 0

      Outra coisa maneira.. é que: Quando vocês publicarem um livro.. seus mesmo, próprio, já terão um publico que irá comprar e apoiar a obra! ;-)

  • Loat says:

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    Sem duvida! E o contraste de opiniões também auxilia na definição do publico para cada tipo de conto. Excelente!

  • Peregrina says:

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    muito boa a história.
    quando publicar o livro irei imediatamente compra-lo.
    tenho certeza que será um sucesso.

  • Thumb up 1 Thumb down 0

    AVADA KEDAVRA! :D

    Gsotei do conto, podia ser maior!

    Quis focar a imagem no grimório.. mas não ficou muito boa. :(

  • Mr. Noin says:

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    Muito bom cara, keep on the good work!
    Não sei se você pretende continuar, mas gostaria de saber mais sobre esse mundo e esses personagens!

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Estou muito feliz do meu conto aparecer na home do Nerd Escritor e os comentarios de todos estão me ajudando a aprimorar meus contos. Só tenho que agradecer o carinho! VLW

  • Vitor Vitali says:

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    Bem, o assunto me interessa bastante. Só achei um pouco mal aproveitado, no entanto tá legal, gostei. Me lembra o jeito do Lovecraft de escrever. Legal :)

  • WindBreaker says:

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    Ficou legal, mas a idéia de transformar a alma e transferir para algum objeto ou outro ser parece muito as Horcruxes do Harry Potter.
    Para um conto de ficção com alguma ação tente detalhar mais os movimentos, uma parte ficou estranha…
    Mas são coisas que vem com o amadurecimento

    Continue escrevendo!

    • Andrey Ximenez says:

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      As horcuxes de Harry não são nada originais tche.
      -
      Qualquer jogador de rpg tá acostumado com um lich e sua filacteria.
      -
      Coisa velha. Old but Gold

  • Rafael Bento says:

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    Ótimo conto, e que venham outros mais!!!

  • Bruno Assis says:

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    Ótimo conto! Criativo e com final surpreendente.

    O ritmo não se perde em nenhum momento e a história não fica entediante, mesmo tratando-se de um drama.

    Parabéns! ;)

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