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Publicado por Daniel Constantini

– que publicou 2 textos no ONE.

Meus sonhos e meus devaneios me ajudam a criar coisas fabulosas, difíceis de se entender. Sou um apaixonado por tinta e papel organizados de forma apaixonante formando aquilo que chamamos de contos. Contos que trazem para o meu coração uma calmaria invejada por muitos guerreiros diante a face da guerra.

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Sep
09
2010

Aram – Diário 1 – Encontro Inusitado

Escritor: Daniel Constantini
Desde pequeno me interessei pelos Imortais. Estudava tudo que podia sobre eles. Muitas vezes, escondido de meus pais, roubava livros do centro da cidade de Lintri e os devolvia logo após de devorar página por página daquelas escrituras. Com o passar do tempo, resolvi tomar um rumo em minha vida. Se eu quisesse aprender mais sobre os Imortais eu deveria buscar informações no único lugar onde as informações transbordavam: a Biblioteca de Dhaliam. Deixei de ser um garotinho – sagaz e curioso – e fui em busca do meu sonho. Os livros e aprendizados ralos deram lugar ás pesquisas de campos e experimentos muito bem aplicados nas aulas da grande biblioteca de Dhaliam, não tive escolha, era daqueles livros que eu precisava e por isso me escondia atrás deles. Na verdade, foi em Dhaliam que eu me tornei um Sanidat, do tipo que aprende a ensinar. Confesso que tive muitos problemas até chegar onde cheguei e isso tudo culpa da minha maldita curiosidade sobre os Imortais.

Imortais são homens e mulheres que beberam da fonte do oráculo e com muito sacrifício, obtiveram a imortalidade com a seguinte condição: Cuidar da raça humana. Era simples.

Aqui, no mundo de Edras, se fala muito sobre os imortais, porém, pouco se sabe sobre eles quando realmente se tornam senhores da imortalidade. Foi por isso que adentrei para a sociedade Santa. Uma sociedade que visa acima de tudo, a sabedoria.

A sociedade Santa é uma ordem criada a milhares de anos. Seus valores e conceitos pregam a verdade universal. Todo homem que se torna um Sanidat, deve primar pela sabedoria e aprendizado, deve aprender tudo – desde o nascimento de um ser humano, até mesmo o nascimento de uma galáxia. Nosso lema é aprender, ensinar e prosperar. Lema que esta descrito no grande mural de marmore na entrada principal da Grande Biblioteca de Dhaliam.

A Grande Biblioteca de Dhaliam é um castelo gigantesco com mais de vinte e três torres, trinta galpões, sessenta salas de aula e mais de cem saguões abarrotados de livros e de materiais de pesquisa. Por ano, são registrados mais de dez mil livros e manuscritos em pergaminhos que chegam á biblioteca dos mais variados gêneros. No oriente, Dhaliam é chamada de  “A Fortaleza da Mente”, e não era pra menos. Dhaliam possui uma riqueza de informação incalculável, superando qualquer ouro existente na face da terra, perdendo somente para a cidade flutuante da sociedade Aesir, que possui tantos livros quanto areia em um deserto. A quantidade de livros e pergaminhos que transbordavam ensinamentos de diversos lugares do mundo era tanta em Dhaliam que más linguas diziam que a fortaleza guardava desde livros do nosso mundo, como de outros ainda não descobertos. Se era verdade ou não, a única coisa que sei de fato é a potência bélica que a biblioteca possui. Já do lado de fora, cravado em algumas torres tão altas quanto as  estruturas das torres principais, arranhando o céu azul, canhões potentes protegiam as fortificações da biblioteca. Ao redor dessas torres, muitos arqueiros se mantinham alertas e atiravam a qualquer sinal de perigo. No lado de fora da biblioteca, espalhados por todos os cantos, mais de dois mil homens das forças especiais da sociedade Santa protegiam o solo com sua poderosa magia e suas afiadas espadas, esses são os Warlocks. Nas entradas principais, muitos cavaleiros oráculares protegiam as entradas com sua vida. Esses cavaleiros são escolhidos a dedo, são a elite da ordem orácular, cavaleiros tão poderosos e destemidos que somente um deles seria capaz de detonar um exército. Particularmente, de todos esses brutamontes que vagavam pela biblioteca, somente Altar Lenov era alguém que eu me importava. Era com ele que eu ia almoçar nos intervalos de uma aula e outra. O cavaleiro possui muitas histórias espetaculares que me divertem durante o lanche. Ele vive me trazendo presentes de suas missões fora da biblioteca. Ganhei de meu amigo uma vez, uma espada de lâmina dourada. Segundo ele, essa espada é a irmã de uma outra espada em posse dos Ciganos do Bando Sind, ciganos do oriente. Eles possuiam a espada de prata, uma lenda dentre a cultura e tradições do bando. As duas espadas formavam a dupla da destruição, espadas tão poderosas que valiam muito no mercado mundial. Vários mercadores já tentaram obter essas espadas, mas Altar Lenov, foi o único que conseguiu trocar essa espada dourada, por uma carga duvidosa que ele e seus amigos confiscaram no leste do país. Altar Lenov talvez o único amigo dentro daquela impenetrável fortaleza. E foi ele que me contou sobre o famoso ataque contra a Biblioteca de Dhaliam a muitos anos atrás. Altar me contou certa vez, que um imortal, que havia perdido sua sanidade, investiu pesado para invadir a biblioteca quebrando todos os acordos mundiais que impediam tal feito. Do subsolo das grandes câmaras ocultas da biblioteca, o maestrado – onze poderosos anciões mestres – libertaram sua maior arma, Argueroth, um dragão negro de olhos incandecentes que possuia um poder além de qualquer imortal. Como era esperado, Argueroth juntamente com os canhões, arqueiros e o exército infalível de guerreiros e oráculares, detonou o imortal, que precisou muito sacrifício para poder escapar da investida dos guardiões.  Nunca mais se teve notícia do tal imortal que perdeu a batalha para a biblioteca. Seu exemplo foi usado como aviso a vários outros que pensavam em invadir Dhaliam. Mas eu juro, que um dia desses, eu ainda encontrarei esse imortal.

Anos e anos trancafiado dentro da Biblioteca me renderam um conteúdo, não muito vasto diga-se de passagem. Tirando as fabulosas histórias de Altar Lenov, pouco conheci sobre a realidade do mundo Sanidat. Antes de entrar para a biblioteca e me tornar um Sanidat da sociedade Santa, sempre achei que ao entrar na ordem, eu poderia usufruir de todos os livros para conduzir qualquer tipo de pesquisa que eu quisesse, mas me enganei feio. A política dos Maestrados era a de nunca deixar um Sanidat colher informação na biblioteca até conseguir escrever cem livros sobre qualquer tema de qualquer coisa no mundo. Ou seja, fui treinado apenas para lutar e me virar enquanto eu estivesse fora da Biblioteca. Minha missão era: escrever cem livros sobre qualquer pesquisa de qualquer assunto verídico no mundo. E uma cláusula a mais em minha missão foi acrescentada: cincoenta livros deveriam ser de pesquisas feitas no oriente e cinquenta livros no ocidente, ou seja, para me tornar um Sanidat por completo, eu deveria escrever cem pesquisas do oriente e ocidente que fossem verídicas e passíveis de registro. Somente assim eu poderia ter acesso a todas as salas restritas de Dhaliam. Não é atoa que os Sanidat são os homens mais cultos do mundo. Muitos deles vivem pelo mundo apenas vendendo informação, coisa que os Aesir já fazem há muito tempo. Outros vivem escrevendo livros e nunca mais voltaram para a biblioteca. Por isso Dhaliam possui um conjunto de registros, enciclopédias e literaturas numa quantidade absurda. Quando entendi toda a filosofia da sociedade Santa, logo me encontrei. Eu precisava de toda a informação que eu pudesse sobre os Imortais. Por isso decidi sair da Biblioteca e iniciar minha missão: Escrever cem livros.

No começo foi complicado. Não sabia o que escrever. Cheguei a estudar sobre flores, animais e muitas outras coisas. Foi um fracasso total. Tudo que eu escrevia parecia vazio e sem graça. Eu sabia que estava sendo testado. Eu precisava trazer cem livros que tivessem relevância. Se eu trouxesse livros esdrúxulos e sem sentido, jamais seria realmente aceito e nunca mais pisaria naquele solo sagrado da Biblioteca de Dhaliam. Passei um ano inteiro só construindo fracassos. Sentia minha meu sonho esvair das minhas mãos. Aprendi algumas coisas em Dhaliam, mas mesmo assim, não consegui usá-las da forma que queria.

Eu havia entrado em depressão. O dinheiro que havia recebido da biblioteca já estava acabando e essa vida de andarilho me irritava. Penei em largar tudo e arrumar um emprego, arrumar uma casa, me casar e vier minha vida tranquilamente. Mas, não. Eu não podia me trair. Trair meus próprios sonhos.

Foi então numa noite fria com o céu abarrotado de estrelas e uma lua cheia a encandecer no meio da noite que eu tomei um rumo em minhas pesquisas. Sem saber para onde estava indo, adentrei em uma floresta próximo a minha terra Natal, Lintri. Lá eu senti um medo intenso e meu coração palpitava estranhamente. Ouvi gritos e sons de lâminas se tocando. Parecia uma batalha. Eu escutei sons de estocadas, lâminas cortando o ar, gemidos de dor e mais lâminas se encontrando. Ao me esgueirar por entre os arbustos, descobri um local vazio, decorado com algumas pedras enormes, sem vegetação alguma. No centro dessa área vazia, uma mulher loira de cabelos longos e cacheados fazia uma coreografia perfeita de batalha, ela estava nua e seu corpo possuia escoriações e cortes que sangravam. Com sua espada fina, a mulher loira de olhos verdes atacava impiedosamente uma outra mulher, tão bonita quanto a primeira. A mulher que estava sendo atacada, possuia uma habilidade tão fenomenal quanto a mulher de cabelos dourados. Um rosto bonito, olhos castanhos e cabelos negros como a noite, portava uma adaga que parecia entrar em torpor toda vez que a lâmina encontrava a espada fina da outra mulher. As duas bailavam em uma disputa fabulosa. Nunca havia visto uma luta tão fantástica como esta. Minhas pernas tremiam só de pensar ser atacado por qualquer uma das duas. Claro que eu seria fatiado em segundos. Como se não bastasse a habilidade suprema com lâminas, as mulheres possuiam uma força descomunal. Nem meu poder mágico seria capaz de fazer o que a mulher de cabelos negros acabara de fazer. Ela simplesmente avançou contra a mulher de cabelos dourados numa velocidade absurda. Por sua vez, para se defender, a cachinhos dourados agarrou uma das gigantescas pedras que jazia na arena e arremessou contra sua adversária usando uma força descomunal. Até ai, tudo bem, se eu fosse atacado dessa maneira, eu lançaria um feitiço e arrebentaria a pedra, mas mesmo assim, talvez alguns fragmentos me acertasse. No entanto, o que eu vi foi simplesmente abissal. A mulher de cabelos negros fechou os punhos e atacou a gigantesca pedra que vinha em uma velocidade absurda. O barulho da pancada foi grande. A pancada foi tão violenta que a pedra não se quebrou em vários pedaços, ela simplesmente evaporou. Um poder de ataque de mão limpa fundido com uma magia poderosa transformou a pedra em pó. Nessa altura dos acontecimentos, minhas pernas estavam tremendo. Eu precisava sair de lá. Se eu fosse atacado pelas duas, eu morreria sem sombra de dúvidas. E eu não queria.

Quando minhas pernas decidiram me obedecer, voltei a me esgueirar sem fazer barulho algum e comecei a andar pra longe daquele lugar. Quando eu estava em uma distancia razoável, eu comecei a correr. Meu coração disparava, eu não podia ficar naquele lugar. Quando eu estava prestes a me acalmar, uma coisa pior do que o esperado aconteceu, um enorme dragão azul de escamas densas com suas asas cravadas de cristais apareceu no meu caminho. Seus dentes afiados e amarelados erão maiores que o meu braço. Infelizmente, eu reconhecia aquela raça. Segundo um livro que eu li em Dhaliam e pelos contos de Altar Lenov, aquele Dragão é uma criatura rara. Cristalys, o maior dragão de gelo da história havia sido extinto na época das grandes caçadas aos dragões. Sua pele gelada e densa sevia para revestir armaduras aumentando a proteção do equipamento. O lado de dentro de sua pele, mantinha o corpo esquentado enquanto a pele cheia de cristais emanava um frio intenso que fazia os inimigos relaxarem em seus ataques. Por esse motivo, ele foi caçado e exterminado. Essa espécie desapareceu a milhares de anos, não existem mais dragões nesse mundo, exceto claro, Argueroth, o famoso dragão das câmaras sombrias da bilioteca de Dhaliam.

Como eu, Aram, tive “sorte” em cruzar justo com essa criatura. Eu já não sabia o que pensar. Pela cara de fome do azulão, ele deveria estar de estômago vazio. Eu seria morto se aquela besta me atacasse. Mas eu não queria morrer!

A fera anil soltou um rugido estridente. Seu bafo gélido e intenso cheiro nausebundo era muito semelhante aos túneis sombrios dos cemitérios próximos aos castelos. Eu estava tremendo de frio. E de medo também.

Aqueles olhos penetrantes e frios me davam intensas agulhadas de medo. Tive que tomar uma atitude. Repetidas vezes eu dizia: “Mova-se, mova-se” e meu corpo parecia não se importar.

Por milagre, consegui sair do transe que a criatura gélida imensa lançou sobre mim. Sem saber para onde estava indo, dei as costas para a criatura e começei a correr. Minhas pernas se moviam mais do que o normal. Meu coração batia intensamente e o medo não me deixava pensar direito. Esse frenesi assustador me impedia de reunir força e utilizar minha mana para lançar um feitiço potente contra a criatura. Parecia que a besta gélida lançara sobre mim um feitiço invisivel tão intenso que me deixava completamente surtado das idéias. Não conseguia pensar, não conseguia falar e minhas pernas se moviam aleatóriamente cambaleando por entre as arvores e o matagal espeço cheio de cobras e de outros animais que pareciam correr atrás de mim ao mesmo tempo. Quando me dei conta, estava entrando cada vez mais naquela floresta que parecia muito mais sombria que o normal. Nem mesmo os faixos de luzes da lua coruscante conseguiam adentrar naquela mata densa, me deixando completamente desorientado em meio aquele breu. Parei por um minuto. Minhas pernas chegaram ao limite e meu coração parecia saltar pela boca fazendo uma sinfonia orquestral fabulosa entrando em sintonia com minhas veias que pulsavam cada vez mais intensas de medo. Minha boca estava seca, meus olhos trêmulos e completamentes embaçados no meio do breu da densa floresta não conseguia fixar nenhuma imagem.

Achei que tivesse escapado. Eu não sentia mais frio, só medo. Talvez eu tivesse despistado o dragão de gelo que provavelmente desistiu da idéia de me caçar. Eu ja li muito sobre essas coisas na biblioteca de Dhaliam, mas nunca vi de frente um dragão de verdade. Será que realmente o que eu vira era um dragão? Meus pensamentos estavam completamente bagunçados naquele momento, nada me fazia voltar a razão. Eu estava completamente cansado.

Quando tudo estava calmo, ou ao menos parecia, coloquei as minhas costas em uma das árvores que possuia um tronco largo e cheio de ranhuras. Aos poucos deixei-me cair aos pés da árvore tentando descansar. Fiquei encolhido e abraçei meus joelhos, eu precisava descansar.

Meu coração estava quase desacelerando quando ouço passos pisando na mata e juntos com ele o som de gotejos se espalhava por todos os lados. Parecia que algo estava pingando, algo gotejava intensamente. Esse som me irritava e me amedrontava ao mesmo tempo. Os passos pareciam se arrastar levando consigo folhas e terra. O som se arrastando pela mata era assustador e esse gotejo que parecia se aproximar, fazia com que minha sanidade estivesse exposta a prova. Meu coração voltou a bater. Os passos estavam vindo em minha direção, na minha frente. Eu não enchergava nada, apenas escutava os passos: lentos e tortuosamente calmos. E os gotejos me enlouqueciam.

O som estava mais forte. Eu sentia alguém vindo de encontro a mim. Algo, uma presença, uma presença intensa e sufocante. Forcei meus olhos e e me arrependi profundamente do que eu vi.

Alguém estava parado na minha frente. Um homem, alto e sombrio. Seus olhos eram vermelhos e seu manto do nada brilhava em meio a escuridão. Sons de gotejo estavam muito mais fortes e pareciam vir de sua capa vermelha. O Capuz do homen gotejava uma tinta escarlate tão densa quanto sangue… Sangue?

Tomei coragem e encarei aquela presença, minhas dúvidas foram sanadas. Sangue era o que percorria pelo corpo do homem. Seu manto vermelho não era feito de pano e sim de sangue. Um vermelho escarlate denso e vívido que contrastava com o semblante mórbido pálido do homem.

– Quem é você humano? – perguntou o homem com o manto de sangue.

Eu não sabia o que pensar, nem sabia mais falar. O medo já me dominara e eu estava a mercê de meus impulsos. Eu apenas observava sem poder falar, eu tinha entrado em choque. O dragão de gelo foi demais para mim e a figura de um homem usando um manto de sangue me trouxe um trauma inesplicável que me deixou completamente leso. Eu sou um Sanidat e aprendi a lutar e a usar minha magia, porém, com o trauma, não consegui estabelecer nem uma vez uma concentração de mana ou drakan, me impedindo de usar meus poderes mágicos da forma que fui treinado. Me amaldiçoo por isso. Eu deveria saber me defender, os Sanidats deveriam saber se defender e eu falhei. Falhei fabulosamente. Deixei o medo me dominar.

– Vou perguntar mais uma vez, maldito humano, quem é você? – o encapuzado escarlate voltou-se a dirigir-se a mim.

– Aquele que exige um nome, deve ser o primeir a se apresentar. – consegui falar. Não acredito. Calma. Calma. Não deveria ter me dirigido ao homem escarlate dessa forma, agora sim eu vou morrer.

Essa minha ousadia havia me custado caro. O homem sombrio se irritou e tornou a repetir:

– Eu lhe perguntei, humano insolente, quem é você e exijo essa resposta, agora! – Aquela voz grave e horripilante parecia se fundir a uma voz demôniaca e sadista. A voz da criatura escarlate parecia ser duplamente maldosa, duplamente tenebrosa.

Sem me dar brecha para responder, o homem estende uma de suas mãos. Seu manto de sangue se liquefez e um jato de sangue escarlate rompeu de sua manga em direção a minha boca e nariz. O sangue denso formou uma densa camada de sangue na metade de meu rosto. O gosto de sangue e o líquido se formando sobre minha boca me causou uma náusea instantânea. O líquido vermelho tentando me afogar intensamente me trouxe um desespero descomunal e eu comecei a me debater. A força da rajada contínua de sangue vinda das mangas daquele homem mórbido fizeram com que minha cabeça ficasse presa no tronco de arvore. Eu fiquei desesperado, não conseguia respirar. O sangue insistente tentava adentrar minha boca e a preencher meus pulmões. Eu estava sendo afogado com sangue. Sem dúvida, aquilo era sangue. Serão que meus poucos dias como Sanidat terminariam agora? Eu precisava escrever cem livros antes de voltar à biblioteca e não havia escrito nenhum. Morrer assim era no mínimo frustrante.

Eu me debatia e me contorcia, não conseguia tirar minha cabeça do tronco da árvore.

– Isso é o que você ganha por ser insolente comigo, humano idiota. – A voz do encapuzado escarlate era definitivamente demoníaca cheia de ódio e sadismo.

Eu estava morrendo. Não ia aguentar por muito tempo. Tentei reunir forças para usar minha mana para lançar algum feitiço, mas não adiantava, eu estava impossibilitado de usar meus poderes. Era o fim?

Não sei se foram minhas súplicas, ou se fora minha sorte que estava fazendo amor comigo naquele momento, mas uma voz feminina lançou uma ordem para o homem do capuz escarlate e ele obedeceu prontamente.

– Basta, Akalanthus! Já chega, solte-o! – dizia a voz.

De trás das árvores, a mesma mulher que eu vira lutar com a garota de cachinhos dourados, ecabada de aparecer. Linda. Simplesmente linda.

O demônio escalate parou de jorrar seu sangue. A camada de líquido vermelho que cobria minha boca e meu nariz foi completamente derramado. Eu estava coberto de sangue. Minhas roupas estavam completamente ensopadas de sangue. Aquele fluído vermelho era quente. Parecia pulsar em minhas vestes. Eu cai de joelhos. Eu respirava como louco, nunca amei tanto respirar quanto aquele dia. Eu sentia o gosto forte de sangue na boca e meu nariz estava empregnado com um cheiro de carne podre e sague. A Náusea me acometeu intensamente e não consegui me segurar. Vomitei muito no chão.

Quando meu estômago me deu uma trégua, olhei para cima e avistei a linda morena de cabelos lisos, a mulher fantástica que lutava contra a garota de cabelos dourados cacheados meolhava com um olhar de reprovasão. Ela me deu a mão e me ajudou a levantar.

– Você está bem? – perguntou aquela deusa com uma voz que fazia meu coração extremecer.

Eu não pude responder, estava tossindo. Levantei meus braços e fiz sinal de que estava tudo bem.
A mulher de olhar castanho intenso deu um sorriso angelical, fechou seus punhos e completou.

– Boa noite!

Bam! Um soco em cheio acertou meu nariz e minha cabeça bateu muito forte no tronco da árvore que estava atrás de mim. Não vi mais nada. Tudo ficou completamente escuro e muito, mas muito confuso.


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5 Comments»

  • Luis says:

    Ei Daniel, gostei do seu conto, parabens !!

  • Thainá Gomes says:

    Gostei do ambiente qeu vc criou ficou bem interesante e deu pra imaginar bem as cenas.parebéns!

    • Muito obrigado Thainá! Fico muito feliz, essa semana eu termino a segunda e ultima parte do conto. Só pra você entender, trarei uma série de contos, todos relacionados com o mundo de Esdras. Um universo que eu desenvolvi há muito tempo, ambientado numa idade média cheia de conceitos fantásticos, semelhando do que se vê por aí, mas peculiar e cheio de conceitos novos. Espero que goste. Abraço! Muito obrigado!

  • EriveltonL says:

    Oi,

    Muito bom o conto, alguns erros e tramas sem explicação . O que é normal para que está começando a escrever ficcão.
    continue a evoluir e espero a logo a 2 parte.

    Tchau.

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