Forjado a fogo
Escritor: Jones Viana Gonçalves

- Que comecem os julgamentos! – Gritou o sacerdote cercado por seus soldados, tendo os cinco prisioneiros ajoelhados e amarrados a sua frente.
Fora uma noite longa a que se passou na pequena vila de Tzein ao norte da fortaleza de Saragok, na fronteira entre o reino de Manak e o Império de Hoalthar. A vila estava abrigando naquela noite uma pequena tropa de soldados da Aliança, a qual se dirigia a Saragok para reforçar a guarnição do forte, porém na mesma noite um grande número de soldados do Deus Único, vindos das terras do Império, caiu sobre a vila. Como eles passaram pelo forte ninguém sabia, e a situação dos prisioneiros naquela manhã era critica demais, e ninguém se importava com o que realmente acontecera.
O sacerdote no comando das tropas não queria correr o risco de carregar consigo soldados prisioneiros, poderiam ainda ser atacados no meio da viagem de volta e aqueles soldados com certeza reforçariam as forças de seu inimigo, então decidiu realizar ali mesmo o julgamento e proferir a sentença dos soldados. Enquanto o povo comum seria levado a julgamento em Hoalthar, longe do perigo de um ataque da aliança.
- Por terem cometido crimes de heresia e atrocidades contra a religião de Taeglin, o Deus Único que reina absoluto nos céus vocês serão julgados! Seus crimes contra os soldados de Taeglin serão punidos nesta manhã, e nenhum de vocês terá a salvação. Porém como lei de nosso todo poderoso Deus Único, devo oferecer a vocês a absolvição de todos os seus pecados contra a fé verdadeira! É claro se demonstrarem arrependimento genuíno, e jurarem seguir fervorosamente os ensinamentos de nosso todo poderoso Taeglin. Qual a sua decisão?
- Nenhum dos homens aqui ao meu comando tem do que se arrepender! – Mesmo cansado e humilhado pela derrota o capitão, um cavaleiro do reino de Beliriand chamado Andréas Trevias respondeu ao sacerdote de maneira ácida. – Você chama de pecado defender o povo inocente dos abusos e massacres que os servos de seu Deus cometem em nome dele? Você chama de heresia nascer diferente? Ser de outra raça? – Um tapa calou a boca do cavaleiro e logo ele foi atirado de costas ao chão.
- Heresia! Blasfêmia é o que sai da sua boca cão devoto de deuses diabólicos! Eu agora repito a pergunta! Há alguém aqui que se arrepende honestamente de seus pecados?
- Sim sacerdote! – Gritou Jael, um soldado que há muito seguia as ordens de Andréas. – Eu me arrependo e não quero morrer! – Incredu-lo o capitão ainda deitado olha para seu subordinado fazendo sinal de não com a cabeça.
- Posso ver em seus olhos! – Gritou novamente o religioso. – Sim eu posso ver! Irmãos vocês também estão vendo o que eu vejo? – Desta vez olhava ao redor, dirigindo-se a cada soldado que até ali o seguira. – Vejam irmãos a personificação do mal puro que as divindades deles representam! Posso ver em seus olhos o medo da morte e que não há arrependimento em sua decisão, apenas a covardia!
- Não! Eu digo e juro ao senhor que estou arrependido!
- Cobra mundana! Destila teus venenos no corpo deste herege! Irei dar-te a minha sentença criatura vil! Não terás a purificação de sua alma, irá ao encontro do criador com as manchas podres que apresentas aqui nesta vida! Levem ele daqui e dêem a esta víbora o que ela merece!
Neste momento dois homens vestidos em túnicas brancas arrastaram Jael dali para dentro de uma casa, e de lá apenas os gritos do homem poderiam-se ouvir. O sacerdote parecia feliz, o primeiro herege fora executado, mas tinha de salvar pelo menos uma alma. Foi neste momento que ouviu o choro abafado de Kalistos, um rapaz de dezesseis anos que servia de escudeiro a Andréas. Dirigindo-se até o capitão ainda caído pisou em seu braço na tentativa de ouvir algum som de agonia sair do veterano, mas nada ouviu. Então voltou seu olhar novamente para Kalistos.
- Aqui sim posso ver o arrependimento. Vamos criança! Taeglin diz que todos merecem uma segunda chance de ver o que é certo, eu poderei dar esta segunda chance a você, basta que me diga que se arrepende.
- Não faça isso Kalistos! Saia de perto dele cão! Se encostar nele juro que irá pagar caro, juro por Taito que reina nos céus! – Gritou o capitão ao ver que o sacerdote se dirigia até seu filho.
- Heresia! O demônio que cultua não recebe juramentos de criaturas nefastas como você cavaleiro! Eu darei a esta criança uma segunda chance, basta ela querer. Vamos menino diga que se arrepende e que de agora em diante seguirá os ensinamentos de Taeglin!
O menino chorava cada vez mais, não queria morrer e muito menos trair seu próprio pai se aliando ao inimigo.
- Vejo a indecisão em seus olhos, sim eu vejo. Irei auxiliá-lo a se decidir. – A um sinal das mãos do sacerdote um dos soldados cortou a túnica de Kalistos deixando-o com o peito despido. – Taeglin senhor e salvador ajude-me a salvar esta alma, e dar a ela uma ajuda a encontrar o caminho certo. – Ao terminar sua oração o clérigo estendeu a mão e esta começou a iluminar-se com um brilho vermelho, o qual a cada segundo ficava mais intenso. – Vamos criança diga o que Taeglin deseja ouvir.
O sacerdote tocou o peito do menino que gritou, o rosto transfigurou-se em uma mascara de dor e o cheiro de carne queimada encheu o ar. Deitado Andréas tentava se soltar. Junto ao filho gritava, mas de nada adiantava.
- Vamos criança diga, com a graça de Taeglin decida-se agora!
Kalistos resistiu por algum tempo, mas a dor era insuportável para ele e então gritou.
- Eu me arrependo senhor! Por favor, eu me arrependo!
No mesmo instante o sacerdote retirou sua mão do tórax do menino, e com um grande sorriso no rosto olhou para todos ao redor.
- Irmãos! Salvamos mais uma alma dos desígnios sombrios e mesquinhos dos auto intitulados Deuses de nosso mundo!
- Desgraçado! Cão sarnento! Vai me pagar caro por ter feito isso ao meu filho! Prometo que mesmo que me mate encontrarei uma forma de voltar e acabar com você!
- Seu filho cavaleiro! Não, ele não é mais seu filho! Agora pertence à Taeglin, e você pertence ao Deus Único também! E quando encontrá-lo do outro lado com certeza nosso senhor irá mandá-lo para o fundo dos nove infernos! Minha sentença é única, levem a criança e as pessoas da vila para o forte de Kodesh, lá eles serão julgados e sentenciados se assim for decidido! Os soldados devem ser decapitados e seu capitão, sim o capitão deverá assistir a morte de todos os seus comandados, e depois ter sua alma purificada pelo fogo para então apresentar-se a presença de Taeglin!
E assim foi feito, os soldados um a um decapitados a frente de Andréas, enquanto as pessoas e seu filho eram levados em fila para fora da cidade. O sacerdote olhando em seus olhos fez uma oração e despediu-se, após os soldados de branco o carregaram para a fogueira. Os gritos de agonia de Trevias ecoaram atrás da procissão de prisioneiros enquanto estes eram levados pelo caminho de volta ao império do Deus Único.
********
Dizem que quando estamos próximos da morte nossa vida passa rapidamente perante nossos olhos, o mesmo aconteceu com Andréas. O fogo parecia não mais queimar, a dor não existia, seus gritos cessaram e em sua mente diversas imagens se passaram.
- Pai, eu serei o mais valoroso dos cavaleiros! – Andréas tinha apenas 10 anos quando disse ao pai que desejava seguir a mesma trilha que ele.
- Não! Não desejo este futuro a você meu filho, quero que cresça num mundo sem guerras, e que possa viver sem ver o que vi. – Diferente de muitos pais Kadarn não sentia orgulho de ser o que era, e nem de o filho querer ser igual a ele, mesmo sendo um cavaleiro.
- Mas pai é o que eu quero!
- Já disse Andréas, você não será cavaleiro!
Agora Andréas entendia seu pai, mesmo sendo respeitado pelo que era, trazia em si a amargura do guerreiro, aquele que vê os campos de batalha apenas como áreas de morte e dor, mas ao contrario de Kadarn apoiou seu filho Kalistos quando este quis entrar para a cavalaria.
O momento em que o guerreiro fugiu de casa, a preocupação nos olhos do pai quando o encontrou entre os cavaleiros tendo sido aceito como escudeiro e aprendiz. A dor nos olhos da mãe quando finalmente partiu para aprender seu novo oficio, tudo passou rapidamente até o dia de sua nomeação. O cavaleiro Andréas Trevias finalmente volta para casa, seu pai esta doente na cama e a mãe chorando ao lado. Kadarn a final lhe dá a benção e Andréas chama aquele dia de um dos mais felizes de sua vida, e também o mais triste, pois foi o ultimo dia de seu pai entre os vivos.
Sua primeira missão é concedida e executada, três anos guardando as rotas comerciais entre os Reinos de Tebas, Narsel e Beliriand. Neste período conheceu Eleanore, com ela casou-se e teve um filho. Então fora enviado para as guerras no sul, Eleanore acompanhou-o, todo o crescimento de Kalistos ele pode presenciar, até o dia em que o filho então com doze anos pediu para ser cavaleiro. Andréas enviou o pedido a ordem e pode ver a alegria nos olhos do filho, quando este descobriu que fora aceito para acompanhar seu pai na campanha contra o Deus Único.
- Morte e vida Andréas, ou vida e morte!
Entre as chamas o cavaleiro pode ver uma pessoa, não sabia quem era ou mesmo o que era.
- Vi você fazer um juramento soldado, e vim aqui apenas para saber se era verdadeiro!
- Sim! – Quase sem forças Andréas conseguiu ainda falar.
- Não posso ouvi-lo direito, vejo que agoniza frente às feridas que suporta. Posso resolver isso agora mesmo e então poderemos conversar. – Com um gesto do estranho as chamas se apagaram e a dor de Andréas cessou.
- Quem é você?
- Pergunta mais comum não há? Acho que não cavaleiro. Bom quem sou não importa, seria uma resposta mais que bem vinda, assim como a oferta que desejo fazer a você.
- Preciso saber quem é você! – Apenas sussurros saiam da boca do cavaleiro, a voz completamente enfraquecida.
- Eu sou quem pode lhe garantir honrar seu juramento, acho que isso é o que importa.
- Como?
- Perguntas e mais perguntas, e ainda todas previsíveis, vamos cavaleiro apenas cale-se e ouça! – O estranho parecia divertido com a situação. – Posso dar a você os meios de vingar-se, sei sua próxima pergunta seria por quê? Bom por que é o que eu desejo também, vingança!
- Quem é você? – Desta vez Andréas conseguiu gritar.
- Já disse, quem sou não importa. Quer vingar-se não quer?
- Sim, eu quero!
- Isso é um começo, porém receber o poder que tenho a lhe dar trará algumas conseqüências.
- Pode me dar a vingança?
- Sim, eu posso sim!
- Então não importa o preço!
- Bom ouvir isso Andréas Trevias, você será minha espada frente aos exércitos do Deus Único! Dará a mim o que meus irmãos não puderam dar até agora. Vingança!
Falando isso o estranho tocou a testa de Andréas, seus olhos sem pálpebras e o rosto sem expressão pelas queimaduras impostas pela fogueira apresentaram uma sutil mudança, não eram mais as feições belas e altivas do cavaleiro, ou mesmo a expressão dolorida e sofrida do homem queimado, algo mais existia ali. O poder divino fora demais para a mente mortal do homem, então fora extirpada no processo de tornar mais poderoso aquele que seria usado como instrumento dos Deuses, ou melhor do Deus Demeroff, pai dos elfos de olhos vermelhos.
- Meus filhos foram dizimados e expulsos de seu lar, agora você meu fiel assassino irá castigar aqueles que nos fizeram sofrer. – Demeroff olhava para Andréas que agora solto corria quase nu para ir a caça de seus inimigos.
********
- O que fizeste Demeroff? – A pergunta atingiu a divindade enquanto esta ainda retornava a seu lugar no reino dos Deuses.
- Fiz o que precisava fazer!
- Não, você não precisava fazer isso com um de meus filhos!
- Por que Raziel? Por que apenas os meus filhos devem sofrer? Por que aqueles que são amados por você e por Ilena devem permanecer intocados a nós?
- Não dispare sua amargura contra nós irmão! – Desta vez a voz que vinha aos ouvidos celestiais tinha o tom feminino.
- A culpa do extermínio dos meus filhos recai aos seus, então cabe a um deles pagar pelo que os outros fizeram.
- Não Demeroff, não cabe a um humano qualquer pagar, mas sim ao humano que gerou toda essa destruição.
- Aquele que se intitula Deus Único! Eu sei que cabe a ele pagar, mas a vingança demorou demais, vocês podem esperar, mas não eu! Seus filhos não foram deixados para morrer não é?
- E quantos de nossos filhos morrem nesta guerra? Você se esquece disso?
- Quantos deles ainda existem ou existiam ao inicio desta guerra? Quantos deles é dada à opção de tornar-se seguidor daquele que iniciou a guerra e aceitam? Os humanos são todos iguais!
- Sua amargura custou a sanidade de um homem!
- Mas ele viverá Raziel, ele viverá e vingara meus filhos e os seus filhos!
- Toda essa sede de vingança alimentada a cada dia irá nos gerar mais e mais problemas irmão. Dar a um mortal o poder de um Deus!
- Os mortais já tem por natureza este poder! Eu apenas ampliei o conhecimento.
- Ele não estava preparado, você destruiu a mente de Andréas e o imbuiu de selvageria em demasia.
- A mesma selvageria que queria dar aos meus elfos quando estiveram em retirada e vocês me proibiram.
- Eles não se adequariam aos outros elfos se isso tivesse acontecido, seriam corrompidos e entrariam em atrito contra os outros povos, o que nos traria mais outra guerra, não basta os filhos bestiais de Gamek, você queria que os elfos de olhos vermelhos fossem iguais?
- Você fala em adequação, sim os filhos de Quioc, elfos da floresta Etilia não deixaram meu povo ficar com eles, e nem os elfos gélidos de Sameth, então que adequação foi essa?
- Mas os humanos acolheram seus filhos!
- A que preço?
- Nenhum! – Raziel parecia cada vez mais perturbado e irritado pelas atitudes de seu irmão.
- Sim, houve um preço e este é caro demais para meu povo depois da quase extinção! Agora deixem-me a sós, não quero mais palavras a respeito de meus atos. Quero apenas saborear a vingança vindoura.
Falando isso Demeroff fechou sua mente e nenhum dos outros deuses pode saber onde ele estava ou mesmo falar com ele.
********
Andréas correu pelo caminho farejando o ar, os cheiros diversos que vinham da trilha formada por seus inimigos dava-lhe a direção correta em que se dirigir. A noite veio lentamente e cobriu os campos dando ao cavaleiro uma nova camuflagem, a distância podia ver as fogueiras e o vento trazia até ele a confirmação de que os soldados do Deus Único ali acampavam.
- Então o que será do menino que trazemos conosco? – Perguntava uma sentinela a outra enquanto tentavam fazer o tempo correr com conversas sobre diversos assuntos.
- O irmão Kalib deverá entregá-lo ao templo de nosso senhor e lá será decidido o que ele fará.
- Provavelmente será marcado.
- Sim, é o de praxe, eles são marcados e vistos pelo resto da sociedade como um iniciado no culto a nosso senhor.
- Eu lembro desta época da minha vida.
- Mas agora irmão você já afirmou a sua fé e não é mais assim.
- Não sei como pude um dia ser diferente.
- Você viu a luz em nosso senhor irmão, deixou para traz as enganações dos outros auto intitulados deuses antigos.
- Eu sei.
Andréas esperava, em sua mente algo ainda restava de sanidade, a selvageria imposta por Demeroff não embaçava sua mente estratégica, apenas lhe dava algo diferente que não conseguia explicar. Uma sede de sangue inigualável e uma fome de morte impressionante.
Os homens sequer viram o vulto em seu ataque, o primeiro sentinela foi jogado ao chão feito boneco de pano. A brutalidade do primeiro golpe e sua força foram tamanhas, que os ossos de seus membros superiores e inferiores demonstravam ângulos absurdos quando finalmente este parou de rolar no chão. Já o segundo soldado pode ver o homem a sua frente, e o horror varreu qualquer reação de seu corpo. Não havia um só ponto do rosto que não fosse tomado por severas queimaduras, a armadura que antes fora dourada, agora vinha grudada a pele queimada do cavaleiro e havia sido enegrecida pelo contato direto com o fogo. Braços e pernas tomados por diversas queimaduras, seus olhos não tinham mais pálpebras e nem a boca por sua vez era protegida pelos lábios. O segundo vigia caiu de joelhos chorando ao ver o ser deformado a sua frente, e pedia a seu Deus que o protegesse de tal aberração, mas o Deus Único não ouviu as preces de seu seguidor.
Um a um os postos de vigia foram caindo, mas ninguém no acampamento soube disso. Nenhum ruído de batalha, ou mesmo grito de terror fora emitido. Andréas era rápido e eficiente em seus assaltos, e antes que a lua cruzasse para o outro lado do céu o cavaleiro iniciava seu ultimo e definitivo assalto, iria para o centro do acampamento.
“Morte e vida ou vida e morte”, as palavras de Demeroff ganhavam cada vez mais espaço no cérebro do homem, e a cada morte a selvageria ganhava espaço em seu intimo. Espadas se cruzaram a sua frente, um grito de alarma fora emitido de dentro do acampamento, mas já era tarde. Andréas arrastava um a um os soldados sonolentos de suas barracas ou de suas camas improvisadas e seifava-lhes a vida com uma espada, muito mais da metade morrera assim, e os poucos que restaram tentaram fazer frente contra o guerreiro. Desorganizados e pensando serem maior número atacaram. Na primeira onda de ataque três espadas atingiram o corpo de Andréas, mas nenhuma gota de sangue retiraram, em compensação dois soldados ficaram para traz, um deles o cavaleiro segurava pelo pescoço deixando-o acima de si, o outro jazia aos pés deitado sobre uma poça de sangue.
- É só isso que os escravos do Deus Único tem a me oferecer? – Dito isso arremessou o homem contra seus aliados, correndo em um novo e surpreendente ataque.
Os nove soldados remanescentes foram pegos de surpresa, a lâmina de Andréas cortou dois deles quase que ao meio, enquanto que com a mão o cavaleiro agarrava outro pela nuca. O soldado tentou se libertar, mas a espada que agitava na tentativa de cortar seu algoz encontrava algo mais duro que pedra, então sentiu a dor e o corpo amolecer. Com os dentes Andréas arrancou boa parte do pescoço do homem para depois jogá-lo longe. Agora de novo com as duas mãos na espada golpeou novamente seus inimigos, no trajeto a espada encontrou outra e de tão poderoso golpe as duas armas partiram-se. O soldado gritou de dor, a vibração que o golpe criou no cabo de sua espada fez seus ossos estalarem e partirem. A mão de Andréas logo encontrou a cabeça do homem ferido e com maior fúria a jogou contra o chão. O soldado estremeceu e morreu.
Desarmado o cavaleiro parou observando os cinco inimigos, que perplexos pela ferocidade de seu algoz, ainda tentavam entender a natureza da criatura que lhes atacava. Um deles cansado de esperar novo ataque lançou-se a frente desferindo outro golpe. O grito do homem apavorou mais as pessoas de Tzein, as quais ainda tentavam esconder-se deste novo acontecimento. Já mais consolados pela condição em que se encontravam os cidadãos da vila escondiam-se como podiam, mesmo estando acorrentados uns aos outros.
Chocados, os quatro soldados remanescentes viam o cavaleiro empunhando em uma de suas mãos a espada do ultimo soldado abatido, na outra o braço que arrancara do oponente enquanto o desarmava. Algo parecido com um sorriso se fez no rosto deformado, e Andréas farejou novamente o ar.
- Medo, mas não vindo de vocês, não. – Ele disse olhando para os soldados. – Medo vindo do povo de Tzein, sim eles tem o que temer.
Com o braço arrancado em punho correu contra os homens desferindo golpes, ora com a parte ensangüentada de seu inimigo, ora com a espada. Nenhum dos quatro guerreiros do Deus Único resistiu ao embate, e logo o cavaleiro encontrava-se sozinho entre diversos cadáveres. O cheiro do medo ainda enchia sua narina, mas não iria seguir aquele cheiro agora, tinha outro ainda mais familiar a seguir.
Entrando em uma das poucas cabanas que existiam ali seguindo aquele odor Andréas encontrou seu objeto de perseguição. Se ainda houvessem lagrimas para serem choradas certamente o cavaleiro as derramaria. Deitado no chão o corpo de Kalistos ainda com os olhos abertos parecia observá-lo entrando no aposento. Seu filho único estava morto e nada poderia fazer a respeito.
Antes de fugir do acampamento que parecia estar sendo atacado, o irmão Kalib matou Kalistos já que ainda rejeitava a fé verdadeira. Pelo que parecia, seus soldados não estavam sendo páreos para a força que agora os atacava, e não deixaria um guerreiro mesmo que infante sobreviver assim para atacar os exércitos de seu Deus. Mal sabia ele que agindo daquela forma tudo o que fez foi colocar um inimigo ainda pior contra tal armada, pois Andréas vendo seu filho morto covardemente jurou destruir o próprio Deus que através de um escravo levará seu filho para longe dele.
Enquanto corria Kalib ouviu os gritos de algo que agora fugia completamente do humano. A dor no peito do pai que perde seu filho destruiu completamente a humanidade que ainda teimava em existir no peito de Andréas, e seu primeiro ato de vingança fora despedaçar uma a uma as pessoas que haviam deixado seus valentes guerreiros, seu filho e ele próprio serem capturados pelo sacerdote e seus soldados. Na mente insana do cavaleiro existia culpa naquelas pessoas, então nem mulher, homem ou mesmo criança escapou de sua fúria vingativa. Depois foi a vez de seguir o rastro do homem que a tudo aquilo havia causado.
O sacerdote ainda corria, mesmo cansado sabia que aquilo que atacara seu esquadrão poderia vir atrás dele, o que confirmou-se quando o cavaleiro vindo por trás saltou e deu-lhe um tapa no ombro, como um felino ao saltar sobre sua presa. Kalib rolou no chão, mas logo ergueu-se, se iria morrer que então fosse lutando em nome de seu Deus.
Com a espada em mãos o sacerdote esperou olhando para o escuro na direção em que seu atacante caíra. Tal foi a surpresa em ver que era um homem.
- Criatura profana! – gritou ele antes de ver completamente seu algoz. – Vou permitir que se redima perante o senhor pelos pecados que cometeu esta noite! – Apontou a espada para o estranho. – Irá conhecer a ira div….- enfim engasgou ao ver o cavaleiro deformado a sua frente e reconhecer o brasão em sua armadura.
- Eu conheci a ira de seu Deus e sobrevivi a ela sacerdote! Agora será que você irá sobreviver a minha ira?
Kalib engoliu em seco e exitou por um segundo, tempo suficiente para Andréas atacar. Com o ombro deslocou o sacerdote jogando-o ao chão de costas. O homem teve tempo apenas para gritar. As mãos de Andréas penetraram na armadura como se ela fosse feita de papel, e o mesmo aconteceu com o tórax do sacerdote. Em pouco tempo ossos, sangue e órgãos internos estavam espalhados ao redor dos dois, Andréas ria e chorava ao mesmo tempo enquanto retirava mais e mais partes do cadáver de seu inimigo.
Em outro plano Demeroff ria junto a sua nova criação, aquela que agora não conheceria inimigos e levaria a sua vingança em frente, a levaria até que o próprio auto intitulado Deus Único estivesse aos seus pés implorando por misericórdia.
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CARACA, ficou enorme aqui!! Bom este texto eu enviei para o Caminhos Fantasticos da Jambo, como não rolou, postei no ONE!!! He he he
Ficou com tom de continuidade Jones, por isso o meu também foi rejeitado pelo editor.
Ah, então posta o seu conto por aqui também, é claro se não estiver concorrendo a mais nada!
O editor (eu) nunca disse isso.
He he he, pois é, nunca disse mesmo, mas não dá nada, se não deu no caminhos fantásticos paciência. Abraços Tiago.
Jones, mais uma grande obra! Nem preciso perguntar se haverá continuação, pois sei que você não criaria um conto de tão boa qualidade e deixaria seus leitores ávidos pela continuação. Acho que nem é necessário dizer o quanto seu enredo está incrível, as descrições e o ritmo excelentes, sem falar dos personagens sempre marcantes (desse Demeroff eu gostei bastante)… apenas espero a próxima parte. Parabéns!
ããããããã Próxima parte??? Como assim próxima parte? Bom, sério agora, este conto foi escrito para concorrer a uma vaga de caminhos fantasticos, quando o escrevi não pensei em escrever mais a respeito, bom pelo menos por enquanto, mas quem sabe quando as coisas se acalmarem!!
Hehehe.. é que o pessoal já se acostumou em seus contos serem em partes Jones!
Ficou no ar o encontro entre Andreas e o “Deus Único”. Tá, você não fez, mas uma continuação cairia muito bem.
Bom, vamos à crítica.
xD
Topei ainda com a danada da vírgula fora do lugar, mas isso já é comum aqui no ONE (até o Vitor Vitali caiu nessa). De resto, não me lembro de outros erros.
.
Quanto a história, é de tirar o fôlego. Muito boa mesmo. Só não saiu na caminhos fantásticos porque o editonto queria que a gente copiasse Alan Poe e não avisou isso antes. A parte da morte do povo, apesar de ninguém ser poupado, não ficou apelativa. Em termos mais comuns, eu diria “você escreve pra caramba bro.”
.
Deveria haver uma campanha “continuação please”. Ia ser muito massa Andreas versus Deus Único (apesar de que eu achei que o filho dele ia derrotá-lo nessa parte).
Porra, eu já estou devendo tanta continuação, mas tipo não sei se Andreas conseguiria peitar o Deus Único, já tem gente demais tentando fazer isso, se ler a maioria dos meus contos medievais se passam no mesmo mundo.
-
Existem dois personagens meus querendo peitar o Deus Único e outros que rodeiam suas areas, ele é conhecido em Exterminio, quando os elfos de Demeroff deixam suas terras no sul. Depois reaparece em O Mago de Arcondris, quando o principal tambem quer peitá-lo, e é mencionado em diversas passagens de Kzak o senhor dos mortos! Como o mundo ainda vive esta guerra, acho que ninguem deverá peitar o Deus Único.
-
Sim, é o mesmo mundo de Irdan e as montanhas negras! Porém a história de Irdan é em no passado e estas histórias da era do Deus Único são o presente deste meu mundo!
É mesmo Jones, como disse o Guns, já acostumamos com os seus textos em partes.
-
E gostei muito desse ai. Parabéns.
Jessé, assim que eu conseguir me reorganizar nos horários posto uma continuação para todos os meus trabalhos que estou devendo continuação, mas por enquanto não vai dar he he he he he. Valeu carinha, abraços.
Jones, estou pegando seus textos e convertendo para .pdf para ler no meu PSP.
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Assim fica mais fácil de ler… Quando terminar de ler eu vou comentando….
Ah, tranqüilo Brother, putz faz tempo que o cara postou isso aqui!! Mas assim quando começar a comentar avisa he he he
Cara Muito bom seu conto… Gostei para caramba!
-
Gostei muito memso da conversa das Divindades… Achei maneiro… Mas tenho uma uma duvida.
-
Em certa parte você diz que um deles fecha sua sua mente para os outros… Eles teriam um corpo materrial ou são apenas “mentes” de Divindades.
Sim, sim, são entidades, no plano espiritual se comunicam através dos pensamentos, não tem forma ou se materializam de alguma forma neste plano, apenas são entidades, pensamentos flutuantes com muito poder, isso no plano espiritual onde eles estão ali. Não há planos para estas divindades, toda a sua criação quando se desfaz no mundo comum volta a integrar a energia da qual foi gerada, dependendo de como se deu a morte esta energia não consegue regressar para o plano fisico na forma de nova criatura e se perde dentro do Deus. Sei lá enrolei bastante he he he é uma ideia que ainda estou amadurecendo.
Você é um bardo sagaz!
Muito obrigado mesmo, essa história de bardo me lembrou de uma conversa que tive com o Guns a respeito de poesia na Bienal, lembra Guns!!
Muito bom! Como sempre. Gosto dos textos do Jones por que é certeza de enterterimento! Vai ter alguma continuação?
He he he Você também Vinny, ok, ok, estão me convencendo a dar continuação nesta bagaça, he he he, estou me organizando melhor no tempo agora, tenho alguns trabalhos pendentes e a programação do Game do DEIS, mas consegui voltar para o ONE, o que já é algo, e desejo nos próximos dias estar mais presente.
-
E Vinny AnimeXtreme em Outubro ein! O Andrey já confirmou presença, novo encontro de Nerds Escritores he he he Desta vez vamos ver se as fotos aparecem(Alfinetada no Guns) he he he he
Vo sim, cara! Eu confirmei lá no facebook! xD
Ah blz, neste find trabalhei na aventura do DEIS pro evento, vamos ver, a mesa até agora parece já estar cheia. Abraços.
Anime xtreme? Tô dentro…
Brothers, haverá mesmo um encontro entre os escritores do ONE neste evento? Caso haja, vou redobrar os esforços para estar ao lado da elite do meu grupo.
Abração.
P.S.: Jones, estou iniciando a leitura (o texto é grande) e logo postarei o comentário.
Sucesso…
Franz, até agora eu, o Andrey Ximenez e o Vinny estamos certos de estar no AnimeXtreme de Porto Alegre, eu vou estar mestrando uma aventura de RPG do DEIS em 3D&T e com os livros por lá, então chamei a galera daqui do Sul pra este encontro, segundo o Andrey ele ainda vai de Cosplay o que eu vou cobrar veementemente huahauhauhauahuahuahuhuhauhauha
Fantásticos! *-* brilhante e ficou com cara de que tem continuação.
Thanks Thainá, bom a pedidos, vou me esforçar para dar continuidade a saga de Andreas, mas primeiro tenho de terminar de por a casa em ordem!! he he he he he Abraços.
Fim da leitura e o sentimento de ter acompanhado um ótimo trabalho. Jones, a tão esperada continuação é algo inevitável. Procure conseguir um tempo extra para postar a sequência deste épico.
A leitura é agradável e a ação fluente. Parabéns.
Muito obrigado Franz, valeu mesmo.
Fui só eu que lembrei de Spawn?
-
Cara muito bom o conto. Longo mas num ritmo alucinante. Não esperava menos de ti meu amigo.
-
Algum cuidado com as vírgulas e com os pronomes e o texto fica perfeito.
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Abração
Spawn, é vendo agora lembra um pouco, mas a idéia deste eu tirei da purificação das bruxas durante a inquisição e dali seguiu para o que você leu he he he.
-
Cara, pontuação é o meu fraco, tenho que me aperfeiçoar nesta area, talvez fazer um curso intensivo he he he he.
-
Valeu Andrey, e contando os dias para AnimeXtreme!!!!! he he he he
O Andrey avaliou corretamente sobre a pontuação e a colocação pronominal. Mas o trabalho é de ótima qualidade, independentemente dos pequenos deslizes.
he he he Valeu Franz, mas tenho de melhorar mesmo neste quesito, não sou muito bom com pontuação, matei estas aulas!!!!
Não havia lido seu comentário ainda, mas já imaginava o mesmo, Andrey. Inclusive onde Jones descreve a forma de Andreas, me lembrei do filme baseado no personagem da Image.
Putz e o pior é que o filme ficou uma porcaria!!! he he he he
Shaushaushaushaus… mas a kra deformada, o kra mau com armadura negra caçando feito louco. Como não pensar em Spawn?
-
Sim sim, aguardando A.Extreme!
o/
Deu-me até saudade dos tempos que jogava o bom e velho RPG.
Mais um bom bardo que sabe como escrever.
Muito bom Jones. Achei bem leve e fluente a leitura
Pensei que já tivesse comentado este conto quando o li pela primeira vez, mas vi que não.
Esperando a continuação realmente.