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Sep
15
2010
Conto em Série

Humor negro de um crioulo: A lenda

Escritor: Israel Duarte

humor-negro-de-um-crioulo

Reza a lenda Uoxinton chutava bastante dentro da barriga da mãe, mas chutava com estilo- nada de forca. A mesma lenda também conta que quando ele nasceu sua mãe disse “que lindo!”, o pai disse “meu filho!” e o medico ficou calado. Mas, a verdade é que a mãe pensou “que fofo”, o pai pensou “pelo menos é macho” e medico riu – só que ninguém pôde ver por causa daquela mascara- e pensou que já havia visto piores.

Ela diz que a primeira palavra que ele falou foi gol, que no dia do seu segundo aniversario ganhou a primeira bola, que quando tinha dois anos e um dia já conseguia fazer embaixadinhas e no dia seguinte marcou o seu primeiro gol. Aos sete anos, já conseguia dar todos os dribles que passavam na TV, aos oito começou a inventar os seus próprios e quando ele tinha nove anos três meses e vinte e cinco dias aconteceu o inevitável… Ele deixou de falar na primeira pessoa do singular.

Foi meio confuso no começo, a mãe chegou a pensar que ele tinha algum tipo de amigo imaginário por um tempo, o pai até o pastor chamou, mas foi um tio quem matou a charada. Enquanto ele ouvia a reportagem de um jogador que se dirigia ao vestiário, ele só conseguia ouvir o sobrinho falando. No dia seguinte ele foi falar qualquer besteira com o garoto pra comprovar a sua teoria.

- E aí, Uoxinton? Como vai na escola?

- Bem , tio… Não é fácil, mas a gente vem trabalhando duro e se Deus quiser vamos sair com o resultado.

Não havia dúvidas: ou moleque tinha enlouquecido e pensava ser um jogador de futebol ou tinha sido possuído pelo espírito de algum jogador morto. O tio contou a mãe, a mãe contou ao pai, o pai tentou resolver à base do cinturão. Não deu certo, ele ficava choramingando ‘a gente não fez nada’. Ninguém sabia ao certo o que fazer, mas um vizinho teve uma idéia que mudou a vida do nosso herói, levá-lo ao Seu Bill, o treinador do glorioso Bode.  Se o problema do garoto tinha algo remotamente relacionado à bola, Bill saberia como dar um jeito. Chegando lá, o coroa olhou pro garoto, falou umas besteiras que ninguém entendeu e o garoto respondeu outras besteiras que o pessoal igualmente não entendeu. Então Bill, muito calmamente, se dirigiu ao pai e disse saber do que o garoto estava sofrendo, mas que precisava fazer um simples teste para confirmar o diagnostico. Mas antes, seu Bill fez os pais de Uoxinton prometerem que se a suspeita se confirmasse, ele seria o responsável pela cura do garoto. Os pais não entenderam bem, mas prontamente concordaram.

Bill pegou uma bola velha, fez umas mungangas com ela e tocou pro garoto, o pirralho matou no peito, deu de coxa, parou na testa, passou pro nariz, voltou pra testa, rolou pra nuca, voltou pro peito e deu de volta pra Bill. Bill sorriu e disse pro pai que o diagnostico fora confirmado: craque de nascença. E o detalhe da fala seria consertado com algumas tardes de treino no campinho de barro do Bode. Naquele dia Uoxinton ganhou seu primeiro par de chuteiras.

41 Comments»

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    vim ver agora que isso entrou no ar.
    :D

  • Sara says:

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    Esse eu achei mais legal que o primeiro!
    Na verdade, morri de rir com a parte em que ele parava de falar na 1a pessoa. xDDDD Realmente muito bom!
    Continua assim, Israel!

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      tá começando agora, Sara.
      -
      ouxi…. acho que quando eu morrer Uoxinton ainda vai estar na ativa. Ele, almir klink, os meus pirralho…. acho que nunca vou por um fim neles

    • Luiz says:

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      Esse preto tá no curso errado, vai escrever rapah! Mto boa msm a parte do parou de falar na 1 pessoa do singular, eu ri!
      Boa Israel!

  • Thainá Gomes says:

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    Tá de parabéns,esse personagem é muito bom´,eu não cosigo parar de rir pra mim quando ele fez nove anos três meses e vinte e cinco dias ele teria entrado pra seleção.kkk Vai em frente que muito bom.

  • Asami says:

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    Ri, ainda estou rindo e tenho certeza que se eu ler este conto de novo, eu rirei. Israel, você não faz ideia do quanto estou gostando da narrativa e do enredo deste conto… é algo divertido e extremamente cativante. Ótima sequência, que venham muito mais! :D

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Este humor que sempre usas, meio sarcasticamente´, tornou-se tua marca registrada. O conto é curtinho, mas diz muito. O personagem é daqueles inesquecíveis. Vida longa ao Uoxinton, o craque. Grande conto.

  • Lord Jessé says:

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    Caraca! Muito bom.
    -
    “- Bem , tio… Não é fácil, mas a gente vem trabalhando duro e se Deus quiser vamos sair com o resultado”.
    kkkkkkkkkk totalmente boleragem. Muito foda.
    -
    Israel, tá mais uma vez de parabéns.

  • Andrey Ximenez says:

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    Kra.. tá mt bom… mas não sei se foi a ansia por ver fora da agenda ou sei lá, mas esse tem mts erros de escrita, repetições de palavras, erros ortográficos, enfim. Ta tenso!
    -
    Vale uma revisão antes de publicar. Eu sou chato, e a qnt de erros quebrou um pouco o clima.
    Abraz

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Valeu, andrey.
      -
      Verdade, li agora eu vi uns quatro erros. Falta uns artigos, letras trocadas… mas nada que altere a leitura.
      quanto a repeticao, vi não.
      -
      uahuaehuaehueahueahaeuhaehea

  • Drielle says:

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    Eu ri! Na verdade, vivo rindo do Israel.. incrivel como transforma as palavras e faz com que a gente procure mais pra ler … Israel, escreve mais poha!

    =*

  • Ana Bourg says:

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    Muito engraçado. XD

    O estilo “crônica do cotidiano” lembra um pouco o humor de autores como o L.F. Verissimo.
    Daria para acreditar que essa história não é tão fictícia assim, até. O nome do guri me lembrou que, numa pilha de redações escolares que estava lendo durante uma aula de pedagogia, tinha um chamado “Masuél” (Maxwell, acho)
    Uma boa fonte de risadas, seu conto. Você conseguiu criar um estilo humorístico bem legal.
    Tem continuação? =P

  • Tomás Kroth says:

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    Muito engraçado cara, uhauahuahuahuah

    Ri demais na parte do primeira pessoa. Ótimo trabalho, agora ta começando a ficar bom esse Uoxinton xD

  • Franz Lima says:

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    Israel, vê se aproveita todo esse potencial para a comédia, meu véio. O texto é muito, muito bom e tem uma graça sadia, bem legal de ser lida. Aguardo outros trabalhos sobre o boleiro. Sucesso, amigão!
    :)

  • Rainier Morilla says:

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    Hilário…
    Muito bom esse conto. Deixou de falar na primeira pessoa do singular? kkk… Massa demais…

  • Quel says:

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    Tu eh uma resenha gordo…. kkk!!!!

  • Cathy says:

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    Pouco texto, muito conteúdo! uma obra maravilhosa, parabéns!

  • Gabriel Monteiro says:

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    Demais esse texto! Ri muito aqui, principalmente com a fala do muleque. Gostei desse ainda mais do que do primeiro. Mal posso esperar pela continuação da história do Uóóóóxinton.

  • Vitor Vitali says:

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    Cara, sou seu fã. :D
    Seus textos são ótimos e olha que nem são de um estilo que eu gosto. Quero um livro teu. :D

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Opa, Vitor! Que é isso macho, chega fikei sem graça.
      -
      Obrigado por ler, mestre… Eu tb quero um livro meu! uaehaueheauheauaehaeuhaeuhae
      -
      Agora eu duvido tu gostar do meu proximo que tá ai na agenda. Nem eu gosto dele, tá cheio de erros… nao passa de uma boa intencao!
      -
      :P

      • Thaina Gomes says:

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        O que vale é a intenção.

        • Thumb up 0 Thumb down 0

          é o que dizem… mas eu num acredito muito nisso nao.
          -
          algumas pessoas que leram gostaram muito, outra so gostaram e algumas nem comentaram
          -
          hehehehe… Quando ele for publicado eu dou uma olhada melhor nos comentarios e vejo se a intencao realmente valeu
          :P

  • Drielle says:

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    ”Há cerca de vinte e tantos anos atrás nascia em Paulista, Pernambuco, uma belo, inteligente e rico rapaz. Dono de um bom coração, sempre disposto à ajudar e lutar por todas as criaturas. Bem… certamente, não sou eu esse cara. ”

    #EuRi!!!

  • lobaempeledeovelha says:

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    Sr.Israel tenha em mim uma humilde fã, de tanto sua cunhada pentelhar meu juízo (e diga de passagem não é tão bom como eu gostaria que fosse) eu tinha que ler seus escritos e para minha surpresa você me fez rir, coisa rara tendo em vista que meu humor é por demais estranho.
    Vou continuar lendo seus escritos, espero algum dia eu possa escrever, tenho idéias e inspiração o que me falta mesmo é coragem de começar. (Jogadora de RPG acaba por pegar o gosto de escrever xD)

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      Opa, amiga da minha cunhada. Sinto pena de tu, já ouvi historias de como ela pode ser cabulosa quando insiste em alguma coisa.
      -
      uaehuaehaeuhaeuaehauehaeahae…
      -
      que bom que te agradei, garota. se quiser ver mais coisa, busca aki na barra da direita por “israel duarte”
      -
      Abraços… e cuidado com ‘Mort’

  • Israel carvalho says:

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    Caraca carinha tava lendo aqui no celular e morri de rir muito bom:)

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