Mad World – Parte Um – The Countdown
Escritor: Felipe Lopez
A cancela levantou. De dentro da guarita, gritou o guarda fardado:
- Vocês estão muito atrasados!
Mark fez o motor do jipe roncar enquanto acelerava pela pista pavimentada de branco da Sheppard Air Force Base, próximo a fronteira do Texas com o estado de Oklahoma, cobrindo uma extensão de 25 km², pertencia ao distrito de Wichita County. Para todos os casos, era apenas mais uma mancha no deserto.
Ele e seus companheiros de grupo tinham acabado de se formar na Academia da Aeronáutica e daquele dia em diante teriam Sheppard como lar e principal base de treinamento. Dona da então maior frota de caças F16 do país, Mark já detinha um carinho especial pela base militar.
- A apresentação começou há 10 minutos. – Comentou seu colega do lado, e melhor amigo desde o colegial, Josh, um negro alto que, durante os felizes anos no colégio, cultivava uma juba de cabelos rastafari e jogava basquete. Hoje, com a cabeça raspada e com uma lesão permanente no tornozelo esquerdo, era apenas engenheiro militar que serviria cerca de quatro meses em Sheppard. Mark não gostava de pensar nisso.
No banco de trás, o último membro do grupo, Finn. Descendente de escoceses, pálido e ruivo. O típico estereotipado de nerd durante a adolescência e exemplar piloto de helicópteros AH-64D Apache no simulador oficial da aeronáutica.
- Ali está, fellas – Mark se referia a maça escura que contrastava com o branco do pavimento e o alaranjado do deserto: todos os novatos da aeronáutica do sudoeste americano.
- Grande merda – Finn comentou, em meio a um barulho repentino e ensurdecedor. – Olha ai o Força Aérea Um…
•••
Definitivamente, esse não é o melhor dia da minha vida, pensou Gerald Orlan, bufando impaciente, esperando pelo semáforo abrir. Estava atrasado, pelo menos uns 20 minutos, e sabia que sua ex-mulher usaria aquele atraso contra ele na próxima audiência sobre a guarda do filho. Tamborilou os dedos no volante, fingindo ouvir seu filho de oito anos, sentado no banco do carona.
- “A bo-bomba foi lan…” Pai, sabe o que está escrito aqui? – Kevin tinha nascido prematuro, especial, como diria sua mãe. Baixo e magro comparado aos outros meninos da sua turma, tinha aquilo que muitos chamavam de Déficit de Atenção, embora fosse, de longe, o mais esforçado garoto de oito anos de toda a cidade de Seattle, como sua mãe também costumava dizer. Tentou entregar o livro para o pai, que repeliu com a mão.
- Depois… – O semáforo finalmente abriu. Sem pestanejar, Gerald acelerou, já estava no meio do cruzamento quando ouviu o som de pneus cantando seguido por um solavanco para direita. Haviam batido no carro dele!
Durante alguns segundos ficou atordoado, sem saber o que tinha acontecido. Com uma olhada no retrovisor, viu a frente de um antigo Ford socada contra a lateral do seu belo Honda Sedã. Deu uma rápida olhada em Kevin, tirou o cinto de segurança e saiu do carro, esbravejando.
Quando viu que os donos do carro eram apenas dois adolescentes que, pela cara de culpa e espanto, tinham acabado de tirar a carteira de motorista, ficou mais puto ainda.
Kevin, de dentro do carro, pouco escutava dos gritos de fúria de seu pai, e também não pareceu se abalar com a batida. Seus pequenos olhos escuros brilhavam enquanto acompanhava uma estrela cadente cortar o céu.
•••
Jonas abraçou outra vez Marina, levando ela consigo até a ponta da barca que eles e seus outros amigos tinham tomado para si. Um grupo verde e amarelo em meio à noite de Nova Iorque.
Era um grupo variado: Jonas e Marina estudavam psicologia em Harvard e tinham ido visitar André, Felícia e Dimas, amigos de longa data de Jonas que moravam em Manhattam. Vestidos com camisas do Brasil, pintados com as cores e trazendo uma bandeira brasileira, o destino da trupe era uma ilhota, uns dois quilômetros mais a frente, onde um enorme número de pessoas acompanhava a contagem regressiva para a Meia-noite e, para justificar a festa, o aniversário de 130 anos da Estátua da Liberdade.
- Não vamos chegar lá antes da meia-noite! – Exclamou Marina, mal conseguindo se ouvir entre a barulheira do grupo. Não eram os únicos festejando já dentro da barca, uma vez que a banda de rock que se apresentaria durante a comemoração é famosa pelos fãs revoltados.
- Gente! – Gritou Felícia – Um helicóptero! Rápido, pega aquela ponta da bandeira Jonas! – O grupo se espalhou e logo a bandeira brasileira formava um manto de três m², tremeluzindo lentamente.
O helicóptero passou veloz por eles, era de uma popular rede de televisão da cidade e, mais que óbvio, foi em direção à ilha da Estatua, iluminada especialmente e atolada de gente.
- BRASIL! BRASIL! BRASIL! – Eles gritavam, mesmo quando o helicóptero se afastou tanto que mal se enxergava. Marina, discretamente, olhou mais uma vez as horas:
23h59min58seg. 23h59min,59seg…
•••
O Força Aérea Um se aproximava do solo em Sheppard. A estrela cadente sumia atrás da torre de Seattle. O helicóptero descia em direção ao público na ilha.
E então, como que finalizada uma contagem regressiva universal, o Força Aérea Um, a estrela cadente e o helicóptero se consumiram em uma esfera de luz e calor que se expandia a cada milésimo de segundo, transformando tudo em seu caminho no inferno, para depois rugir, como uma fera que acorda, e encher o ar com incerteza, pavor e cinzas.
Em um outro relógio, a contagem se encerrava.
00:00:00
E logo outra começava:
11:59:59
11:59:58
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Parece realmente promissor, mas acho que esse capitulo poderia ser maior.
Talvez eu mude de opnião ao ler o proxímo, mas o texto está bem fluido.
Muito bom, espero que a continuação me surpreenda.
Deu pra perceber uma coisa nesse capítulo: O autor tem fixação por números! XD
Achei interessante, mas ainda é muito pouco para ter uma opinião formada… por isso estou indo ler o próximo.
Que hora masi doida sô!Não se decide.Agora que eu li aprimeira parte entendi a segunda.