O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

Sep
08
2010

O caminho da Água

Escritor: Vinicius Maboni

o-caminho-da-agua

Desperto assustada com o inconveniente toque do telefone. O radio relógio me alerta de quão tarde está e no fundo concordo com ele, mas minha consciência não me permite deixar de atender. Tiro o fone do gancho e não ouço nada, ou quase nada pois o som de água corrente é a única voz ali. Espero mais alguns instantes e ninguém se pronuncia. Irritada pelo repentino despertar não consigo mais pegar no sono, acendo então um cigarro e me sento à beira da janela aberta. Sem nada especial em pensamento, apenas sinto a brisa morna me tocar o rosto enquanto quase podia descrever o caminho daquela fumaça em direção aos pulmões, levando aos poucos minha vida. Observo as poucas luzes acesas daquela imensa cidade que parece tão só na madrugada. Depois de quase duas horas sem devaneios me deito e espero pacientemente pelo sono que se recusa a vir.

Como em varias outras noites o telefone toca e leva meu sono, sem cogitar devolver. O som da água em todas as chamadas que parece ser o único a querer me dizer algo, garante que eu não desligue o cabo do telefone. Sendo já um costume, quase um ritual, me ponho à beira da janela com o cigarro aceso. Prometo mais uma vez abandonar o fumo, tendo sã consciência que ele acaba comigo, mas ele insiste em ficar e ser um fiel amigo. Desta vez a cidade não tem minha atenção, já que noto um vulto escondido no breu sob um poste defeituoso do lado aposto à minha janela. Contemplo a desconhecida silhueta entre as sombras tentando adivinhar seu rosto, seu corpo e seus porquês. Fecho então a janela e desço a velha escadaria a passos apressados, saio pela porta da frente do velho sobrado e vou sem nenhuma discrição até abaixo do poste sem luz. Não encontro ninguém, nem pessoa, nem sombra. Volto frustrada pra minha cama fria onde apenas espero o dia vir.

Por incontáveis noites os acontecimentos que narro se repetem, portanto, decido então tomar outras estratégias para descobrir quem é o indivíduo que me aplica trotes tão estranhos. Quando o telefone volta a implorar por atenção, atendo normalmente, mas não me dou ao trabalho de ouvi-lo, deixo-o fora do gancho e desço lenta e silenciosamente as escadas. Rangidos naturais daquela madeira já antiga denunciam minhas intenções. Quando me vejo mais uma vez sob o poste sem luz, estou sozinha novamente. Volto outra vez para cama, mais uma noite sem respostas. Me deito e decido abandonar os planos de descoberta, assim  como  o sono me abandona diante da vinda dos primeiros raios de sol.

Antes de me deitar, desconecto o fio do telefone e imagino que esta seria uma noite de sono, depois de tantas sem ele. É incrível como a mente humana é capaz de criar ilusões. Não me lembro bem quando levantei, mas logo me pego na rua silenciosa e escura. Caminho devagar até o outro lado. Há alguém sob a inexistente luz do poste. Alguém me espera ali. Já estou próxima quando a “sombra” se põe a correr me deixando mais uma vez sozinha. Então me vem a ideia de que ele queira dizer algo. Ideia que não levo muito tempo para confirmar. Uma vez de volta à meu quarto encontro recado sobre minha cama desforrada. Escrito com letras grandes naquela  papel amarelado, sujo e molhado: Ouça quem lhe fala. Faço uma bola com o recado e jogo pro lado. Tento dormir, em vão, é claro.

Tantas noites sem dormir acabam com minha disposição. Decido então mesmo depois de um exaustivo dia de trabalho, encontrar o maldito que me liga e não tem ao menos coragem para falar. Desta vez não desligo o cabo, apenas me deito e fico pensado naquele recado. Ouvir quem? Não gosto de enigmas e não pretendo perder muito tempo com este. Como prevejo o telefone não tarda a tocar. Desço em disparada, já sabendo que não poderia esconder minha presença. Já à rua, vejo alguém fugindo sob as sombras noturnas dos sobrados. Corro atrás, a  noite fria me lembra de que estou somente com uma fina camisola. Quase alcançando-o, estaco repentinamente e observo o chão ao meu redor. Quase posso contar o tempo que meu coração incrédulo se recusa a bater. Está ali todas a noites desde que me mudei pro sobrado pra esconder meus erros. Água. Não se tratam de poças e sim uma corrente vinda de algum vazamento, mas em nada aquilo me assusta e sim, as lembranças que traz. Desejo acordar daquele terrível pesadelo. Alguém que conhece meu passado e sabe do meu último crime está fazendo aquilo. Parece não haver espaço para arrependimentos.

Lembranças daquela noite fria invadem minha mente. Sinto o vento gelado me castigar. Revejo a cena passando no turvo reflexo abaixo de mim. Vejo outra vez aquele sangue manchando o nobre caminho da água. Uma vida banal, um motivo banal pra destruí-la. Quase posso sentir aquele mesmo punhal cravando-se em mim pelas costas, fazendo a água levar meu sangue e minha vida. Meu corpo todo treme. Dou-me conta de que a dor é real, que o sangue é real. Caio de joelhos no chão ladrilhado enquanto aquela mesma cena se repete seguidamente. Posso ver em câmera lenta um punhal penetrando uma pele macia que logo perde o brilho da vida. Repentinamente meu corpo se torna mais pesado e logo me vejo involuntariamente deitada na água fria que tenta em vão aliviar minha dor. Não existe alivio para dores na alma. Fecho os olhos e espero. Minha divida está paga.

Abro os olhos devagar e me vejo por sobre a água que não mais molha meus pés agora…


Categorias: Contos | Tags: , ,

40 Comments»

  • Andrey Ximenez says:

    Kra, a narrativa é boa e mantém a atenção do leitor. Mas acho q o final deveria dizer um pouco mais. Eu fiquei com a sensação de q a história simplesmente acabou.

    • Vinicius Maboni says:

      Não posso discordar, esse conto eu escrevi há mais de 3 anos, alguns dias atraz mudei ele pra 1° pessoa, mais a nivel de experiencia mesmo, nunca tinha escrito assim e queria sabe se conseguia. Então resolvi compartilhar ele com voces!
      xD
      Obrigado por ler.

    • HIOTO says:

      Em primeira pessoa… tinha que acabar com a morte da personagem né. Senão, quem iria contar mais coisa?
      >
      Acho que o tamanho tá bom vinicius e não deixou informações pendentes que realmente façam falta. Tem coisa que precisa ficar subentendida pro leitor se dar ao luxo de imaginar.
      >
      Se fosse eliminar os ganchos, viraria um livro de duzentas páginas.

      • Andrey Ximenez says:

        Sei lá Hioto

        Concordo com vc, o tamanho ta bom. Mas eu acho q certas informações pendentes não ajudam.

        É claro, ele deixou os ganchos necessários para se tirar algumas conclussões. Mas impressão q me passa é como se ele tivesse acabado a história de repente sakas. O desenrolar foi mt bem e detalhado, dai o final é curto, sem mts respostas, e sem mt descrição.
        Ficou estranho aos olhos.

        Qnt a ser em primeira pessoa, eu tenho preferencia pra escrever em terceira, mas acho legal variar, ativar novas areas do cerébro, tem um conto meu aki em primeira pessoa, na agenda (PEIXEEEEEEEE), mas ainda, msm que em primeira pessoa, há distinções. Como por exemplo a Sammy, que prefere dar atenção às emoções do personagem narrador, como em Belial, ou com Pequenas Coisas. Mas tb pode se ter um foco mais pensativo, baseado nas percepções e coisa do genero. Enfim. PAra mim a sua narrativa em primeira pessoa tá impecável.

  • HIOTO says:

    Aqueles erros que a gente discutiu no msn ainda atrapalham um pouco a sua escrita (precisa prestar atenção no lugar onde deveria vir o ponto, as vezes você põe uma vírgula e o leitor atropela a pausa).
    >
    Quanto a história, acho que já te disse, mas vou deixar registrado aqui: é sombria e tocante. Profunda. Tem um tom lírico em algumas partes como “entando adivinhar seu rosto, seu corpo e seus porquês” e é isso que marca seu estilo próprio individual. Fora os errinhos, está muito bem escrito e consegue levar o leitor de maneira agradável. Um texto bonito (e bem melhor que a versão impessoal).
    >
    Nota 8 e um “continue assim”. Você vai longe, acredite. Não digo isso porque sou seu amigo.

  • gostei. Agradavel de ler

    Mais acho meio raso, não sei se pelos acontecimentos nao foram escritos ou se por outra coisa… Me falta algo que eu não tenho a mimina ideia o que é.

    Mesmo assim, gostei do teu estilo.

  • Sanchez says:

    Prendeu minha atenção do inicio ao fim, mas eu queria um fina mais, não digo chocante, …. *sem palavra certa* um final “Mais” simplesmente

  • HIOTO says:

    Acabou meio subitmente né. Inesperado. Eu também achei. Só que não acho que devia se alongar. Pra mim tá bom.

  • Dee Soares says:

    Uma das suas melhores tramas, e uma das que eu mais gosto. Adoro esse clima de suspense que prende o leitor. Leitura muito intensa, pena que foi curta =/
    Dá vontade de ler mais, mais e mais.

  • Monny says:

    eeeeei, tá melhor ainda dessa vez,
    tá algo mais real, mais parecido com os meus gostos de leitura. Vini Parabéns por mais uma ”obra” escrita pelas suas viagens neuróticas que te levam a sonhar e correr atrás dos teus objetivos! Continue assim… e eu continuarei a te seguir nessas suas ” fixoes” casuais.

  • Asami says:

    A narrativa repleta de suspense seguida por um fim abrupto foi uma ótima combinação. Deve ressalvar também a forma como o passado da personagem é revelado, já no fim do conto, surpreendendo aos leitores e mudando os rumos que certamente imaginávamos que a estória tomaria. Legal!

  • Eu gostei, Vinicius. No final, ao descrever o crime, eu iria um pouquinho além, com um detalhezinho a mais… um motivo, uma emoção… um pouco mais que uma simples descrição. Mas a forma de escrever é fluida e impecável, bem como o ritmo. Impossível parar de ler…

    • Vinicius Maboni says:

      OBrigado por ler Elcio, que bom que gostou, fico muito feliz com isso.
      E valeu pela dica.

      • Rainier says:

        Vinivius, concordo com o Elcio disse. No final faltou um pouco mais de descrição e mais emoção.

        Entretanto a narrativa nos prende. A história é muito legal.

  • HIOTO says:

    “Abro os olhos devagar e me vejo por sobre a água que não mais molha meus pés agora…”
    >
    Ainda me impressiono com essa frase.
    >
    Muito legal! (e eu sei o nome do personagem!).
    >
    Hehehehe

  • Lord Jessé says:

    Gostei Vinicius.

    Bem agradavél, e também gostei bastante do titulo.

    Parabéns.

  • John Macedo says:

    A narrativa é muito boa, e puxa o leitor para dentro do conto. O final foi mesmo repentino, mas acho que algo assim, chocante ou incomodo, funciona bem em contos assim.

  • Thaís says:

    Adorei esse amor, e tmb adoro o jeito como escreve.
    O suspense da vontade de ler mais e mais e o final foi muito bom! Parabéns! ?

  • Sara says:

    Confesso que eu já tinha lido, mas tinha ficado com preguiça de comentar… /apanha
    Enfim, tá muito bom esse conto, o cara que escreve é fera também…
    Então comentem bastante pro Vinicius poder postar logo outro aqui no ONE! xDDDD

  • Evelyn says:

    Muito bom! O clima de suspense deixa muita curiosidade e faz com que não queira parar de ler.
    Continue escrevendo assim!

  • Vitor Vitali says:

    Realmente não gosto de narração em primeira pessoa, me desagrada um pouco, não sei ao certo o por quê; acabo não conseguindo me concentrar no conto. 🙁

    • Vinicius Maboni says:

      No meu ponto de vista a narração em primeira pessoa é a mais admiravel(questão de gosto). Minhas lista de obras favoritas tem varios assim. Já pra escrever, esse é o primeiro que tento, mais virão, é uma boa experiencia.

  • Eric says:

    Não resisti em fazer uma pausa no trabalho e dar uma passada por aqui. Gostei do clima noir, da ambientação urbana. Uma boa linha para se investir. Abs!

  • Thainá Gomes says:

    Adoro suspence e ficou muito legal.

  • Tomás Kroth says:

    Eu adorei a história do conto, apesar de concordar com o Vítor que a narrativa em primeira pessoa se torna cansativa. No caso, tu soube aproveitar as dúvidas que a primeira pessoa proporciona, fez um conto dotado de uma introspecção incrível, e deixou tantas interpretações que se tornou até divertido supor diversas explicações que se encaixariam perfeitamente na trama. Um suicídio, um assassinato, um sonho…Nada fica claro, e no entanto, soa completo. Gostei bastante cara.

  • Gabriel Monteiro says:

    Adorei o conto! A narração ficou ótima e me prendeu no texto do início ao fim. O clima noir também me agradou muito. Quanto ao final, eu achei que ficou bom dessa forma mesmo.

  • Brenda Andreia says:

    Adoreii 😛
    Tempão que um texto nao me prendia a atençao…
    Parabéns Vinicius!

  • Jéssica J ' says:

    Muito bom o seu conto, do começo ao fim ;
    Parabéns 😉

  • Como diria Jack “O Estripador” Vamos por partes:

    1 – O conto em geral é bom sim, tem uma narrativa inteligente e bem detalhada.

    2 – A emoção ao final do conto não segue a emoção que existe no resto dele. Ele é uma pessoa visivelmente com conflitos internos (Passar muitas noites em claro é um indício disso), então o final deveria seguir essa linha (apesar de estar bom).

    3 – Usar a água como ponto de referência entre o presente e as lembranças do personagem foi genial. Parabéns.

    4 – Quando escrevemos em primeira pessoa, a coisa mais importante para que um texto não fique maçante (não é o caso do seu) é trabalhar a VOZ do personagem. Deve-se conhecê-lo, entender do que ele gosta, saber o que ele faz, como ele lidaria com certas situações. Estou escrevendo um livro inteiro sob o ponto de vista do meu protagonista, e te digo Vinícius que é a experiência mais difícil e fenomenal que vivi no mundo da escrita. Vc literalmente vira seu personagem, pensa como ele, analisa as coisas com a cabeça dele. É sensancional porque, normalmente, ocorre o inverso. O personagem acaba sendo um reflexo do autor. E isso nunca é bom (a não ser que a história peça isso).

    Abrazzo Ragazzo

    P.S.: Desculpa se escrevi demais. Aconselho vc a tentar escrever mais textos em primeira pessoa. Vc parece ter jeito para coisa.

    • Vinicius Maboni says:

      Opa, muito obrigado por ter lido e obrigando também pelos conselhos. Escreverei sim mais textos em primeira pessoa e os dividirei aqui.

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério