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Sep
20
2010

O Conto de uma Árvore

Escritor: Andrey Ximenez

o-conto-de-uma-arvore

Gosto do sol das manhãs de primavera. O calor renovador toca minhas folhas, trazendo força para todo o meu ser.

Talvez aqueles que venham se esconder sob as minhas sombras imaginem que a vida de um árvore seja monótona. Em grande parte das vezes eles estão certos. Ficar parado durante toda sua existência, no início, é deveras desagradável. Mas vai-se levando.

Nós aprendemos a valorizar o que dizemos. O vento não vem sempre, e com frequência não bate de maneira correta em nossas folhas. Assim, sempre que temos a oportunidade espetacular de falar, escolhemos com cuidado nossas palavras. Por isso que ninguém nunca viu duas árvores brigando. Óbvio não?

Passatempos não são frequentes. Mas uma coisa que realmente é prazeroso de se presenciar é quando casaizinhos, jovens, adolescentes, se sentam aos nossos pés para namorar. É uma das coisas mais prazerosas de se vivenciar.

Pensando nisso, hoje seria um bom dia para um desses casais se sentarem sob minha sombra. O céu limpo, o vento brando. Realmente, um ótimo dia para um namoro na sombra.

Como dizem esses seres que por aqui sentam: Sempre tem um “Mas…”

E o mas em questão tratava-se do casal “verão”, apelido carinhoso que dei à eles. Apareceram aqui pela primeira vez quando decidiram dar seu primeiro beijo. Foi engraçado. Ficaram se escondendo atrás de mim para que ninguém vissem o que estavam prestes a fazer. Fizeram, e fizeram muitas vezes vez dali por diante. Até emprestei um dos meus rijos braços para que eles fizessem suas juras de amor.

Mas… Eles sumiram.

Duas luas já se passaram desde a ultima fez que aqui estiveram.

Senti-me sozinho. As árvores próximas não conseguiam entender minha melancolia, meu silêncio.

Elas não entendiam a dor que a ausência do Verão me causava.

Porém, um dia eles retornaram. Desta vez seus galhos não vinham unidos. Não, eles vinham com uma distância, ainda que minima, gritante. Suas raízes ainda balançavam no mesmo compasso, mas não estavam mais lado a lado.

Sentaram-se sob meus pés. Começaram sua conversa.

Ah… Daria uma raiz para entender o que seus ventos diziam. Mas obviamente, não entendi. Porém pude compreender que desta vez o clima não estava bom. Muito silêncio, palavras ásperas. Lembrou-me muito o tempo de tempestade, daquela que se aproxima, trazendo o silêncio para após rompê-lo com sons ásperos de trovões. Isso me entristecia.

Seria triste ver a garota sair chovendo por ai.

Eles iam conversando, e o clima aos poucos ia acalmando. Bom… as coisas vão bem, pensei.

Não entendia muito da natureza humana. Mas pelo pouco que entendia, o garoto tinha feito algo errado. A garota o censurava, cobrava algo. Ele ficava quieto, como… como… como uma árvore, que reunia todas suas força para dizer algo.

Mas eu não era uma árvore tola. Já não tenho meus galhos verdes, sabia que, logo, viria aquela frase que causava tanto efeito. Somente essa frase, vinda dele, acertariam as coisas. Que frase era esta? Ora! Não me pergunte, já disse que não entendo nada do que dizem.

Mas, sabia que se ela viesse teria que dar um tom especial à ocasião. Teria que ajudar a prolongar, mesmo que de uma maneira boba, aquele Verão. Os ventos vinham, cronometrava o tempo deles me atingirem enquanto, calmamente, desprendia a força que me seguravam às folhas.

-Anda Roberto, diga! Eu sou ou não sou especial para você?

Ele ficou em silêncio, criando coragem para mostrar seu verdadeiro eu.

Agora.

- Sim. Você é especial, Raphaela. E eu te amo – disse o rapaz, tocando as mãos da moça enquanto folhas verdes, de amor, esperança e futuro, caiam no tempo exato de suas palavras.

Perfeito. Fiz na hora certa. Sabia que ele iria dizer. Só não esperava que a garota chovesse ao ouvir isso. Mas tenho a impressão que a chuva é boa, como aquelas que tocam o chão seco e infértil do norte.

Depois disso eles tocaram suas raizes de novo. Seus troncos também. Voltaram a aparecer com frequência por ali. Nunca antes a primavera foi tão agradável.

Após muitas luas, porém, deixaram de aparecer. Mas algo me dizia que estavam bem.

“Os humanos são assim, mudam os caminhos com frequência, por isso não se apegue” disse uma vez minha mãe, num espaço de tempo de quase uma estação.

Era verdade. Aparentemente suas raizes ganharam novos campos e, quem sabe já não estariam gerando frutos?

Trago comigo a marca do amor deles. Uma estampa dos bons tempos que vivi. Espero que, mesmo que eles não lembrem dessa árvore, eles lembrem do perfeito momento que tiveram.

Eu te amo…

Caem as folhas…


Written by Andrey Ximenez in: Andrey Ximenez,Contos | Tags: , ,

39 Comments»

  • Andrey Ximenez says:

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    E ai guns, será q tem como mudar a formtação aki? O tamanho do texto chega a agredir os olhos
    >.<

  • Thainá Gomes says:

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    Os meus olhos não se sentiram agredidos.Da onde você tirou esse idéia?Você estava sntado em baixo de uma árvore?

    • Andrey Ximenez says:

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      É q antes a formatação da letra tava mt grande!
      -
      Nã… eu tava pensando na epoca em q eu namorava em baixo de árvores.
      -
      Esse foi o texto q mais se aproximou de infanto-juvenil que eu consegui. É pra ser simples mesmo, nada demais, somente uma narrativa de uma árvore, como um novo horizonte de idéias mesmo.
      -
      =]

  • Franz Lima says:

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    Andrey, o conto está fantástico. Porém, revise-o para corrigir pequenos erros ortográficos que, sincermente, não diminuiram em nada o resultado final: excelente.
    Descrever os sentimentos da árvore foi muito bom. Mas corresponder os sentimentos humanos com os da árvores beirou o brilhantismo. O texto fluiu de forma coesa e eu gostei demais da preocupação dela com relação ao casal.
    Enfim, parabéns…
    Abraços e muito sucesso.
    Franz.

    • Andrey Ximenez says:

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      Que bom que gostou tche
      -
      =]
      -
      Os erros estão presentes pq escrevi o texto, revisei somente uma mes e já postei. Isso raramente acontece.
      -
      Qnt a descrição da árvore para a situação, bom isso foi surgindo em qnd escrevia, acho q me tornei uma árvore enquanto escrevia
      =D

  • Lord Jessé says:

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    PLAC!PLAC!PLAC! (aplausos).
    -
    Pia. Ficou muito bom esse conto. Gostei pra caramba.
    -
    E a forma como a árvore se refere a eles, “galhos, raizes, ela cheveu”, ficou genial.
    -
    E no fim, fica tão bem representado as emoções da árvore, e com as folhas caindo.
    -
    Nossa. Ficou bom mesmo.

    • Andrey Ximenez says:

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      =D
      -
      Valeu Jessé! Como disse, esse conto não teve uma revisão apropriada nem nada. Mas ainda assim gosto mt dele. Acho q foi a coisa mais pura e suave q já escrevi.
      Q bom q gostou
      =D

  • Vinicius Maboni says:

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    Bem bacana Andrey.
    Texto suave e bem estruturado, não esperava menos, parabens cara.
    O tema é bem interessante, mas acho que se eu fosse uma arvore ia ficar muito puto se alguem tatuasse um coração com 2 nomes dentro em mim.
    kk
    Enfim, continue assim.

  • Asami says:

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    Que lindo Andrey! Seu conto ficou tão singelo, com aquela narrativa que lembra a conversa de uma criança e com essa simplicidade você conseguiu traduzir de forma exterior e ao mesmo tempo tão bela a relação humana. Parabéns, adorei demais, ficou muito muito lindo!

    • Andrey Ximenez says:

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      =D
      -
      Q bom q gostou Asami. É sempre bom saber q o pouco q tenho escrito te agrada
      ^^

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Muito bom cara!

    Daqueles contos que jogam na nossa cara – de maneira tenra – que podemos falar dos sentimentos mais nobres, das formas mais simples e puras. Quero dizer, falar de amor (no sentido global da palavra: não só de paixãozinha), sendo uma árvore. Todos já amamos e todos sabemos muito bem o que é uma árvore. Sei lá como explicar…

    Muito bom mesmo! :)

    • Andrey Ximenez says:

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      Que bom que gostou tche!
      -
      Esse conto eu tentei escrever com o que mais puro senti na minha vida (ok, tive q cavar fundo, mas tai o resultado)
      -
      Q bom q gostou, fico feliz em saber do resultado
      =D

  • Peregrina says:

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    Aplausos para o Andrey!
    Ficou muito bom.
    O seu modo de descrever os sentimentos da arvore me deixou emocionada.
    Amei! *_*

  • lobaempeledeovelha says:

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    Sou uma chorona assumida. Chorei silenciosamente (Pois estava no centro de informática da faculdade, quando choro abertamente não fico nada atraente).
    As árvores, testemunhas silenciosas de tantas juras de amor e também de desamor.
    Elas ouvem tudo, mesmo nada podendo dizer e no fim nem notamos que a natureza também sente amor ou tristeza.
    Eu adorei o que você escreveu!

    • Andrey Ximenez says:

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      Yo mocinha. Vc não sabe como eu fico feliz em ler palavras como estas.
      -
      Realmente a natureza sempre está conosco e nem sempre damos o valor à ela neh?
      -
      Quem aqui já não namorou em baixo de uma árvore, ou já não sentiu uma dor de despedida próximo de alguma neh?
      -
      Agradeço mesmo o comentário.
      =D

      • lobaempeledeovelha says:

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        Eu tenho fascinação por leituras assim, é doce e belo.
        Aqui na UFPE tem uma área verde que é má preservada, tem um laguinho que já foi mais bonito, sempre sento na grama e observo tudo.
        É engraçado perceber que o ser humano esta sendo mecanizado, deixando assim de ter sensibilidade, não choramos mais e nem notamos o verde a nossa volta.
        Consequentemente estamos matando tudo ao nosso redor.
        Virei fã de seus escritos e também desse espaço oferecido a nós humildes semeadores de fantasia, sonhos, amores e tantos outros sentimentos que habitam cada escrito aqui publicado.

        Se cuida menino e continue a escreverrrrr muitooooooooo xD

        • Andrey Ximenez says:

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          É triste essa mecanização mesmo mocinha. Isso é o pós-modernismo, maldito seja.
          -
          Por hora eu vou ficar te devendo… vais ter q contar com meus textos mais antigos por enquanto. Não to numa fase mt boa pra escrita, vai saber.
          -
          Mas obrigado pelos elogios e sinta-se a vontade aqui no ONE. Aqui tem mt coisa boa, impossível não se viciar
          =]

          • Thumb up 0 Thumb down 0

            Não vai na conversa desse não Andrey…mó traíra…fica conversando e depois de da o bote.

            (lobo em pele de ovelha…É…ainda bem que eu não quero ser comediante…pq tá difícil hoje xD)

          • lobaempeledeovelha says:

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            Loba em pele de ovelha que n costuma dar o bote sem motivo so ataco pra me defender rs…rs

  • Samila says:

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    que lindinho… Lindinho demais, mó melação XD
    lol
    não sei pq, fiquei triste…
    tá maravilhoso… mas atenção, algumas horas vc faz a arvore referir-se a si mesma no masculino =*

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Eu tive a impressão de ela ser “O seu Figueiredo”.(entendeu…figueira, figueiredo…ta desculpe, vou sentar no meu cantinho u.u)

      • Asami says:

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        KKKKKKKKKKKKKKKK! K K K!…
        Ri demais aqui… :D

      • Thainá Gomes says:

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        Nossa!Figueiredo.kkkkDa onde vc tirou isso?

        • Thainá Gomes says:

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          Eu tbm ganhei o dia ri até chorar.Ele deveria investir na carreira de humorista sim.

          • Asami says:

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            Sim, sim… depois do Figueiredo ele deveria mesmo :D

          • Thumb up 0 Thumb down 0

            Obrigado pela simpatia gurias xD. Mas não tem como eu ser humorista não. Essa piada que foi feliz. Pode perguntar pro andrey o quanto de besteira sem graça eu falo.

          • Andrey Ximenez says:

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            Vcs tem sorte senhoritas. Normalmente o Viny calcula estrategicamente o momento em que estou bebendo alguma coisa para contar uma piada. Já quase me matou umas três vezes, fia-da-put*

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    Que belo texto, em?
    Genial cara! O jeito de como a árvore conta os fatos, da linguagem que ela usa. Com o que conhece! Muito bom! Narrativa leve, gostosa de ler. Criatividade rolou a mil nesse texto! ;D
    —-
    A única critica que eu tenho é: eu acho que no final você se prolongou demais. Nada que prejudique o texto, mas acho que poderia ter terminado nessa parte:
    Era verdade. Aparentemente suas raízes ganharam novos campos e, quem sabe já não estariam gerando frutos?

    Mas esse é o meu gosto!
    Parabéns.

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    Pô, curti. Gosto dessas representacões da natureza. Apesar de não gostar da parte amorosa. Mas o conto ficou bem legal.

  • Vitor Vitali says:

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    Achei meio chato, embora tenha gostado da criatividade. :)

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Criativo pra caralho,mas o final é longo e meio cansativo.
    -
    Não sei o pq, mas acredito que os pesamentos de uma arvore sao mais profundos que o amor de um unico casal… sei lá.
    -
    :P

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