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Sep
09
2010

O estranho Jimmy McFreak

Escritor: Patrick Martins

É começo de janeiro, as noites costumam ser fria e seca essa época do ano em Seeker City. Do alto de um armazém abandonado da estranha família McFreak um mancha negra voa ao redor, observando do alto, como um vigilante noturno, revelando pouco a pouco ser um corvo, negro como a noite, seus olhos de cristais capta cada pormenor e crocita alto, como um grito humano prevendo uma tragédia. O corvo então voa seguindo habilmente pelo contorno do armazém até parar próximo de uma pequena janela de vidro que fica acima da entrada principal, por sobre uma placa esculpida em madeira escurecida que diz: “O inferno sou eu. O inferno somos nós.”.

Rente à uma pequena fresta de madeira do velho armazém, dois grandes olhos azuis e esbugalhados contemplam furtivamente o galpão, movendo os olhos de um lado a outro em busca de algo. De dentro do galpão, junto a várias caixas de madeira há um lance de escadas, onde logo acima fica uma cabine, com a madeira envelhecida pelo tempo; Logo, sua porta marrom-escura se abre lentamente, provocando um ruído alto e prolongado. De dentro dela surge uma grande mão esquelética e cadavérica, enquanto outra mão empurra a porta, pouco a pouco, em meio à escassa luz vai se revelando uma criatura grotesca e gigante, um homem com mais de dois metros de altura, extremamente seco e lívido, o rosto vai se formando por sob a luz da lua que adentra pobremente o galpão, onde se mostra sua expressão lúgubre, olhos fundos e cansados, e com a cabeça raspada com apenas poucos fios a mostra, enquanto se locomove com dificuldade por conta de seus pés tortos e seus movimentos repetitivos e involuntários. Onde caminha com pesar descendo lance a lance a escada. Um grande barulho de corrente parece vir junto com ele, correntes amarradas em suas mãos que se ligam até alguma coisa dentro da cabine, vai tomando forma.
Da fresta, o pequeno Jake, dono dos esbugalhados olhos azuis leva a mão a boca sobressaltado com a visão apavorante, um frio na espinha percorre todo seu corpo fazendo sentir frêmitos e enjôo, seus lábios se contraem para evitar um grito inoportuno, deseja correr, mas suas pernas não o obedecem, seus joelhos não parecem ser suficientes para segurá-lo.
O jovem gigantesco desce as escadas, dois corpos de crianças mortas o acompanham presos pelo pescoço no final da corrente que está presa em cada braço; Pelo tamanho julga-se que são crianças em torno de cinco anos. Jake treme em segredo, paralisado de medo.
Do alto do armazém o corvo voa entrando pela porta aberta do armazém em direção a criatura gigantesca e envergada, esta solta um sorrisinho insano, revelando dentes amarelos e apodrecidos, dizendo com dificuldade com uma voz seca como de alguém que não fala há muito tempo: ‘ eh eh eh eh vem… cá… é… vem… eh… eh’ o corvo se atira em direção ao rosto, mas é pego no alto por alguns centímetros do rosto deste, o homem começa a cheirar e a passar as mãos ásperas por sob seu pêlo fino, encarava-o como quem não via algo vivo a muito tempo, parecia estar emocionado e soltava pequenos sorrisos tortos enquanto se movia pra um lado e outro com movimentos descompassados e sem jeito, arrastando as crianças de um lado a outro; ‘ eh eh eh, você é… minha agora… eh eh” Os olhos cansados e doentios encarava os olhos do corvo de perto, levando lentamente a outra mão a cabeça do corvo e partindo com brutalidade, como quem abate um cervo. Levando os pedaços do corvo a boca, mordendo com dificuldade e engolindo às pressas como quem desaprendeu a mastigar. Sujando toda a boca de sangue enquanto sorria diabolicamente e tentava entender o que ele mesmo havia feito. Olhava para o chão, onde estava os corpos das duas crianças logo atrás dele e dizia com entusiasmo visível “Ei Billy e Joel, vejam! Vejam! Vóvó ficará orgulhosa de mim, eh uh eh, viram como o peguei no alto? Viram? Eh eh”. Os corpos das crianças não haviam olhos, havia marcas em volta dos olhos, evidenciando que fora arrancados com violência.
Jake não se segura e solta um grito desesperado, enquanto apertava mais forte a mão contra a boca em uma tentativa em vão de abafar o próprio som de sua voz. E se culpando logo depois pelo grito que havia soltado.
Instantaneamente o gigante Jimmy ouve o grito infantil e volta o rosto para as crianças imóveis e por um momento imagina que podiam ter sido elas, depois torna a olhar em volta sabendo que há mais alguém ali. Logo passa a mover o rosto de um lado a outro, com os espasmos musculares constantes, alterando seu rosto entre um sorriso e uma expressão plácida, ‘Ora… Ora… eh eh, quer dizer que temos visita, temos mais alguém com quem brincar… eh eh Billy e Joel, vocês tem um novo amigo… eh eh… Isso é… Vamos… Apareça pequeno rato! eh eh… Eu sinto seu cheiro fétido daqui… eh eh”.
Jake vai seguindo Jimmy com o olhar, enquanto ele anda de seu modo desajeitado de um lado para o outro, se ocultando e ficando visível a Jake de acordo com a luz da lua que adentra pelas janelas. Seu corpo monstruoso some na escuridão enquanto sussurrava impropérios, uma angústia súbita toma conta de Jake por não conseguir encontrá-lo enquanto percorre os olhos por entre a fresta na parede. Sua respiração torna-se ofegante, o suor desce-lhe pela testa, não devia ser tão curioso e se meter a corajoso querendo provar pra todo mundo se os boatos eram ou não verdadeiros, e como por uma fração de segundo, seu coração quase salta pela garganta ao ver um olho verde aparecer de repente no buraco olhando diretamente para ele. Enquanto ouve-o murmurar – “Olá pequeno rato eh eh, te encontrei.” Jake grita alto e vira-se de súbito para correr, como quem desperta de um pesadelo ruim, mas Jimmy destrói com suas mãos a madeira da parede e segura no alto Jake pelo pescoço, levando-o lentamente perto do seu rosto, onde se percebe os impulsos involuntários provocar caretas e contorcer seu rosto, Jimmy ouve o barulho de pingos d’água, olha para baixo e nota que Jake não conseguiu segurar a bexiga, e começa a apertá-lo como quem não nota a força enorme que tem. E nesse instante, alguma idéia maliciosa atravessava Jimmy fazendo-o gargalhar e começar uma risada evidentemente desvairada enquanto lentamente tira um canivete que estava pendurado com uma armação de pano mal feita em sua cintura, fazendo com que a noite ouça em segredo os gritos de dor do pequeno Jake sendo subjugado pelo monstruoso Jimmy.
A cada olhar de Jake, um pedido inocente de desculpa.
Em Jimmy prevalecia um sorriso insano e admirado enquanto arrancava os olhos do pequeno-garoto-de-olhos-azuis-esbugalhados. ‘Eh, eh, dizem que os olhos são a janela da alma, eh, eh, e que bela alma você tem aqui. ’
Estava perto de amanhecer, mas para Jake… Tudo apenas escurecia.


Written by whenyoustrange in: Agenda,Contos,Patrick Martins |

7 Comments»

  • Sara says:

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    Os contos que o guns postou hoje não estão decepcionando nem um pouco…
    Lendo essa história eu me lembrei de pesadelos que tinha na infância – e acho que a maioria de nós já teve um bicho-papão desses. xD
    Enfim… parabéns pelo conto, Patrick!

  • Patrick says:

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    Obrigado Sara. E que sonhos você tinha, hein? haha

    • Sara says:

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      Sonhos bem dark, pode crer! ^^”
      Também tem umas partes logo no início que precisam de revisão (“um mancha negra”).
      Tirando isso, tá bom mesmo.

  • Vitor Vitali says:

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    É, gostei. Mas talvez fosse mais interessante substituir algumas das virgulas por pontos, está um pouco confuso em algumas partes. :)

  • Patrick says:

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    Opa, valeu. É que faltou uma revisão básica.

  • Asami says:

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    Fora o tamanho das frases, o conto está muito bom. Está bem escrito e possui um enredo que a meu ver merece ser aprofundado. Espero que haja continuações ou outras estórias sobre Jimmy McFreak :D

  • Everton Campos says:

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    gostei

    é um bom conto e voce tem
    um estilo bem descritivo.

    Mas cuidado com a repetição de
    palavras, fora isso ta muito legal.

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