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Sep
09
2010

Retorno a terra natal

Escritor: Ricardo Urbano
Nosso barco balançava guiado pelas ondas, mesmo com meu treino, era difícil manter o equilíbrio. Os velhos marujos moviam os corpos cansados com agilidade. Uma dança que o humor do Deus dos Oceanos ditava o ritmo.

A ilha estava próxima, era possível ver a praia e uma pequena cidade, casas daqueles que preferem ficar perto do mar por amor à água salgada ou medo de estar longe dos barcos se necessário fugir.
As primeiras gotas acertaram meu chapéu de palha. Seguidas por um raio que dividiu o céu. Um marinheiro largou o que estava fazendo, caiu de joelho com lágrimas nos olhos. Outro, um velho guerreiro que prefiro não citar o clã, tremeu e começou a mijar nas calças, sua sorte que a chuva forte que começou não permitiu aos outros que percebessem. Fiz que não vi.

Eram sobreviventes, a água que caía não feriu minha pele e nem corroeu a madeira. Para eles, a suspeita era o suficiente para trazer de volta os pesadelos. Mesmo sem gosto de sangue ácido, era difícil esquecer.
Todos que estiveram no dia mais triste da história tamuriana tinham pesadelos. Eu era novo demais para sofrer, uma mente infantil foi a salvação da minha sanidade. Aos meus olhos, foram os fantasmas da noite dos contos que escutava dos mais velhos que destruíram nosso reino. Mas não foram os youhmas ou yokais que nos atacaram, os demônios da nefasta Tormenta transformavam até um oni em história para dormir.

Não os culpo por temê-la. Cheguei a fazer incursões em áreas de Tormenta. Porém não alcancei o centro, onde o poder desses malditos era absoluto e tinha a vantagem do conhecimento. Magias tinham sido criadas, itens tinham poderes específicos e, como eu, existiam outros aventureiros preparados para enfrentá-la.
Infelizmente minha missão era outra. Antes, foi permitido a mim conhecer o restante Reinado, passei por diversas “aventuras”, como um dos muitos companheiros que tive chamava as invasões de túmulos, cavernas e castelos. Aprimorei minha espada e recebi a experiência que só a vida pode trazer.

Eu não queria aquilo, muitos acharam que era um desrespeito, que eu não amava meu povo e o Imperador. Culparam a vida de nikkei, disseram que esqueci os costumes. O harakiri quase foi mencionado. Mesmo assim, preferia a morte, a ser um missionário. Ter que voltar à terra natal para garantir que tudo iria bem na reconstrução do Império de Jade e treinar samurais e monges na arte de ceifar os Lefeus era minha obrigação perante meu povo. Terras foram prometidas, servos, geishas e até um castelo que elevaria o nome da família Jinsan. Um mês foi o tempo escolhido para que eu refletisse. Mesmo sabendo que nada mudaria minha decisão, aceitei ficar em Ni-tamura, já que minha avó, Yoko Jinsan, pediu que acompanhasse os festejos, pois era o ano do Dragão e chegara a época dos rituais.

Dizer que meu coração não apertou durante o tempo que fiquei em casa era mentira. Eu tinha virado uma espécie de mito – Kensei – pois era capaz de enfrentar tudo e todos. A modéstia não me impedia de aceitar que aos 23 anos era um dos maiores guerreiros de Ni-tamura. O dias passaram calmamente como as pétalas da cerejeira caíam, até que chegou a carta que me obrigou a mudar tudo.

Não tinha assinatura e nem marcas, descobri depois que isso era a garantia de quem a enviava. O Texto era simples e direto. “Temos seus amigos Gaikokujin. Faça o seu trabalho e nem todos vão morrer”.

No dia seguinte, o corpo do mago Lucian estava próximo à barreira que separava nosso mundo. Ele era um dos três que esteve ao meu lado desde que saí do “Bairro Oriental de Valkaria”. As marcas da morte em seu corpo eram das técnicas ninjas. O esgrimista Gerrad Eliac e, aquela que me ensinou o verdadeiro amor, Farida Kalid, clériga de Azgher, estavam em perigo.

Agora estou desembarcando na minha terra, mas não no meu lar. O Imperador terá sua sagrada moradia. Que haja uma base sólida para Tamura renascer. Preparei guerreiros para defender esse Império de todo o mal. Cuidarei para que tudo saia em ordem, para achar o clã que me forçou a esse caminho e para salvar meu amigo e minha amada, se ainda estiverem vivos. Caso nada dê certo, haverá uma nova chuva de sangue sobre o povo do deus Dragão. Que Lin-Wu não permita esse destino.

Kenishi Jinsan, Samurai do clã da Garça – Ano 1410 do calendário Artoniano e 1º ano do Dragão do novo calendário de Tamura


Categorias: Agenda,Contos |

4 Comments»

  • Rainier Morilla says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Não gostei muito do conto.
    Achei muito perdido, sem começo meio e fim. Não consegui entender qual a ação ou situação que se passa no texto.

    • Ricardo says:

      Thumb up 1 Thumb down 0

      Valeu pela crítica Rainer. Posso ter escolhi mal o primeiro conto para colocar, acredito sem um conhecimento breve dos acontecimentos desse universo(Arton do cenário Tormenta) possa ficar vago.
      Depois colorei outros que não estejam presos a cenários ou necessitem de conhecimento prévio.

      Abs

  • Ricardo says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    ops
    corrigindo (isso que dá fazer duas coisas ao mesmo tempo)
    Depois colocarei outros que não estejam presos a cenários ou necessitem de conhecimento prévio.
    abs

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Mestre Urbano,

    Primeiramente eu te parabenizo pelo texto, pois de fato a obra está bem escrita. Mas como toda a crítica deve ser construtiva, vamos lá:
    1- Concordo com o Rainier. O texto está sem uma estrutura adequada para ser considerado um conto, porém, como sua informação, ele faz parte de uma história e com certeza seria melhor compreendido tendo a possibilidade de conhecer mais sobre a obra completa. O texto soou mais como um extrato.
    2- Na minha opinião, faltou uma “pimenta” no climax do conto, por exemplo, o momento em que ele recebeu a carta.
    3- Agora de fato um elogio. A poética do texto está fantástica. Bem detalhado, com uma sonoridade eficaz e manteve uma interação interessante com o leitor. Ex.: “…Outro, um velho guerreiro que prefiro não citar o clã..,”

    É NOIS MALUKO!!!!!!!

    parabens

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Publicado por rurbano

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