A Passagem
Escritor: Flavio Brabo
Dores como queimadura no peito e enjôo. A vontade de vomitar fez inclinar-se para frente. Um calor intenso apodera-se de seu corpo.
Com muito esforço, consegue abrir os olhos e ter a visão ofuscada do recinto. Um local totalmente branco e iluminado por uma fonte de luz no teto. Uma pequena mesa com um jarro e um copo d’água se contrastava no canto do quarto.
- O que está acontecendo? – Perguntou-se.
Olhou a sua volta e não existiam janelas. A única passagem para o ambiente é uma porta á sua direita. A porta branca possuía uma pequena abertura retangular coberta por um vidro translúcido.
Tamanho era o silencio, que se podia ouvir o barulho de um alfinete cair ao chão. Um suor frio percorreu-lhe a espinha. Fez força para erguer o corpo. Seus músculos estavam tão fracos que mal conseguia manter-se em pé. Conseguir levantar da cama foi pura sorte, notável esforço que precisou desempenhar para aquela simples ação.
Seu corpo parecia frio e rígido. Á passos lentos e rastejantes caminhou em direção da entrada do minúsculo quarto. Para sua surpresa ao chegar próximo da porta, pôde constatar que não existia fechadura ou qualquer maçaneta expostas. Colocou a cabeça na direção da abertura retangular e avistou um corredor escuro. Tentou empurrar a porta, mas não obteve êxito. Ela encontrava-se trancada por fora.
Tentou chamar por socorro, mas de sua boca não saia nenhuma palavra. Não conseguia ver alma viva circulando pelo corredor. Já sem forças, o vazio e o desespero aterrorizador de tamanhas proporções apoderaram-se de seu ser.
- Onde estaria? – Que lugar seria aquele? – O que teria acontecido?
Rogério caiu no chão de joelhos e com os braços esticados para o alto, suplicou aos céus que aquele sofrimento acabasse logo. Como que por uma influência sobrenatural, a porta abriu-se sozinha revelando a penumbra do corredor sem vida.
A dor no peito e o sofrimento voltaram a consumir com fervor seu corpo. Em seu ultimo gesto de aflição, usou de toda a energia que lhe restara para levantar. A figura cadavérica e desnutrida cambaleou, atravessou pela porta e iniciou sua caminhada pelo corredor.
Tateando pelas paredes, percorreu alas escuras e solitárias. Conforme caminhava pelos corredores começou a ver coisas que não eram reais. Figuras horrendas que não existem palavras para descrever, escondiam-se pelos cantos. Criaturas metade animal, metade humana. Outras desfiguradas que mal conseguia ver o que pareciam. Seres das trevas soltavam grunhidos e falavam em uma língua incompreensível.
Medo e desorientação assolavam-no. Um sentimento de culpa e autopunição começou a lhe dominar.
- Meu Deus. – O que aconteceu comigo? – Estou no inferno? – Pensou consigo mesmo.
Nesse momento, uma força incrível e invisível começou a lhe rodear. Como se uma mão gigantesca envolvesse seu pescoço, sentiu a sensação de sofrer uma esganadura. Seus pulmões não bombeavam mais tanto ar. A dor aumentava, o pescoço latejava e a falta de ar deixou-o desfalecido. O pescoço estava a ponto de ser quebrado por aquilo que não podia ser visto. O corpo esquelético de Rogério se curvou em direção oposta à força maligna que o afligia.
Em seu ultimo momento de súplica, já a ponto de perder os sentidos, começou a orar com toda sua força e fé pedindo a Deus nosso pai para livrar-lhe daquele lugar. Nesse instante, uma luz muito fraca que piscava no final do corredor começou a dirigir-se em sua direção. Quase sem forças, só conseguiu soltar um último suspiro e uma escuridão total tomou conta do lugar.
Um barulho de sirene percorreu seus tímpanos. Abriu os olhos e mais uma vez observou um quarto branco e uma pequena mesa no canto. Em sua volta uma aparelhagem emitia um bip e ao lado da cama onde estava deitado um senhor de jaleco branco olhava para o monitor com algumas luzes piscando.
Rogério tentou falar alguma coisa, mas somente um murmúrio saiu da sua boca.
O homem de cabelos brancos ao lado percebeu uma movimentação e foi logo se manifestando.
- Olá Rogério. – Como o senhor se sente?
Após um suspiro de alívio o pobre enfermo só conseguiu responder em volume baixo.
- Agora estou me sentindo bem melhor.
O médico começou a explicar ao paciente que havia sofrido um enfarte e por muito pouco que conseguira lhe salvar. Caso o resgate tivesse demorado dez minutos a mais para chegar ao hospital, nesse momento ele estaria ao lado dos anjos no céu.
Neste momento na cabeça de Rogério passou um filme e veio á tona uma pergunta.
- SERÁ???
Flávio Brabo
7 Comments»
RSS feed for comments on this post.








Espírito do Século. Novo RPG Pulp da RetroPunk já entrou em pré-venda!
Editora UNZA RPG estreia com suplemento GOBLINS em campanha para OLD DRAGON!
Alan Moore pede que leitores de Before Watchmen nunca mais leiam obras de Alan Moore
Papo na Estante 34 – Prêmios Literários
Papo na Estante 33 – Literatura de Entretenimento
Show, Don’t Tell ou Mostre, Não Diga.
Occupy Comics: Alan Moore e David Lloyd colaboram
Resenha do livro "O estranho mundo de Tim Burton"
Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida 


Hummm… O que dizer???
-
Sei lá, não é que o texto não tenha agradado mas, não gostei muito do tema. E até mesmo porque, gosto de ficar na curiosidade de saber o que vai acontecer, e antes do fim, eu ja imaginava que acabaria assim.
-
Mas de qualquer forma tá bom, realmente o que não agradou muito foi o tema.
kkkkkkkkk gostei do texto.
desenvolve esse personagem, explora esse inferno que ia ficar iradoXD
O texto ficou legal..
D
Acho que pecou pelo óbvio, um suspense a mais, melhoraria a história.
Um pouco mais de zuspense e EU q ia ter infarte
Tudo permanece em silêncio, o mesmo silêncio que desmorona sobre o coração do morto… O silêncio que ensurdece o interior dos que possuem receio. O silencio… Da morte… Ergui-me lentamente e me desloquei ate a janela… Um brilho avermelhado adquirira forma semelhante à gradação das seis velas que flutuavam sobre a mesa.
Agora olhando bem para elas… Pareciam-me anjos… Anjos flutuantes entre espectros que iam se dissolvendo, sendo absorvidos nas chamas confusas e dançantes. Destranquei a trava da janela uma rajada de vento deslizara sobre as tapeçarias do quarto alterando a compostura do candelabro. Como já tinha citado anteriormente, o castiçal era composto por seis velas, ao destrancar a vidraça o zéfiro que penetrara no ambiente surtiu um profundo efeito sobre as figuras dos anjos, exatamente como a quantidade de velas…
Eram seis anjos, e estes anjos devido ao efeito do vento, sofreram uma transfiguração. Uma modificação, por um simples instante… Por uma fração de segundo as seis chamas tomaram o aspecto de uma mulher de longos cabelos, e logo após! Uma a uma! Exatamente em fileira organizada as chamas iam se extinguindo lentamente…
Após a extinção da primeira vela, o ambiente se tornara mais escuro… Mais denso pesado e frigido. Após a extinção da segunda vela, os moves empoeirados, as armas assentadas na parede, os retratos as tapeçarias e todos os objetos entorpecidos que estavam presentes no ambiente, adquiriu um contraste mais forte, a luminosidade se tornara mais enfraquecida. Um leve tom sobrenatural pousara na superfície. Então a terceira vela se extinguiu…
Exatamente neste momento o paredão onde se achavam ornamentados as pinturas… Tornara-se quase que imperceptível, se não fosse o efeito das três restantes, nada poderia ser encontrado naquela parede repleta de assombração e tormento. Então a terceira vela se extinguirá por completo, em seguida a quarta vela… Logo a quinta vela se extinguira com maior velocidade que as demais… Tudo fora tomado pelo negro e o martírio. O luto pousara na paisagem avermelhada do exterior do castelo, e a quarto mergulhara em negridão…
A sexta vela retardara um pouco mais que as anteriores, era o único brilho que restara no compartimento, o único sopro de lividez o anjo restante… Mais como já estava destinada, se extinguirá… E o mundo morrera em um pequeno baque… Meus olhos foram tragados pela escuridão… Mais espere! Uma sétima luz surgira! Após o ranger de uma porta que se abriu violentamente… O velho surgira alvoroçado em minha busca…
Tem que desenvolver mais xD
Mesmo assim chamou minha atenção ^^