Medo na Noite
Escritor: Alisson Zimermann
- Que diabos, essa tranca não fecha…
…entramos nessa casa aparentemente abandonada. Era necessário sermos rápidos, afinal não tínhamos certeza se ele nos viu.
- Tenta colocar alguma coisa, um pedaço de madeira, sei lá.
Sussurrou ela no meu ouvido. Diferente dos sussurros de outrora, esse demonstrava o pânico, que não era muito diferente do meu, afinal por apenas alguns segundos não tivemos qualquer pedaço do corpo decepado. Precisávamos fugir, mas sair agora significava delatar nossa posição, nosso refúgio, e isso era algo que realmente não nos interessava.
Mesmo sem tranca, aquele era o local.
Uma cama com lençóis desarrumados, um bidê com uma Seleções antiga contando a história de dois aventureiros que sobreviveram a um deslize da grande montanha gelada na Antártida, uma xícara aparentemente suja com algumas teias de aranha, e um guarda-roupa velho, sem uma das portas, a terceira contando do lado da fatídica porta sem tranca e as outras com marcas de marteladas por todos os lados. Realmente era um cenário assustador, mas, quem se importava com isso?! Ele estava nos perseguindo, e mesmo qualquer barulho agora poderia ser fatal.
– E se essa for a casa dele? – Perguntou ela. Não seria de se admirar afinal com a sorte que estamos qualquer coisa seria possível.
Tentei arrastar uma gaveta do guarda-roupa, mas o barulho que ele fazia era de assustar até os diretores dos velhos filmes de terror. Só nos restava ficar aqui e torcer para que o faro aguçado daquela criatura não percebesse o medo escorrendo em nossa face.
Após algumas horas, as corujas já começaram a dar sinal de vida, e nós não aguentamos mais ficar acordados. O sono já começou a nos vencer, mesmo com o medo ainda latente nas nossas veias, isso já não era mais o suficiente para manter nossos olhos abertos. Largamos nossas coisas encima do bidê velho e olhamos a hora no celular pela primeira vez naquela noite. Já passava das duas horas da manhã, e os cães na rua começavam a criar a sua própria sinfonia. Pensei que talvez o remédio que ele tinha nos dado já começara a fazer o seu efeito. Olhamos uma outra vez, e quarenta minutos já tinham se passado, e da próxima, mais quinze.
Olhei pro lado e percebi ela dormindo nos meus braços. Depois de segurar alguns espirros pelo pó que saía do lençol, ela finalmente conseguiu descansar. Olhei pela última vez no celular e já era próximo das cinco da manhã. Por um segundo pensei que não seria muito arriscado fechar os olhos apenas um segundo…
– TRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIMMMMMMMMMM…
– MALDITO CELULAR!!! – Acordei de susto, o coração querendo sair pela garganta da mesma maneira que acontecia quando era pequeno e meu pai me acordava para ir ao colégio, ficava a manhã toda alerta, com os braços dormentes. –MALDIÇÃO–, pensei antes de pegar o celular. Olhei para os pés da cama e ali estava ele, estático nos olhando dormir.
Tentei gritar, mas minha voz já não respondia. Olhei para o lado e tentei acordá-la.
Nada…
– COMO PODE DORMIR TÃO PROFUNDAMENTE?! – Tentei tirá-la de cima do meu braço. Ela apenas rolou pro lado. Seus pulmões não mais se mexeram e seu coração já não pulsou nem uma vez. Pensei que havia chegado o meu fim. Lembrei de todos os momentos felizes que passei com ela. Meu pensamento entrou em devaneio, no último momento de lucidez, antes de olhar pela última vez a manchete da revista “A morte estava aos pés deles”. Que ironia! Olhei para a porta. Uma luz vinha de fora e ofuscava a visão fazendo com que eu apenas conseguisse ver a silhueta dele e algo na sua mão. Não consegui decifrar o que era, e nem mais me interessava. Apenas percebi que fazia um som agudo enquanto cortava o ar em minha direção….
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Interessante, bem escrito, mas podia ser maior.
Mesmo assim, está muito bom, parabens!
Obrigado Vinicius. Na verdade quando decidi começar a escrever de verdade esse foi o primeiro texto que escrevi. Meu cérebro ainda não estava muito treinado huahuaha… obrigado pelo comentário
Bem ao seu estilo, Alisson. Notei isso por causa do conto do Sinistro 2, em que você deixa o final assim também, meiop aberto.
Gostei bastante, mas como disse o Vinicius, podia ser maior.
Com o tempo eu fui amadurecendo essa idéia de escrever contos mais longos.. os próximos que vou postando vão evoluindo nesse sentido.. só não sei se pra melhor ou pra pior hehe..
Deixou um gosto de quero mais. Fantástico.