Nêmesis – Capítulo 1
Escritor: Wesley Alencar
“Frio, foi a primeira coisa que senti ao acordar, em seguida pude perceber um terrível fedor de carne podre misturada a lodo, urina, ferrugem e sangue. Meu sangue.
De início, não entendi porque não conseguia mover o braço esquerdo, até descobrir que ele estava debaixo de uma caixa enorme de madeira. Tive muito trabalho para conseguir livrá-lo do enorme peso.
Ficar de pé foi um desafio à parte, meu tornozelo estava virado na direção oposta em que deveria estar, somente ao olhar para ele foi que percebi o sangramento na coxa, causado por uma ponta solta da espessa grade de metal embaixo de mim. A ponta solta estava atravessando minha perna — talvez a dor tenha me deixado inconsciente — e removê-la foi um processo tão doloroso que prefiro não descrever.
Tendo me livrado dos grilhões que me mantinham no chão, procurei em que me apoiar, a única coisa útil que encontrei foi um guarda chuva quebrado, estava sem algumas hastes, mas o cabo se mantinha firme o suficiente para ser usado como uma bengala. Infelizmente só consegui me manter de pé por alguns instantes, porém, minha visão ficou repentinamente turva e minhas pernas não puderam mais me sustentar.
Achei que fosse cansaço o que estava sentindo, mas não, era apenas sono. Estava muito desorientado, não era o mundo que estava girando, era a minha mente fazendo milhões de perguntas ao mesmo tempo”.
Pousei a caneta sobre a escrivaninha porque meus olhos voltaram a arder. Parei pra colocar os pensamentos em ordem e olhei de relance para o relógio na parece acima de mim, foi quando percebi que apesar das poucas palavras contidas naquela folha, eu estava sentado a várias horas, apenas observando a caneta prateada em minhas mãos, admirando-a como se nunca a tivesse visto, mesmo estando perfeitamente familiarizado com canetas de várias cores.
Já estava a alguns dias tentando me concentrar num passado tão distante que parece ter sumido de vista, me esforçando ao máximo para trazer de volta a vida que esqueci. A vida que tinha antes da prisão escura que havia escrito no papel à minha frente. Foi nesse momento que a voz doce de um anjo interrompeu minha melancolia.
— Já parou? Está desistindo?
— Não — voltei o rosto para a janela no canto oposto da sala, de onde ela me observava desde que sentei — estou apenas pensando em como continuar.
— Não pense, apenas escreva o que lembrar.
— Sei que quer me ajudar, senhorita Linner, mas…
— Apenas Samantha, por favor — ela falava com seriedade na voz, mas um doce sorriso no canto da boca. Se esforçando ao máximo para ser paciente comigo.
— Perdão, Samantha — enquanto falava, ela cruzou os braços e me encarou, esperando uma desculpa qualquer para não fazer exatamente o que deveria estar fazendo, o que ela disse que ajudaria — estou certo de que só preciso descansar e amanhã continuarei a escrever, está bem?
— Não pretendia forçá-lo, apenas me preocupo em ajudá-lo da melhor maneira que puder.
Ela desistiu da postura desafiadora e desviou o olhar para a estante de livros próxima à porta, parecia desapontada, talvez comigo. Tive que me redimir.
Levantei-me e caminhei em sua direção enquanto ela me olhava, parecia querer dizer algo, até abriu discretamente a boca, mas não pronunciou uma só palavra até que eu estivesse parado à sua frente, a um passo de distância.
— Deve estar muito cansado, só conseguiu dormir e comer desde que chegou aqui. Queria poder ajudar mais.
— Você já está fazendo muito por mim, mais do que muitos lá fora fariam.
— Mas sinto que não é o bastante. Eu sei que está sofrendo, e gostaria de saber por quê.
Não pude argumentar contra isso. Apenas tomei sua mão e vi em seus olhos o reflexo da minha dor. Não saber quem sou, de onde vim, o que faço pra viver. Perdi minha vida e aquela linda morena de olhos claros apenas quer me ajudar a encontrá-la, talvez para fazer parte dela.
Quis beijá-la, mas não pude deixar de perceber o cheiro de cigarro e o engatilhar da arma, mesmo que ambos estivessem do outro lado da rua. Amaldiçoei a mim mesmo por não ter sido rápido o suficiente para tirá-la do caminho.
A bala atravessou seu pescoço e me atingiu no peito com a força de um enorme martelo, fomos arremessados ao chão e minha mente voltou a girar, desta vez sem pergunta alguma.
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Acaba assim? seriously? E a continuação???
Linguagem e ritmo muito bons! Só o final pareceu rápido demais, rsrs
TEM QUE TER CONTINUAÇÃO xD
Fodaaaaaaa muito bom mesmooooooooo
Galera, agradeço muito os elogios, eles são o melhor motivador que existe. Entretanto, o conto “Nêmesis” está se tornando um livro que será publicado em breve, portanto, não é possível continuar a postá-lo online.
Para os que desejarem conhecer outros textos meus, podem visitar o meu blog:
http://www.contosinacabaveis.blogspot.com
ou aguardar que meus próximos textos sejam publicados aqui.
Forte abraço.
@wesleyalencar